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The Green Agenda

>> quinta-feira, março 27, 2008



Imperdível, a palestra de Norman Foster, via A Barriga.

Uma apresentação extraordinária, que fala de arquitectura sustentável, mas mais do que isso, de um ordenamento das cidades que permita reduzir os consumos de energia relacionados com habitação e transportes.
Pensei imediatamente em Barcelona, que tem um tecido urbano apaixonante, onde cada quarteirão tem quase tudo, desde habitação a pequeno comércio e serviços e onde as pessoas se movem em transportes públicos (eficazes) e em bicicletas patrocinadas pela própria cidade.
Em quase tudo o oposto de Lisboa, que encaixa mais no exemplo negativo de Detroit, onde as pessoas estão altamente dependentes do carro.
É angustiante continuar a ver Lisboa a desenvolver-se de uma forma que implica a migração bi-diária de centenas de milhares de pessoas, entre a cintura onde habitam e o núcleo onde trabalham, consumindo quantidades gigantescas de energia que poderiam ser poupadas se toda a grande Lisboa caminhasse para outra forma de organização.
Quando será que pelo menos invertemos o sentido desta marcha? Já nem falo em lá chegar.

Esta apresentação fez-me também pensar em como alguns (muitos?) dos nossos arquitectos continuam de forma autista (ou arrogante, não percebo bem) a recusar ter como estrutura fundamental de qualquer projecto arquitectónico o pilar da energia.
Hoje sabemos (alguns de nós, pelo menos) que é possível construir edifícios em que a manutenção de um ambiente interno confortável e saudável não implique necessariamente elevado consumo de energia. É possível reduzir consideravelmente a quantidade de energia necessária para manter a temperatura, a luz, a humidade e a qualidade do ar no interior de um edifício, apenas com algumas alterações na forma de construir. É verdade que isso vai, de alguma forma, limitar a liberdade de quem desenha, mas não será isso hoje uma obrigação?
No último número do jornal da Quercus, que o Pedro Cabral fez o favor de me fazer chegar pelo correio [obrigado :-)] está uma entrevista com a arquitecta Lívia Tirone, de onde destaco a pergunta:
- Que práticas de construção é que levam a esse conforto e a essa eficiência?
- O bom isolamento térmico, que tem que ser contínuo e idealmente aplicado pelo exterior dos edifícios. A boa inércia térmica a funcionar a favor do interior. Caixilharias e vidros com alta qualidade e obviamente duplos (…). Sistemas de sombreamento exterior para evitar ganhos excessivos.
Eu acrescento ainda as paredes trombe, que nunca vi em projectos de outros arquitectos e que funcionam como verdadeiros radiadores solares; aproveitamento do efeito de chaminé solar, que promove a circulação do ar no interior; ligação ampla entre os diversos espaços da casa, também para que a renovação do ar seja mais eficaz; aproveitamento da ventilação natural cruzada.
Se eu fosse arquitecto, esta seria a minha "sandbox".
Será assim tão complicado projectar a partir daqui?
O que pode levar tantos arquitectos a recusar este ponto de partida para qualquer caderno de encargos? Ignorância? Preguiça? Ou total incapacidade de convencer o cliente?

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Projecto sustentável

>> quinta-feira, março 08, 2007

Há uns tempos comprei este livro na Amazon.


Apresenta diversos exemplos de como se pode construir de mãos dadas com a natureza ao invés do que fazem quase todos os arquitectos portugueses, particularmente os do star system.







Neste caso, os arquitectos resposáveis são os Arkin Tilt Architects.

O texto do livro diz:
According to the principals, the firm keeps five goals in mind with every Project.
The first is to harmonize with the site.
The second is to build as little as possible, which "is somewhat ironic for architects, because we’re in the business of building," Arkin says. "But we always try to convince clients to build less house, of higher quality."
The third goal is to design homes that will heat and cool themselves.
The fourth is to maximize resource efficiency.
Finally, the architects always aim to show that, as they put it, "ecological design can be beautiful," which helps to bring it into the mainstream.

Neste caso, trata-se de uma moradia com 174m2 de área, com 4 quartos, isolamento por fardos de palha, colunas estruturais aproveitadas de Eucaliptos que já havia no local, isolamento térmico do telhado feito com celulose de jornais reciclados, etc.

Porque razão esta mensagem custa tanto a entrar na arquitectura nacional? Porque é que continuamos a projectar com os pés, recusando orientar as casas, isolá-las exteriormente, ter enfim qualquer preocupação ecológica no momento de desenhar a casa?

Há dias visitei a obra de um projecto de uma famosa arquitecta nacional, que tem uma moradia em construção com 3 casas de banho encostadas a paredes exteriores, todas elas sem janelas. Este eterno compromisso do funcional em função do estético não será um forte sinal de preguiça mental dos nossos arquitectos?

Não seria preferível colarem-se aos princípios apresentados acima e tentarmos deixar aos nossos filhos um mundo melhor do que aquele em que vivemos hoje?

É provável que volte a este tema brevemente.

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Novo site Tirone Nunes

>> terça-feira, dezembro 12, 2006

A Tirone Nunes renovou o site. Para quem se interesse por arquitectura bioclimática a sério, este é um site imperdível. Apresenta conceitos e soluções utilizadas por este gabinete há muitos anos, com provas dadas de eficácia. Descreve as soluções até ao detalhe do fornecedor.

Este é um exemplo de uma casa projectada há alguns anos pela Tirone Nunes, que faz parte do condomínio Jade, em Nafarros, e que tem muitas das características que gosto numa casa: comunicação entre os espaços, através de aberturas interiores (o que incrementa a circulação do ar em toda a casa), 3 andares com zonas de duplo pé direito em todos eles, largas áreas vidradas viradas a Sul, paredes trombe, escritório no piso mais elevado, com terraço, etc.



Esta é a planta do T2 do empreendimento Colmeia Sintra, cuja posição na cooperativa está à venda. Os interessados podem enviar-me o respectivo e-mail para o meu endereço que se encontra ali em cima, à esquerda.


A arquitectura Tirone Nunes pode não ser o paradigma da arquitectura moderna, sobretudo na vertente artística, mas estas casas têm os melhores parâmetros de habitabilidade que conheci desde que me interesso por arquitectura. Falo com conhecimento de causa, porque habito uma delas. Se todas as casas do mundo partissem desta plataforma, teríamos seguramente um ambiente mais saudável, uma factura energética mais leve e gente mais bem disposta.

ZM

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Arquitectura bioclimática (2)

>> segunda-feira, março 14, 2005

Não queria deixar de responder ao comentário do Daniel ao meu último post:
"Aqui há que pensar a sério no arrefecimento das casas, bem mais difícil do que o aquecimento. Se pensarmos que os raios solares no verão estão muito mais perpendiculares à terra (em Portugal) do que no inverno o que acontece a uma casa que está preparada para ser aquecida pelo sol quando temos 35ºC no verão?"
Se tivermos janelas de bandeira, que possam estar sempre abertas, na parte baixa da fachada Norte e na parte alta da fachada Sul, toda a casa refresca e obriga-se o ar a circular. A única coisa que é necessária para além disso é estores no exterior das janelas a Sul e palas de sombreamento calculadas de forma a que as janelas estejam à sombra durante o Verão. Como as casas são isoladas pelo exterior, não há ganhos solares excessivos. Isto não é ficção, funciona mesmo.
Existem mecanismos mais elaborados de criar espaços frescos a Norte das casas e alimentar o interior com esse ar, ou sistemas de ventilação das coberturas, mas diz-me a experiência que não é preciso chegar a tanto.
Obrigado pelo comentário, em todo o caso.

ZM

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Arquitectura - Casas bioclimáticas.

>> sexta-feira, março 11, 2005

No momento de comprar uma casa, costumamos pensar demasiado em aspectos que, no imediato parecem fundamentais, mas que no longo prazo poderão não ser os mais importantes. A maioria das pessoas não se lembram ou ignoram detalhes que são a diferença entre uma casa confortável e uma outra onde é impossível viver com qualidade.

Em primeiro lugar temos que pensar que uma casa é um local DENTRO do qual vamos viver. Tal como as plantas, para nos sentirmos bem, precisamos de determinadas condições de:
1. Espaço
2. Luz
3. Temperatura
4. Humidade
Precisamos também de outras coisas, mas essas não são da responsabilidade de quem construiu a casa que vamos habitar.

As condições mencionadas acima estão dependentes de um conjunto de características da casa, de que frequentemente ninguém parece lembrar-se:
A forma da casa e a sua orientação solar – uma casa com 2 andares tem melhor rendimento térmico do que uma casa térrea. A relação volume/superfície exterior é sempre maior numa casa de 2 andares, pelo que as perdas térmicas são menores nestes casos. Todas as casas deviam ter a sua maior área exterior virada a Sul. Os maiores vãos deveriam estar desse lado, ficando os vãos mais pequenos na fachada Norte. Desta forma aproveita-se simultaneamente a luz e o aquecimento proporcionados pelo Sol a Sul e reduzem-se as perdas térmicas pela fachada Norte, sempre mais fria.
O isolamento das paredes – é muito mais eficaz, do ponto de vista térmico, colocar o isolamento das paredes no exterior, do que no interior ou entre 2 paredes. Desta forma, consegue-se que a inércia térmica das paredes (que estão à temperatura do ambiente interior) reduza as variações da temperatura interior, mesmo quando no exterior há variações maiores.
Variações térmicas no interior, em função da forma como é feito o isolamento.

As superfícies que sejam iluminadas pelo Sol, sobretudo no Inverno, devem ter massa térmica, para acumularem o calor e manterem a temperatura interior sem variações.
Os grandes vãos da fachada Sul devem ser sombreados de forma a que no Verão estejam à sombra e no Inverno ao Sol. Os estores devem estar do lado de fora das janelas, para permitirem sombreamento total das janelas no Verão, impedindo-as de aquecer o interior.
A circulação de ar dentro de casa pode ser promovida de diversas formas: Junto aos grandes vãos da fachada Sul deverão haver zonas de comunicação entre os 2 andares da casa, chamadas de duplo pé direito, e as escadas de ligação entre os 2 pisos deverão estar junto à fachada Norte. Assim o ar aquece na fachada Sul, subindo, e desce pelas escadas, a Norte, onde arrefece. O ar é forçado a circular dentro de toda a casa, de forma natural. Deve haver janelas de bandeira que possam estar abertas, mesmo quando não há ninguém em casa. Preferencialmente, para aproveitar e promover o sentido de circulação de ar já falado, deve haver aberturas no topo da fachada Sul e na parte baixa da fachada Norte. Isso fará o ar entrar pelo Norte e sair pelo Sul, refrescando a casa no Verão.
O aquecimento do Sol pode ainda aproveitar-se de uma forma muito eficaz utilizando paredes Trombe, mas disso falarei noutra ocasião.
Devem evitar-se pontes térmicas com o exterior, sejam de que tipo forem. As janelas com cantaria de pedra podem ser muito bonitas, mas levam o calor da casa direitinho para o exterior, pelo que devem ser evitadas. Se conseguirmos que todas as superfícies interiores estejam à temperatura do ar dentro de casa, não haverá condensação de humidade nas paredes.

Podem dizer-me que, se seguirem todas estas regras, a casa dificilmente ficará bonita. Talvez tenham razão, pelo menos na opinião de alguns, mas gostos não se discutem. A verdade é que, quando compramos uma casa é para viver e não para mostrar aos amigos ou contemplá-la do exterior, pelo que deveríamos dar mais importância aos aspectos funcionais do que estéticos.

Pessoalmente, talvez porque me interesso por este tipo de construção há alguns anos, gosto mais deste tipo de casas do que da clássica moradia português suave, que se vê tanto por aí.

Como felizmente moro numa casa de construção bioclimática, que nem sequer é das melhores, uma coisa posso garantir-vos: este conceito funciona perfeitamente e só com muito sacrifício me sujeitaria a morar numa casa “tradicional”.

Se quiserem procurar mais informação sobre o assunto, podem começar por aqui --> ou seguir os links falados no post de arquitectura anterior.

Sigam as pistas, saiam do armário!

ZM

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