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Flores na casa de banho

>> sábado, janeiro 02, 2016

Segundo dia do ano.
O Simão pediu para ir fazer cocó, desculpem começar assim, mas ele nunca vai à casa de banho sozinho e a história decorre daí. Entretanto, sentado na borda da banheira, eu lia o Afonso Cruz.

“...queremos o conforto da banalidade, daquilo que conhecemos, sentarmo-nos num restaurante e pedir sempre o mesmo bitoque, olhar para a corrupção quotidiana como quem olha uma montra de pronto-a-vestir, fazer sempre as mesmas maldades, dobrar as camisolas da mesma maneira, votar nos mesmos criminosos, saber que as meias estão na gaveta certa, ignorar a miséria e ter a certeza absoluta de que os chapéus não serão jamais pousados em cima da cama.”

“...viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, aquilo que não fazemos todos os dias.”

Entretanto, o Simão acabou a sua função metabólica. Fui-lhe lavando o traseiro enquanto comentava que também gostaria de evacuar assim: sentava-me na retrete e o resto alguém faria por mim, acabando sempre com a peidola lavadinha.
O Simão disse: “Não, porque tu és pai”, e eu: “Sou pai, mas também sou filho”. Pausa breve. “És filho, mas é de um pai que é avô, tu já sabes”.
É assim a ordem das coisas, se somos filhos de um pai que já é avô, já sabemos o que temos que saber, já ninguém cuida de nós.
Adoro a filosofia dos putos, mesmo na casa de banho.
Sobretudo com as palavras do “Flores” a ecoarem-me nas ideias, talvez perfumando aquele lugar àquela hora da manhã.

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A emergência criativa

>> sexta-feira, outubro 30, 2015



Há 20 anos atrás (mais coisa, menos coisa) li um romance de que gostei muito: "O Inverno em Lisboa" de Antonio Muñoz Molina. Há pouco tempo tropecei num outro romance do mesmo autor - "Como la Sombra que se va" - na língua original, e comprei-o para o ler. Este último fala do percurso que o assassino de Martin Luther King terá feito em Lisboa, em 1968, quando andava fugido. E também fala do autor de um romance chamado "O Inverno em Lisboa", que terá vindo a Lisboa em meados dos anos 80 para se documentar para a escrita desse livro.
Por essa razão, acabei por interromper a leitura do novo livro e mergulhei de novo no outro.
Está a ser uma experiência narrativa absolutamente apaixonante. A pessoa que eu sou hoje ao ler o livro que li há quase duas décadas não é a mesma. Delicio-me a cada página com as diferentes leituras que faço, demonstração evidente de como a mundividência nos vai transformando. Visito partes de mim que sei que não procuro visitar, que estão na sombra, limpo-lhes o pó. Tem sido um exercício agitado de análises e balanços.
A dois dias de virar meio século, começo finalmente a perder cautelas e a revelar-me mais completo. Como diria a minha avó: "já não perco casamento".
Trago-vos hoje este pedaço d'O Inverno em Lisboa:

Olhando para o quadro que ilustra esta conversa toda, diz o autor:
"Biralbo disse-me que olhar para aquele quadro era como ouvir uma música muito próxima do silêncio, como ser possuído lentamente pela melancolia da felicidade. Compreendeu de repente que era assim que ele devia tocar piano, como aquele homem tinha pintado: com gratidão e pudor, com sabedoria e inocência, como se soubesse tudo e tudo ignorasse, com a delicadeza e o medo que temos quando nos atrevemos pela primeira vez a uma carícia, uma palavra necessária. As cores, diluídas na água ou na distância, desenhavam no espaço branco uma montanha violeta, um campo de leves manchas verdes que pareciam árvores ou sombras de árvores, na penumbra de uma tarde de Verão, um caminho perdendo-se até às colinas, uma casa baixa e sozinha com uma janela esboçada, uma avenida com árvores que quase a ocultavam, como se alguém tivesse escolhido viver ali para se esconder, para olhar sozinho o cimo da montanha violeta."

No capítulo seguinte remata:
"Como algumas vezes o amor e quase sempre a música, aquela pintura fazia compreender a possibilidade moral de uma estranha e inflexível justiça, de uma ordem quase sempre secreta que modulava o acaso e tornava habitável o mundo e não era deste mundo. Algo sagrado e hermético e ao mesmo tempo quotidiano e diluído no ar, como a música de Billy Swann quando tocava o seu trompete num tom tão baixo que o seu som se perdia no silêncio, como a luz ocre, rosada e cinzenta dos fins de tarde em Lisboa: a sensação não de decifrar o sentido da música ou as manchas de cor ou o mistério imóvel da luz, mas de ser entendido e aceite por eles."

É uma das mais belas descrições que tenho lido da emergência criativa, daquilo que nos faz divinos, da paixão com que podemos olhar para o mundo.

Bateu.


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Um início auspicioso

>> quinta-feira, janeiro 01, 2015



Hoje, às primeiras horas do dia, enquanto saboreava o meu "green smoothie" matinal, comecei a ler o 1Q84, do Haruki Murakami.
A cena inicial, magistralmente escrita, tem como banda sonora esta épica sinfonia que aqui vos deixo. Convido-vos a ouvirem-na até ao fim, porque ela parece fazer sentido como um todo. A forma como Murakami ajusta a narrativa da cena à musica que a personagem ouvia no táxi onde seguia é absolutamente magnífica. A menos de 30 páginas do início do livro, estou desde já capturado para o seu universo e em pulgas para seguir adiante.

Este blog está animado :-)

Que 2015 vos (nos) corra tão épico como a música que Murakami me ofereceu nesta abertura de livro e de ano.

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A cabeça...

>> quinta-feira, dezembro 26, 2013

"A cabeça (...) é muito frágil e, embora não dê para abrir e ver, ela tem coisas dentro, que são coisas que se dizem ou que se vêem, e nós devemos ter cuidado com o que nunca mais possamos tirar de lá."
valter hugo mãe
in "o nosso reino"

Um livro impressionante.

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Famintos

>> sexta-feira, maio 04, 2012

Estou a ler o gigantesco "A Queda dos Gigantes", de Ken Follett, o primeiro de uma trilogia que estou ansioso por continuar (embora o próximo volume só esteja agendado para o final deste ano). Hoje, numa das minhas deslocações para o escritório de livro em riste, tropecei neste parágrafo, que achei particularmente adequado aos recentes acontecimentos:

Depois do banquete, os soldados foram convidados para se dirigirem às traseiras e consumirem os restos que a criadagem da casa não quisera: nacos de carne e peixe, vegetais frios, pães já trincados, maçãs e pêras. A comida foi depositada numa mesa de cavalete e misturada de qualquer maneira, fatias de presunto besuntadas de paté de peixe, fruta no molho da carne, pão salpicado com cinza de charuto. Não obstante, visto que tinham comido ainda pior nas trincheiras e o seu pequeno almoço à base de papas de aveia e bacalhau salgado já lá ia havia muito, serviram-se como famintos.

Isto passava-se no Outono de 1916, mais de dois anos decorridos do início da Primeira Grande Guerra. A minha mãe nasceria escassos 9 anos depois destes acontecimentos. Nada disto está assim tão longe. Às vezes parece que nos esquecemos de como chegámos aqui.

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Nobreza

>> segunda-feira, abril 02, 2012

Na sequência deste post, e agora já encostado ao final do livro, deixo-vos aqui outra tirada que achei curiosa:

"A verdadeira nobreza, sei-o agora, é isto. É caminhar toda a nossa vida com passos certos, com passos que nos saiam do coração; é os nossos actos estarem de acordo com as nossas ideias, mesmo que o preço seja alto. E não impor essas ideias a ninguém, e ser modesto e compassivo na nossa grandeza."

Parece-me um bom lema de vida.
Boa semana aos meus leitores.

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Leituras

>> segunda-feira, março 12, 2012

Estou há já alguns meses a ler livros excelentes, um atrás do outro, avidamente.
Já não sei onde começou esta fortuita sequência, mas lembro-me do fabuloso Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe; do Kafka à Beira Mar, do Haruki Murakami; After Dark, do mesmo autor; O Segredo do Alquimista, de Scott Mariani; El Palacio de La Medianoche, do Carlos Ruiz Zafón; La Playa de los Ahogados, de Domingo Villar (uma história encantadora, à volta da Ria de Vigo, cheia de mar, de tabernas galegas, de memórias do passado); e agora, finalmente, tenho em mãos a História do Rei Transparente, de Rosa Montero.


Neste último, a páginas tantas, lê-se:
"- Correm tempos maus, Leola. Eu não conheci outros, mas dizem que antes, há muito tempo, existiu um mundo diferente, um mundo de honra e de palavra, no qual os cavaleiros se sentavam juntos à mesma mesa e honravam o seu Rei, o grande Artur. Hoje, os reis são uns cobardes e os cavaleiros uns miseráveis. Hoje impera a cobiça e as palavras valem tão pouco como ervilhas podres. (...) Os velhos são considerados animais inúteis e doentes de que é preciso desembaraçar-se. Mas eu sei que isso não é assim. Eu sei que a velhice é a verdadeira etapa épica do Homem, é a idade em que nós, os guerreiros, temos de travar a nossa batalha mais gloriosa. Não há gesta maior, não há proeza maior que saber envelhecer e morrer bem."
Este romance passa-se no século XII, mas penso que este discurso, nove séculos volvidos, continua a fazer sentido. Avançámos muito, mas ainda não chegámos lá.

Boas leituras.


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Surf e Schubert

>> sexta-feira, janeiro 13, 2012



"Praticas surf?
- Nunca experimentei - faço-lhe saber.
- Se alguma vez tiveres oportunidade, pede ao meu irmão que te ensine. Ele é muito bom - afirma Oshima. - Caso o venhas a conhecer, vais ver que é muito diferente de mim. É alto, queimado do sol, calado, não muito sociável. É adepto da cerveja. E não saberia distinguir Schubert de Wagner. Mas damo-nos lindamente."

Haruki Murakami - Kafka à beira-mar.

(acho que estou apaixonado por este livro)

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Livros

>> quinta-feira, janeiro 12, 2012

Principalmente por curiosidade, mais do que à procura de encontrar um grande livro, acabei há pouco de ler o Último Segredo, do José Rodrigues dos Santos.

Tal como previa, é um livro muito fraquinho, com uma história ligeira, muitas vezes previsível, com personagens coladas com cuspo, onde apenas destaco o trabalho de investigação sobre o qual se monta o romance. A ler na praia, quando não houver mesmo mais nada para fazer.

Acabado aquele, peguei no Kafka à Beira-Mar, do Haruki Murakami, o primeiro livro que leio deste autor. Estou talvez a 20% da leitura, mas já me sinto preenchido.

No final, se for caso disso, voltarei a falar deste livro tão inebriante.

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O Veado Florido

>> quarta-feira, março 02, 2011

A Madalena, do alto dos seus 8 anos, sentou-se ontem ao PC e escreveu este resumo da história do Veado Florido, que já conhecia. O texto saiu-lhe tal e qual da cabeça.
A única coisa que corrigi foram erros semânticos e sugeri que substituísse a palavra cornos por armações. Fora isso, é tudo da sua cabeça:

"O Veado Florido

Era uma vez um rei que odiava animais.
Um dia ficou doente e chamou um médico. Quando o médico chegou ao palácio disse que a cura para a doença era conviver muito com animais.
O rei quando ouviu aquilo corou de raiva e disse
- Mas eu odeio animais.
O médico disse que ele ia aprender a gostar de animais.
E assim foi, passado uns meses o rei gostava de animais. E gostava tanto de animais que se viciou em animais. E começou a mandar os criados irem buscar animais para ele os coleccionar. Mas ele não queria uns animais quaisquer, ele queria animais muito especiais.
Um dia, um criado encontrou uma coisa muito estranha, ele encontrou um veado com flores nas armações e achou logo que ia ganhar muito dinheiro com isso e levou-o amarrado a uma corda.
Quando chegou ao palácio viu que o veado já não tinha flores, só que entretanto o rei já lhe tinha dito:
- Anda cá para eu ver o que trazes.
O criado mostrou-lhe o veado. O rei quando viu o veado disse:
- Mas isso é só um veado vulgar!
O criado disse:
- Sua alteza este veado tem flores nas armações, agora não tem porque é Outono e elas caíram.
Então, o rei disse que só lhe daria o dinheiro depois de crescerem as flores ao veado.
Passaram-se muitos dias, até que chegou a Primavera e mesmo assim não cresciam flores ao veado. O rei começou a achar muito estranho e o criado também, mas na verdade o veado estava sem flores pela tristeza que sentia de estar preso numa jaula.
Um dia, o rei soltou o veado e disse que aquele veado era normal como os outros e no momento em que o soltou começaram a crescer-lhe flores novas e bonitas. O rei, quando viu aquilo, percebeu que o veado não tinha flores pela tristeza que sentia e teve tanta pena dele que o deixou ir para o bosque em paz e nunca mais prendeu nenhum animal. Percebeu que se fosse para o bosque olhar para eles encontrava muitos com um ar muito mais contente e bonito."
Madalena Oliveira, contado do livro “O Veado Florido"

Nesta matéria, é um orgulho de criança.
ZM

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A Hora do Conto - CCAH

>> sábado, novembro 20, 2010

Iniciei há dias um projecto fotográfico que me está a divertir muito. É (será) um conjunto de fotografias de baixa fidelidade, propositadamente (mal) tratadas por uma aplicação do Android, o sistema operativo do meu recente mini computador, vulgo telemóvel.
É uma forma completamente diferente de fotografar e partilhar as imagens, onde a simplicidade é o mote principal. É tudo feito no telemóvel, sem as fotos passarem sequer no PC. O aspecto Polaroid e o Preto e Branco servem para que nunca tenha que me preocupar com a qualidade das imagens, ficando assim muito mais solto.
O objectivo é trabalhar temas novos e sobretudo a composição fotográfica.
Esta foto é uma das da série e neste caso trata do verdadeiro tema deste post: "A Hora do Conto", no Centro Cultura de Angra do Heroísmo.



É um evento que acontece todos os Sábados, às 16:00h, e que é uma viagem fantástica ao universo infantil, quase sempre conduzida por experientes pilotos da nossa imaginação.
Têm por lá passado animadores de imensa qualidade, que me têm encantado com as suas performances, de uma forma tão intensa que por vezes me pergunto se lá vamos porque achamos que os miúdos gostam ou se vamos porque já não vivemos nós (os crescidos) sem aquele momento.
Aquela hora tornou-se sagrada no nosso fim-de-semana. Assim que nos sentamos naquela salinha caem do tecto uns pós mágicos que nos transportam para um universo encantado onde sabe muito bem estar.
No final trazemos sempre alguns livros que vamos lendo às crianças ao longo da semana. Tudo à borla.
Recomendamos vivamente.

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Duas paixões antigas

>> sábado, julho 24, 2010



"(...) pelo que vou aprendendo os mortos ainda são piores que os velhos, se lhes dá para falar perdem o tento na língua, Tem razão, se calhar é o desespero de não terem dito o que queriam enquanto foi tempo de lhes aproveitar, Fico prevenido, Não adianta estar prevenido, por mais que você fale, por mais que todos falemos, ficará sempre uma palavrinha por dizer, Nem lhe pergunto que palavra é essa, Faz muito bem, enquanto calamos as perguntas mantemos a ilusão de que poderemos vir a saber as respostas."
Mais um excerto d'"O Ano da Morte de Ricardo Reis" - José Saramago

Duas paixões de longa data: Philip Glass e Saramago. Ando nestes dias a "consumi-los" sem moderação.

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O Ano da Morte de Ricardo Reis

>> quinta-feira, julho 15, 2010

"(...)um homem não pode andar por aí à toa, nem só os cegos precisam de bengala que vá tenteando um palmo adiante ou de cão que fareje os perigos, um homem mesmo com os seus dois olhos intactos precisa duma luz que o preceda, aquilo em que acredita ou a que aspira, as próprias dúvidas servem, à falta de melhor."
José Saramago - O Ano da Morte de Ricardo Reis

PS: dá para perceber que ando a reler Saramago. Que prazer!

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A Caverna

>> sexta-feira, julho 09, 2010

"O erro, meu pai, também pode ser consequência de ter pensado bem, além disso, que eu saiba, não está escrito em nenhuma parte que precipitar-se tem forçosamente de levar a maus resultados, Espero que nunca te enganes, Não sou tão ambiciosa, só queria não me enganar esta vez(...)"

"Acreditas na divina providência que vela pelos desvalidos, Não, o que creio é que há ocasiões na vida em que devemos deixar-nos levar pela corrente do que acontece, como se as forças para lhe resistir nos faltassem, mas de súbito percebemos que o rio se pôs a nosso favor, ninguém mais deu por isso, só nós, quem olha julgará que estamos a ponto de naufragar, e nunca a nossa navegação foi tão firme(...)"

José Saramago, A Caverna.

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Ainda Saramago

>> segunda-feira, junho 28, 2010

"...há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa (...). A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar."
José Saramago in "A Caverna"

Pergunto-me a que margem terão chegado, se a alguma, as pessoas que dizem que não gostam de ler Saramago. Talvez se tenham afogado em preconceitos, afundando-se inutilmente até ao leito.

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Levantado do Chão

>> sexta-feira, junho 18, 2010

Morreu hoje, há pouco, o escritor de quem li mais livros em toda a minha vida. Este dia havia de chegar. Chegou hoje. Morreu José Saramago.
Tal como o Rui Vasco, já percebi que muita gente parece alegrar-se com a partida deste grande escritor português. Somo à tristeza da perda a tristeza de cada vez me identificar menos com tanta estupidez à solta.
Conheci o autor pelo Memorial do Convento, algures no início da década de 80. Adorei o livro e é daqueles que tenciono voltar a ler. Tive uma gata chamada Blimunda, que teve um triste fim, e tenho ainda um Baltazar, já velhote. O outro chama-se Zorbas (Sepúlveda e o seu gato que ensinava gaivotas a voar).
Depois, lembro-me de ler tudo o que apanhei pelo caminho, nomeadamente:

  • Levantado do Chão, que adorei e que seguramente contribuiu para me empurrar para a esquerda, politicamente
  • O Ano Da Morte De Ricardo Reis
  • Jangada de Pedra
  • Todos os Nomes
  • O Evangelho Segundo Jesus Cristo
  • Ensaio Sobre a Cegueira
  • A Viagem do Elefante
  • Caim
Faltam-me ainda alguns, que espero ler entretanto. Houve um único que tentei ler e não me agarrou: História do Cerco de Lisboa.
Também é verdade que me surpreendia a arrogância do discurso e a falta de flexibilidade do pensamento no autor daqueles livros, mas isso interessa-me pouco. Interessam-me os livros e com ele morto não haverá mais. Disso tenho pena.

Encontro em dois autores actuais e bem vivos, contágio do estilo Saramago, já falei de ambos neste espaço: José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe.
Morreu o autor, vivam os livros.

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A Máquina de Fazer Espanhóis

>> quarta-feira, junho 02, 2010


Um livro extraordinário, de valter hugo mãe, que acabei de ler na terça-feira.
Fala da velhice, da amizade, da descoberta da vida, às portas do seu fim. Fala da fé e da forma saloia como alguns a vivem. Fala da morte, evidentemente, e do medo que lhe temos, dos pássaros negros que provavelmente povoam os sonhos de todos os velhos.
Tem aquela linguagem que dá prazer como um bom vinho. Saboreia-se página a página e fica-se saciado no final. Recomendo sinceramente.
Comprei aqui.

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o remorso de baltazar serapião

>> domingo, março 07, 2010


andava há muito para ler este livro, o remorso de baltazar serapião, de valter hugo mãe. assim, sem maiúsculas, que é como está escrito.
relata a vida de um tal baltazar serapião, a quem chamam sarga por nome da vaca da familia, de quem o povo diz que são filhos. a época em que decorre é de uma crueldade brutal, passe o pleonasmo. a linguagem e o ritmo narrativo são avassaladores. as palavras são berlindes por uma escada abaixo numa torrente rítmica narrativa que não se consegue largar. valter hugo mãe ganhou com este romance o prémio josé saramago 2007. ainda não o acabei, mas já me parece um justo prémio.
é impressionante como uma história tão cruel pode ser contada com uma linguagem e um modo tão absolutamente belos.
não percam esta obra de arte.

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La Mano de Fatima

>> sexta-feira, março 05, 2010


Acabei ontem este livro. Achei-o fenomenal. Gostei de o ler na língua original.
Tem um ritmo de filme e não se consegue largar antes da última página.
É um retrato cru da forma como foram tratados os "mouros" durante a idade média. Julgo que pode ser um interessante pretexto para uma reflexão sobre a forma como acolhemos culturas e religiões diferentes da nossa.
É o segundo livro que leio deste autor, o outro foi "La Catedral Del Mar", sobre a Catedral de Santa Maria Del Mar, em Barcelona. Recomendo ambos.
ZM

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Trilogia de Nova Iorque

>> sexta-feira, janeiro 29, 2010

"(...) there were times when he shocked me by his willingness to jump into dangerous situations.(...) Fanshawe would talk to me about the importance of 'tasting life'. Making things hard for yourself, he said, searching out the unknown - this is what he wanted, and more and more as he got older."

"(...) the circumstances under which lives shift course are so various that it would seem impossible to say anything about a man until he is dead. Not only is death the one true arbiter of happiness (Solon's remark), it is the only measurement by which we can judge life itself."

Paul Auster in "The New York Trilogy" (acabei ontem).

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