O policia

>> sexta-feira, abril 14, 2006

Na Sexta-feira santa, uma vez que os museus nacionais estavam fechados pelo 16º ano consecutivo (desculpem os funcionários, mas já ninguém tem pachorra para esta luta, da qual já nem se deve saber as causas) fomos fazer uma visita ao Oceanário, para mostrar à pequena Madalena, agora com quase 4 anos, os seus tão amados peixes. Uma das suas saídas mais divertidas foi a de dizer:
- Ó mãe esta manta tapa os outros peixes quando eles estão a dromir?

As crianças com menos de 4 anos não pagam entrada, mas os pais também não deviam pagar, porque só temos meia-visita. As crianças acabam por se aborrecer de tanto peixe e temos sempre que abandonar o recinto sem conseguir ver o andar de baixo.


No regresso desta visita, decidimos passar pela Vila Velha de Sintra, para comprar pão para o almoço. Os acessos ao centro histórico estavam caóticos, devido ao estacionamento anárquico de carros (sobretudo espanhóis) por todo o lado. Ao fim de algumas manobras para fugir aos acessos mais condicionados, deixei a minha mulher (grávida de 7 meses) junto à padaria e parei o carro um pouco adiante, mais ou menos em frente ao Café Paris. Não havia mais carros ali encostados, o largo estava desimpedido e eu nem desliguei o motor do carro.
Passados uns minutos fui abordado pelo policia de serviço, dizendo que eu não podia estar ali parado. Até aqui tudo mais ou menos habitual.
Expliquei-lhe que estava apenas à espera da minha mulher, que tinha ido comprar pão. Ele disse que eu tinha que prosseguir. Eu subi um pouco o tom e disse que estava à espera da minha mulher, que estava grávida de 7 meses e tinha ido comprar pão. Ele disse que eu devia ter pedido para parar ali. Assim, como não tinha pedido previamente tinha que seguir. Eu sabia que se seguisse só voltaria a conseguir parar o carro na Ribeira e que teria que subir o Arraçário a pé, com uma criança de menos de 4 anos ou abandoná-la no carro para vir recolher uma pobre mãe, grávida que nem um comboio.
Voltei a dizer, já um bocado enervado, que morava ali já em baixo, estava à espera da minha mulher, grávida de 7 meses, que tinha ido comprar pão, e que além disso tinha uma criança no carro que não podia abandonar.
Ele disse que eu tinha que prosseguir porque não tinha pedido previa e encarecidamente ao magnânimo agente da autoridade para encostar a viatura se faz favor (esta parte já sou eu a exagerar, mas era o que o homem queria que eu tivesse feito). Eu ainda perguntei porque razão ele me ia multar, qual era o motivo. Ele disse que não me ia multar, estava era a dar-me uma ordem. Eu disse o que já todos perceberam, que não havia nenhuma razão para ele me mandar seguir excepto o facto de estar a ser teimoso.
Ele mandou-me seguir…
Então, quando já só me apetecia passar à violência, lembrei-me que gosto mais de dormir na minha cama, na companhia da tal mulher muito grávida, do que num catre de esquadra de subúrbio, na companhia de um qualquer meliante barbudo, com mau hálito e com apetites sexuais desviantes. Meti a primeira e preparei-me para iniciar a marcha.
Só que entretanto a Madalena desata a chorar, assustada com a altercação. Claro que isso me fez saltar definitivamente a tampa. Parei o carro, saí do meu lugar, tirei a criança do carro e tentei acalmá-la. Afastei-me uns metros do carro, do polícia e da altercação até conseguir que a Madalena recuperasse a tranquilidade. Entretanto já a minha mulher voltava ao carro, arrastando a sua volumosa barriga. Sentei a Madalena no carro, sentei-me ao volante e disse ao senhor agente: “Obrigado e boa Páscoa”. Pareceu-me ter visto no seu rosto uma expressão envergonhada quando me respondeu: “igualmente”.

A única marca negativa que trouxe desta história é que a Madalena não conseguiu esquecer a discussão. Veio até casa a pedir-nos entre lágrimas que lhe prometêssemos que não voltávamos a comprar pão naquele “chuper mercado”. Muitas horas depois do ocorrido e após inúmeros pedidos de que não voltássemos a estacionar ali o carro, que fossemos sempre comprar pão a outro lado, etc, estávamos a arrumar a mesa do jantar e ela teve como tarefa trazer o pão de volta para a cozinha. Percebemos o quanto o episódio lhe continuava às voltas na cabeça quando ela disse, com os olhos a brilhar, enquanto nos mostrava os restos do pão do jantar:
“Amanhã não vamos precisar de comprar pão, pois não?”

Boa Páscoa para todos, incluindo o senhor agente, se faz favor.

ZM

13 comments:

Quica 4/15/2006 3:30 da tarde  

Nada acontece por acaso.
Bj gde e Boa Páscoa, a ti, à mãe (mto grávida), à pequena Madalena (quase com 4 anos) e, ao tal polícia (que talvez precise de aprender a ser capaz de "analisar" melhor as situações).

NS 4/15/2006 6:00 da tarde  

É o país que temos...

Sara MM 4/16/2006 11:25 da manhã  

AAIIIIIIIIII... Tadinha! Incrível!

Até doi perceber como a estupidez de um tipo pode ferir tanto uma criança...

"Boa Páscoa"?! Como és capaz?! Eu acho que "!###$#"/)$/#)$/%##"!!!

Mais um bocadinho de discussão com o dito "!#$"!"#! e ela pedia-vos para deixarem do comer pão :o|

BJs *4

Rosario,  4/16/2006 1:57 da tarde  

Imagino-te mesmo a perder a tua calma !

Obrigada pela foto recente, tenho de vir ao teu blog para vos "vêr" !

Joyeuses fêtes de pâques !

minhoca 4/16/2006 11:42 da tarde  

Zelo levado ao extremo.
As crinaças vêm e sentem para além daquilo que nós pensamos.
Continuação de boa gravidez, está linda essa barriga de menina?! Será?! Parece.
*

Azenhas 4/17/2006 8:51 da manhã  

Feliz semana, amigo Zé Maria.
Um beijinho às meninas mais bonitas do mundo, que tiveste a amabilidade de nos mostrar e faz a vontade à Madalena.
Até porque o pão ali na vila não é do bom pão saloio que temos na região! Olha, na ribeira, seguindo pela estrada velha em direcção à varzea/carracal, tens um café/mercearia antes da rotunda nova que fizeram que tem pão, todas as revistas do mundo e até travesseiros da piriquita!!!
Páras á porta, a pequena Madalena pode ver os patos que estão na ponte e ninguém vos vem chatear.

Um abraço do teu amigo solidário.

Anónimo,  4/17/2006 1:12 da tarde  

Até me conseguiste fazer chorar com uma "história" tão comovente.... (o que diga-se que também não é difícil).
Sónia Capela

Fernando_Vilarinho 4/17/2006 9:26 da tarde  

gostei muito deste seu/seu espaço

achei-o tarde mas pelos vistos dei com ele.

fernando

Mana+,  4/18/2006 11:52 da manhã  

Obrigado pela foto recente das tuas "mulheres" !
E desculpa là esse policia "tacanho", que se calhar estava mas é com inveja que tu tivesses mulher e filhos contigo nesse dia enquanto ele tinha que estar longe dos dele a trabalhar ...
Boa Pàscoa também (com um pouco de atraso)e beijinhos !

ana ventura 4/18/2006 2:39 da tarde  

Antes de mais cá em casa há uma máquina de fazer pão...e...sempre que quiserem venham cá come-lo! A Madalena está um doce com o novo visual!

Anónimo,  4/20/2006 7:51 da tarde  

Certo, Companheiro!
Mais vale um pão na mão, do que dois no trombone do chui (ké bruto). Além do mais, naquela data, só mesmo " perdoai-lhes........"
Zé Ventura

Anónimo,  4/22/2006 3:10 da tarde  

A Madalena está linda com o cabelinho cortado, a Raquel, realmente, está muito grávida,mas está uma beleza. Parabens a todos.
Quanto ao problema do pão, o melhor será comprarem uma máquina de fazer pão (são fabulosas), deixam a máquina a trabalhar e quando chegarem a casa teem o pão quentinho à vossa espera.
Beijinhos para todos, inclusivé, para o (a) que está para vir.
Joselinda Venyura (Mãe da Ana)

MJ 5/28/2006 9:18 da tarde  

Já devem saber o sexo do bebe, e pela barriga parece-me um rapaz :o)

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Sobre este blog

Somos Sintrenses por adopção, daí o frequente interesse por temas relacionados com Sintra. Actualmente, vivemos na ilha Terceira, nos Açores, mais propriamente na cidade de Angra do Heroísmo, o que transformou este blog, de alguma forma, num canal privilegiado para ir dando a conhecer como é a vida no meio do Atlântico.

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