Monserrate II

>> terça-feira, outubro 11, 2005

Desde a última visita que fiz a Monserrate, fiquei sempre com a intenção de lá voltar para ver o interior do Palácio. Este Sábado, fiz-me à estrada e, como moro perto, cheguei lá por volta das 10:00h da manhã, o que dá direito a visita guiada sem marcação.
As plantas que cobrem o lago da Cascata têm esta flor que parece a parte de trás de uma seta
A primeira coisa que ficámos a conhecer foi o Monserrate, o cão adoptado pelo pessoal da quinta, que é um bocado arisco, mas parece muito feliz com a sua nova casa. E não é caso para menos.
Aqui vemos o Azevinho
Depois iniciámos uma longa visita ao jardim, com explicações muito competentes e interessantes sobre cada planta, árvore ou arbusto que encontrávamos pelo caminho. Deixo aqui algumas imagens das muitas plantas que por lá se podem ver.

Aqui podemos ver a M. a experimentar abraçar as costelas de Adão.

Aqui temos um feto arbóreo. Sabiam que estas plantas já existiam no tempo dos dinossauros?

Esta borracheira um dia destes vai esborrachar a pobre ruína romântica que lhe serve de sustentação. As suas raízes aéreas, de resto, são de uma beleza singular.

O Palácio, visto a partir da Araucária que lhe está a poente.
Esta é uma árvore fantástica. Dizem que tem cerca de 50m de altura (eu acho um pouco de exagero, mas é muito alta).

Uma estrelícia já nos canteiros da entrada poente.

O corredor que leva ao torreão Norte, visto da fonte, na entrada do palácio. Toda a luz que se vê nestas próximas imagens é a luz do dia. Não há nenhuma fonte artificial de luz. Nesse aspecto este palácio é um poema arquitectónico.

Por cima da fonte da entrada temos este tecto magnífico. Mais uma vez, não há aqui outra luz que não a do Sol. No andar de cima temos uma espécie de mezaninne redonda que percorre toda a periferia deste poço.

Estas são as clarabóias que iluminam os corredores. A parte vermelha que se vê em redor delas é uma camada de chumbo que torna os telhados impermeáveis. Este chumbo foi outrora vendido por um leiloeiro que deitou as mãos a este palácio e cuja família ainda hoje deve carregar o desgosto e a vergonha de descenderem desse criminoso. Acontece que vendeu todo o recheio do palácio e toda a cobertura de chumbo que o isolava da intempérie, votando-o à desgraça em que se encontra. Felizmente esse problema já está hoje corrigido, mas o interior apresenta profundas cicatrizes das mazelas desse longo periodo de destruição.

É verdade que a personagem não é propriamente um exemplo de estatura média da população, mas dá na mesma para ver a grandiosidade dos espaços. O ambiente interno é mágico e faz sonhar com os tempos em que os Cook passavam por ali os Verões.

Aqui vemos o impressionante trabalho em alabastro que ornamenta toda a mezaninne de que falei atrás. Se isto não é um poema, o que será?

Este é o poço de uma das escadas que levam ao 1º andar. É uma escada imponente, sem qualquer apoio para além das paredes deste poço. Além de ser belíssimo é notável como engenharia. Optei por deixar as partes brancas depois de rodar a foto, para não se perder o efeito de espaço. É que tive que poisar a máquina sabe-se lá onde e não deu para compor melhor.

Tecto do torreão Norte. É um espaço muito bonito, cheio de luz. De algumas das janelas vejo a minha casa.
Por enquanto a visita deixa de fora muitas áreas onde eu gostaria de ter entrado, mas vale bem o esforço. Se forem municipes pagam apenas 4.5€, não se pode considerar caro.
É daqueles lugares onde gostaria de ser deixado ao nascer do Sol, com uma máquina fotográfica e um tripé. Não precisava de mais nada senão umas bolachinhas, água e uma dúzia de rolos Velvia 50. Era até ser de noite. Apetece espreitar cada recanto, vaguear ao sabor da imaginação, sentindo a presença dos antigos habitantes. Deambular por ali à vontade seria uma grande emoção.
Apreveitem as visitas das 10:00h da manhã. Não é assim tão cedo e, no meu caso, eramos apenas 4 adultos, uma meia-dose e a guia do Monte da Lua.
Passem por lá e depois contem-me como foi.
ZM

8 comments:

JN 10/11/2005 12:24 da tarde  

É um facto: o palácio está deslumbrante! E que belas fotos aqui estão, ZM. Essa visita das 10H é a única sem marcação? E os bilhetes estão a quanto? Parece-me que o ideal é ir durante a semana, deve ter menos gente.
Fotografador | Contra-indicado

mj 10/11/2005 5:08 da tarde  

Fica registrado na agenda, será uma das próximas visitas. A última que fiz por aqueles lados foi à Quinta da Regaleira. Adorei, e também recomendo passar por lá.

mj 10/11/2005 5:08 da tarde  
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PMBC 10/12/2005 12:10 da manhã  

Não consigo uma grande precisão sobre o assunto mas lembro-me de um romance do Arturo Peres-Reverte (A Sétima Porta?) que ilustra cheio de saber e de sabor a decadência do Palácio de Monserrate e de um bibliófilo que dolorosamente se desfaz dos últimos volumes.

Pessoalmente apaixona-me a capacidade que Monserrate tem demonstrado para ciclicamente passar da total ruína ao explendor. Vamos a ver se, com esta recuperação, consegue voltar ao de cima.

Anónimo,  10/12/2005 12:25 da tarde  

Obrigado pela sugestão, agora com a chegada da chuva Sintra ainda fica mais bela!

Ricardo Rodrigues

Azenhas 10/12/2005 1:21 da tarde  

O JN está armado em finório e não quer ao fim de semana, mas eu dava-me muito jeito saber se há visitas ao sabado à tarde ou domingo. De manhã não tenho o pequenote e adorava leva-lo comigo!

Grandes fotografias aqui tens amigo ZM. Grandes fotografias e um belissimo texto.

Da minha janela, aquele abraço.

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras 10/12/2005 9:49 da tarde  

É um palácio deslumbrante e as fotografias estão excelentes. Parabéns!

Anónimo,  10/24/2005 2:52 da tarde  

"O ambiente interno é mágico e faz sonhar com os tempos em que os Cook passavam por ali os Verões". É, realmente, uma viagem ao passado e também fiquei a imaginar como seria o dia-a-dia de quem ali viveu nesses tempos idos, mais propriamente do meu trisavô, pessoa a quem foi confiado todo o projecto paisagístico e plantio do parque de Monserrate. Seu nome: Francis Burt. Bonito trabalho, ZM, gostei muito.
Abraços,
mbc

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Sobre este blog

Somos Sintrenses por adopção, daí o frequente interesse por temas relacionados com Sintra. Actualmente, vivemos na ilha Terceira, nos Açores, mais propriamente na cidade de Angra do Heroísmo, o que transformou este blog, de alguma forma, num canal privilegiado para ir dando a conhecer como é a vida no meio do Atlântico.

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