Diário da Quarentena - Dia 29

>> quinta-feira, abril 09, 2020

O dia hoje acordou muito chuvoso. Cheguei a pensar que não iria correr. E se a chuva não tivesse abrandado, honestamente, não teria ido.


Este é um caminho por onde tenho passado com bastante frequência. Permite-me ir daqui da aldeia até perto do cruzamento para o Cabo da Roca sem jamais encontrar gente. Nos últimos tempos encontrei vestígios do pessoal que andou por aqui a roçar o mato no meio das árvores, tarefa da qual resultaram estes molhos de paus.
É um sossego correr nestes caminhos.


Não sei que insecto é este, mas atravessava tranquilamente a estrada do Cabo da Roca depois da chuva. Na nossa vida anterior, quando esta estrada estava sempre com trânsito, este bicho não teria tido o desplante de a atravessar. Teria uns 5 ou 6 cm de comprimento. O que é isto?


O Cabo da Roca propriamente dito está todo vedado, nem os autocarros lá entram. Aliás, tenho-me interrogado porque é que o 403 continua a ir lá abaixo. Vejo-o sempre passar vazio e há semanas que não vejo ninguém por estas paragens.



Eu sei que não sou uma pessoa propriamente convencional, quando as pessoas normais vêem séries na Netflix, eu vejo episódios desta série:


Acho que sofro de engenheirite aguda, desculpem. Estas apresentações do Walter Lewin são do melhor que me podem dar.

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Diário da Quarentena - Dia 28

>> quarta-feira, abril 08, 2020

Hoje, logo pela manhã, fui brindado com uma estupenda performance do Matias, que me contava uma história difícil de perceber, com muita linguagem corporal a ilustrar o que dizia.
Aqui ficam os registos que guardei dessa actividade matinal:











Na corrida de hoje voltei a passar na ermida que fotografei no outro dia e cujo nome descrevi erradamente. Esta é a Ermida do Senhor do Rio Velho, e aproveitei para "espreitar" o seu interior. Suponho que onde vemos o lugar de um Cristo crucificado tenha havido uma imagem do dito, a qual estará certamente guardada algures. É caso para dizer: "com pregos Garcia, Cristo não caía", como diz a anedota.





Hoje ajudei os meus sogros a utilizar o Skype pela primeira vez. Tive que recorrer ao AnyDesk para "entrar" no PC deles e verificar como estavam as coisas. Agora já podemos fazer o jantar da Páscoa "juntos". Só lamento não ser possível à minha sogra enviar-nos o seu fabuloso borrego via Internet. É já só o que falta.



O jantar foi couve flor gratinada, sopa e salada de alface. Os caganitos não comeram grande coisa.



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Diário da Quarentena - Dia 27

>> terça-feira, abril 07, 2020

Hoje não tenho grande coisa a contar. Vou só colocar as fotos que fiz durante o dia.


Esta é uma das marcas de percurso que encontro nos caminhos por onde corro habitualmente. Aqui estou perto de casa.


Achei divertido que num tempo em que as escolas estão fechadas e se fala tanto na "tele escola" esteja no meio do bosque um quadro como este.


As praias aqui da zona estão interditas. Ver a Praia Grande assim deserta em Abril é muito estranho. Não está mesmo lá ninguém. Faz confusão.


Até as piscinas da Praia Grande estão vazias, de gente e de água.


Isto é mesmo na entrada das piscinas. É curioso porque é justamente o ano em que nasci.


Esta "instalação" fui eu que a fiz e fotografei. Não havia ninguém na Praia das Maçãs, absolutamente ninguém. Impressionante.


A Madalena tem andado a aprender a tocar guitarra em modo auto didacta. Já se começam a notar os resultados. O Youtube é incrível.

Os números continuam a mostrar uma interessante tendência de "aplanamento". Está a custar-nos a todos, mas está a dar resultado. Vamos manter o juizinho, pessoal.

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Diário da Quarentena - Dia 26

>> segunda-feira, abril 06, 2020


O dia começou com o pequeno almoço dos dois mais caganitos: iogurte com granola de chocolate. Aqui temos o Matias


E aqui o Simão.


Hoje fiz um percurso diferente do que tenho feito com mais frequência, quando fui correr. Fiz o Caminho da Boca da Mata, onde se encontra esta Ermida do Senhor do Rio Velho ou Ermida da Boca da Mata, que estava belíssima sob a chuva. Neste lugar "canta" um ribeiro, que passa numa ponte sob a estrada. É um lugar mágico.


Passei também junto ao Convento de Santa Ana do Carmo, entre Gigarós e a aldeia do Penedo. É impressionante pensar que tudo isto é uma propriedade privada.


Esta é uma vista possível da igrejinha da Eugaria.


Também na Eugaria temos a "Casa dos Olhos", de Pancho Guedes, que já não está entre nós. Curiosamente, Pancho Guedes nasceu no mesmo ano que a minha mãe: 1925.


Este é o formidável Leão que está nas escadinhas por detrás da Casa de Pancho Guedes.


Esta casa é bastante interessante. Gostava de a ter podido conhecer por dentro. Não será das casas mais soalheiras que já se fizeram, mas dentro do constrangimento do lugar é muito bem concebida e com espaços intrigantes.



Ontem esqueci-me de mencionar que vimos o "When Marnie Was There", um filme do Estúdio Ghibli, Japonês, de animação. Está na Netflix. Recomendo vivamente.

Hoje seguimos no mesmo registo e vimos pela enésima vez o "Castelo Andante", que é o filme que deu nome à nossa casa de Castelo de Vide, precisamente ao pé do Castelo. Este já o conhecia, mas recomendo na mesma.

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Diário da Quarentena - Dia 25

>> domingo, abril 05, 2020


Hoje comecei por registar esta imagem logo de manhã, quando os dois mais novos se juntavam em torno da mãe para ouvirem e verem uma história num livro.
Depois, como precisávamos de repor víveres na despensa e no frigorífico, fomos ao supermercado. Desta vez, como já tinha dito que faríamos, entrámos à vez, como se estivéssemos separados e siga. Lá dentro andámos juntos e ninguém nos chateou. Tem-me incomodado esta coisa de se querer separar os casais neste tipo de tarefas. Pessoalmente, sinto-me muito mais tranquilo em ir junto com a minha mulher às compras do que se fosse ela sozinha ou apenas eu. Honestamente, não vejo em que é que isso aumente o grau de risco. Já bem chegam os casais que por um ter que trabalhar nalguma função crítica e o outro estar em casa têm que viver separados. Ao menos os que podem estar juntos, deixem-nos estar juntos em tudo.


Cá em casa lava-se tudo o que chega do supermercado desde que seja lavável. Eu sei que parece maluquice, mas é assim. Temos tempo, de qualquer maneira.
Com as compras, acabei por não correr hoje. Já é o segundo dia em que falho. Amanhã, nem que chovam crocodilos de boca aberta, hei-de ir correr.


Tal como tinha anunciado, hoje fiz o tal arroz de pato, a pedido do Simão. Esta é a travessa pequena, antes de ir ao forno.



Esta é a travessa grande, já pronta a comer.

Hoje não há muito mais a dizer. Os números continuam a dar sinais de que a quarentena contribui decisivamente para não levar os hospitais para lá do limite do possível. Temos que nos manter corajosamente em casa por mais uns tempos.

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Diário da Quarentena - Dia 24

>> sábado, abril 04, 2020


Quando vivíamos nos Açores, talvez algures pelo ano 2011, introduzimos um novo pequeno-almoço para toda a família que substituiu o pão, os cereais e os açúcares processados: o Green Smoothie. Entretanto, todos os restantes membros da família foram perdendo esse hábito e agora já só resto eu. Hoje ilustrei os ingredientes do meu smoothie da manhã (não como mais nada além disto), onde só falta alguma água e um bocadinho de canela. Os verdes, neste caso, são canónigos e espinafres. Já só voltei a comer ao almoço. Como eu não como fruta fora deste batido, não quero deixar de o fazer, pelo menos quando estou em casa.



Depois estive um bocado com o Lourenço a ver o Khan Academy. Abri uma conta para ele há dias, mas ainda não tínhamos testado a coisa. Estivemos a aprender matemática. Vamos ver se entra. Alguns acharão estranho que faça "trabalho académico" ao Sábado, mas a verdade é que ultimamente começa a ser difícil saber às quantas andamos, mas fora isso, como o nosso ensino é sempre em casa pode-se ter aulas ao Sábado e depois folgar num outro dia qualquer, conforme vá dando mais jeito.



Ao almoço comemos sopa e ovos estrelados. A sopa fui eu quem a fez, mas saiu uma bela trampa. Ficou mal moída. Os ovos são a nossa fonte de proteína sempre que não temos tempo ou paciência para grandes cozinhados. Em média, diria que cada um de nós cá em casa come mais do que um ovo por dia. Qualquer dia cacarejamos.
O que sobrou da sopa foi comido ao jantar, mas aí já moemos de novo e ficou boa.



Depois do almoço vimos o filme "Os Parasitas", de Bong Joon Ho, um filme que recebeu 4 Óscares na última edição. É estranho, desconcertante, mas vale bem a pena ser visto. Recomendo.





Mais para o fim da tarde, comecei um prato que foi encomendado pelo Simão, que me leva sempre dois dias a confeccionar: arroz de pato. Para já, o pato está cozido com todos os condimentos, desossado e reservado para fazer o arroz amanhã. A razão por que faço isso é porque preciso que o caldo arrefeça de um dia para o outro para conseguir tirar grande parte da gordura, que fica a boiar à superfície da água.
Amanhã talvez tire umas fotos da travessa já pronta.



PS: tudo indica que o esforço que estamos a fazer para não nos contaminarmos à loucura está a tirar pressão dos sistemas de saúde. O aumento do número de casos tem sido cada vez menor, esperando-se que seja nulo dentro de dias. Vamos manter a luta por mais algum tempo. É duro mas valerá a pena. Fiquem em casa.

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Diário da Quarentena - Dia 23

>> sexta-feira, abril 03, 2020

Como tem acontecido quase todos os dias, fui correr de manhã aqui na Serra, passando pelo Cabo da Roca e Praia da Ursa. Toda aquela zona da costa está deserta como só tinha visto há 35 anos, quando a Praia da Ursa ainda era um lugar totalmente selvagem.





Só vi gente nos caminhos já de volta à aldeia. Claramente, o pessoal que mora por aqui não está a usar o carro para ir "passear", aumentando de alguma forma a pressão nos caminhos da vizinhança e deixando (felizmente) os caminhos por onde corro totalmente vazios de gente.



O almoço foi restos do jantar de ontem. Temos feito só uma refeição cozinhada por dia, sendo a outra "sopa e coisas" (um conceito que já existia nos jantares em casa da minha namorada, hoje mulher, nos idos de 1996, 1997), ou restos da outra ou do dia anterior. Tenho cozinhado bastantes vezes. Ontem, ao jantar, fiz bifinhos com cogumelos e natas de amêndoa. Podiam ter ficado mais tenros, mas estavam bons de sabor. O almoço de hoje foi o bis do jantar de ontem.





Depois do almoço fui (finalmente) trabalhar. Fui convocado para ir substituir uma tela publicitária no IKEA de Loures. Neste trabalho, os dois operários estão a uns 15 metros um do outro durante boa parte do tempo. Temos que falar aos berros um com o outro. Mais distância social do que esta é difícil em qualquer trabalho :-)
Curiosamente, encontrei muito movimento na rua, mais do que o que tenho encontrado aqui por onde moro. Talvez fosse por ser sexta-feira.
O jantar foi pizza congelada, que é sempre muito apreciada cá por casa. No fim tiveram direito a um saboroso gelado de Tiramisú que teve um elevadíssimo grau de aceitação. Hoje foi assim.




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Diário da Quarentena - Dia 22

>> quinta-feira, abril 02, 2020

A nossa senhoria, não sei se já falei disto, decidiu há uns meses reabilitar o andar debaixo da nossa casa, que estava abandonado desde que para cá viémos, há mais de cinco anos. Por coincidência, desde que foi decretado o "isolamento social" em Portugal, a obra intensificou-se, designadamente no tocante à utilização de um martelo pneumático que, além do áspero ruído, faz tremer toda a casa.

Hoje, pela hora do almoço, reparámos que havia cá em casa um grau de tensão que não é habitual. Estava tudo aos gritos de uma forma descontrolada. Rapidamente percebemos que o acumular de horas, dias, semanas de martelo pneumático a vibrar-nos nos ossos do crânio, estavam a enlouquecer a família.

Telefonámos à senhoria, cá de casa, para que ela percebesse ao que nos tem estado a obrigar. Pouco depois parou o barulho. Fomos visitados pela sua neta, dona da obra, que nos disse que já tinha falado com os operários e já só faltavam 2 horas de barulho e depois acabava de vez essa fase do trabalho.

É impressionante a forma como o ruído nos vai destruindo a sanidade mental da mesma forma que a água fura a pedra. Quanto mais tempo passa, mais sensíveis vamos ficando sem nos darmos conta. Ao fim de vários dias e horas disto, cai uma moeda ao chão e saltamos como se tivesse explodido uma bomba.



Talvez para inconscientemente fugir durante um bocado desta tortura acústica, corri um bom bocado na Serra esta manhã. Assim, boa parte das fotos de hoje são dessa corrida.


Ainda antes de ir correr, apanhei os dois mais novos a verem qualquer coisa no PC com a mãe.


Hoje, na subida pelo Penedo, havia uns carneiros num terreno onde nunca os tinha visto. Tem-se daqui uma bela vista para Norte, para a aldeia do Penedo e, lá longe, para a costa.


Esta casinha de pássaros marca o lugar onde viro para subir a famosa "Viúva". Hoje subi aqui à esquerda, depois dei a volta e regressei a este ponto para descer um trilho por onde nunca tinha passado. Encantador e deserto, como se quer nesta altura do campeonato.


O marco que assinala o início da "Viúva", um duro trilho a subir por entre as árvores, que desemboca junto à Ermida de São Saturnino, já junto à Peninha propriamente dita.


A Ermida da Peninha. Continua tudo deserto também por aqui.


Depois do almoço fomos à Quinta dos Sete Nomes buscar o nosso cabaz semanal de frescos biológicos e mais umas coisitas.

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Diário da Quarentena - Dia 21

>> quarta-feira, abril 01, 2020

O dia hoje acordou muito frio por estas bandas. Frio e chuvoso.
Não fiz nada de jeito o dia todo.
Aqui ficam as fotos de hoje, para ir ilustrando os nossos dias. Tenho sempre publicado apenas fotos feitas no dia a que se refere a entrada do diário da quarentena, sem batotas.


Leitura da história da manhã, numa sala muito fria a esta hora.


Restos de uma brincadeira do Matias na mesa da sala.


Uma suculenta no quarto da Madalena.


Jogando um jogo no PC.


O largo absolutamente vazio durante praticamente todo o dia.

Ao longo destes últimos dias tenho achado o exterior cada vez mais vazio. Pelo menos aqui na zona. É impressionante. E um bocado deprimente.



O jantar é Salada de Pescada com batatas, bróculos e maionese caseira. Até amanhã.

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Diário da Quarentena - Dia 20

>> terça-feira, março 31, 2020


O Matias, ainda com cara de sono, a aguardar que o pequeno-almoço fique pronto.


O meu habitual café agora é sempre em versão doméstica (embora haja cafés aqui da aldeia a venderem bicas em Take Away, em copos de plástico). Sabe-me mesmo bem este momento da manhã.


Hoje apanhei a sessão de acompanhamento do Lourenço nas suas lides "académicas".


A minha corrida de hoje passou pelo alto da Praia da Adraga. Cada vez encontro menos gente nas minhas corridas. Na verdade, deprime-me ver tudo tão deserto, embora isso possa ser considerado um bom sinal do nosso comportamento colectivo).



Foi publicado um texto no Facebook (vale o que vale), que parece dar a ideia de que para os Franceses é difícil perceber como é que em Portugal se consegue manter o povo em casa sem ser necessária uma intervenção policial musculada ou os tais formulários que os pobres Franceses têm que preencher cada vez que precisam de levar o cão à rua. Na verdade, o texto tem algumas incorrecções, designadamente o achar que ainda estamos a ser governados pela Geringonça, mas se é verdade que nos vêem desta forma, isso devia ser motivo de orgulho para os que efectivamente têm ficado em casa (como eu, à excepção da corrida diária) e devia também desmotivar os perseguidores de free riders, que afinal parecem não fazer assim grande mossa.
Se preferirem ouvir aqui fica:





A propósito do texto publicado pelo meu amigo Açoriano Miguel Bettencourt, partilho algumas ideias que me têm ocorrido sobre o tema da educação:
Durante bastante tempo, talvez até ao final deste ano lectivo, os alunos de todo o mundo irão ficar com sérias limitações de acesso às escolas ou pura e simplesmente em casa.
Esta é a oportunidade ideal para repensar todo o sistema, fazer-lhe um reboot, como dizia alguém há dias.
Eis algumas questões que deveremos fazer para permitir a emergência de um sistema de educação que seja melhor para todos:
1 - Será que é mesmo necessário, no século XXI, haver aulas presenciais? Ter um professor em frente a 30 alunos, todos virados para um quadro, todos a ouvirem o mesmo discurso, ao mesmo tempo?
2 - Com que critério definimos que matérias deverão os alunos todos de determinado ano aprender? Serão de facto as mais adequadas? Como poderemos definir um "esqueleto" de conhecimento que tenha que ser comum a todos os alunos? Terá ele que existir?
3 - Será fundamental dar notas nas avaliações? Teremos mesmo que distinguir os alunos por notas obtidas em testes? Ou bastará que os alunos demonstrem (eventualmente com auto-testes) ter compreendido determinada temática que decidiram ou lhes pediram para estudar?
4 - Não deveria haver mais espaço na vida académica para actividades não lectivas (do ponto de vista formal)? Exemplos: horta, actividade física, laboratórios de ciência, robótica, programação, escrita criativa, poesia, relacionamento inter pessoal, arte, etc.
5 - Será necessário obrigar os alunos a estar na escola quando eles não queiram lá estar (e tenham autorização dos pais para irem para casa, ou outro lado qualquer)? Fará sentido continuar a "chumbar" alunos por faltas, se eles encontrarem forma de aprender o que é suposto dispensando as aulas formais?
6 - Teremos mesmo que manter as "disciplinas" relativamente estanques, com professores de matemática que não sabem nada de Português ou de Educação Visual que não sabem nada de Física? Não poderão os professores ser mais polivalentes, acompanhando os alunos no seu estudo das várias matérias e recorrendo a "especialistas" quando patinam num determinado tema?

Este é o momento para fazer um verdadeiro brain storm sobre o sistema de educação. Quanto mais depressa encontrarmos soluções que se adaptem ao estranho tempo que vivemos, mais cedo estaremos preparados para o que ainda aí vem. Ou muito me engano ou as limitações com que estamos a viver hoje manter-se-ão por mais tempo do que gostaríamos ou regressarão mais vezes do que seria desejável. A educação terá que finalmente se libertar do modelo industrial e centralizado que a caracteriza há uns bons 200 anos ou não conseguirá adaptar-se à variabilidade dos próximos anos.


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Diário da Quarentena - Dia 19

>> segunda-feira, março 30, 2020



Hoje de manhã houve "aulas". Normalmente, as coisas não têm este ar formal, mas hoje parece mesmo uma aulinha em regime de Homeschooling.

Entretanto, como quase todos os dias, estive a correr na Serra. Desta vez não vi vivalma em todo o percurso à excepção dos operários que estão a "arranjar" o estacionamento e os acessos à Peninha. Como antes de sair estive a preparar uma sopa para estar feita para o almoço, quando cheguei já o resto da família almoçava.

Depois do almoço andei de volta destes artigos e videos que apresento abaixo. Food for thought.



Eu não tinha previsto isso, mas tenho sentido um apelo para partilhar aqui as coisas interessantes que vou encontrando nas minhas explorações online.



Neste caso, temos uma entrevista com Bill Gates, o "visionário" que previu há 5 anos atrás exactamente o que estamos agora a enfrentar. Parece claro que é alguém que está muito à frente na compreensão do fenómeno.




Mapa original do site Inner Throne.

Por estranho que possa parecer, este texto fez-me vibrar. Bem sei que aborda, mais uma vez a questão do colapso (com a qual eu não estou confortável), mas leva-nos rapidamente à "Jornada do Herói", propondo-nos um mergulho no Underworld, do qual haveremos de conseguir sair, depois de mais algumas aventuras e dissabores.

"You have been asked to embark upon a quest.

Will you accept?

If you do, and I do, and all those who can hear the call amidst the cacophony of panic and misinformation do, then perhaps we will be able to look back on this momentous time not simply as the catastrophe it surely is, but also as the time we stood up, and set ourselves upon a new course that led towards a new world."



Já ontem tinha feito uma referência a Jordan Hall. Hoje partilho um artigo seu que sintetiza de uma forma muito sistemática e, quanto a mim, produtiva e conclusiva, de que forma podemos aproveitar o caos destes dias para nos erguermos e ajudarmos a erguer alguma coisa melhor do que o que temos tido até agora.

Não sei se quem vai acompanhando este diário aproveita para ir explorar as pistas que vou deixando. A razão por que coloco tudo isto no blog é porque eu próprio quero poder revisitar esses links no futuro.

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