Viagem ao Portugal profundo - e frio (II)

>> terça-feira, janeiro 25, 2005

As casas da Beira Alta, fomos-nos apercebendo ao longo destes dias, não são edificadas nem mantidas tendo em vista o isolamento térmico. No geral os vidros são simples, as portas e janelas são de fraca qualidade e por vezes com buracos suficientemente grandes para circularem por lá roedores de grande porte. É fácil imaginar que o interior daquelas habitações não seja propriamente confortável. Pois este cenário estendia-se também à própria pousada. Não que o quarto tivesse buracos para a rua, mas a janela é francamente má e a temperatura exterior estava suficientemente baixa para ganhar a batalha do calor ao ar condicionado do quarto, a trabalhar no máximo. Enfim, nada que 2 corpos juntinhos e 4 cobertores não resolva.
Na manhã seguinte, Sábado, quando espreitámos pela janela, não nos surpreendeu o retrato do tal frio, escrito em cada telha, em cada pedaço do chão:

Geada na Beira Alta

O pequeno almoço era bastante completo, mas não tinha croissants dignos desse nome. Qualquer dia explico-vos o que é para mim um croissant.
Saimos bastante cedo porque pretendiamos dar uma longa volta. Quando chegámos ao carro deparámos-nos com esta teia gelada, no limpa pára-brisas traseiro:

Uma teia congelada

O carro estava completamente coberto de gelo. Só ao fim de longos minutos de aquecimento foi possivel descongelar o vidro da frente para podermos seguir viagem.
Logo ali, junto à pousada, vimos a roda dos expostos:

A Roda dos Expostos

O primeiro lugar onde fomos foi Castelo Rodrigo.

Continua...

4 comments:

Quica 1/25/2005 10:46 da manhã  

Ao que parece, e apesar de tudo, o fim-de-semana valeu pela viagem e por tudo o que viram e acabam por poder partilhar connosco. É um bocadinho como se fossemos, também, com vocês. Adorei os comentários e as fotos. Continua. Vou adorar partilhar este blog contigo. És especial e único.

Anónimo,  1/25/2005 2:55 da tarde  

Sabes para que serviam as rodas dos expostos? Todas as mulheres que tinham filhos indesejados entregavam-nos aos conventos/mosteiros através desta roda de modo a que quem os recebesse do lado de dentro não soubesse quem é que os estava a entregar.
É engraçado como é que uma coisa moralmente tão deprimente pode ser tão bem explorada do ponto de vista artístico...
d

zm 1/25/2005 2:59 da tarde  

O que é realmente impressionante é que nestas aldeias históricas há sempre uma roda dos expostos. A outra constante é a existência de funerárias, mesmo em aldeias com 10 habitantes. Parece que a vida por ali não é fácil.
ZM

Sara MM 1/26/2005 9:17 da tarde  

Ok... terei de admitir... estão muito cultos os meninos d e zm - obrigada pelo que aprendi!

Quanto a esta parte da viagem para mim o Best of é mesmo a teia de aranha!!!!! Linda!!! Numa só noite a pobre coitada trabalhou tanto... mal sabia ela que até a comida-alvo em vez de viva estava na arca frigorifica ...

Quanto aos croissants... como te compreendo ZM... é tão dificil encontrar um verdadeiro... e tão frustrante quando chamam isso a uma coisa-seca-manteigosa-que-mais--valia-uma-carcaça...

BJS

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Sobre este blog

Somos Sintrenses por adopção, daí o frequente interesse por temas relacionados com Sintra. Actualmente, vivemos na ilha Terceira, nos Açores, mais propriamente na cidade de Angra do Heroísmo, o que transformou este blog, de alguma forma, num canal privilegiado para ir dando a conhecer como é a vida no meio do Atlântico.

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