A Confraria da batata frita

>> quarta-feira, agosto 16, 2006

Há um pequeno bar, algures na costa, entre a Ericeira e Peniche, que se vem tornando um lugar de culto de uma (felizmente ainda) pequena confraria, que lá se delicia com as melhores batatas fritas do mundo, um peixe de que me falaram maravilhas e uma paz que já começa a ser difícil de encontrar no nosso litoral, sobretudo em Agosto.
A primeira visita é um ritual iniciático, só sendo franqueada a entrada a quem se fizer acompanhar de um veterano, coisa que eu próprio ainda não sou, pelo que não posso revelar o local exacto deste paraíso. Aqui ficam algumas imagens, que dão bem conta da beleza do local, particularmente naquela hora mágica em que o Sol mergulha no mar, mesmo em frente dos nosso olhos.



Quem esperasse uma decoração tipo "Aqui há peixe", vai ficar desiludido. Aqui impera o barato, do aspecto à conta, passando pela mobília. O Lourenço não se importou de aviar o seu biberão das 20:00h à mesa da tasca.

Comemos diversas carnes grelhadas, porque à segunda-feira não há peixe (ao contrário do outro). Tudo acompanhado das tais batatas fritas que não podem ser deste mundo. Vêm para a mesa bem quentes, mas secas e apenas ligeiramente estaladiças, no grau de compromisso ideal entre aquelas que parecem cozidas (e encharcadas em óleo) e as outras que nos cortam o céu-da-boca quando as mordemos. Têm aquele gosto a sal que só tinham as batatas da minha avó, embora o sal propriamente dito não se veja. Quem lá vá e coma apenas batatas fritas, empurradas com sagres geladinhas já não dará a diáspora por perdida.

O ambiente é o que as imagens documentam. Não há electricidade, por isso a embirrante e omnipresente televisão não tem lugar. Quando o Sol se deita, aparecem os candeeiros a gás, que dão uma luz quente e agradável. Dá vontade de ficar ali muito tempo.

Mesmo antes de vir embora, tivemos a última surpresa da noite. Tínhamos comido e bebido até fartar, desde pão e azeitonas até ao arroz doce e café (neste caso solúvel por falta de corrente eléctrica), passando pelas grelhadas de todo o tipo e pelas batatas fritas do Olimpo, tudo isto com o mar à frente. Quando a conta aterrou na mesa, julguei que se tinha enganado no aeroporto, mas não, aquela era a nossa conta. Nada mais, nada menos que 8.50€ por pessoa.

Ficam sem saber ao certo onde é esta maravilha, mas pelo menos já sabem que existe. Se procurarem bem, certamente merecerão encontrá-la.

Se for caso disso, passem por lá, mas não digam a ninguém onde fica…

9 comments:

AM 8/16/2006 3:42 da tarde  

Se não tem decoração tipo "Aqui há peixe" as tias não vão gostar :), mas se é assim tão bom, como é que passaste o tempo a tirar fotos? :)
A mim ninguém me arrancava da cadeira! :)

PMBC 8/16/2006 6:18 da tarde  

Tem que ser!
Hei-de lá passar.

Anónimo,  8/17/2006 11:19 da manhã  

MEC is really back.

http://miguelestevescardoso-mec.blogspot.com/

Fogo Na Noite Escura 8/17/2006 9:30 da tarde  

Afinal ainda existem pequenos paraísos na terra... Tenho que descobrir este sítio porque o acho absolutamente delicioso, e tem tudo a ver comigo. Dicas?

Fogo Na Noite Escura 8/18/2006 2:49 da tarde  

Obrigada pela dica, ZM. Bom fim-de-semana.

daniel 8/18/2006 2:51 da tarde  

Passar por este local de culto e ter o prazer de trincar as batatas fritas é um ritual iniciático.

É o começo de um vício que tem que ser alimentado com alguma frequência mas sobre o qual não podemos falar nem divulgar para que seja só nosso.

A família arrumário já caiu na armadilha...

Mana+,  8/20/2006 4:07 da tarde  

Pena que não tenhas aproveitado para là ir com a tua mana ...
Eu prometo que não divulgava !...
O segreddo dessas fritas salgadas sem sal, como fazia a nossa avò, é que são postas em alguidar com agua salgada e depois fritas jà salgadinhas !
Agora vou ter que esperar pelo proximo verão ...

ana ventura 8/21/2006 4:19 da tarde  

já estou com ganas de lá voltar :)

Sara 7/26/2013 5:17 da tarde  

Uma bela maneira de relaxar, espero ser capaz de fazer algo parecido com isso alguns dias, porque relaxar é muito importante para que eu sempre alimentar os restaurantes em itu

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Sobre este blog

Somos Sintrenses por adopção, daí o frequente interesse por temas relacionados com Sintra. Actualmente, vivemos na ilha Terceira, nos Açores, mais propriamente na cidade de Angra do Heroísmo, o que transformou este blog, de alguma forma, num canal privilegiado para ir dando a conhecer como é a vida no meio do Atlântico.

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