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No país do coelhito...

>> sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Vi ontem esta reportagem no final do noticiário da SIC. Fiquei verdadeiramente transtornado.
Este é o tal país que "se orgulha" de ter ido além da Troika, este é o país do Mota Soares (como consegue dormir, Sr. Ministro?), este é o país do Cavaco, aquele que acha que nada se resolve sem austeridade.
Estas pessoas são tão humanas como todos nós.
Hoje mesmo foi votada no Parlamento, e aprovada por unanimidade, aquela coisa do Eusébio (quanto vai custar?). Não me sinto representado naquela casa, lamento.
Sinto-me triste e envergonhado com o estado a que este país, envergonhada e dissimuladamente, chegou.

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Mea culpa

>> sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Ontem li online este texto do Henrique Monteiro e divulguei-o no Facebook com o seguinte comentário:
"Não subscrevo o último parágrafo, mas no geral concordo com este texto. Acho que estamos a viver um tempo de muito populismo e de cada vez mais inveja. O que acho que não está aqui dito é que quanto mais desiguais são as sociedades, mais inflamados ficam esss populismos. Não basta criticá-los, é também necessário combater as suas causas."
O meu amigo Rui, respondeu com este outro comentário:
"O artigo insere-se numa linha de argumentação que parte de um pressuposto errado: aquele que defende que o sistema pode vir a ser atacado por populismos. Ora, o populismo está alapado ao sistema há 36 anos. Francisco Assis lamenta que sectores do PS adoptem um discurso "protofascista do ataque às elite" (que sectores? que discursos?) e considera este elemento caracterizador de uma tendência populista. Não o vejo porém a tirar a mesma conclusão a propósito do discurso constante de ataque aos pobres ("os malandros do RSI"), aos trabalhadores em greve ("os malandros que não querem trabalhar!") e ao comum dos mortais ("esses malandros que andaram a viver acima das suas possibilidades"). Discordo em absoluto quer do cronista, quer do "cronado"."

Mais tarde, ouvi duas notícias que me fizeram pensar melhor no assunto:
Uma, a propósito do pedido obrigatório de facturas, onde se mostrava que os deputados da Nação, quando vão ao bar do Parlamento também não pedem facturas (na generalidade). Ora, um deles dizia que não se justificava pedir a factura do café que acabara de beber porque tinha custado 35 cêntimos.
A outra notícia referia-se à greve da CP que abalou ontem o tráfego ferroviário. Um ferroviário, justamente, reclamava por terem reduzido ou removido os benefícios de transporte gratuito aos ferroviários e família, mantendo contudo esse benefício para as forças da ordem (compreensivel, quanto a mim) e para os deputados (!).

Estas duas notícias juntas fizeram-me pensar na tal questão das elites, de falava Henrique Monteiro no Expresso.
Dir-se-ia que há de facto um sentimento perigoso de afastamento e desrespeito pelas elites que compõem os órgãos do poder, eu acho isso perigoso quando desagua em desagrado pela democracia em si, quando se diz que "são todos iguais" ou "eu não voto para eleger essa corja", etc. Mas a verdade, aqui demonstrada pelas duas pequenas notícias que refiro, é que essas mesmas elites não se fazem respeitar. Alcandoraram-se nas torres do poder e sentem-se verdadeiramente acima dos restantes cidadãos. Por que raio de carga de água é que um deputado bebe café a 35 cêntimos na Assembleia? Estará porventura esse bar aberto ao público em geral? Podemos nós também ir lá beber café a 35 cêntimos? Quem é que paga a diferença para no mínimo os 50 cêntimos que se cobram no mais remoto dos cafés de província? Porque é que um deputado, que tem à partida um vencimento acima da média (coisa que eu não contesto), há-de em cima disso ter privilégios como café abaixo do preço de custo e comboios à borla? Como querem que as pessoas os respeitem se as tratam com tamanha sobranceria?

Afinal não concordo com o Henrique Monteiro. Ponto.

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A Isabelinha do BA

>> quinta-feira, novembro 08, 2012

Anteontem, por mero acaso, assisti (no PC, já se sabe, porque não tenho emissão de TV) a um debate curioso na SIC Noticias, com a participação de Isabel Jonet (do Banco Alimentar), Manuela Ferreira Leite e Rui Vilar (ex-administrador da Gulbenkian).
Eu não conhecia o pensamento de Isabel Jonet, mas julgava (ingénuo) que ela se posicionaria à esquerda da ex-líder do PSD e de Rui Vilar. Estava a fazer outras coisas enquanto escutava o debate, mas lá mais para diante arrebitei as orelhas. Será que estou a ouvir bem?
Não vos vou maçar com pormenores, mas aqui fica o link para o debate (através do 5dias.net), que entretanto se tornou viral.

Se não quiserem perder muito tempo, passem directamente para o minuto 39. É a partir daí que são ditas coisas surpreendentes. Tão surpreendentes que parecem igualmente surpreender os pares do debate.

Afinal não fui o único a ouvir os disparates desta senhora. Muita gente os terá ouvido e a coisa deu brado. Deixo-vos aqui duas reacções que me parecem justificadas, ambas do blog 5dias.net:
A comida não é uma arma;
Tia, ensine-me a ser pobre!

Sem necessariamente subscrever a totalidade dos textos que partilho, não posso deixar de aproveitar a oportunidade para manifestar a minha perplexidade pela falta de tacto com que os agentes políticos (ao contrário do que diz, Isabel Jonet é um deles) actuam nos dias que correm. Já é triste pensar que esta senhora, que nos habituámos a conhecer como coordenadora de uma acção filantrópica, tem estas ideias a tropeçarem-lhe nos miolos, agora, devia ao menos evitar vomitá-las na SIC Noticias, assim a sangue frio.
Estou desconfiado que foi um dos maiores tiros no pé dos últimos tempos (que têm sido pródigos em material desta natureza). Se o pessoal não se esquecer, estou desconfiado que na próxima campanha o volume de recolhas irá caír a pique.

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A queda de um mito

>> quinta-feira, outubro 11, 2012


O RSI explicado às crianças. Via Companheiro Vasco.
Para ver se acalmo alguns dos "conversas da treta" que adoram trazer este assunto à baila e que querem fazer-nos crer que a ajuda social aos muito pobres contribui para o desastre financeiro do país. Tenham paciência...

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Portugal Eucaliptal

>> quarta-feira, julho 18, 2012

Quando, no post anterior, fiz esta pergunta:
"O que será desses Portugueses e do território que hoje ainda povoam, à custa de muita miséria e sacrifício, daqui a mais uma ou duas décadas?", não esperava por esta resposta: Vão transformar-se no Eucaliptal das celuloses.

Quando este governo finalmente fechar a porta, deixará atrás de si uma destruição tão profunda de tudo o que era ou poderia ser produtivo em Portugal que me pergunto sinceramente se continuará a valer a pena querer cá morar.

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Conhecem Portugal?

>> segunda-feira, julho 16, 2012


No semanário Expresso desta semana (14/07/2012), no caderno Economia, estão publicados os dados que aqui apresento, tal e qual.
Eu tentei confirmar estes dados e o melhor que consegui foi um documento de 2011 que indica que 36% dos Portugueses utilizam a Internet pelo menos uma vez por semana, o que não contradiz os números publicados pelo Expresso.
Destaco que, segundo estes dados, 29% dos Portugueses utilizam a Internet diariamente e 58% nunca a utilizaram.
Somos os últimos da lista dos 27 :-(

Será que os fantásticos rapazes e raparigas que nos governam já se deram conta de que estão a governar para uma pequena parte do país? Será que eles percebem o que significa termos quase 60% da população a não utilizar Internet jamais, como diria o outro? Será que faz sentido termos duas auto-estradas de Lisboa para o Porto mas serem caminhos de terra batida os que levam os bytes para o interior do país? Tenho cada vez mais a convicção de que a maior parte de Portugal é uma coisa esquecida, perdida algures fora dos grandes centros urbanos, no tal interior que dista menos de 100km do litoral, e que na verdade não só não faz parte daquilo que este governo diz que governa como está totalmente fora da sua vista e imaginação.
O que será desses Portugueses e do território que hoje ainda povoam, à custa de muita miséria e sacrifício, daqui a mais uma ou duas décadas?
Também no Expresso desta semana apresentam o exemplo do concelho de Arronches, no destrito de Portalegre, onde em 2011 nasceram 8 crianças, mas morreram mais de 80 pessoas.
Apetece abanar aquela gente de Lisboa e gritar-lhes que acordem! Um Portugal que está neste estado de pobreza, miséria e abandono não se pode dar ao luxo de ter submarinos xpto nem restaurantes de luxo para os deputados.
Como diria a minha amiga Eugénia, "Céus!".

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Competitividade

>> quarta-feira, junho 27, 2012

De acordo com esta notícia do ionline (disponível, de resto, noutros jornais), o salário mínimo em França subirá para 1 425€ mensais.
Ora, se não estou enganado (e tomando como correcta esta fonte), o actual valor do salário mínimo em Portugal é 485€ mensais, ou seja, 34% do anunciado para França.
Gostaria de poder aqui acrescentar qual é a percentagem de trabalhadores nacionais que auferem aquele vencimento, comparando-a com a equivalente em França, mas não tenho esses dados.
Aqui fica um gráfico comparativo dos valores dos salários mínimos de diversos países da Europa e também dos EUA.


Aqui temos o gráfico dos custos laborais médios em diversos países da Europa:

Agora, importam-se de me explicar por que temos que reduzir os nossos salários para nos tornarmos competitivos? Estamos a competir com quem, já agora?
Ou será que, em Portugal, há um desequilíbrio brutal entre quem ganha muito e quem ganha pouco que é a verdadeira origem da nossa eventual falta de competitividade?
Estou desconfiado de que nos andam a vender gato por lebre.

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Abaixo o consenso

>> terça-feira, abril 03, 2012


Revejo-me neste discurso do Daniel Oliveira.

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Reformas e vencimentos

>> terça-feira, janeiro 10, 2012

Tendo como ponto de partida esta notícia do Expresso online, há alguns aspectos que me merecem reflexão:
1 - Penso que não há nenhuma justificação para se manterem em Portugal reformas e pensões de valores astronómicos, sobretudo quando se enfrenta a possibilidade de um colapso na segurança social e, particularmente, num momento em que tantos reformados e pensionistas viram o seu magro rendimento ser encolhido por questões orçamentais.
2 - Considerando que o objectivo das reformas e pensões é permitir às pessoas uma vida decente após terem deixado a vida profissional activa, e considerando que quem aufere reformas de milhares de euros seguramente auferiu durante o período de descontos um rendimento igualmente elevado, tendo tido oportunidade para amealhar mais do que quem aufere um salário mínimo, não há nenhuma justificação para alguém receber no actual contexto da nossa economia uma reforma de 5.000€ ou mais.
3 - Assim, na falta de outras razões para ter vergonha de andar na rua de cara destapada, o sr. Catroga devia ter vergonha de auferir 9.600€ de pensão, porque não precisa para nada dessa "ajuda", paga pelos actuais contribuintes, que estão no geral em muito pior situação do que ele.
4 - Como se isso não bastasse, irá acumular a "ajuda" com um ordenado de 45.000€ por mês, coisa que eu considero um escândalo que devia dar direito aos velhos que não têm dinheiro para a farmácia de lhe cuspir nas ventas, acaso tivessem a sorte de se cruzarem com ele entre o Jaguar e a mansão.
5 - Portugal nunca será um país onde as pessoas se sintam verdadeiramente bem enquanto uma pessoa, seja qual for a sua profissão, ganhar num mês mais do que ganham 94 pessoas que aufiram o salário mínimo nacional (475€).
6 - É revoltante. Tenho dito.

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Os distantes Açores

>> quinta-feira, dezembro 08, 2011

Aqui nos Açores é frequente ouvir os locais designarem os continentais por “portugueses” (eu estou incluído nessa categoria). Se pode parecer bizarra essa designação, com o tempo vai-se percebendo que os Açorianos não se sentem inteiramente Portugueses (agora sem aspas).
Há diversas razões que concorrem para fortalecer esse sentimento. Os “portugueses”, na generalidade, sabem muito pouco sobre os Açores e sobre o que é viver neste arquipélago. Aqui ficam algumas notas breves:
• Em primeiro lugar, grande parte dos “portugueses” não sabe bem quais são as ilhas dos Açores, nem em que grupo de encontram. Muitos não sabem sequer quantas são. Há muita gente que julga que Ponta Delgada ou a Horta são ilhas, outros não fazem a menor ideia de onde raio fica a Graciosa ou as Flores. Penso que há mais gente a ter dúvidas destas do que baralhado com a localização da Bragança ou de Beja.
• Outra coisa que muito pouca gente saberá é que este arquipélago, que tem 9 ilhas (já ficam a saber esta), tem apenas 3 hospitais. Sim, 3 hospitais. Só há hospital público na ilha Terceira, no Faial e em S. Miguel. Penso que S. Miguel tem ainda um hospital privado, mas públicos só há estes 3.
• Mesmo para os residentes, as passagens de avião para Lisboa custam frequentemente mais de 200€ por pessoa. É verdade que há umas passagens a 80€, mas só se apanham com 1 ano de antecedência. Tentem avaliar quanto custa a uma família como a minha (5 pessoas) deslocar-se uma vez por ano a Lisboa. Com esse número presente, equacionem a distância económica que separa estas ilhas do continente. Comparem esse número com o que gasta uma família de Vila Real a ir à capital do reino visitar uns parentes.
• Ao contrário do que muita gente pensa, os Açores não são um grupo de ilhas à vista umas das outras, que permita a ligação entre elas com carreiras tipo cacilheiro. Durante o Inverno, altura em que não há linhas regulares de barco, para passar da Terceira, onde moro, para a ilha mais próxima terei que despender na casa dos 150€, ida e volta de avião. Se juntar a família, vejam lá o que isso dá. Dava para ir de carro de Lisboa a Madrid, passar o fim de semana num hostal e entrar em diversos museus. Provavelmente ainda sobrava o suficiente para comer um “Chuletón” na Puerta del Sol.
• Entre as ilhas mais distantes do arquipélago – Santa Maria e Corvo – distam mais de 600km, que é justamente a distância de Lisboa a Madrid por estrada. Como imaginam, mesmo na altura do ano em que há barcos, não é possível ter ligações entre as ilhas que permita ir e voltar quando se queira. Nem sequer no grupo central, que tem 5 ilhas relativamente próximas (Terceira, S. Jorge, Pico, Faial e Graciosa), é possível ir passar o fim de semana à ilha do lado, a partir da Terceira ou da Graciosa.
• Os dois pontos que acabo de descrever implicam que na verdade os Açores são 9 ilhas muito isoladas, com apenas algumas excepções naquelas que são mesmo mais próximas entre si.
• As redes eléctricas das ilhas são todas redes isoladas. A electricidade de origem renovável de uma ilha, só pode ser utilizada nessa ilha. Mesmo assim, o arquipélago no seu todo usa já 28% de electricidade de origem renovável.
• O jornal Expresso, no qual sou viciado há décadas, chega cá no Sábado ao final da tarde ou, se a coisa correr mal, no Domingo. Embora o preço de capa seja igual ao do resto do país, todos os anexos são pagos. Os cadernos normais do Expresso estão incluídos no preço de capa, evidentemente, mas sempre que é oferecido algum anexo, seja um caderno extra, sejam DVDs, são pagos à parte por quem os pretenda. Curiosamente, no caso das colecções, o primeiro número é sempre gratuito, os restantes são pagos, mesmo que toda a colecção seja oferecida pelo jornal. Suponho que isto se passe em todos os outros jornais e publicações.
• É frequente irmos ao Continente – coisa que só existe em 3 das ilhas, se não me engano, e no caso da Terceira apenas desde que as marcas Modelo e Continente se fundiram – e não encontrarmos determinado produto comum, como por exemplo fraldas do tamanho x ou iogurtes simples da marca Continente. Neste momento o Simão anda a gastar umas fraldas do número abaixo das que devia porque simplesmente não havia o número dele no supermercado.
• Finalmente, uma coisa muito curiosa é que, dada a frequente inclemência do clima, toda a gente sabe onde encontrar informação detalhada sobre o tempo que vai fazer. Vive-se quase numa atmosfera Alpina, com mudanças de clima bruscas e violentas, mas com toda a gente a conhecer bem os prognósticos. Alguns cafés têm expostas impressões do prognóstico para os próximos dias, como nos Alpes. Aqui, uma velhota info-excluída pode perfeitamente saber como utilizar o Wind Guru ou os sites da Universidade para saber se há-de estender a roupa agora ou mais logo.

Isto pode parecer uma quantidade de banalidades, mas penso que pode ajudar os “portugueses” a saber o quanto custa manter estes calhaus povoados. Por vezes questiono-me se a República (como diria o Alberto João) se dá conta da mais valia dessa ocupação. Agora que se fala tanto na economia do mar, talvez fosse positivo reflectir-se um pouco sobre o sacrifício que fazem os Açorianos para se manterem por cá.

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A mota e o carro do Mota Soares

>> segunda-feira, dezembro 05, 2011

Há sensivelmente um par de anos, quando participei na meia-maratona de Lisboa que viria a estabelecer o meu record pessoal nesta distância, como etapa de treino para a maratona de Nova Iorque, conheci pessoalmente o actual ministro Pedro Mota Soares. Bom, não posso dizer que conheci, mas sim que contactei pessoalmente.
Eu costumo inscrever-me nas provas pelo clube do Stress, e costumava treinar e competir com um amigo e vizinho, na altura deputado do PS, que foi quem levou o Mota Soares para esse mesmo clube. Nessa ocasião o Mota Soares ficou de levar para o local do encontro, no Parque das Nações, o meu dorsal e o desse meu amigo e companheiro de corridas. Lembro-me que chegou com um atraso considerável, fazendo-se transportar na sua famosa lambreta. "Olá, bom dia, passa para cá o dorsal, tive gosto".
Fomos de autocarro até à partida, e o pouco que conversei com o sujeito deixou-me uma boa impressão, embora eu não partilhe a sua área política.
Quando li nas notícias que o ministro Mota Soares tinha ido para a tomada de posse de lambreta lembrei-me do dia em que travei com ele contacto pessoal e de como já então ele utilizava esse meio de transporte. Claro que essa atitude tem alguma coisa de irreverência, de tomada de posição, mas achei isso muito positivo e pareceu-me encaixar na ideia com que fiquei de que era uma pessoa com poucas peneiras. Pessoalmente, esse gesto, que evidentemente tem significado, pareceu-me sincero. Não o interpretei como demagógico, como fizeram alguns opinion makers. A verdade, que eu posso confirmar, é que muito antes de o homem ser ministro, já se fazia transportar naquele veículo de duas rodas.
Quando agora vejo a reacção à questão do carro dispendioso, fico surpreendido e acho que essa crítica é mesmo injusta, considerando a personagem em causa.
Durante bastantes anos desloquei-me igualmente de mota para o trabalho, mas no dia em que a empresa em que estava me ofereceu viatura de serviço coloquei a mota à venda e passei a deslocar-me de carro. Parece-me uma escolha evidente. Entre um carro pago por alguém e uma mota paga por mim, não hesito.
Já a questão do preço do veículo, numa altura em que há gente cujos rendimentos não permitem sequer sobreviver sem passar fome, é evidente que é um exagero, mas isso não é objectivamente culpa deste membro do governo.
O ataque que se tem feito à escolha do veículo em causa parece-me manifestamente demagógico e populista.
Esta é uma matéria que merece uma profunda reflexão. Na minha opinião os membros do governo, que obviamente não deverão andar de lambreta, excepto se essa for a sua escolha pessoal, deverão utilizar veículos ao nível da dignidade das suas funções. Não me chocaria que andassem todos de VW Golf, por exemplo. Não me parece imprescindível que ande toda a gente de Audi A7 a gasolina.
Este pode ser um episódio interessante para despoletar esta discussão, mas o ataque concreto ao ministro Mota Soares com o pretexto da sua troca de viatura de uma singela lambreta para um Audi A7, é injusto e motivado, como habitualmente, pela inveja e maledicência.
Não chegaremos a lado nenhum enquanto os argumentos com que defendemos as nossas posições forem baseados neste tipo de sentimentos.
Fora isso, parece-me salutar que um membro do governo se dirija à tomada de posse numa lambreta e a essa atitude eu continuo a tirar o meu chapéu, confirmando a boa impressão com que fiquei deste político desde o dia em que o conheci. Tomara que faça escola e que empurre outros políticos a sacudirem a poeira dos seus fatinhos e deixarem-se de formalismos bacocos.

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