A corrida da Geira

>> quinta-feira, junho 05, 2008

Ultra quer dizer que é uma corrida maior do que a Maratona (acho eu) e Trail quer dizer que o percurso não é asfaltado (excepto em curtos troços de ligação entre trilhos). Neste caso, o Ultra Trail foi o da Geira, a Via Nova Romana, no Gerês.
Quando li pela primeira vez sobre esta corrida disparou cá dentro aquela coisa que nos faz perder o juízo. O percurso seria quase integralmente sobre a velha estrada romana que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga), percorrendo cerca de 45Km dessa via romana, desde o concelho de Amares até às termas de Baños de Rio Caldo, em Espanha, atravessando a serra do Gerês, via Portela do Homem.
O gráfico de altimetria do percurso parecia indicar que não haveria grandes desníveis e isso de facto verificou-se.
Aqui fica uma das fotos retiradas do site de promoção da prova, onde se vê claramente o percurso a seguir a meia encosta, quase sempre à mesma cota.



Embora só tivesse feito uma maratona antes desta prova, achei que correndo a um ritmo lento (e andando quando as pilhas acabassem) poderia chegar ao final em estado de gozar a maior parte do percurso. Assim, afastei aquele grilo irritante que nos está sempre a tentar convencer a não correr riscos e inscrevi-me para a prova.

Sem saber ao certo o que me esperava, mas ansioso por correr naqueles caminhos enquanto tivesse pernas, saí de Lisboa no Sábado (30/05) de manhã com aquele misto de receio e excitação com que se vai para as montanhas.
Quando chegámos à povoação de Campo do Gerês, logo encontrámos várias pessoas conhecidas destas andanças (e outras de andanças bem distintas mas que, com surpresa minha, também partilham o mesmo interesse) e acabámos por nos enturmar com um grande grupo de amigos com quem jantámos e partilhámos casa.
O jantar foi de enfarta brutos, com carne barrosã e batata frita, para acumular calorias para a jornada seguinte.
Depois fomos assistir ao briefing da corrida, que na minha opinião foi demasiado tarde (21:00h), tendo em conta a hora de partida da corrida (no dia seguinte às 5:30h da madrugada).
Fomos informados por dois "romanos", trajados a rigor, sobre os eventuais percalços com que teríamos que nos debater durante a corrida e sobre o mau estado dos caminhos por causa da intensa chuva que varreu aquela zona nos dias anteriores à prova (dias? Eu diria séculos!).

No dia seguinte, pela fresquinha, depois de enfiar à pressa um pão com marmelada pela goela abaixo, empurrado por um sumo de fruta, dirigimo-nos ao secretariado da prova, no museu da Geira, no Campo do Gerês, de onde partiam as camionetas para o início da prova. Ao fim de quase uma hora de viagem, fomos finalmente largados no Concelho de Amares. Neste local foi dada a partida às 7:15h da manhã. É espantoso como se consegue reunir tanta gente à partida de uma prova desta natureza, a esta hora, neste local tão distante dos grandes centros urbanos. Eu diria que há hoje uma apetência nunca vista para actividades deste género.

O caminho começava em ligeira subida e imprimimos um ritmo de corrida muito calmo para poupar energia e para deixar o corpo fazer-se ao movimento. Os primeiros quilómetros foram percorridos com um prazer indescritível. O terreno nesta parte do percurso era excelente e a via segue quase sempre à mesma cota, acompanhando o desenho dos montes, a meia encosta, com uma vista magnífica sobre os vales. Mesmo para quem não corra, percorrer estes caminhos andando será seguramente um grande prazer para os sentidos. O ar é fresco, a vista é espantosa e o percurso vai atravessando bosques de carvalhos por onde correm linhas de água com o seu canto agradável.
Tínhamos que nos manter atentos porque por vezes não era muito evidente qual o caminho a seguir. A marcação do percurso é o único aspecto que seria interessante tentar melhorar em futuras edições desta corrida.
Os quilómetros foram passando, o terreno foi ficando mais enlameado e lá para o Km 12 enfiei um pé na lama até ao tornozelo. A partir daí, já não havia nada a fazer. Deixei de me preocupar em evitar água, lama e bosta de gado vacum sobre as quais corríamos e posso dizer que à chegada à meta o meu aspecto poderia indicar que tinha estado a fazer moto cross e não corrida de montanha.
Entretanto foram aparecendo os abastecimentos. Um verdadeiro luxo em corridas nestes terrenos, já que desde bebidas isotónicas a fruta, marmelada, barras energéticas e sanduíches, houve de tudo.
Já perto do Km 26 (altura em que passaríamos de novo em Campo do Gerês, onde tínhamos o carro), perdemo-nos no caminho, juntamente com uma quantidade de corredores, e acabámos por perder alguma energia e cerca de 10 minutos. Mas nem por isso nos atrapalhámos e lá seguimos, de volta ao percurso correcto, até ao museu da Geira, onde nos esperava um verdadeiro banquete.
Não nos deixámos amolecer com a oferta de alimentos e prosseguimos rapidamente em direcção à barragem de Vilarinho das Furnas, para percorrermos o pedaço bem conhecido da Geira Romana que leva à estrada entre o Gerês e a Portela do Homem.
Contudo, nós seguimos por carreiro, subindo uma linha de água até à Portela do Homem (fronteira com Espanha), tendo que atravessar o rio Homem. A organização tinha avisado que seria uma travessia perigosa e complicada devido ao caudal do rio, aumentado pelas intensas chuvas recentes. Por mim, achei uma brincadeira de crianças. Neste tipo de obstáculos noto que tenho muita facilidade por causa dos longos anos de prática de escalada, trekking e alpinismo.
Logo após a Portela do Homem voltámos a entrar em carreiro, desta vez sobre lameiros, para descermos o vale que leva até Baños de Rio Caldo. Na primeira parte da descida senti-me muito animado e fresco e imprimi um ritmo muito rápido. O meu companheiro de corrida não se iria atrapalhar, já que teve que travar durante toda a corrida para poder manter-se junto de mim (tratava-se do famoso Tiago Dionísio). Nesta altura, há muito que a lama não me metia medo e corria sobre os lameiros como se andasse na pista do estádio nacional. Mais abaixo, embora continuasse com o motor cheio de energia, tive problemas no chassis e comecei a sentir uma dor aguda muito forte na parte da frente do tornozelo esquerdo. Isso fez-me reduzir muito a velocidade no final e inibiu, de alguma forma, o grande prazer de chegar à meta.
Chegámos às piscinas de "águas termales" de Baños de Rio Caldo com 4:53:18h de corrida. Fomos os corredores 72, em 170 que chegaram ao final.
Neste ponto tínhamos já organizadas as mochilas com roupa lavada e toalhas, que tínhamos entregue à organização 45Km atrás, por isso fomos pôr-nos de molho naquela sopa quente que brota das entranhas da terra e que nos soube como um jacuzzi de luxo.
Depois de recuperados do esforço e após passarmos os ténis por água para tirar "a maior", regressámos ao museu da Geira de autocarro, onde tínhamos disponível um repasto digno dos romanos que outrora mandaram construir a via de comunicação que acabáramos de percorrer em corrida.
Imaginava à partida que teria muito mais dificuldade a completar a corrida. É provável que volte na próxima edição.

Agora, outros objectivos se desenham no horizonte.

Não tenho fotos desta prova por motivos óbvios. Estava lá a correr, dificilmente poderia estar simultaneamente a fotografar.
Encontram imagens em www.espiralphoto.com. As minhas fotos aparecem mais no número de dorsal do Tiago, que é o 187: aqui.

ZM

9 comments:

Anónimo,  6/05/2008 9:59 da manhã  

Estiveste bem!
Agora são precisos patrocínios para comparecer à de São Silvestre...
Quem sabe...
Abraços,

Zé Maria 6/05/2008 10:03 da manhã  

No ano passado fiz a S. Silvestre da Amadora. Até nem me correu mal.

Nana 6/05/2008 12:00 da tarde  

Ora muito bem !
Estàs com um fisico de arromba !
Bravo !
E beijocas !

Anónimo,  6/05/2008 3:06 da tarde  

Bravo meu caro ZM.

Pois eu por cá já não posso igualar o meu amigo "Karnazes" :-) fiz no mês passado 130km e acabei no Hospital.
Actualmente estou proibido de correr mais do que a lógica o permite, o pé esquerdo passou a ter um nome porreiro:

"...assimetria dos escafoides tipo de "scaphoide cornu" admitindo uma fusão com nucleo tibial externo..."

Ora com isto e mais umas visitas ao osteopata julgo que correr a partir de agora vai ser uns 20km...
Enfim deve ser assim que um tipo começa a sentir que já tá velho para certas coisas.
Gostei muito de ler este "post" Parabéns

Spiri 6/05/2008 5:37 da tarde  

Muito bem!
Deixo o desafio no ar de vires correr aos 20km dos 3 Cantaros!

Fica este link para abrir o apetite:

http://video.msn.com/video.aspx?vid=78b98707-c1f1-4cf2-8b56-af36916c7ef2

Um abraço!

Zé Maria 6/05/2008 8:00 da tarde  

Spiri,
Já estou inscrito!
Até lá.
ZM

Pedro 6/08/2008 10:51 da tarde  

Valeu a pena esperar, para ler este post. Parabéns!

Anónimo,  4/09/2009 2:33 da tarde  

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