40 dias é muito tempo. O nome "Quarentena" mantém-se, mas já não é disso que se trata.
Hoje fui correr para o lado da Praia das Maçãs. É uma volta tranquila, por um percurso onde não tenho visto ninguém. Em nenhuma das praias vejo mais do que 1 ou 2 pessoas quando muito. Já no supermercado onde depois fui buscar pão, havia uma rapariga com uma boa quantidade de anos mais do que eu, assim já a cair da tripeça, que combinava grande almoçarada ao telemóvel com alguém que estava a caminho: "já cá estamos todos". Pareceu-me que não seria das coisas mais seguras para fazer neste momento. De certeza que se a coisa correr mal, a culpa foi do Ferro Rodrigues.
Confusão na mesa da sala. Notas de "escola", máquinas fotográficas, computador, sei lá que mais. Temos tido uma ponta da mesa permanentemente no caos.
Confusão também na cozinha, mas isso tem sido uma constante. Passamos horas na cozinha, a cozinhar, a arrumar compras, a lavar loiça, a secar e arrumar, a tratar da roupa, enfim, horas e horas. Hoje fiz uma quiche. Ficou tão boa que nem conseguir fotografar o resultado final, a canalha aspirou tudo ao jantar.
Fiz também uma sopa de couve-flor, com um toque de caril e aipo que ficou fora de série, modéstia à parte. Os putos também gostaram bastante.
Isto era o início da quiche. A ideia era fotografar mais passos, mas acabei por saltar. Quando me lembrei de fotografar o resultado, há só havia migalhas na tarteira.
O dia de hoje não teve grande novidade. Choveu copiosamente durante boa parte da manhã. Eu senti-me cansado e acabei por não ir correr.
À tarde estive a aprender física. Não percebi ainda porquê, mas dá-me gozo.
Depois do almoço o Simão e a mãe fizeram uma tarte de Lemon Curd. Aqui fica o registo do que sobrou:
Depois fomos dar um giro com a canalha, aproveitando uma aberta, para eles terem vitamina D.
Pouco depois de "ligar o rádio" de manhã (na verdade, oiço "telefonia" online no telemóvel), foi-me oferecida esta cantiga dos Snow Patrol que havia tanto tempo não ouvia. Curiosamente, quando mais tarde o locutor anunciou o que tinha tocado, não falou desta cantiga. Terei sonhado? Não sei, mas soube-me bem ouvi-la.
Hoje fui até lá acima, a Adrenunes e à Peninha. A Serra estava cheia de gente por todo o lado, nalguns casos grupos numerosos, que certamente não estão em confinamento todos juntos. Desconfio que o pessoal está mesmo farto de estar em casa. Veremos daqui a 2 semanas se há alteração nos números.
A Peninha está a ser alvo de alterações que não auguram nada de bom. Boa parte dos trabalhos têm sido feitos nesta altura em que está toda a gente em casa. Não gosto do que vejo.
O nosso forno andava parvo, não aquecia por baixo, apenas no "grill". Desmanchei-o com a ajuda do Lourenço e estive a testar o que se passava. Finalmente, acho que ficou a funcionar, mas na verdade não cheguei a reparar nada. Devia ser um MCDC.
A propósito da discussão do momento nas redes sociais - se o Parlamento deve ou não ter uma sessão solene de comemoração do 25 de Abril - encontrei esta troca de "testemunhos" na página do jornalista Daniel Oliveira, que me parece resumir na sua essência as diferenças de abordagem.
Luis Xavier Olá Daniel! E por isto que eu tenho uma tendência a não levar a Esquerda muito a sério! Num momento em que EU (um exemplo que, com certeza, serve para milhares de Portugueses) estou a 500 kms da minha família que não posso ver há mais de 3 meses, fiz 26 anos sozinho em casa, celebrei a Páscoa sozinho em casa e não faço ideia de quando posso voltar a abraçar os Meus, ver-te bater com o cravo no peito desta forma deixa-me mesmo triste! Não faço ideia dos teus sacrifícios nesta quarentena mas eu estou a sentir e bem! Celebrar Abril de uma forma simbólica, sim claro! Fazer um ato público não faz uma ponta de sentido! Não se pode tornar esta altura de exceção em guerrilha! Não se pode dar este exemplo! Não assim! Humberto Silva Luis Xavier lamento a sua situação isto não tem a ver consigo. Tem a ver com um símbolo de liberdade e resistência. A sua história não é nem mais nem menos importante que a minha mas se estamos a trocar galhardetes de histórias pessoais fique com a minha. O meu pai adoeceu com doença oncológica no início do ano. No último mês de vida só pude vê-lo por Skype antes de morrer. No seu enterro só estive eu e a minha mãe e só mais 6 pessoas. Não houve velório. Foi da UCCI directo para debaixo da terra. Vejo todos os dias a minha mãe chorar porque não pode ir colocar flores na campa. Mas o meu pai viveu e morreu a lutar para que eu e vocês e todos estes justiceiros de rede social pudessem mandar bitaites no Facebook sem consequências. E puta que pariu se o meu pai fez o 25 de Abril para que o medo, o julgamento, a denuncia, o egoísmo e o ódio agora fizessem com que a casa da democracia não assinalasse o momento em que um dia permitiu que todos possam ter a liberdade que hoje todos têm como garantido. No dia em que os símbolos morrerem morremos nós. E esta é a minha posição.
Encontro nesta discussão alguns dos ingredientes que tenho visto serem utilizados no julgamento dos comportamentos "dos outros".
Muita gente sente conforto na noção de sacrifício, de castigo, como forma de sair desta crise. Esse meme incomoda-me.
Neste caso particular da celebração do 25 de Abril no Parlamento, as comparações são:
"Ah, mas na Páscoa ficámos todos em casa e agora estes tipos (uns malandros, certamente) vão fazer "uma festa" com 150 pessoas".
Ora, esta comparação é totalmente desonesta. Se tivéssemos todos celebrado a Páscoa como é habitual, teria havido uns largos milhares de Portugueses (arrisco uns milhões) a deslocarem-se para zonas distantes da sua residência habitual, para almoçarem ou jantarem em grupos de nalguns casos 10 ou 15 pessoas, com bastantes idosos pelo meio. Comparar isso com uma celebração no Parlamento que, envolvendo 150 pessoas, é feita com distanciamento social (numa casa que alberga 700) é de uma desonestidade intelectual que eu nem quero classificar.
O outro argumento que está sempre a vir para a discussão é o "respeito pelos mortos" ou "o respeito pelos guerreiros que estão na linha da frente". Ora, o cú não tem nada a ver com as calças. Para começar, celebrar a data fundadora da nossa democracia não é de nenhuma forma desrespeitar os mortos pela Covid-19, talvez até seja uma forma de os homenagear, por outro lado, o facto de haver quem esteja a trabalhar arduamente e a sofrer horrores nos hospitais e nas forças de segurança não invalida que se celebre dignamente o 25 de Abril, pelo contrário. Há muita gente que tem gravado desde a infância a noção de que temos que nos castigar para que a crise passe e isso deve ser combatido. É verdade que há muita gente que está a fazer sacrifícios terríveis para lidar com esta crise, mas bastam esses, não temos que acrescentar toda a gente se isso não tiver nenhuma utilidade. Já tinha falado disso noutro post, mas volto a lembrar as pessoas que vão a Fátima arrastar-se de joelhos para sofrerem à força. Isso é totalmente inútil. E neste caso, deixarmos de celebrar o 25 de Abril no Parlamento por haver muitas pessoas (a quem tiro o meu chapéu) que estão a sacrificar-se para lidar com esta crise global, não tem qualquer utilidade, não acrescenta nada a quem se sacrifica nem a quem morreu entretanto ou às suas famílias. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Se o Parlamento não foi bombardeado por tropas invasoras e se os intervenientes nas celebrações estão felizmente vivos e com saúde, que se faça o que tem que ser feito, da forma mais segura possível, para que o regime em que vivemos continue a ser celebrado.
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Cá em casa já vamos com 37 dias de confinamento. Felizmente, vivemos numa zona em que é possível ir apanhando algum ar sem colidirmos com outras pessoas. Para quem esteja na cidade a coisa será certamente mais complicada. Há pouco vi imagens do que se está a passar nos paredões da marginal onde é possível "passear" e fiquei impressionado. Claramente, as pessoas já não estão a aguentar mais. Será preciso ter alguma compreensão a partir de agora, e confiar na responsabilidade de cada um. Receio que a costela de polícia que há nalguns Portugueses vá começar a entrar em conflito com a necessidade de alguma liberdade dos restantes. As coisas poderão ficar pesadas se não tivermos uma dose especial de empatia daqui para a frente.
Hoje fui correr de manhã, por um caminho que tenho feito com frequência onde não encontro vivalma, felizmente.
Isto é no carreiro que leva da minha aldeia à estrada de alcatrão que leva ao cruzamento do Cabo da Roca (eu atravesso essa estrada, mas não corro nela mais do que 150m).
Aqui estou no estradão que me leva até ao cruzamento do Cabo da Roca. É um local que tem sido desmatado nos últimos tempos, mas ao Sábado não se vê aqui ninguém. Tem imensos carvalhos, sobreiros, castanheiros, azinheiras. É um pedaço de floresta muito agradável.
Na Azóia propriamente dita.
Igualmente.
Aqui já estou de volta a Almoçageme, na estrada de terra que liga a Ulgueira com a estrada da Adraga.
Esta é a Xica. É uma cadela simpática a quem saíu a sorte grande. Nunca terá tido tanto mimo na sua vida, garantidamente. Numa família com 6 pessoas, há sempre um colo disponível, sempre alguém que lhe dá festas ou comida.
Hoje fomos fazer mais umas compras ao Aldi. Pelo menos nesse supermercado não nos chateiam se entrarmos os dois ao mesmo tempo. Fica a dica: o Aldi é mais "couple friendly" do que o Lidl.
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Ontem à noite caí para o lado antes de editar o Diário da Quarentena.
Aqui fica agora.
Foi um dia sem grande história. Continuo a seguir a série de aulas de física do MIT com muito interesse. Começo a desconfiar que quem matou o vector foi o binário, mas também não estou muito convencido com o comportamento daquele Newton. Veremos onde aquilo nos leva.
Uma visão da minha aldeia que eu nunca tinha visto antes. Foi tomada a partir do caminho que leva ao topo das falésias da Adraga, o qual estava fechado por canas que agora foram removidas. Ficou arejado.
A piscina da Praia Grande continua vazia. O mar estava a querer enchê-la.
Vedação junto ao templo do Sol e da Lua, na Praia das Maçãs.
Para o jantar fiz outra vez bacalhau com natas vegetarianas. Terá porventura ficado a melhor edição de sempre desta receita. Uma das coisas que gosto na cozinha é que não é difícil melhorar quanto mais cozinhamos. São bons momentos os que passo na cozinha.
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Hoje foi um dos dias mais intensos do confinamento até agora.
Fui correr, como tem acontecido quase todos os dias, embora de manhã estivesse a chover.
Almoçámos restos de ontem.
Depois fui com a Raquel fazer umas pequenas compras para o jantar. Aproveitámos umas favas que ela tinha trazido dos Sete Nomes, juntámos outras que ela tinha cultivado e comprámos mais algumas no Sr. Dias. Deu um belíssimo jantar. Eu fiz a sopa.
A miúda a ouvir música no seu quarto.
A esfregona sob uma curiosa luz.
As favas do jantar, ainda cruas.
Hoje encontrei 4 pratos no lixo, com a loiça em bom estado, mas sujos com qualquer coisa estranha que cheirava a cera, mas parecia outra coisa qualquer. Lavámos com Super Gel e já estão no armário da cozinha. Eu sei, somos chanfrados.
Não temos visto muitos filmes juntos, porque os que interessam a uns não interessam a outros. Os mais crescidos (eu, a mãe e a Madalena) tentamos ver coisas mais maduras, mas nem sempre conseguimos. Eu próprio, hoje, sugeri, vá lá saber-se porquê, um filme que vi há muitos anos, mas que me apetecia rever: Cinema Paradiso.
Na verdade, já não me lembrava de boa parte da história. Não sei como foi que o vi da primeira vez, mas desta foi quase sempre através de uma cortina de lágrimas. Caramba! Não me lembrava de ter chorado tanto num filme. Ou estou particularmente sensível nesta fase da minha vida ou este filme me mexeu directamente com cada uma das caixinhas das emoções. Foi directo para o meu top 5, com toda a certeza.
Deixo aqui uma das histórias que fazem parte deste magnífico filme, da qual eu tiro uma conclusão diferente da que tira o Salvatore, uma mais dentro do que defendia o Agostinho da Silva:
"Só por costume social deveremos desejar a alguém que seja feliz; às vezes por aquela piedade da fraqueza que leva a tomar crianças ao colo; só se deve desejar a alguém que se cumpra: e o cumprir-se inclui a desgraça e a sua superação."
Se me permitem a sugestão, mesmo que já tenham visto o Cinema Paradiso, aproveitem este confinamento para o reverem. Pela minha parte, foi de longe o melhor filme que vi em anos.
(Houve ainda um outro episódio que acrescentou intensidade ao dia, mas que não vou detalhar aqui porque não foram boas notícias do ponto de vista profissional. Isto está complicado. Foi um dia verdadeiramente emocionante).
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Hoje decidi dar descanso às pernas e ao corpo. Não fui correr.
Como habitualmente, de manhã a Raquel esteve a ajudar os caganitos mais novos a fazerem umas tarefas "académicas".
Fica sempre a dúvida sobre quem gosta realmente de pintar as gravuras, se a mãe se o filho. Pela cara de enjoado, dá para ter um palpite.
Entretanto, fomos buscar umas comprinhas de última hora ao Jumbo. Estava muita gente.
Depois do almoço fomos dar aqui uma volta na aldeia, para aproveitarmos o Sol que tem sido escasso ultimamente.
Talvez não devesse publicar esta foto, mas aqui fica.
Parte da família a curtir o "soleil".
Com o telemóvel com temporizador, finalmente a família toda numa foto (incluíndo a Xica). A ver se arranjo mais em breve.
Hoje tropecei nesta curta conversa do (polémico, eu sei) Jordan Peterson sobre Hitler e sobre como esse tenebroso personagem da história cavalgou as inquietações da populaça para ganhar carisma e poder e chegar onde chegou. Depois, por acaso, ouvi parte do "Fórum TSF", onde se discutia se o Parlamento devia ou não comemorar o 25 de Abril no contexto em que vivemos: mais de 80% dos que responderam à "sondagem" online achavam que não, que não devemos celebrar a data fundadora da democracia em que vivemos. Há pouco, no noticiário da SIC vejo o inenarrável Ventura, com uma bela gravata amarela, a defender exactamente a posição que ficou maioritária na "sondagem" da TSF. Isto tudo junto faz-me um perigoso sentido. Tenho-me apercebido de que as pessoas andam a dar folga ao cérebro e a engolirem doses maciças de desinformação e populismo. Essa indigestão vai-nos fazer mal a todos, mesmo aos que consomem informação de forma consciente, alertada e parcimoniosa. Eu sei que quem lê aqui os meus escritos é muito mais inteligente e informado do que a média (perdoem a imodéstia do autor e o elogio aos leitores), mas lanço daqui esse apelo a que sejam críticos do que aparece nas redes sociais e mesmo nos jornais e televisões. Não podemos comer o que nos estão a dar sem mastigar ou acabaremos completamente envenenados pela ignorância e pela preguiça.
Já agora, deixo-vos aqui umas fotos da deliciosa "Tortilla de Patata" à Espanhola que fiz hoje para o jantar. Tenho vindo a aperfeiçoar a forma de a fazer e penso que esta ficou de longe a melhor de todas as que fiz até hoje. Soube-me mesmo bem.
O confinamento continua, já vamos com 33 dias.
Na verdade, começa a tornar-se uma situação normal. No meu caso à espera que o trabalho arranque, sem poder fazer grande coisa para acelerar o processo.
Há que ter paciência.
O dia hoje acordou solarengo e acabou com trovoada, ao contrário do dia de ontem. Felizmente, não tivemos muito barulho das obras e também não fez frio. Hoje nem acendemos a lareira.
A corrida foi por um percurso totalmente diferente do que tenho feito habitualmente. Fui para os lados de Colares, Banzão e regressei pela Praia Grande. A ideia era não meter muito desnível, para poder incrementar a velocidade. Fiz 12km.
O mar estava maravilhoso. Esta vista do alto da Praia Grande não é muito conhecida.
Depois do almoço aproveitámos o Sol e fomos dar vitamina D aos caganitos mais novos. Fomos passear a cadela e ficámos algum tempo num terreno aqui perto de onde também se vê bem o Atlântico. Estava super agradável.
Nada faria prever que umas horas depois desabaria uma trovoada das boas.
Ainda fui ali ao Sr. Dias fazer umas compritas, mas a chuva estava forte.
À noite também fomos dar uma volta à cadela, mas acabámos por encurtar o passeio por causa da chuva.
Quando acordei chovia que Deus a dava. Estava um dia mesmo feio aqui na aldeia.
Pouco depois de acordarmos começou a orquestra das obras no andar de baixo. Nas coisas essenciais da vida sou uma pessoa afortunada. Acertei no casamento à primeira (não sei se ela acha o mesmo...), tenho 4 filhos formidáveis (no caso do último, começo a equacionar accionar a garantia), todos temos uma saúde invejável, não nos tem faltado nada de essencial. Contudo, nas pequenas coisas sou do mais azarado que existe. Sempre que há um cocó de cão num raio de 50 metros em meu redor, um dos meus pés - ou os dois - vai lá parar como a luz para um buraco negro; já fui alvo de cagadas de pombos por diversas vezes - uma coisa absolutamente improvável -; despedi-me do meu emprego anterior no final de Fevereiro para abraçar um novo e desafiante projecto profissional que, como imaginam, ficou suspenso de uma realidade que não controlo; desde o início desta quarentena (já lá vai mais de um mês), temos obras de reabilitação do andar de baixo, nas quais o martelo pneumático parece ser a ferramenta imprescindível para qualquer das tarefas.
Assim, passámos toda a manhã com os pés a vibrar e os ouvidos a doer, mas lá chegámos ao almoço.
Comemos os restos do jantar da Páscoa, mas parece que ainda estava melhor que ontem: borrego assado em forno avariado. Queria ver o Avilez a fazer melhor.
Depois do almoço estive a estudar o Universo com o Lourenço. Cá em casa a tele-escola é há muito tempo o padrão. Nesse particular, temos pena das famílias para quem isso é um drama. Há já uma boa quantidade de anos que a escola não nos faz grande falta. E os cachopos não parecem estar mais burros que os que lá costumam passar o seu tempo. Neste novo normal levamos anos de avanço.
O site Americano da Nikon está a oferecer umas pequenas formações em fotografia, desde o mais básico ao mais avançado. Se tiverem tempo e interesse, não deixem de assistir a algumas delas. Eu estive hoje a ver todo o curso "Beyond the Fundamentals of Photography". Não houve nada de verdadeiramente novo, mas foi interessante relembrar alguns dos conceitos. É particularmente interessante para quem tenha Nikon. E cá em casa é proibido ter qualquer outra coisa. Há pessoal doente do Benfica, eu sou doente da Nikon. Se tivesse mais dinheiro tinha um armário cheio de máquinas e de lentes. Assim, tenho só 2 corpos analógicos e 2 digitais mais as respectivas lentes e um estupendo flash. A única lente não Nikon que há cá em casa é a excepção que confirma a regra: a Tokina 11-16 AF-S DX.
Depois (ou antes, já não me lembro) estive a ver mais uma aula de física do extraordinário Walter Lewin, do MIT. Não foi esta, mas esta é fora de série:
Tenho-me divertido bastante a ver aulas destas em "binge watching".
Mais tarde, fomos ali comprar umas coisitas para a sopa, um pão, uns morangos e natas para o chantilly.
A mãe cá de casa, por excesso de zelo, por maluquice ou por assertividade, lava tudo o que compra com sabão ou detergente, excepto se for alguma coisa que se desfaça. Os morangos ficaram no alguidar com detergente durante algum tempo, para quebrar a parede do vírus e o desfazer. Achei a imagem divertida.
O jantar foram douradinhos no forno. Para acompanhar fiz arroz normalíssimo. Ninguém se queixou de mau gosto nos morangos.
Hoje, como terão percebido, não corri. O tempo não me puxou para a rua. A ver se amanhã já vos trago outra vez umas imagens do exterior.
Hoje só fiz fotografias quando fui correr. Não tive grande disposição para mais nada.
Estes montes de "lenha" estão por todo o lado na Serra. Acho-os fotogénicos.
Na zona de Adrenunes a natureza está viçosa.
Tentei apanhar o zangão, mas não resultou grandemente.
Este já é o trilho de volta ao Penedo, numa zona em que esta azinheira está pendurada por cima do caminho.
Os caminhos aqui da Serra estão, pouco a pouco, a fecharem-se. Este confinamento prolongado (já vamos com um mês) está a deixar as plantas colonizarem os carreiros. Daqui a pouco deixo de conseguir passar. É estranho.
Hoje fiz pela primeira vez borrego assado. A ideia era ser para o almoço, mas como à hora de comermos ainda o borrego não estava cozinhado, tivemos que almoçar ovos estrelados e o borrego ficou só para o jantar. Tal como tinha dito, era difícil chegar à categoria do borrego da minha sogra, mas pronto, deu para comer e de sabor até estava aceitável. O nosso forno também não ajuda muito. Talvez para a próxima fique melhor. Não fotografei. Temos pena.
A minha mãe faria hoje 95 anos. Tinha 92 quando foi lá para o outro lado. Não sei se foi por isso (suponho que não), hoje senti-me vazio. Até o tempo que investi na cozinha me foi pesado, o que é de estranhar porque em geral gosto muito de estar na cozinha. Há dias mais cinzentos do que outros (figurativamente falando). Hoje esteve de chuva cá dentro (de mim, não da casa). Tinha pensado desenvolver o tema de qual a roupa e o calçado que me parecem adequados para os tempos de confinamento, mas vou deixar isso para um dia em que esteja mais animado. Vão para dentro. Amanhã há mais.
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Hoje voltei a fazer o smoothie da manhã com folhas de beterraba. Fica estupendo. No de hoje coloquei nozes (acabaram-se as amêndoas). Foram uma mais valia. Ficou mesmo saboroso.
Quem tem seguido esta série de posts já terá percebido que os dois caganitos mais novos se levantam mais cedo do que os dois mais velhos. É por isso que faço com frequência fotos destes antes de ir correr.
As mãos do Matias são tão fotogénicas como os pés :-)
O meu percurso de corrida de hoje passou pelas falésias junto do Cabo da Roca. Neste caso é a Baía de Assentiz. O mar estava lindíssimo, a maré estava super vazia, as praias todas estavam de encher a vista.
Esta é a Malhada do Louriçal, a praia imediatamente a Sul do Cabo da Roca. Por estes lados, como tem sido hábito, não se via vivalma. Já mais perto da minha aldeia havia algumas pessoas a apanhar um bocado de ar. Na verdade, tudo com bastante precaução, pelo que julgo que não será por isto que o gato vai às filhoses.
Depois fui comprar borrego. Será a primeira vez que cozinho tal coisa na minha vida, mas quem faz ovos estrelados, faz borrego no forno. O meu standard, na verdade, é demasiado elevado (o borrego que teria comido na casa da minha sogra, não fosse o cabrão do bicho da coroa a dar cabo da Páscoa à malta), veremos se consigo fazer alguma coisa que se aproxime. Lá estive na fila do talho "Atlântico", em Colares, onde comprei um quarto de borrego para comermos amanhã ao jantar. Eventualmente, iremos "jantar com" os meus sogros, via skype, mas o raio da aplicação ainda não deixa passar pratos cozinhados de um lado para o outro, pelo que terei que me contentar com o que cozinhe eu próprio.
Hoje acabei de ver a série "Sara", que não tinha ainda conseguido ver até ao fim. É das melhores coisas que se fizeram em Portugal. Tanto quanto sei, o Bruno Nogueira escreveu esta série para a sua mulher (Beatriz Batarda). Parte dos episódios é gravada em Sintra, nas Pedras Irmãs, junto à Peninha. Os decors são extraordinários, a história é impressionante, os recursos narrativos são complexos e desconcertantes, a banda sonora é magnífica. Pessoalmente, como já estive várias vezes em filmagens de novelas, esta série diz-me bastante. Recomendo vivamente. Agora que estamos todos obrigados a estar em casa, é uma óptima oportunidade para verem estes 8 episódios.
Agora vou ali preparar um rolo de carne que vou fazer para o jantar. Comprei já feito, no mesmo sítio onde comprei o Borrego, mas esse está a absorver os temperos para ir amanhã para o forno.
Já agora, uma adenda:
No dia 18 do meu Diário da Quarentena referi um artigo do que deu que falar entretanto.
Eis aqui , no Rebel Wisdom, uma interessantíssima conversa com o autor a propósito do tal artigo. Vale bem a pena "investir" esta horita:
Hoje fico por aqui. Boa Páscoa para todos.
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Bom, já vamos com um mês inteiro de recolhimento. Isto está difícil.
A primeira foto de hoje é dos pés do Matias, na cozinha, logo de manhã. São uns pés amorosos. A ver se os fotografo mais umas vezes.
O meu pequeno-almoço de hoje foi com folhas de beterraba, em lugar dos habituais espinafres. Os espinafres acabaram e tive que ir ali à mercearia comprar uma beterraba carregada de folhas para aproveitar para o pequeno-almoço. Claro que a beterraba propriamente dita deu para uma "sopa de morango", como costumamos designá-la. Aqui fica o aspecto. Estava óptima.
Depois do almoço e antes de irmos fazer umas compras ao supermercado, a mãe esteve a ler uma história ao Simão.
O jantar foi outra vez filetes de pescada com arroz de tomate malandrinho. Estava uma delícia (a foto está com algum grão porque a luz era pouca). É um prato que tenho vindo a aperfeiçoar. Desta vez ficou estupendo.
A minha corrida de hoje passou junto à fronteira do concelho, mas não vi ninguém a regular a passagem entre concelhos. Já quando fomos ao supermercado, fomos fiscalizados pela GNR, mas sem novidade.
O dia hoje acordou muito chuvoso. Cheguei a pensar que não iria correr. E se a chuva não tivesse abrandado, honestamente, não teria ido.
Este é um caminho por onde tenho passado com bastante frequência. Permite-me ir daqui da aldeia até perto do cruzamento para o Cabo da Roca sem jamais encontrar gente. Nos últimos tempos encontrei vestígios do pessoal que andou por aqui a roçar o mato no meio das árvores, tarefa da qual resultaram estes molhos de paus.
É um sossego correr nestes caminhos.
Não sei que insecto é este, mas atravessava tranquilamente a estrada do Cabo da Roca depois da chuva. Na nossa vida anterior, quando esta estrada estava sempre com trânsito, este bicho não teria tido o desplante de a atravessar. Teria uns 5 ou 6 cm de comprimento. O que é isto?
O Cabo da Roca propriamente dito está todo vedado, nem os autocarros lá entram. Aliás, tenho-me interrogado porque é que o 403 continua a ir lá abaixo. Vejo-o sempre passar vazio e há semanas que não vejo ninguém por estas paragens.
Eu sei que não sou uma pessoa propriamente convencional, quando as pessoas normais vêem séries na Netflix, eu vejo episódios desta série:
Acho que sofro de engenheirite aguda, desculpem. Estas apresentações do Walter Lewin são do melhor que me podem dar.
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