"...há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam pegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa (...). A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar."
José Saramago in "A Caverna"
Pergunto-me a que margem terão chegado, se a alguma, as pessoas que dizem que não gostam de ler Saramago. Talvez se tenham afogado em preconceitos, afundando-se inutilmente até ao leito.
Arrumário era o nome que a pequena Madalena dava aos armários. Este blog é o arrumário electrónico das nossas experiências, emoções e ideias.
segunda-feira, junho 28, 2010
sexta-feira, junho 25, 2010
A espera de gado
Uma espera de gado é em tudo diferente das restantes touradas e afins aqui da Terceira. Neste caso, são largados, um a um, seis touros no meio da rua. Passados uns minutos, estão os seis touros juntos, a correrem a rua para cima e para baixo. De onde estava, via apenas uma pequena parte da zona por onde eles andavam. Os touros estão embolados com umas peças de metal e não sei se alguém levou ou não uma cornada. Que eu visse, não. Eram touros calminhos, comparando com os que vemos nas touradas de praça. Ao fim de uma hora ou coisa que o valha, começam a recolher os touros. Uns vão pelo seu pé para dentro da gaiola, outros são apanhados à corda e levados para o mesmo destino. De resto, não lhes fazem mais mal do que andarem a correr à sua frente. Penso mesmo que os touros que vêm à cidade participar nestes eventos são veteranos. Andam no mato e já sabem que no Verão têm que se vir mostrar à cidade e dar umas cornadas para o DVD do ano.
Deixo aqui apenas algumas das muitas fotos que fiz.


Os preparativos

Rua de S. Pedro sem carros.

Fechando o "recinto".

A espera, no Alto das Covas. Falta ainda mais de uma hora para esta gente ver touro, mas já cá estão a marcar lugar.





Embolando os touros.


Não pode faltar comida.

Está tudo pronto. Já só falta abrirem-se as gaiolas, uma a uma. Está na altura deste vosso repórter se pirar para casa, para fotografar o resto da janela.

Menina estás à janela...

Aí andam eles

Parece que vai ao ar, mas safou-se.

Um panning

Foge!

Das poucas que tirei da porta de casa.

Aquele que é aqui chamado "o quinto touro", neste caso, o sétimo: os comes e bebes e o combibio.

Bela pelagem, não?

Um dos touros a ser levado de volta à gaiola, para poder ir descansar para o mato.
Para verem a totalidade das fotos das Sanjoaninas -->
Deixo aqui apenas algumas das muitas fotos que fiz.
Os preparativos
Rua de S. Pedro sem carros.
Fechando o "recinto".
A espera, no Alto das Covas. Falta ainda mais de uma hora para esta gente ver touro, mas já cá estão a marcar lugar.
Embolando os touros.
Não pode faltar comida.
Está tudo pronto. Já só falta abrirem-se as gaiolas, uma a uma. Está na altura deste vosso repórter se pirar para casa, para fotografar o resto da janela.
Menina estás à janela...
Aí andam eles
Parece que vai ao ar, mas safou-se.
Um panning
Foge!
Das poucas que tirei da porta de casa.
Aquele que é aqui chamado "o quinto touro", neste caso, o sétimo: os comes e bebes e o combibio.
Bela pelagem, não?
Um dos touros a ser levado de volta à gaiola, para poder ir descansar para o mato.
Para verem a totalidade das fotos das Sanjoaninas -->
Sanjoaninas 2010
As Sanjoaninas são os festejos do S. João, na cidade de Angra do Heroísmo. É uma espécie de "santos populares" de Lisboa, mas com mais adesão. Durante as actividades dos festejos a cidade pára.
Como temos o Simão com semanas, apenas fomos apanhando algumas partes do extenso programa. As Sanjoaninas são muito mais do que o que estas fotos ilustram.
Este primeiro conjunto de fotos é do dia das marchas. A grande novidade deste ano era a marcha de S. Miguel, ilha com a qual os Terceirences alimentam uma certa rivalidade, e que acabou sendo uma boa demonstração de tolerância de ambas as partes.

O primeiro sinal de que irá passar-se algo na rua da Sé são as inúmeras cadeiras que vão marcando lugar ao longo do dia.

Aparecem por todo o lado, normalmente amarradas.


Já no momento em que as marchas decorrem, o que impressiona é a quantidade de gente em cada janela, cada varanda, cada terraço, tudo muito bem engalanado com as respectivas mantas coloridas.


Até nas residenciais há gente a assistir em cada janela.

Aspecto geral das marchas.


A tal marcha de S. Miguel, altamente aplaudida.


Não percam o próximo post, com mais imagens da espera de gado, na minha rua.
Como temos o Simão com semanas, apenas fomos apanhando algumas partes do extenso programa. As Sanjoaninas são muito mais do que o que estas fotos ilustram.
Este primeiro conjunto de fotos é do dia das marchas. A grande novidade deste ano era a marcha de S. Miguel, ilha com a qual os Terceirences alimentam uma certa rivalidade, e que acabou sendo uma boa demonstração de tolerância de ambas as partes.
O primeiro sinal de que irá passar-se algo na rua da Sé são as inúmeras cadeiras que vão marcando lugar ao longo do dia.
Aparecem por todo o lado, normalmente amarradas.
Já no momento em que as marchas decorrem, o que impressiona é a quantidade de gente em cada janela, cada varanda, cada terraço, tudo muito bem engalanado com as respectivas mantas coloridas.
Até nas residenciais há gente a assistir em cada janela.
Aspecto geral das marchas.
A tal marcha de S. Miguel, altamente aplaudida.
Não percam o próximo post, com mais imagens da espera de gado, na minha rua.
quinta-feira, junho 24, 2010
Os 6 cornudos
Novas do Simão
terça-feira, junho 22, 2010
Mais duas do Cesariny
O navio de espelhos
não navega, cavalga
Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível
Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos
Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele
Os armadores não amam
a sua rota clara
(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)
Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga
O seu porão traz nada
nada leva à partida
Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta
E no mastro espelhado
uma espécie de porta
Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto
A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto
Quando um se revolta
há dez mil insurrectos
(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)
E quando um deles ála
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar profundo
Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)
Do princípio do mundo
até ao fim do mundo
(Mário Cesariny)
"queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma!"
(Mário Cesariny)
Os poemas de Cesariny põe-me a alma a vibrar e o timbre da sua voz faz-me o mesmo ao núcleo dos ossos.
Via Fluir de Espumas.
sexta-feira, junho 18, 2010
Levantado do Chão
Morreu hoje, há pouco, o escritor de quem li mais livros em toda a minha vida. Este dia havia de chegar. Chegou hoje. Morreu José Saramago.
Tal como o Rui Vasco, já percebi que muita gente parece alegrar-se com a partida deste grande escritor português. Somo à tristeza da perda a tristeza de cada vez me identificar menos com tanta estupidez à solta.
Conheci o autor pelo Memorial do Convento, algures no início da década de 80. Adorei o livro e é daqueles que tenciono voltar a ler. Tive uma gata chamada Blimunda, que teve um triste fim, e tenho ainda um Baltazar, já velhote. O outro chama-se Zorbas (Sepúlveda e o seu gato que ensinava gaivotas a voar).
Depois, lembro-me de ler tudo o que apanhei pelo caminho, nomeadamente:
Também é verdade que me surpreendia a arrogância do discurso e a falta de flexibilidade do pensamento no autor daqueles livros, mas isso interessa-me pouco. Interessam-me os livros e com ele morto não haverá mais. Disso tenho pena.
Encontro em dois autores actuais e bem vivos, contágio do estilo Saramago, já falei de ambos neste espaço: José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe.
Morreu o autor, vivam os livros.
Tal como o Rui Vasco, já percebi que muita gente parece alegrar-se com a partida deste grande escritor português. Somo à tristeza da perda a tristeza de cada vez me identificar menos com tanta estupidez à solta.
Conheci o autor pelo Memorial do Convento, algures no início da década de 80. Adorei o livro e é daqueles que tenciono voltar a ler. Tive uma gata chamada Blimunda, que teve um triste fim, e tenho ainda um Baltazar, já velhote. O outro chama-se Zorbas (Sepúlveda e o seu gato que ensinava gaivotas a voar).
Depois, lembro-me de ler tudo o que apanhei pelo caminho, nomeadamente:
- Levantado do Chão, que adorei e que seguramente contribuiu para me empurrar para a esquerda, politicamente
- O Ano Da Morte De Ricardo Reis
- Jangada de Pedra
- Todos os Nomes
- O Evangelho Segundo Jesus Cristo
- Ensaio Sobre a Cegueira
- A Viagem do Elefante
- Caim
Também é verdade que me surpreendia a arrogância do discurso e a falta de flexibilidade do pensamento no autor daqueles livros, mas isso interessa-me pouco. Interessam-me os livros e com ele morto não haverá mais. Disso tenho pena.
Encontro em dois autores actuais e bem vivos, contágio do estilo Saramago, já falei de ambos neste espaço: José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe.
Morreu o autor, vivam os livros.
Água engarrafada?
The Story of Bottled Water (Português) from Guilherme Machado on Vimeo.
Embora me pareça algo exagerado, provavelmente porque não se baseia no cenário Português, vale a pena reflectir sobre o assunto.
Via Speakers Corner.
quarta-feira, junho 16, 2010
Mais duas do Lourenço
Na Prainha, em Angra.
No fim-de-semana grelhámos peixe "normal". Uma dourada de cultura e uma posta de salmão igualmente de cultura. Já vêm como fiquei impressionado com o estado dos Oceanos. O nosso creativo Lourenço, encontrou uma forma de se defender do Sol inclemente, enquanto não temos um suporte para o guarda-sol.
O incrível aconteceu

No passado fim-de-semana decidi participar numa prova de corrida e orientação, organizada pelos Montanheiros. Como gosto de correr e o cenário era apetecível, decidi aproveitar para treinar fazendo a minha estreia neste tipo de prova. Embora tenha feito um mau percurso, porque houve duas balizas que não vi na carta, tendo que lá voltar mais tarde, acabei por andar rápido e ganhei mesmo a corrida.
Está bem que havia só 5 concorrentes masculinos seniores, mas o facto é que fui o mais rápido. A moça que aparece na tabela com um tempo melhor do que o meu não conta porque elas só tinham que ir a metade das balizas.
Deu-me um grande gozo fazer esta prova. E agora soube-me bem descobrir que tinha sido rápido.
Voar sobre as águas do Atlântico
Há horas de sorte. No meio desta confusão que têm sido os meus dias por cá, eis que sou convidado para integrar a tripulação do Talismã, numa tarde de bom tempo, com vento que baste e mar quase chão.



Trata-se de um Dufour 40, versão Performance e aquilo não navega, aquilo voa sobre as águas.


O vento andava pelos 8 a 10 nós, mas houve vários momentos em que andámos mais do que o vento.

A sensação de andar a 10 nós apenas empurrado (ou puxado) pelo vento é extraordinária.


Chegado a casa, tenho ainda no corpo o balanço do mar e na pele a frescura do vento. Trago igualmente nos ouvidos o sabor da conversa amena, de olhos no horizonte, e nas mãos a leveza da gigantesca e elegante roda do leme. Navegar numa embarcação destas, com aquele mar e vento certo é um grande, grande prazer. Inesquecível.
Trata-se de um Dufour 40, versão Performance e aquilo não navega, aquilo voa sobre as águas.
O vento andava pelos 8 a 10 nós, mas houve vários momentos em que andámos mais do que o vento.
A sensação de andar a 10 nós apenas empurrado (ou puxado) pelo vento é extraordinária.
Chegado a casa, tenho ainda no corpo o balanço do mar e na pele a frescura do vento. Trago igualmente nos ouvidos o sabor da conversa amena, de olhos no horizonte, e nas mãos a leveza da gigantesca e elegante roda do leme. Navegar numa embarcação destas, com aquele mar e vento certo é um grande, grande prazer. Inesquecível.
terça-feira, junho 15, 2010
Umas fotos que ficaram perdidas
Com o barulho das luzes, tinha-me esquecido de publicar estas.




Estas foram todas tiradas no dia 1 de Junho, e ilustram uma visita de um tal Pinóquio a esta ilha. Não sei em que contexto esta figura andou por cá, mas como podem ver, andou.

A babada avó, com o neto mais novo ao colo, poucos dias depois de ele vir ao mundo. Obrigado pela ajuda, avó.

O retrato do neto.

Para não dizerem que a Madalena não tem direito a andar de patins.

Alta performance, alta elegância :-)
Estas foram todas tiradas no dia 1 de Junho, e ilustram uma visita de um tal Pinóquio a esta ilha. Não sei em que contexto esta figura andou por cá, mas como podem ver, andou.
A babada avó, com o neto mais novo ao colo, poucos dias depois de ele vir ao mundo. Obrigado pela ajuda, avó.
O retrato do neto.
Para não dizerem que a Madalena não tem direito a andar de patins.
Alta performance, alta elegância :-)
