Um caminho possível

>> quarta-feira, abril 14, 2010

Tenho percebido que em Angra do Heroísmo, devido à classificação como Património Mundial, existem muitas restrições ao que pode ser feito em termos de recuperação de edifícios. Parece-me haver uma relação causal (pelo que tenho visto noutros centros urbanos classificados) entre essas restrições e o estado de degradação dos imóveis. Pessoalmente, se adquirisse um imóvel numa zona classificada, gostaria de poder renová-lo de forma a preencher os meus padrões de conforto e de eficiência energética, já para não falar do aspecto estético. Um exemplo: na zona classificada de Angra é obrigatório utilizar madeira nos caixilhos das janelas (penso mesmo que têm que ser janelas de guilhotina, mas disso não estou certo), ora madeira, baixo custo e eficiência energética são 3 coisas que não vão juntas.
Encontrei um exemplo de uma casa cuja recuperação me agrada muito, mas não tenho a certeza se o arquitecto cumpriu as normas todas. Se as cumpriu, então este é um excelente exemplo de como se pode inovar e renovar sem comprometer a carácter arquitectónico da cidade e sobretudo sem comprometer o conforto térmico e a factura energética de quem lá mora. Se desobedeceu às regras, então as regras deveriam ser repensadas.

DSC_1992
Adoro a estética desta casa. Poderei estar enganado, mas parece-me que os vãos que se mantiveram com guilhotina e quadradinhos seriam os existentes no edifício anterior e os que têm vidraça inteira foram acrescentados aos novos alçados. Isso leva a crer que o corpo à esquerda da porta de entrada terá sido acrescentado num andar (reparem na fabulosa chaminé, a lembrar a de um navio).

DSC_1989
Esta parte, eventualmente, terá sido totalmente acrescentada. Gosto desta sugestão de madeira, que foi igualmente utilizada neste outro edifício (talvez por ter tido o mesmo arquitecto no projecto de renovação):
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Penso que Angra precisa de intervenções deste tipo. Melhorava em muito o aspecto geral do seu centro e promoveria a habitação na zona histórica. Penso que é um caminho interessante para a evolução da arquitectura da área classificada.

6 comments:

Miguel Bettencourt 4/15/2010 12:36 da manhã  

Realmente parece muito bem conseguida. Onde fica?

Zé Maria 4/15/2010 7:37 da manhã  

A rua do Salinas é uma transversal à rua da Rocha (por cima da Casa do Sal). Esta casa fica na esquina, não há como não a ver.
Um abraço.
ZM

Miguel Bettencourt 4/15/2010 11:30 da manhã  

Agora que explicaste sei perfeitamente onde é. :)
Abraço!

Anónimo,  4/15/2010 4:34 da tarde  

Parabens pelas fotografias das casas reconstruidas no centro histórico de Angra, no entanto esclareço que não é facil reconstruir em Angra, pois os tecnicos da DRAC nunca sabem bem o que querem, o que exigem hoje ROSA, amanha já pode ser LARANJA, o que dificulta o promotor de qualquer reconstrução.
Um Angrense

Pedro Caldeira 4/16/2010 10:30 da manhã  

Se estes problemas de constante interrogação do que os técnicos querem fossem só em Angra do Heroísmo seria muito bom , mas infelizmente está espalhado por todo o país e por todas as instituições.
Como Arquitecto às vezes é desesperante e desencorajador.
Um abraço
Pedro Caldeira

Anita e Miguel 6/02/2010 4:10 da manhã  

Acrescento que a moradia em causa pertence ao empresário local Avelino Luís Gonçalves, presidente do Sport Clube Angrense. Também o seu interior merece rasgados elogios, posso garantir.

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Sobre este blog

Somos Sintrenses por adopção, daí o frequente interesse por temas relacionados com Sintra. Actualmente, vivemos na ilha Terceira, nos Açores, mais propriamente na cidade de Angra do Heroísmo, o que transformou este blog, de alguma forma, num canal privilegiado para ir dando a conhecer como é a vida no meio do Atlântico.

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