A vida são 2 dias e o Carnaval são 4

>> quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Eu e o amigo Daniel (agora apelidado Graziel) começámos por estabelecer como objectivo a conquista do Aneto, o cume mais alto dos Pirinéus, na semana do Carnaval. Depois de uma aturada investigação online e nas revistas da especialidade, rapidamente concluímos que isso não era viável nesta altura do ano. Assim, apontámos baterias à Serra de Gredos, onde já tínhamos passado o Carnaval de há 2 anos, como podem ver em http://www.gmesintra.com/artigos/gredos.htm.
A ideia original era passarmos os 3 dias do Carnaval no Circo de Gredos, dormindo em tenda, junto ao refugio de Elola, onde tomaríamos as refeições. Prevíamos escalar alguns dos cumes que nos tinham ficado atravessados da última vez: O Ameal Del Pablo e os 3 Hermanitos. Só não contávamos com a quantidade de neve que se precipitou sobre os nossos capacetes, como verão adiante.
Embora o Daniel quisesse ter saído de Lisboa às 6:30h da manhã, eu recusei-me a sair antes das 7:00h, mas por via de um bug no telemóvel novo (Nokia!) acabei por acordar exactamente às 7:00h, razão pela qual só nos fizemos verdadeiramente à estrada já depois das 8:00h.
Tanto eu como o Daniel gostamos muito de falar, pelo que a viagem até à plataforma onde iríamos deixar o carro pareceu ter durado uns breves minutos. Posso apenas lembrar que tivemos tempo de aviar um bocadillo de queso manchego, regado com azeite de oliva e empurrado a coca-cola com gelo, assim como tivemos um ligeiro engano no percurso que se revelou positivo, pela beleza da estrada em que acabámos por passar.
Chegados à plataforma - local que dista cerca de 2:30h do refúgio onde iríamos passar os próximos 3 dias - calçámos as botas de gelo, e fizemo-nos ao caminho.
Daniel ajoujado como uma mula, atravessando a ponte, no caminho para o refúgio de Elola
Para não termos que acartar com calçado que não usaríamos, empreendemos a caminhada com as botas de gelo, que no meu caso são umas botas com carcaça exterior em plástico e um botim interior, bastante quente. Não são a coisa mais confortável do mundo para caminhar em cima de rocha, sobretudo com uma pesada mochila às costas.
O ponto mais alto do percurso para o refúgio é um local chamado Barrerones, de onde se avista todo o Circo, incluindo o refúgio. No regresso desta nossa aventura já não passámos sós por este local, mas isso fica mais para a frente. No total acabámos por demorar 2 horas e 45 minutos a chegar ao refúgio. Só tivemos tempo de montar a tenda e entrar no refúgio para jantar.
A pobre tenda na manhã seguinte à primeira e única noite em que nos serviu de abrigo
Como tivemos que esperar pelo segundo turno do jantar, abancámos nas pontinhas dos bancos de uma das mesas a estudar os guias para as escaladas do dia seguinte. Foi aí que tomámos o primeiro contacto com o grupo do Fundão, que viria a animar-nos os serões no refúgio. Lá chegaremos.
Na manhã seguinte, acordámos sob um intenso manto de neve, como se pode ver pela foto da tenda.
Este aqui é o Daniel a preparar a mochila para a ascensão do dia: o Ameal Del Pablo.
Daniel preparando a mochila para a escalada falhada ao Ameal del Pablo
A neve que tinha começado a cair no início da noite anterior, só viria a parar na noite do último dia, pelo que arrancámos em direcção ao Ameal com visibilidade muito reduzida e cheios de neve no toutiço.
Não é difícil prever que chegámos ao início do corredor que devíamos ter subido para atingir a base da parede e nem o vimos. Acabámos por concluir que era melhor regressar ao refúgio. Mesmo que tivéssemos encontrado a base da parede, não tínhamos condições para escalá-la.
No caminho de regresso tentámos seguir as nossas pegadas de havia 15 minutos, mas o vento e a neve eram de tal ordem que aquelas tinham praticamente desaparecido. Acabámos por encontrar uma pequena cascata de gelo onde estivemos a treinar a nossa técnica, como se fosse um boulder de gelo (escalada sem corda). De qualquer forma se caíssemos tería sido num fofo colchão de neve recente.
Daniel armado em tartaruga Ninja, escalando um boulder de gelo
No que toca a escalada, este dia estava feito. Assim, fomos para dentro do refúgio comer umas coisitas e aguardar pelo jantar.
Refugio de Elola, no Circo de Gredos, num dia de muito mau tempo
Foi nesta noite que conhecemos o pessoal do Fundão, com quem viríamos a partilhar os jantares e serões daqui para a frente. A verdade é que nos tornaram a estadia MUITO mais divertida!
Acabámos a noite a jogar Uno, um jogo de cartas apropriado para quem está cansado e em altitude, já que não é preciso pensar muito. A minha prestação foi miserável, digna de um verdadeiro Zé Lopes...
Nessa noite dormimos dentro do refúgio. A tenda foi chão que deu uvas e se tivéssemos insistido em lá dormir, provavelmente aínda lá andavam com uma pá à nossa procura.
Na manhã seguinte iríamos conhecer os Hermanitos, mas o resto fica para um próximo post.
Aspecto do refúgio no único dia que tivemos sem neve (o do regresso a casa!)

2 comments:

Sara Lambelho 2/11/2005 5:09 da tarde  

Gostei muito de ler a primeira parte! Venha daí a segunda que deve ser igualmente entusiasmante. Beijos gordos da igualmente entusiasmada Sara.

Ricardo Mendonça,  2/14/2005 12:09 da manhã  

Tal como foi dito pela amiga Sara, que fez anos na 6ª feira passada, estou ansioso por ler a segunda parte da vossa e também nossa aventura!Um abraço forte!

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Sobre este blog

Somos Sintrenses por adopção, daí o frequente interesse por temas relacionados com Sintra. Actualmente, vivemos na ilha Terceira, nos Açores, mais propriamente na cidade de Angra do Heroísmo, o que transformou este blog, de alguma forma, num canal privilegiado para ir dando a conhecer como é a vida no meio do Atlântico.

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