Almoçageme - noite
>> sábado, dezembro 12, 2015



Mais material para o meu projecto "Almoçageme". A ver se passa daqui...
Arrumário era o nome que a pequena Madalena dava aos armários. Este blog é o arrumário electrónico das nossas experiências, emoções e ideias.



Mais material para o meu projecto "Almoçageme". A ver se passa daqui...
Mantenho o nome da série, embora apenas uma destas quatro fotos tenha sido efectivamente feita durante a hora do almoço.
As outras três, como se percebe, foram já muito ao final do dia.
Esta é uma zona verdadeiramente fotogénica.


Gosto muito da forma como este edifício se camuflou na paisagem urbana, sendo bastante diferente em função do ângulo de onde o observamos. É um espantoso projecto do Atelier Risco, do Manuel Salgado.


Uma das mais estranhas e psicadélicas cantigas dos Beatles, foi também tocada/cantada pelos Chameleons: Tomorrow Never Knows.
A extraordinária e poderosíssima versão dos Chameleons. Vai-me direitinha ao núcleo dos humores, agita-me, faz-me vibrar.
A curiosa versão original da cantiga, dos Beatles.
A letra faz-me hoje mais sentido do que nunca.
"Tomorrow Never Knows"
Turn off your mind, relax and float down stream
It is not dying, it is not dying
Lay down all thoughts, surrender to the void
It is shining, it is shining
Yet you may see the meaning of within
It is being, it is being
Love is all and love is everyone
It is knowing, it is knowing
And ignorance and hate mourn the dead
It is believing, it is believing
But listen to the colour of your dreams
It is not leaving, it is not leaving
So play the game "Existence" to the end
Of the beginning, of the beginning
Of the beginning, of the beginning
Of the beginning, of the beginning
Of the beginning, of the beginning

Segundo o Público:
"O arquitecto Pancho Guedes morreu neste sábado, na África do Sul, acompanhado pela sua filha mais nova, Kitty. Tinha 90 anos. Nascera a 13 de Maio de 1925. A sua morte marca o fim de uma época. Sem Pancho, Portugal fica amputado de uma parte da sua cultura arquitectónica do século XX, precisamente a que é mais heterodoxa: desconcertante, propositadamente anti-racional, plástica e exuberante. O oposto da arquitectura portuguesa."
Só agora descobri que aquele estranho edifício que projectou para Lourenço Marques se chamava "O Leão que Ri".
A foto que hoje republico é de uma estatueta que se encontra junto à sua casa na Eugaria. Encanta-me a ironia, a brincadeira que suponho estar na origem dessa estatueta. O nome Leão que Ri não pode ser uma coincidência.
Deixo ainda a referência para o artigo do Rio das Maçãs, que contém muitas ligações interessantes para explorar.

Há 20 anos atrás (mais coisa, menos coisa) li um romance de que gostei muito: "O Inverno em Lisboa" de Antonio Muñoz Molina. Há pouco tempo tropecei num outro romance do mesmo autor - "Como la Sombra que se va" - na língua original, e comprei-o para o ler. Este último fala do percurso que o assassino de Martin Luther King terá feito em Lisboa, em 1968, quando andava fugido. E também fala do autor de um romance chamado "O Inverno em Lisboa", que terá vindo a Lisboa em meados dos anos 80 para se documentar para a escrita desse livro.
Por essa razão, acabei por interromper a leitura do novo livro e mergulhei de novo no outro.
Está a ser uma experiência narrativa absolutamente apaixonante. A pessoa que eu sou hoje ao ler o livro que li há quase duas décadas não é a mesma. Delicio-me a cada página com as diferentes leituras que faço, demonstração evidente de como a mundividência nos vai transformando. Visito partes de mim que sei que não procuro visitar, que estão na sombra, limpo-lhes o pó. Tem sido um exercício agitado de análises e balanços.
A dois dias de virar meio século, começo finalmente a perder cautelas e a revelar-me mais completo. Como diria a minha avó: "já não perco casamento".
Trago-vos hoje este pedaço d'O Inverno em Lisboa:
Olhando para o quadro que ilustra esta conversa toda, diz o autor:
"Biralbo disse-me que olhar para aquele quadro era como ouvir uma música muito próxima do silêncio, como ser possuído lentamente pela melancolia da felicidade. Compreendeu de repente que era assim que ele devia tocar piano, como aquele homem tinha pintado: com gratidão e pudor, com sabedoria e inocência, como se soubesse tudo e tudo ignorasse, com a delicadeza e o medo que temos quando nos atrevemos pela primeira vez a uma carícia, uma palavra necessária. As cores, diluídas na água ou na distância, desenhavam no espaço branco uma montanha violeta, um campo de leves manchas verdes que pareciam árvores ou sombras de árvores, na penumbra de uma tarde de Verão, um caminho perdendo-se até às colinas, uma casa baixa e sozinha com uma janela esboçada, uma avenida com árvores que quase a ocultavam, como se alguém tivesse escolhido viver ali para se esconder, para olhar sozinho o cimo da montanha violeta."
No capítulo seguinte remata:
"Como algumas vezes o amor e quase sempre a música, aquela pintura fazia compreender a possibilidade moral de uma estranha e inflexível justiça, de uma ordem quase sempre secreta que modulava o acaso e tornava habitável o mundo e não era deste mundo. Algo sagrado e hermético e ao mesmo tempo quotidiano e diluído no ar, como a música de Billy Swann quando tocava o seu trompete num tom tão baixo que o seu som se perdia no silêncio, como a luz ocre, rosada e cinzenta dos fins de tarde em Lisboa: a sensação não de decifrar o sentido da música ou as manchas de cor ou o mistério imóvel da luz, mas de ser entendido e aceite por eles."
É uma das mais belas descrições que tenho lido da emergência criativa, daquilo que nos faz divinos, da paixão com que podemos olhar para o mundo.
Bateu.



Eu não devia andar a partilhar estas fotos, mas ando tão apaixonado por elas que não resisto a ir largando alguma coisa.
Farão parte de um projecto para o qual terei que saír da minha zona de conforto. A parte fácil é esta que vou mostrando, a difícil está ainda por alcançar. Está a ser um dragão com quem me custa dançar. Veremos se tenho "tomates" para ir à luta.

Anda um projecto a fermentar-me na cabeça (ou no coração, ou lá onde seja que os projectos germinam). Esta foto do Lourenço é um estudo para retratos com pouca luz. Neste caso, com uma 50mm, com abertura 2, ISO 3200 e ruído tratado no Lightroom. Parece-me que a coisa tem pés para andar. Veremos...
Há dias, o Rio das Maçãs publicou um post sobre a casa do Pancho Guedes, na Eugaria. Fiquei na dúvida se as fotos eram actuais, porque a ideia que tinha da casa era de que estava com a pintura em muito mau estado. Passei por lá hoje e fui espreitar. Afinal as fotos eram mesmo de agora, a casa foi repintada. Está um luxo.

Entretanto, num outro post que já não sei onde vi, no Facebook, falavam do Leão das Escadinhas do Leão. Eu não o conhecia, nunca o tinha visto. Aproveitei a visita e fui espreitá-lo. É lindo.

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