Electricidade com ou sem extras?

>> quinta-feira, novembro 25, 2010



Esta é uma petição que cada um assinará se assim o entender, mas que não contará com a minha assinatura, pelas seguintes razões:

  1. O texto é demagógico e não explica em profundidade o que está em causa;
  2. Limita-se a cavalgar o descontentamento geral e o facto de o preço final da electricidade poder subir;
  3. Pretende escamotear as razões que levam a que o preço da electricidade suba.
  4. Refere por exemplo (ouvi na rádio) as "reservas de potência" como se esse fosse um custo que possamos de alguma forma dispensar

Trata-se de um texto e de um protesto que vêm na sequência do célebre manifesto anti-renováveis, que recupera parte da argumentação de Mira Amaral e dos seus fiéis e que me dá a volta ao estômago.
Pergunto-me muitas vezes o que é que as pessoas pretendem. Querem electricidade barata? Vamos investir em nuclear. Podem começar a tirar à sorte em que "back yard" vai ficar a central (ou as centrais) e prepararem-se para suportar o valor do investimento.
Querem manter tudo como está? Então preparem-se para a factura, porque os preços dos combustíveis fósseis, incluindo o gás natural (que tem um papel importante no mix energético nacional), vão subir de forma imprevisível nos próximos anos.
Se queremos preparar-nos para o futuro e contribuir para a diminuição dos efeitos de estufa que decorrem da indústria da energia não temos volta a dar, temos que caminhar a passos largos para a utilização de energias renováveis.
Isso tem um preço, mas a energia tem um preço e vai subir quer queiramos quer não.
Do meu ponto de vista, a opção deste governo em apostar em força nas renováveis é acertada. O futuro mostrará quem tinha razão.
ZM

6 comments:

Pedro 11/25/2010 9:55 da tarde  

De acordo.
O que me revolta são os gajos que prepararam todo o negócio das renováveis enquanto estiveram no Governo, fizeram a cama e agora deitam-se nela.

Zé Maria 11/25/2010 10:11 da tarde  

Isso é uma outra questão, que tem pouco a ver com o facto de a electricidade estar mais cara, e pouco a ver com o que se apresenta nesta petição.
Uma trapalhada.

José Doutel Coroado 11/25/2010 10:15 da tarde  

Caro José Maria,
concordo com os seus argumentos e acho que os custos que refere devem estar na minha factura de electricidade.
Mas, há uma coisa que gostaria de lembrar: também lá está um valor (que, por sinal, até é o que vai subir mais - 28,..%) que eu acho que devia ser mais discutido. Refiro-me à taxa do audio-visual (ou outra designação qualquer) que vai subir de 1,75 para 2,25.
abs

ps: felicitações por colocar neste seu blogue algumas das melhores imagens que já vi dessa ilha.

Zé Maria 11/25/2010 10:29 da tarde  

A taxa do audiovisual também não tem qualquer relação com o que escrevo e de resto não vem descriminada no texto da petição (coisa que lamento).
Tem razão quando diz que é uma taxa absurda, sobretudo se pensarmos que pagamos bem mais pela TV cabo, por exemplo.
Obrigado pelos elogios às imagens, mas não estou seguro de ser merecedor de tanto.
Conhece a Terceira? E-maile-me. (zm.sintra@gmail.com)
ZM

Miguel Bettencourt 11/26/2010 12:09 da tarde  

Existem ainda muitos obstáculos a uma implementação séria das energias renováveis, sendo uma delas os interesses e lobbies económicos instalados em torno da exploração e comercialização dos combustíveis fósseis.

Depois há a célebre "mentalidade", que associada a custos por vezes elevados no investimento nas renováveis aumenta o distanciamento na adesão a estas. Mas as pessoas têm que perceber que o investimento nas energias renováveis tem um retorno financeiro a médio prazo e em termos ambientais nem é preciso referir.

Estas questões ambientais sofrem de um problema social e politicamente correcto: ficam muito bem na fotografia, mas por vezes quando toca a implementar, a sério, a história é outra.

francisca nemesio 11/30/2010 8:10 da tarde  

Olá Zé Maria,
Bastante mais esclarecida sobre este assunto. Mais uma vez obrigada!

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Sobre este blog

Somos Sintrenses por adopção, daí o frequente interesse por temas relacionados com Sintra. Actualmente, vivemos na ilha Terceira, nos Açores, mais propriamente na cidade de Angra do Heroísmo, o que transformou este blog, de alguma forma, num canal privilegiado para ir dando a conhecer como é a vida no meio do Atlântico.

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