Para fugir ao estereotipo da atleta andrógena...
>> terça-feira, julho 24, 2012
... que gracinha!
Arrumário era o nome que a pequena Madalena dava aos armários. Este blog é o arrumário electrónico das nossas experiências, emoções e ideias.
... que gracinha!
Os atletas Portugueses de atletismo continuam a ser desprezados pelo país, apesar de serem dos que mais têm contribuído para que se faça ouvir A Portuguesa por esses estádios fora.
Tenho tentado ver a corrida de 10.000m da Dulce Félix, na qual conquistou a medalha de ouro no campeonato europeu da modalidade.
Até agora, o melhor que arranjei foi um pequeno filme com o relato em russo.
Fiquem então com Dulciich Fielix, uma atleta Portugalsquia.
PS: para quem já tenha feito o treino para uma maratona, ver esta prova na pista é absolutamente impressionante. As séries mais curtas que faço na pista, que são apenas de 200m, não as consigo fazer à velocidade a que esta rapariga corre durante 31 minutos seguidos. Se um dia destes forem a uma pista de atletismo, tentem dar meia volta à pista, à velocidade a que ela corre toda a prova. Isso quer dizer que terão que fazer os 200m (meia volta) em 37 segundos, mais coisa menos coisa. É uma experiência divertida. Agora imaginem o que será correr a essa velocidade durante 31 minutos, 44 segundos e 75 centésimos.
Foi muito duro, levei 16:38h a completar o percurso de 100km, mas ganhei o troféu. Ainda farei um balanço da coisa. Apetece-me muito escrever sobre o assunto, mas fica para outro post. Apesar de tudo, tenho que reconhecer que me sabe muito bem a sensação da conquista.
Read more...Ontem corri a XXII Meia Maratona dos Bravos, uma prova que já tinha também feito no ano passado, mas que este ano me correu melhor. Esta imagem foi gentilmente cedida pelo Miguel, que andava pela zona da partida e aproveitou para registar este instantâneo. Terminei a corrida em 9º da geral e em 2º lugar do meu escalão. Levei 1:28:17h a percorrer todo o percurso, mas não posso homologar este que seria o meu record pessoal à meia maratona porque o percurso tem 3/4 de descida.
No fim-de-semana tive a sensação de ter um anjo da guarda a olhar por mim.
Numa ocasião, saí de casa, coloquei o telemóvel e a carteira em cima do tejadilho do carro (sim, eu sei que é um erro clássico, a não cometer), para sentar o Simão na cadeira respectiva, perdi-me naquele stress da chucha e das fraldas, arranquei com o carro e siga a briga. Passadas já 3 rotundas, a Raquel, ao meu lado, recebe uma chamada de uma colega minha do escritório. Quando percebi quem era que ligara, dei uma palmada na testa e disse doohh!!! (tipo Homer Simpson), encostei o carro, à espera de encontrar um tejadilho vazio, mas... lá estava a carteira e o telemóvel direitinhos onde os tinha colocado anteriormente. A minha condução "à velho" terá de alguma forma contribuído para que as coisas não tombassem, mas foi obra de um anjo da guarda atento.
Passada uma meia-hora deste fortuito evento, estava a tomar conta do acelerado Simão, que brincava à porta da Feira da Saúde, em Angra. Ele aproximou-se da escada de acesso ao espaço onde decorria a feira e eu vi de repente o filme todo. Deu um salto no primeiro degrau e despenhou-se em direcção aos seguintes, num mergulho que teria tido consequências dramáticas, não fosse eu ter-me atirado à guarda-redes e colocado a minha mão entre o seu rosto e a esquina do degrau onde ele se preparava para deixar os dentes. A queda terminou sem mais consequências, mas fiquei a tremer das pernas.
Finalmente, no dia seguinte, Domingo, tinha no planeamento do treino para o UTSM o meu mais longo treino de todos os tempos: 50km, em cerca de 5 horas. Acordei às 6:30h da manhã e às 7:30h comecei a correr em direcção à Serreta. O dia foi aclarando e fui brindado com um dos mais belos dias de Abril a que se terá assistido na Terceira em toda a história da humanidade. A vista para S. Jorge e Pico era de uma definição que parecia que se poderia lá chegar a nado. Acabei por correr até ao miradouro do Raminho e ainda mais um pouco até à fajã da Serreta, voltando tudo para trás até Angra, com um estranho prazer a vibrar-me nos ossos, e com o olhar cheio de um cenário de mar e verde me foi ficando gravado ao longo das mais de 5 horas de "viagem".
Andei todo o fim-de-semana lado a lado com o meu anjo da guarda. Deve estar cansado.
Quem pratica desportos com intensidade e paixão sabe bem o que é a "tesão" do corpo para saciar o vício. Se vejo vídeos de escalada em rocha, e apesar de já não escalar rocha com regularidade, fico com as mãos cheias de água. É a "tesão" da rocha, que nunca me abandonou. Agora, olhando para este gráfico e tendo na cabeça imagens fotográficas de muitos dos locais que esta corrida percorre, tremem-me as pernas, como se fosse um cavalo de corrida na linha da partida.
Já estou inscrito para o Ultra Trail Serra de São Mamede, que são 100km de seguida, no dia 19 de Maio deste ano.
Agora é treinar...
Saíu hoje uma reportagem de Miguel Azevedo, no jornal A União, sobre a nossa travessia da Ilha Terceira em direcção à Serreta, no dia da romaria.
Ver a nossa aventura impressa em papel de jornal é agradável.
Agradeço ao Miguel a sua divulgação.
Talvez para o ano consiga juntar mais alguns corredores para um percurso semelhante.
As primeiras fotos da minha ida à Serreta saíram aqui e aqui. Agora ficam as que o Miguel foi tirando ao longo de percurso, dos corredores propriamente ditos.

Aqui vamos com cerca de 35km de percurso, depois de uma série de kms que foram os que me deram mais prazer. Estamos a chegar da travessia Pico Alto - Bagacina.

Aqui estamos uns 2km adiante da anterior, a entrar na última secção do percurso, numa estrada florestal que leva da estrada do Mato até à zona do Pico Rachado.

No mesmo local da anterior.

Atravessando um denso bosque de Criptomérias. Uma zona também muito agradável de percorrer.

Já muito perto do troço final que nos levará muito perto da Lagoa da Serreta, já ia literalmente com a língua de fora.

Na mesma zona.

Finalmente, com a satisfação do objectivo atingido, aqui fica para a posteridade a foto da equipa na Igreja da Serreta.
Mais uma vez, um grande obrigado ao Miguel, que nos acompanhou pacientemente ao longo de quase 7 horas e ainda foi ele próprio à Serreta no mesmo dia a partir da Praia; obrigado também ao Magalhães que teve a coragem de me acompanhar num verdadeiro tiro no escuro, porque não fazia a menor ideia da tortura porque teria que passar.
Ainda a "quente", aqui fica uma breve descrição do que foi o percurso de ontem, de Porto Martins à Serreta. Acordei às 5:00h da manhã, noite cerrada, comi flocos de aveia com leite, meti no carro tudo o que já tinha preparado de véspera e siga. Apanhei o Miguel na Praia uns minutos antes das 6:30h, e seguimos para Porto Martins, onde já me esperava o Magalhães, que foi a única pessoa que aceitou corajosamente acompanhar-me nesta aventura. O Magalhães, ao contrário de mim, não tinha treinado especificamente para esta actividade, nem sabia concretamente o que o esperava, embora seja um corredor muito forte. Iniciámos a corrida por volta das 6:40h, percorrendo calmamente a marginal de Porto Martins, até entrarmos na Canada do Serra. Estes primeiros quilómetros revestiram-se de alguma ansiedade, pelo menos para mim que sabia bem o que tinha pela frente. A palavra de ordem, durante os primeiros 20km é poupar. É preciso poupar tudo ao máximo. Por muito que as pernas e o entusiasmo nos peçam velocidade, o que está para a frente exige-nos que travemos. Mesmo assim, fomos mais rápidos do que eu previra. Pomo-nos à conversa e quando damos por ela já vamos mais rápido do que a estratégia deste tipo de percurso exige. Encontrámos o nosso apoio no local combinado, enchemos as garrafas de isostar e ala, até à Agualva. Nesta secção devemos ter sido particularmente rápidos, porque quando chegámos à Igreja da Agualva, não tínhamos ainda o apoio à espera. Aproveitei para beber o café da manhã, trocámos de ténis (porque a secção seguinte era muito trail e muito encharcada), recuperámos ali uns minutos e vamos embora. Até aqui tínhamos feito pouco mais de meia maratona, caminhando nas subidas mais empinadas. Estávamos com pouco mais de 2 horas, incluindo as paragens. À entrada da Agualva, tive umas dores na parte de trás do joelho esquerdo, mas com a paragem e a mudança de terreno que se seguiu, passou completamente e não voltou a dar sinal até ao fim do percurso. A subida da estrada até à base do Pico Alto tem um grande desnivel, pelo que tivémos que passar à marcha sucessivas vezes. Finalmente, entrámos completamente no mato para o troço mais complicado em termos de terreno, o trilho que sobe da base do Pico Alto ao ombro de onde se avista a Rocha do Chambre. Este trilho está completamente fechado pela vegetação e é relativamente difícil de encontrar à medida que avançamos. Quem não conheça o percurso facilmente desiste por não encontrar o trilho. O terreno é muito encharcado, com muito declive, coberto de vegetação, mas acabámos por chegar ao planalto de onde já se avista o resto da ilha para Oeste e este foi o momento de maior prazer do percurso. Desde este planalto há uma descida longa, muito suave, em terreno de montanha, que leva até à Caldeira da Rocha do Chambre. Correr este troço, só por si, valeu todo o esforço do resto da corrida. Nesta altura já teríamos cerca de 35km nas pernas. Quando chegámos à estrada de terra que leva à Bagacina, senti-me muito positivo e com muita vontade de continuar. Claro que as pernas já iam dando claros sinais de fadiga, mas o que pior já estava feito. Deste ponto até à subida final para a Lagoinha da Serreta fomos sendo acompanhados pelo Miguel, já corri sem mochila e o percurso desce um bom bocado, atravessando a floresta que cobre a área Norte da Serra de Santa Bárbara. Íamos fazendo as subidas a passo e as rectas e descidas em corrida entre os 6:30/km e os 5:15/km, mais coisa menos coisa. O cansaço era já muito evidente, com algumas dores nas pernas, mas cada vez mais motivados com a proximidade do pórtico da meta. Finalmente, já com mais do que uma maratona nas pernas, temos a subida para a Lagoinha da Serreta, uma rampa de terra batida com um declive radical, que terá cerca de 1km ou pouco mais de distância. Foi o castigo final. Chegados ao alto desta estrada, a cerca de 760m de altitude, já só faltava rebolar até ao santuário da Senhora dos Milagres, mas o meu companheiro de diáspora já não conseguia correr a descer. Neste tipo de percurso, mais do que tudo conta a habituação a longas distâncias e isso ele não tinha. Lá fomos descendo a passo, até chegarmos ao alcatrão, onde voltámos a correr. Entrei na Serreta a rir às gargalhadas, como me acontece sempre. Passadas quase 24 horas estou fino, sem grandes dores, sem um andar novo, sem mazelas. Corremos mais de 53km, durante 6:45h, incluindo as paragens, subindo mais de 1800m (de acordo com o relógio). Foi a minha mais longa corrida de todos os tempos e só posso dizer que, em lugar de me saciar, inflamou-me o vício. Neste momento já começo a pensar na próxima. Uma última nota final: inventar um objectivo duro, na corrida ou noutra coisa qualquer, investir nesse projecto e finalmente alcança-lo é uma coisa que toda a gente devia ir fazendo com regularidade ao longo da vida. Enche-nos de satisfação e fortalece-nos. Um grande obrigado ao Miguel, sem o qual esta aventura tinha sido praticamente impossível.
Read more...Já está feito. Mais um projecto que posso riscar da lista daquelas coisas que devemos fazer uma vez na vida, pelo menos. O Ultra Trail da Serreta foi fenomenal, durou 6:45h, com algumas paragens pelo meio para trocar de ténis e para alimentação, percorreu mais de 53km e levou-me de Porto Martins à Serreta, por um percurso absolutamente radical. Entrei na Serreta a rir às gargalhadas e acho que mereço uma forcinha na única coisa em que estou a precisar da intervenção divina neste momento. Acabei por ter companhia durante todo o percurso. Foi uma experiência inesquecível. Fomos assistidos pelo imprescindível e valiosíssimo Miguel Bettencourt, que foi registando as imagens. Quando as tivermos, teremos muito orgulho em partilhá-las. Obrigado Miguel. Sem a tua dedicada colaboração, tinha sido impossível chegar vivo à Serreta. ZM
Read more...Terminei hoje o reconhecimento do Ultra Trail Senhora da Serreta, que eu próprio inventei e que serei (provavelmente) o único a correr. Faltava-me correr os últimos 20kms e fui corrê-los hoje.
Se eu chegar a esta parte do percurso com pernas para gozar a paisagem, isto irá ser um grande prazer. O percurso acabou por saír de uma forma que cada km é mais bonito do que o anterior.
O verdadeiro início do percurso (quando já levo mais de 20km nas pernas) é quando chego à Agualva. Desde aí é sempre a melhorar. A subida ao Pico alto é uma beleza, a travessia até à Rocha do Chambre é magnífica, depois temos um troço de ligação de 2 km em alcatrão que não tem grande graça e entramos finalmente no troço final que é cada km mais fantástico do que o anterior.
Se chegar à Serreta em cima das pernas, vai ser uma intensa emoção. Chegarei lá com cerca de 6 horas de corrida e mais de 50km de percurso.
Estou ansioso.
Darei notícias.
Para os que manifestaram algum espanto com o post anterior, aqui fica a descrição do famoso UTMB, onde o Português Carlos Sá parece que ficou em 5º lugar: http://www.ultratrailmb.com/accueil.php
166km de distância, 9500m de desnível acumulado, com diversas passagens acima de 2500m de altitude. Ao pé disto, o que eu vou fazer é um passeio no parque.
Está a aproximar-se o dia em que irei de romaria à Senhora dos Milagres, na Serreta.
Como sou um bocado teimoso e um bocado abrutalhado, decidi fazer a coisa pelo caminho das pedras. Assim, aqui fica o desenho do percurso que terá uma distância total de 50.8km e um desnível positivo acumulado de 2.164m (além de 1.906m de descida acumulada).
Se eu conseguir (per)correr este percurso todo seguido, a Senhora da Serreta fica-me a dever uma.
A data prevista para o evento é 10 de Setembro.

Esta imagem é do registo da corrida de Domingo, o culminar de uma boa semana de corridas.
Depois de umas semanas complicadas, por causa da mudança de casa, que me atrasaram muito os treinos, decidi na semana passada acumular quilómetros para desenferrujar a máquina. Acabei a semana com apenas 4 treinos, mas 81.3km nas pernas.
Só no fim de semana fiz 50km, coisa que penso que nunca tinha feito antes, embora a ritmo calmo.
Segunda-feira - 14.2km @ 5:07 min/km
Quinta-feira - 16.9km @ 4:50 min/km
Sábado - 24.2km @ 5:35 min/km
Domingo - 26km @ 5:28 min/km
A minha maratona do Pico está já aí, por isso tenho que aproveitar estas últimas semanas para crescer um bocado nos km acumulados, para ainda ter pelo menos duas semanas de slow down antes do evento.
Uma teoria curiosa sobre o facto de o Homem ser o melhor animal da terra a correr longas distâncias, razão pela qual sobrevivemos como sociedade durante 2 milhões de anos.
É o que eu sempre disse: correr é um prazer. Agora já sei porquê, está-me nos genes há 2 milhões de anos.
A única coisa com que eu não concordo é com a secção contra os ténis. Adoro os meus Asics, não me apetece nada correr sem eles.

No passado fim-de-semana decidi participar numa prova de corrida e orientação, organizada pelos Montanheiros. Como gosto de correr e o cenário era apetecível, decidi aproveitar para treinar fazendo a minha estreia neste tipo de prova. Embora tenha feito um mau percurso, porque houve duas balizas que não vi na carta, tendo que lá voltar mais tarde, acabei por andar rápido e ganhei mesmo a corrida.
Está bem que havia só 5 concorrentes masculinos seniores, mas o facto é que fui o mais rápido. A moça que aparece na tabela com um tempo melhor do que o meu não conta porque elas só tinham que ir a metade das balizas.
Deu-me um grande gozo fazer esta prova. E agora soube-me bem descobrir que tinha sido rápido.

Porto de pesca de S. Mateus da Calheta.
Fotografado com Nokia E51
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