Tenho andado um bocado arredado destas lides.
Há dias fui entregar à Quinta do Luzio, aqui bem perto, umas telas de publicidade usadas, para serem recicladas numa construção ecológica que lá está a nascer. As telas foram gentilmente cedidas por um casal de escaladores amigos, a quem muito agradeço (eu e a Quinta do Luzio).
Estavam por lá a fazer Sidra. Aqui ficam algumas fotos.
O edifício principal da Quinta.
O tal edifício ecológico (uma casa individual) que está a ser actualmente construído totalmente com materiais reciclados.
A Loja, onde se fazia a tal Sidra.
O mesmo.
As maçãs para a referida Sidra.
A Quinta do Luzio tem um ambiente onde apetece estar mais tempo. Tudo é orgânico, reciclado, (re)construido. Acredito que o mundo será infinitamente um melhor lugar quando mais gente seguir aquele modelo de despojamento, por um lado, e de comunhão com a natureza, por outro. Gosto de lá ir. A ver se trago de lá mais fotos nos próximos tempos.
É a isto que me refiro quando digo que a solução para os problemas do mundo não passará pelos partidos políticos.
A economia dos cidadãos está finalmente a surgir, apoiada em ferramentas de colaboração e redes sociais.
Eu quero acreditar que este poder do colectivo será o driver mais importante da próxima transição.
Queres fazer parte?
A temperatura média da Terra subiu já 0.8ºC desde antes da Revolução Industrial, como resposta às actividades humanas que decorreram há 50 a 100 anos.
Se nos mantivermos business as usual estamos a caminho de um aumento da temperatura média da Terra que poderá estar entre 5ºC e 7ºC, ainda durante este século. Eu já cá não estarei, mas os meus filhos, supostamente, estarão.
Um problema grave decorrente deste aumento exagerado da temperatura da Terra é que há uma série de efeitos de realimentação positiva, que o amplificam: o aquecimento dos oceanos faz com que eles libertem CO2 que têm "diluído", o que aumenta a concentração de CO2 na atmosfera; os gelos polares, quando derretem, transformam uma superfície branca reflectora numa massa de água que absorve mais energia, contribuindo de novo para o aquecimento do oceano.
Se se verificar um aumento de 5ºC a 7ºC, esses efeitos de realimentação tornarão o aquecimento global descontrolado e dificilmente "travável". Haverá inúmeras zonas do globo, onde hoje as temperaturas máximas são da ordem de 27ºC, que passarão a ser inabitáveis por humanos, porque a temperatura exterior poderá chegar aos 82.2ºC. Ainda neste século.
Podemos continuar a enterrar a cabeça na areia, fazendo de conta que o problema não existe ou não será assim tão grave, mas eu preferia que toda a gente se assustasse de facto, para que cada um de nós colaborasse na inevitável e urgente redução global de emissões de gases com efeito de estufa. Read more...
I dedicate this post to the climate-change deniers.
Climate-change deniers come in three basic varieties: those paid by fossil fuel companies to deny that global warming is a serious human-caused problem; those scientists, a small minority, who have looked at the data and concluded for different reasons that the rapid and extensive increase in greenhouse gas emissions since the Industrial Revolution is not a major threat to the planet’s livability; and, finally, those conservatives who simply refuse to accept the reality of climate change because they hate the solution – more government regulation and intervention.
That the climate is now changing in ways unusual against the backdrop of long-term natural variation is accepted by nearly everybody. There’s a very strong understanding among knowledgeable scientists that human activities are responsible for most of what’s unusual about the current pattern of climate changes. Yet many in the media have treated climate change as if every one of this points were still in doubt and the expert community was equally divided on them.
The current reality is that not only is the climate changing because of human activities, but there is also mounting evidence that it is changing considerably faster than even the most worried climatologists were predicting just three of four years ago, and may unfold in an even more unmanageable and disruptive manner than they expected.
"Hot, Flat, and Crowded" - Thomas L. Friedman, 2008
First Law of Petropolitics: In oil-rich petrolist states, the price of oil and the pace of freedom tend to move in opposite directions. (The higher the average global crude oil price rises, the more free speech, free press, free and fair elections, freedom of assembly, government transparency, judicial independence, rule of law, and formation of independent political parties and nongovernmental organizations are eroded.)
Second Law of Petropolitics: Today, you cannot be either an effective foreign policy realist or an effective democracy-promoting idealist without also being an effective energy-saving environmentalist.
Excerpts from the book "Hot, Flat and Crowded", of Michael Friedman.
An interesting book, written about 4 years ago, but predicting most of the energy, demography and economy problems we are dealing with today. Recomended.
Este é o tema que está na ordem do dia na minha agenda.
Como família, temos dado passos decisivos nesta direcção.
A transição para um novo modelo de sociedade, mais sustentável e resiliente é inevitável. Quanto mais cedo entrarmos nesse caminho, mais adiante estaremos quando formos confrontados com a inevitabilidade.
Hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis, produção do próprio alimento e energia, eficiência no uso da energia e dos recursos, redução drástica do lixo produzido, hábitos de transporte menos dependentes de combustíveis fósseis, consumo moderado de tudo o que não seja básico, aproveitamento e consumo racional da água, são tudo coisas que podemos ir avançando, para não sermos apanhados pela vaga com as calças na mão.
Quando, no post anterior, fiz esta pergunta:
"O que será desses Portugueses e do território que hoje ainda povoam, à custa de muita miséria e sacrifício, daqui a mais uma ou duas décadas?", não esperava por esta resposta: Vão transformar-se no Eucaliptal das celuloses.
Quando este governo finalmente fechar a porta, deixará atrás de si uma destruição tão profunda de tudo o que era ou poderia ser produtivo em Portugal que me pergunto sinceramente se continuará a valer a pena querer cá morar.
Please, watch this presentation about the four principles for an "Open world". It talks about openness, trust, collaboration, the first digital natives generation (our kids), the fabulous networked intelligence and, perhaps, a global conscience in a near future which will help us to save our commons.
Stay tuned for the following post.
Haveria tanto a destacar desta reportagem, divulgada pelo Miguel, que prefiro remeter-vos para o seu conteúdo total.
Vejam com atenção e meditem nos ensinamentos de Vandana Shiva.
Esta começa a consolidar-se como a matriz do nosso pensamento actual. Nós estamos a caminhar na direcção que Shiva preconiza.
Um bom ensinamento que retiro das suas palavras é que não devo preocupar-me se irei ou não a tempo ou se a transição ainda ocorrerá durante o meu tempo de vida. Faremos o que estiver no nosso coração, independentemente do ponto a que cheguemos.
A transição está aí. Querem embarcar?
Celebro este Solstício com um álbum de Erik Wollo, chamado precisamente Solstice.
Está cada vez mais na hora de apelarmos à defesa da Terra. Somos parasitas desenfreados, que acabaremos por matar o hospedeiro, extinguindo-nos igualmente.
Estamos perante a famosa Tragédia dos Comuns, mas desta vez à escala global. Cada um de nós tem que fazer aquilo que pode não parecer o mais racional, que é reduzir o seu peso no consumo global. Só que, a menos que este seja um movimento global, não surtirá efeito. A Terra é finita.
Imaginem um batido feito com couve, alface, espinafres, salsa, maçã, pera, banana, uns morangos, alguns frutos silvestres, um fio de azeite, uma pitada de sal e algumas amêndoas e sementes. Tudo bem processado numa liquidificadora potente e sai uma coisa semelhante ao que se apresenta nesta imagem, picada daqui.
Pode parecer uma coisa disparatada, mas garanto-vos que é não só uma delícia, como uma bomba de vitaminas, energia e saúde para as nossas velhas carcaças, cheias de venenos.
Ultimamente, este tem sido o pequeno-almoço oficial lá de casa e por agora estamos a adorar.
É um hábito que vale a pena experimentar. Para quem queira investigar um bocadinho como fazer as coisas e quais os benefícios, aqui ficam alguns links interessantes sobre o assunto:
Uma das frutas que colocamos em quase todos os Green Smoothies é a banana, que eu habitualmente não suporto. Pois neste caso, misturada com os outros frutos e, sobretudo, com os verdes, nem dou por ela.
Para quem tenha uma horta, sobretudo se for biológica, esta é também uma forma estupenda de ir aproveitando o que a horta dá.
Daqui a uns meses, se for caso disso, voltarei a dar aqui conta de eventuais benefícios de que venha a aperceber-me.
Experimentem!
Once in a while you stumble upon someone who seems to shake your life, driving you into a new path.
I am surely on a changing phase, since I am experiencing incredible new sensations and knowing incredible people, increasing the feeling that a totally different future is waiting for me to dive into it.
Well, recently I would recall two very special facts that seem to be getting more important than I thought in the beginning: the visit to "Alto Alentejo", where I think I would live happily without much luxury; and knowing the Ross family (the reason why this post is written in English), who have so much to teach us about education and healthier life.
We participated today on a workshop about Green Smoothies, a very interesting way of eating more fruits and vegetables in a comfortable way. We have tasted several different choices and all of them were absolutely great. We now know that it is possible to eat healthier with great pleasure. Everyone should investigate about this issue and try some green smoothies.
We are planning to replace at least one of our daily meals for with one of these fantastic "batidos".
Here are some photos of the workshop. I'll publish some "lateral" photos on other posts.
Aqui diz-se, entre outras coisas, que mais de metade da população mundial vive hoje nas cidades, mas que a área necessária para agricultura, para alimentar toda essa gente, é 60 vezes superior à das próprias cidades.
Diz-se que a agricultura é hoje responsável por 30% do total de emissões de gases com efeito de estufa, uma percentagem superior à do sector dos transportes ou da produção de energia eléctrica.
Nos Açores, onde me encontro, 42.28% do solo estão ocupados com pastagens, 14.14% com uso agrícola, 22.23% são florestas e apenas 12.78% é vegetação natural. Se somarmos a área de pastagem com o solo agrícola, temos 56.42% do total do território. Já para não falar das emissões de gases com efeito de estufa que a mono cultura da vaca origina.
Cada um terá que fazer a sua parte, mas é garantido que, por decisão própria ou à força de consequências disruptivas, todos teremos que comer menos carne e lacticínios no futuro. Eu prefiro ir empreendendo esse caminho pela minha própria vontade. O outro aspecto importante são as hortas caseiras, que hoje muita gente cultiva (nos dois sentidos do termo). Há um planeta para salvar, e há formas simples de contribuir para isso. Estamos a fim?
Se não houvesse já razões que chegassem para reduzir ou eliminar o consumo de carne, aqui fica mais uma.
O melhor mesmo será pedirem hamburguers no talho, com carne picada na hora, de uma peça que esteja exposta.
Talvez melhor ainda, eliminar o consumo de carne, que é o que temos vindo a fazer cá em casa. Estamos quase lá.
A propósito de um post do meu amigo Miguel, que depois de trocarmos umas impressões sobre o assunto decidiu retirá-lo para investigar mais a fundo a questão, no qual era divulgado este filme:
...não posso deixar de expor alguns comentários de clarificação:
Para começar, aqui está o gráfico dos preços da electricidade nos 27 países da UE, hoje
Os preços são tirados daqui, e neste gráfico que tem os preços para o consumidor doméstico com consumos mais baixos, Portugal aparece com 10 países à sua frente (com electricidade mais cara). Agora vejamos esta tabela para a primeira metade do ano 2011 (altura em que o IVA ainda não era de 23%):
(Source)
Aqui, os países não aparecem ordenados, mas verificamos que Portugal, até esta altura não tinha um preço final elevado relativamente ao resto dos países, notando-se contudo que o peso das taxas além do IVA é dos mais elevados, dando alguma razão a quem diz que há um peso excessivo de custos extra no preço final da nossa electricidade.
Agora reparem no que acontece com o preço da gasolina sem chumbo e do gasóleo à data de hoje, retirados do mesmo local:
No caso da gasolina, Portugal tem 6 países à sua frente, no caso do gasóleo tem 9.
O que isto significa é que a situação do preço dos combustíveis é mais grave do que a do preço da electricidade, mas ninguém parece importar-se com isso.
Actualmente está na moda dizer mal das eólicas e das barragens, como se fossem elas o que mais nos custa nas contas de cada mês. Se compararmos o que gastamos em combustíveis e em comunicações, incluindo o MEO, a Internet e os telemóveis, veremos que a conta da electricidade é uma ninharia.
Do mesmo site retirei o custo da Feed-In Tarif para eólicas on-shore, ou seja o preço a que é paga a electricidade eólica em terra ao produtor. Nos países que tinham n/a, apaguei o valor para poder fazer o gráfico. Dentro dos que têm valor atribuído, Portugal aparece a meio da tabela, com um valor que é menos de um terço daquele apontado para a Itália e o Reino Unido.
O que isto mostra é que o discurso de Mira Amaral, Patrick Monteiro de Barros e companhia vai minando a lógica da política de energia que se iniciou no governo de António Guterres (e não nos de Sócrates, como estão sempre a querer vender-nos), onde se pretendia promover a geração renovável de electricidade, reduzindo tanto quanto possível a nossa dependência do exterior.
Eu acredito que haja margem para negociar alguns contratos excessivamente benéficos a alguns produtores, particularmente no que diz respeito às co-gerações a combustíveis fósseis, que hoje já nem utilizam a componente térmica do processo e continuam a ser subsidiadas, mas daí a vir dizer que as eólicas e as barragens são a hidra do orçamento, vai uma grande distância. Até admito que a barragem do Tua, em particular, devesse ser discutida (se ainda formos a tempo), mas para isso não é necessário montar uma data de inverdades, como a de dizer que o benefício liquido da produção das barragens é nulo. Pois se elas permitem armazenar o que foi produzido por eólicas quando essa electricidade não podia ser consumida, têm certamente um papel importante no sistema electro-produtor.
Eu tenho tarifa tri-horária e desligo a totalidade dos aparelhos de audiovisual (sobretudo a box do MEO, que é um sorvedouro de electricidade) durante grande parte do dia. Com a primeira medida poupo entre 4 e 5 euros na factura mensal e com a segunda poupo mais uns 3 a 4 euros por mês. Quantos consumidores se dão a este trabalho? Poucos. Porquê? Justamente porque a electricidade é barata. Dizer o contrário é atirarem-nos areia para os olhos.
O que sinceramente me assusta é que, por um lado, não vejo as pessoas convictamente interessadas em reduzir os seus consumos de electricidade, por outro, só conheço duas formas de se ter electricidade barata nos dias de hoje: carvão e nuclear. Será que os ecologistas que tanto se manifestam contra as barragens estão prontos para travar um eventual projecto de produção de electricidade a partir de energia nuclear? Será que queremos voltar ao carvão, com todas as consequências que isso acarreta para o aquecimento global e para as chuvas ácidas?
Alguns dos que erguem a bandeira dos sobre custos das renováveis, o que têm na agenda é a produção nuclear. É gato escondido com o rabo de fora. Por isso é que tenho tanto medo que as pessoas se deixem enganar por este discurso.
The emperor has no clothes! Finalmente, alguém vem dizer, preto no branco, que este caminho não tem futuro. Temos forçosamente que mudar de rumo. As leis da física não mudam a gosto, temos que ser nós a adoptar um rumo sustentável.
Uma apresentação muito interessante que compara as diversas características das várias tecnologias de carros, e que aponta para uma direcção que eu próprio preconizo há muito: os híbridos plug-in como transição entre o carro térmico e uma solução que há-de aparecer para tornar o carro totalmente independente dos combustíveis. Verifica-se que, já hoje, um carro eléctrico pode ter menos emissões de CO2 "from well to wheel" do que o carro térmico, dependendo do mix energético do país em causa.
Read more...
Uma apresentação muito interessante sobre os problemas de mobilidade nas cidades do futuro. Ora aqui está um problema que não temos nos Açores, por enquanto.
Na sequência de outros posts sobre este tema, aqui fica mais um bom exemplo de como se poderá manter o consumo de peixe sem destruir os oceanos e o planeta.