Madalena
>> sábado, julho 26, 2014
Há umas semanas atrás, nas Salinas de Rio Maior.
Arrumário era o nome que a pequena Madalena dava aos armários. Este blog é o arrumário electrónico das nossas experiências, emoções e ideias.
Há umas semanas atrás, nas Salinas de Rio Maior.
Há dias discutimos cá em casa a notícia sobre a resistência que os taxistas estão a levantar à aplicação Uber. Para quem não saiba do que se trata, podem ler uma boa descrição aqui.
Este é apenas mais um episódio numa lógica que tem vindo a crescer e que é a de os cidadãos se organizarem e partilharem serviços que anteriormente apenas eram disponibilizados por profissionais. Isso acontece em inúmeras áreas, como as boleias partilhadas, o arrendamento de casas para férias, os passeios turísticos guiados, etc.
Andemos um pouco para trás. Antes do nosso actual funcionamento ligados em nuvem todos nós já tínhamos beneficiado de uma casa de férias de alguém amigo, a quem pagámos essencialmente as despesas, ou de uma boleia organizada, normalmente com amigos ou conhecidos que se dirigiam ao mesmo local ou evento do que nós, na qual também partilhávamos despesas de deslocação. Os taxistas nunca se manifestaram contra isso. O "problema" é que agora passámos a fazê-lo com desconhecidos, entrando na esfera de concorrência do serviço profissional por eles prestado.
Pergunto-me em primeiro lugar se haverá forma legal de impedir que cidadãos anónimos se organizem, através de redes sociais ou sites dedicados, para partilharem despesas, porque é disso que se trata. Por exemplo, no site Bla Bla Car (no qual eu próprio estou já registado), o preço de uma viagem de Lisboa para o Porto de automóvel, pela autoestrada, é de 15 a 20€ por pessoa. Se fizermos as contas, um carro que leve 3 passageiros (além do condutor e proprietário do carro), não dá lucro a quem fornece o serviço, por isso isto não é propriamente um negócio, é de facto um sistema organizado de partilha de despesas. Suponho que não seja possível o estado meter aqui prego nem estopa.
No caso do Uber, estaremos mais próximo de uma concorrência real ao serviço de taxis, mas ainda assim ninguém ficará rico a disponibilizar boleias dentro das cidades através desta aplicação. O reverso da medalha é que, de facto, o estado poderá vir a perder receita fiscal caso o mercado dos táxis venha a encolher como consequência do aparecimento deste serviço online. E eu acredito que vem por aí muito mais do que o Uber, o Bla Bla Car, os inúmeros sites de arrendamento de casa, e por aí fora.
Nem de propósito, tropecei hoje nesta apresentação de Clay Shirky, que nos fala de como as comunidades cooperativas estão a ganhar força e eficácia, podendo vir a influenciar até a forma como fazemos leis e governamos um país.
Dir-se-ia que os cidadãos se estão a organizar, substituindo funções que estavam anteriormente atribuídas a grupos profissionais ou a departamentos do estado de uma forma menos centrada no lucro ou mais democrática. Isto faz emergir problemas que são novos e que ameaçam de alguma forma a sustentabilidade do próprio estado. Suponho que, pelo menos num curto prazo, ninguém esteja à espera que as grandes infraestruturas estatais possam ser substituídas por cidadãos organizados sobre plataformas de comunicação electrónica. No entanto, a tendência parece ser a de o estado perder realmente receita por via dessa organização informal, embora também possa vir a perder despesa se de facto houver funções hoje estatais que passem a ser disponibilizadas por cidadãos. Acredito que a balança se equilibrará naturalmente, mas temos pela frente um período de ameaça ao status quo.
O que é que eu faria se fosse taxista? Se calhar começava já por aderir ao Uber. Mas reconheço-lhes o direito a recearem o futuro do seu negócio.
Eu acho, sinceramente, que o futuro vai ser francamente divertido.
Tenho andado com a cabeça (e com o coração) num alvoroço. Não é que ande necessariamente agitado, mas estou num período de profunda indefinição, onde (quase) tudo parece estar em convolução. Por essa razão não tenho produzido conteúdos aqui na tasca. Aqui ficam agora duas imagens muito simples que fiz nas últimas semanas.

Este é um barco construído por mim, com canas encontradas na praia, para navegar no Rio das Maçãs, já mesmo na foz. Foi uma brincadeira com o Lourenço, mas que me fez lembrar as primeiras embarcações deste tipo que construí, em Gerri de la Sal, nos idos de 1975, ainda os animais falavam.

Este é o tecto de um dos templos menos conhecidos de Sintra: capela de S. Lázaro, em S. Pedro. Vale a pena passar por lá a conhecer o local.
Por agora ficamos assim. A ver se volto a trazer mais animação aqui à barraca. Bom fim-de-semana.
Estou cada dia mais convencido de que um dos melhores lugares do mundo para se viver é justamente Portugal. Sinto-me absolutamente privilegiado por ter cá nascido. Na sequência de outros posts (designadamente este) sobre a fabulosa aldeia de Salavessa, junto ao Tejo (do lado Sul, encostada a Espanha), aqui ficam mais 3 imagens que fiz um dia desses naquele pequeno pedaço do paraíso. Se eu pudesse viver em mais do que um sítio, viveria uma parte do tempo aqui, seguramente (o resto do tempo viveria em Sintra, onde vivo habitualmente, claro).
Uma breve passagem pela Vila Velha, na Sexta-feira Santa rendeu-me esta tripla colheita.
Desejo a todos umas óptimas férias da Páscoa.
ZM
Continuo apanhado pela música de Steve Reich. Embalo nisto e parece que entro noutra dimensão. Adorava ver tocar isto ao vivo.
Ouvindo o deputado Duarte Marques, do PSD, a defender as praxes, designando não-praxe tudo aquilo que nos ofende, faço-lhe directamente uma pergunta: quando, em Coimbra, um caloiro é proibido de andar na rua depois da meia-noite, isso é praxe ou não? É simpático ou não?
Com que legitimidade é que aceitamos rituais de "integração", dos tais eventualmente "engraçados", que são heranças do mais tenebroso fascismo?
Para mim, o simples código das praxes, dando direitos em escada à medida que se sobe na hierarquia, dando poder aos de "cima" sobre os de "baixo", proibindo inúmeras coisas aos caloiros é inaceitável, não devia jamais ter o aval das direcções das Universidades. Já nem falo de tudo o mais, que é o que vemos de facto nas ruas e vimos no documentário Praxis.
Dou toda a razão ao Daniel Oliveira (mais uma vez): as universidades devem proibir todo e qualquer ritual humilhante dentro das suas instalações. Fora delas, tenho a certeza que os caloiros saberão defender-se. Isso é o que defendo há muito. Pelo menos dentro da escola as pessoas devem sentir-se protegidas, para se poderem dedicar àquilo que os fez para lá irem.
Eu gostava que os Henriques Monteiros dessa vida me dissessem onde é que estão a diversão e o carnaval nas cenas que se mostram neste documentário. Como é possível que alguém defenda a continuidade desta barbaridade? Conseguem ver, como eu vejo, alunos adultos a chorar por efeito dos maus tratos e do autoritarismo gratuito? Isso não vos incomoda?
Descobri mais uma estrela.
Via Vidro Azul, evidentemente.
Esta tinha que vir para o blog.
É evidente que ser homeschooler americano tem vantagens, sobretudo por causa de conteúdos (como este) que são maioritariamente em inglês, mas parece evidente que o resultado do ensino doméstico pode ser muito interessante. A revolução está em curso.
Quererá alguma vez a escola pública apanhar este comboio?
Mais informação aqui.
Obrigado, Marisa.
Nunca liguei ao futebol. É um desporto que nunca me disse absolutamente nada. Quando, em miúdo, os meus amigos queriam jogar à bola (felizmente, poucas vezes) a única escapatória que tinha era ir para a baliza, tarefa que desempenhava com pouco mérito e muito sacrifício.
Foram precisas várias décadas da minha vida para conseguir ver um jogo de futebol do princípio ao fim e isso só aconteceu em jogos da selecção nacional, nunca num jogo entre equipas nacionais ou estrangeiras. Em contrapartida, quando via a Vanessa Fernandes a caminho da meta, emocionava-me até às lágrimas, mas isso são outros quinhentos e só os refiro para que não digam que sou insensível às glórias do desporto nacional.
Posto isto, passo ao tema que me trouxe aqui hoje: fiquei surpreendido com a reacção colectiva à morte do Eusébio. Não estou (ainda) a fazer qualquer juízo de valor, apenas digo que me surpreendeu.
E surpreendeu-me em primeiro lugar porque ignorava muito do que vou agora percebendo que foi a vida e o carácter do Eusébio. Ora, essa ignorância deve-se por um lado ao meu desinteresse pelo desporto que o tornou famoso, mas também (apetecia-me dizer sobretudo) ao pouco que se falava dele, pelo menos nos órgãos de comunicação mais generalistas, os tais que passaram os últimos dias a não falar de outra coisa. Esta histeria de agora, quando comparada com o silêncio de outrora, surpreende-me e de alguma forma choca-me. Terei andado distraído? Se assim foi, que me desculpem.
Em segundo lugar, o que é deveras surpreendente, e neste caso já não poderá ser fruto de distracção ou falta de paixão futebolística, é ouvir discursos como o do Pinto da Costa, em que ele diz que o Eusébio era um grande homem, um grande exemplo, porque (cito) “não tinha inimigos e não era inimigo de ninguém”. Mas como raio se pode achar que um grande homem, um homem exemplar, faz o oposto daquilo que fazemos e cultivamos? Como é que, no contexto do futebol Português, se pode achar exemplar um homem que aparentemente era humilde e verdadeiramente amigo de todos? Como se pode achar exemplar um homem que pedia desculpa aos guarda-redes por lhes meter golos ou lhes esmagar as luvas com um remate mais violento? Onde é que alguma centelha desse espírito nobre do verdadeiro desporto ainda está presente no panorama do futebol Luso? Será que, no seu tempo, este tal Eusébio que levantou agora multidões, atribuía permanentemente as culpas dos seus fracassos aos árbitros. Aprovaria ele aquele grupo tenebroso de gente que dá pelo nome de “No Name” e os seus cânticos?
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