quarta-feira, abril 30, 2008

Vamos lá imaginar...

No Domingo passado, depois da fantástica corrida dos 13Km do Guincho, onde obtive a minha melhor classificação de sempre (mesmo tendo em conta que havia poucos participantes), passei na Azoia, junto ao Cabo da Roca, onde está a crescer uma casa que me andava a intrigar. Aqui ficam as fotos, tipo livro de obra.

_DSC1891

Vista de longe tem um aspecto muito apelativo, sobretudo por causa da cobertura ajardinada. Não sei se no final ficará com o betão à vista ou se levará algum revestimento térmico. É integralmente construida em betão.

_DSC1893

Esta sala é surpreendente. Tem 3 zonas claramente definidas de projecto e será difícil fazer lá outra coisa, mas apetece muito passar um serão naquele espaço quando estiver concluido. O tecto em forma de túnel, construido também em betão, e os recortes nas paredes, criteriosamente desenhados, irão dar a esta sala um ambiente muito especial. A foto é tomada da rua, através daquilo que será um gigantesco vão, orientado a Sudoeste.

_DSC1896

A cobertura "ajardinada", por enquanto um bocado selvagem, será um dos toques especiais desta moradia.

_DSC1897

Trata-se igualmente da cobertura. Não fosse a chaminé ali ao fundo e julgaríamos estar perante o jardim.

_DSC1900

Recorte na parede da sala, virado para Noroeste.

_DSC1901

Grandes vãos dos quartos, virados para Sudoeste, e muro circundante da piscina.

No geral é um projecto que assenta sobre uma lógica muito original. Se outro mérito não tiver, tem pelo menos esse.
O betão aparente vai (infelizmente) fazendo escola, embora não saiba ainda se levará ou não algum acabamento. Esteticamente parece-me magnífica assim, mas do ponto de vista térmico devia levar um bom isolante, talvez com a mesma cor do betão aparente, que fica realmente muito bem nesta construção.

A distribuição da sala, o material do chão (tijoleira rústica), o tecto abobadado, as janelas recortadas, são muito interessantes. Gosto igualmente dos vários pátios interiores, em redor dos quais a casa se enrosca.

Não faço a mais pequena ideia de quem será o autor deste projecto, mas não tenho grandes dúvidas de que haveremos de o ver nas revistas, provavelmente visto pela lente da algum grande fotógrafo.

Bom fim-de-semana.
ZM

segunda-feira, abril 28, 2008

Sozinhos em casa III

CCB_DSC1887

CCB, antes da Meredith Monk (que concerto!)

Sozinhos em casa II

Uma das várias coisas que aproveitámos para fazer neste estupendo fim-de-semana sem crianças foi plantar alfaces lá na horta. Quando crescerem o suficiente para irem para a saladeira, mostrarei como ficaram. Por agora deixo aqui algumas fotos que fiz no horto de Alfaquiques, onde as fomos comprar.

_DSC1881

_DSC1882

_DSC1884

_DSC1885

_DSC1886

domingo, abril 27, 2008

Sozinhos em casa I

Uma feliz coincidência fez com que estivéssemos ambos em casa, sem as crianças, na data do concerto da Meredith Monk, no CCB.

Para quem não conheça Meredith Monk, é preciso preparar os ouvidos para algo a que não estamos muito habituados. Meredith utiliza a voz como instrumento e leva isso tão "a peito" que toda a primeira parte do concerto foi exclusivamente voz. Primeiro com a cantora sozinha na boca do palco, sem qualquer instrumento na cena, tentando sempre arranhar os títulos das cantigas em Português - segundo ela, a mais bela língua do mundo -, depois com Theo Bleckmann, dono de uma voz extraordinária, com um dos mais largos registos vocais que alguma vez ouvi.
Para a minha mulher, que não conhecia o que ia ouvir, faltava-lhe a música :-)

Na segunda parte os temas foram quase todos com piano, teclas ou violino. O ensemble de Meredith Monk é uma selecção do que há de melhor em termos vocais no mundo.

Foi um concerto memorável, com a sala tão pouco povoada que mandaram toda a gente dos balcões e das galerias para a plateia. Felizmente também ganhámos com o upgrade.

Deixo aqui alguns links para videos sobre o trabalho de Meredith Monk.
Sei que para muita gente é uma música quase inaudível. Deixem-se levar e talvez acabem tão encantados quanto eu.











Obrigado, meu amor, pela companhia.

quinta-feira, abril 24, 2008

Casas aqui da zona

_DSC1880
Casa de Manuel Graça Dias, no alto do Penedo

_DSC1879
Casa de autor (para mim) desconhecido, no alto do Penedo. Julgo que é a casa que Mário Laginha referiu numa entrevista como sendo sua. É uma marca de arquitectura moderna na velha aldeia do Penedo. Acho-a bastante interessante, mas (como é frequente) encontro-lhe alguns erros do ponto de vista energético.

_DSC1877
Uma cópia do projecto de Souto Moura junto ao farol da Guia. Esta encontra-se no Banzão e ignoro quem seja o autor.
Gosto sobretudo da secção que se ergue sobre pilotis e talvez gostasse ainda mais se a secção da garagem fosse menor. Acho-a demasiado parecida com a do Souto Moura e também com a do Valsassina, bem perto desta. Arriscaria mais uma autoria de Valsassina, já que Souto Moura agora já não usa esta linguagem. Acho discutivel o facto de ter o interior todo em aço e pladur (sem inercia térmica) e os vãos de vidro do chão ao tecto, sem qualquer respiração ou escape de calor. Estando virada praticamente a poente, eu teria colocado estores de lâminas no exterior destes grandes vãos para evitar os ganhos solares excessivos. Ainda assim, uma casa muito interessante.

ZM

Uma parede branca, nua e lisa


Aires Mateus - Casa no Litoral Alentejano (foto de Fernando Guerra)

Oriana entrou, disse bom-dia às coisas e pôs-se em frente do espelho:

- Espelho - disse ela -, olha-me bem, mostra-me como eu sou: vi o meu reflexo no rio e achei-me linda. Mas tenho medo de que o rio me tenha embelezado e lisonjeado como lisonjeia a paisagem. Mostra-me bem como eu sou para eu ver se o peixe disse a verdade e se eu sou ainda mais bonita do que o meu reflexo no rio.

- Oriana - disse o espelho -, sou, como já sabes, um espelho antiquíssimo. Há séculos que todas as meninas bonitas se põem em frente de mim para ver como são e todas querem saber se haverá no mundo alguém mais bonito do que elas. Vê-te bem. És muito bonita, mas há uma coisa muito mais bonita do que tu.

- O que é? - perguntou Oriana, ansiosamente.

- Uma parede branca, nua e lisa.

Sophia de Mello Breyner Andresen in "a fada oriana"

terça-feira, abril 22, 2008

Casa do Vale II


Casa das Areias - Sintra. Muito próxima de outro projecto muito interessante de que talvez venha a falar aqui noutra entrada: a Casa do Pego, de Álvaro Siza.

Há tempos falei aqui do gabinete de arquitectura Simbiose, a propósito da casa do Magoito (que por sinal continua à venda). Entretanto, vi nascer bem perto de onde moro uma casa que me pareceu ser mais um produto Simbiose.
Acontece que, no último número do Expresso, aparece esta casa à venda, por um preço simpático: 1.135.000€! Por isso, fui lá conhecê-la.
Já visitei diversos projectos deste gabinete, construidos aqui na zona, que felizmente conheci em obra, tornando-os mais acessiveis. Todos eles têm uma linguagem comum, com aspectos que me atraem muito, dos quais destaco:
  • Grandes vãos, quase sempre bem orientados;
  • Coberturas planas ou quase planas, frequentemente "visitáveis";
  • Chaminés em aço;
  • Caixilhos das janelas em madeira (num dos casos, com uns óculos muito interessantes - casa do Cosme);
  • Mistura do branco das paredes com embasamentos em pedra;
  • Casas aninhadas no terreno, como se sempre lá tivessem estado;
  • Fantástica integração das piscinas;
  • Todas as casas de banho com janela;
  • Estores exteriores de lâminas, como tenho em casa;
  • Casas muito fragmentadas em blocos, distinguindo-se as zonas sociais das privadas e dos serviços (característica pouco interessante do ponto de vista energético, mas muito apelativa do ponto de vista estético e funcional).

Enfim, uma linguagem que se identifica com relativa facilidade.
Curiosamente, é um gabinete cujo trabalho jamais vi referenciado pelas revistas ou sites da especialidade.
Aqui fica, uma vez mais a publicidade.
Já sabem, se andarem com a carteira recheada, têm aqui mais uma soberba oferta de habitação de grande nível.

domingo, abril 20, 2008

Em casa, com os rebentos...

O mau tempo dificulta os programas no exterior, por isso coloquei a 50mm 1.4 na máquina e sempre fiz o gosto ao dedo.

_DSC1865

_DSC1873

quinta-feira, abril 17, 2008

Casa bioclimática à venda

Ontem tinha na caixa do correio este folheto. Como passo a vida a promover este conceito de construção, achei que devia fazer aqui eco desta oportunidade.





Infelizmente, a minha bolsa não chega a tanto, senão era eu próprio quem a comprava. Está numa situação magnífica, com uma vista sobre a serra de cortar a respiração e é tão bioclimática quanto a minha.

Alguém se habilita?

PS: pelo sim, pelo não, se contactarem a Choice por causa desta casa, digam onde viram o anúncio :-)

ZM

quarta-feira, abril 09, 2008

Garcia no Makalu



Para os mais distraidos, aqui fica a notícia de que o alpinista João Garcia já se encontra a caminho do Makalu, o seu 10º cume com mais de 8000m, dos 14 que pretende conquistar até ao final de 2010.

O Makalu é a quinta montanha mais alta do mundo, com 8463m de altitude.
Se esta ascensão correr bem, ficam a faltar "apenas" 4 montanhas:
Manaslu - 8163m
Nanga Parbat - 8125m
Annapurna - 8091m
Broad Peak - 8047

Podem acompanhar o blog da SIC, mantido pelo Aurélio Faria, que desta vez não foi acompanhar o alpinista ao vivo: http://sic.sapo.pt/online/blogs/makalu

Podem ainda consultar a página do João Garcia no site do Millennium

O Arrumário faz figas pelo sucesso desta expedição.

ZM

segunda-feira, abril 07, 2008

Touradas

Depois de um post divertido, um deprimente, para equilibrar.

Um vídeo impressionante não deixa margem para dúvidas. O que aqui vemos é indiscutivelmente degradante, causa repulsa e agonia.

Uma parte da minha ascendência familiar tinha boas relações com a tauromaquia, havendo mesmo ganadeiros na família. Habituei-me a ver a tourada com um olhar mais apaixonado do que a generalidade dos meus amigos. Para quem alguma vez tenha olhado com atenção, há uma diferença radical entre o que se faz em Espanha e o que se faz em Portugal. Dois dos aspectos mais impressionantes deste filme, felizmente não acontecem em Portugal: o picar do touro no início e a morte do touro na arena. Por outro lado, a tourada portuguesa tem um tipo de toureio a cavalo que se faz pouco pelo resto do mundo e tem os forcados, que julgo que só existem cá.

Tudo isto para dizer que o que me habituei a ver com alguma paixão e interesse está a anos luz do que este filme mostra, mas nem assim consigo justificar que esta coisa continue a existir no século XXI.

Se fosse possível continuar a ter o toureio a cavalo sem torturar o touro, eu seria um dos maiores apoiantes de tourada, mas isso não é de todo possível.

Não penso que esta seja a coisa mais terrível que a humanidade faz à natureza ou aos animais, mas nem por isso se justifica que a tourada continue a existir.

Nunca assisti a uma tourada ao vivo e não sei se teria estômago para tal. Este post é acima de tudo um contributo para a redução ou extinção da assistência nas touradas. Quando não houver quem pague para ver, o espectáculo deixará de existir e penso que esse é o único caminho.

Está aberta a discussão.

ZM

Calhou cócó



Este foi-me enviado pelo Daniel. É das coisas mais cómicas que tenho visto nos últimos tempos. Definitivamente, as Produções Fictícias estão a dar frutos.

Eu diria que este fica na história.

Boa semana.

sexta-feira, abril 04, 2008

Malandreco



Lourenço, um dia destes, no parque infantil.
ZM

quarta-feira, abril 02, 2008

Curso de iniciação à escalada


Boulder em Albarracin - Foto by Ricardo Alves

O GMES vai dar um curso de iniciação à escalada. Já há muito que não se falava desse tema por aqui. Temo que vá regressar. O curso começa a 29 de Abril (aula teórica, à noite). Não estará na altura de experimentarem?
ZM