Leituras

>> segunda-feira, março 12, 2012

Estou há já alguns meses a ler livros excelentes, um atrás do outro, avidamente.
Já não sei onde começou esta fortuita sequência, mas lembro-me do fabuloso Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe; do Kafka à Beira Mar, do Haruki Murakami; After Dark, do mesmo autor; O Segredo do Alquimista, de Scott Mariani; El Palacio de La Medianoche, do Carlos Ruiz Zafón; La Playa de los Ahogados, de Domingo Villar (uma história encantadora, à volta da Ria de Vigo, cheia de mar, de tabernas galegas, de memórias do passado); e agora, finalmente, tenho em mãos a História do Rei Transparente, de Rosa Montero.


Neste último, a páginas tantas, lê-se:
"- Correm tempos maus, Leola. Eu não conheci outros, mas dizem que antes, há muito tempo, existiu um mundo diferente, um mundo de honra e de palavra, no qual os cavaleiros se sentavam juntos à mesma mesa e honravam o seu Rei, o grande Artur. Hoje, os reis são uns cobardes e os cavaleiros uns miseráveis. Hoje impera a cobiça e as palavras valem tão pouco como ervilhas podres. (...) Os velhos são considerados animais inúteis e doentes de que é preciso desembaraçar-se. Mas eu sei que isso não é assim. Eu sei que a velhice é a verdadeira etapa épica do Homem, é a idade em que nós, os guerreiros, temos de travar a nossa batalha mais gloriosa. Não há gesta maior, não há proeza maior que saber envelhecer e morrer bem."
Este romance passa-se no século XII, mas penso que este discurso, nove séculos volvidos, continua a fazer sentido. Avançámos muito, mas ainda não chegámos lá.

Boas leituras.


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San Agustin, Gran Canaria, España

>> quarta-feira, março 07, 2012

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Aspecto da vista do hotel para o lado oposto ao mar. Não deve muito à beleza, pois não?

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Já esta é a vista para o lado da praia. Menos mau.

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Fiz várias fotos da brigada do reumático a caminhar na areia, mas esta foi a única de que gostei realmente.

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Duas soltas de Angra e "arredores"

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Não costumo virar-me muito para as flores, mas a luz que iluminava esta, no Parque Municipal do Relvão, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, chamou-me particularmente a atenção. Aqui fica o registo.

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Há coisa de duas semanas houve uns dias com uma visibilidade fora de série. Esta foi tomada bem longe das horas mágicas e mesmo assim resultou. Vemos no primeiro plano a ilha Terceira, onde me encontrava, depois a ilha de S. Jorge e atrás o Pico, com a sua montanha nevada.

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Finalmente, o Rei vai nú

>> domingo, março 04, 2012



The emperor has no clothes! Finalmente, alguém vem dizer, preto no branco, que este caminho não tem futuro. Temos forçosamente que mudar de rumo. As leis da física não mudam a gosto, temos que ser nós a adoptar um rumo sustentável.

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Arcadia

>> sexta-feira, março 02, 2012

Um post da Colher de Mãe, sem mais comentários.
Narsilion, uma banda muito apreciada cá por casa.

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Mais Meredith Monk

>> sábado, fevereiro 11, 2012

Que tal desafiar a Meredith Monk a fazer este show na Regaleira?

Bom fim de semana.

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You're old...

>> terça-feira, fevereiro 07, 2012


Mais uma pérola da sabedoria, do fantástico blog Things We Forget.

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A propósito de Antoni Tàpies

Há já uma boa resma de anos, quase no tempo em que os animais falavam, conheci a cidade de Cuenca, em Espanha, a uns 180km a Sudeste de Madrid, por causa da escalada. De resto, é uma cidade que vale por si só uma demorada visita, eventualmente durante a semana santa, em que fica efervescente.
Uma das coisas que me marcaram nas várias visitas que fiz a Cuenca foi o Museo de Arte Abstracto Español, uma das famosas "casas colgadas". Podem fazer aqui uma fantástica visita virtual ao museu.
De entre os artistas que tive o prazer de conhecer neste museu, ficaram-me para sempre na memória o Antonio Saura e o Antoni Tàpies. Este último deixou-nos ontem.
Numa das viagens inesquecíveis que fiz com a mulher com quem viria a casar, ainda nos tempos em que corríamos Espanha de lés a lés sempre que tínhamos oportunidade, visitámos este museu e trouxemos uma impressão de uma pintura de Antonio Saura que havia de velar pelos nossos sonhos, sobre a cabeceira da cama, durante mais de uma década.

Trata-se da pintura Cocktail Party, de 1960.

Aqui ficam então exemplos de pinturas de Antoni Tàpies, a quem me ligam tão boas memórias.




Se tiverem oportunidade, não deixem de visitar o Museu de Arte Abstrato Español, em Cuenca. Verão que vale bem a viagem.




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Taxação da pirataria

>> quarta-feira, fevereiro 01, 2012

A propósito deste post do Miguel, com o qual estou basicamente de acordo, já assinei esta petição.
Sou pouco de assinar petições, mas neste caso há diversos aspectos absurdos na proposta de projecto de lei que me impelem a fazer o possível por encravá-lo.
1 - Quando se pretende taxar equipamentos que possam armazenar conteúdos com o argumento de que inevitavelmente eles serão usados para armazenar downloads piratas, reconhece-se que não se consegue evitar a pirataria. Ora, isso seria o mesmo que colocar no preço dos automóveis uma taxa para a PSP, correspondente às sanções a que inevitavelmente os condutores serão sujeitos nos momentos em que excedam a velocidade e ninguém os apanhe. É disto que se trata. O governo, com esta medida, atira a toalha ao chão e reconhece que nada consegue fazer para evitar os downloads piratas, então pagamos uma taxa à partida para compensar eventuais perdas dos autores.
2 - A proposta de taxar os equipamentos com um determinado valor fixo por MB é das coisas mais surpreendentes que conseguiria imaginar. Toda a gente sabe que as capacidades dos dispositivos de armazenamento duplicam cada ano, mantendo ou baixando o preço, ou seja, o preço de aquisição por MB tem uma descida exponencial, mas a taxa é aplicada à unidade de armazenamento e não como percentagem do preço. Se isto for avante, são precisos muito poucos anos para que a taxa ultrapasse largamente o preço do equipamento. Isto é totalmente absurdo. A haver uma taxa (coisa de que discordo à partida), no mínimo ela devia ser uma percentagem do preço do equipamento.
3 - Finalmente, apetece reflectir sobre até que ponto os autores verdadeiramente perdem com os downloads piratas. Existe algum estudo credível que demonstre esse prejuízo? Eu diria que, neste momento, quem mais perde com os downloads piratas são os clubes de vídeo, incluindo o do Meo. Suponho que esses não venham a ser compensados pela taxa a cobrar para os autores. No meu caso, como toda a gente, já tive oportunidade de fazer downloads de filmes e, sobretudo, musica. Não é coisa que faça habitualmente, aliás tenho pouco jeito para encontrar esse tipo de conteúdos disponíveis. Não tenho TeraBytes de filmes e música em casa, por isso estou relativamente à vontade para falar do assunto. Posso dizer que ultimamente não compro um CD sem o ouvir integralmente antes. Muitas bandas estão no MySpace, onde é possivel ouvir grande parte das musicas, mas podendo prefiro ouvir o CD na integra e só depois adquiri-lo. Apenas compro uma pequena parte do que oiço, mas não compro menos do que se não apanhasse nada disponível online. Provavelmente compro mais. Certamente não sou a regra, mas eu continuo a comprar CD's, e a possibilidade de os ouvir gratuitamente faz-me comprar mais e não menos. Já quanto a filmes, claro que se encontrar um filme disponível ou me emprestarem um DVD pirata, vejo-o e pronto. Quem perde é o clube de vídeo, porque no meu caso não compro DVD's de filmes.
Parece-me evidente que, quem faz downloads sistematicamente da internet vê muito mais filmes e ouve muito mais música do que se não o fizesse, mas a questão é: e será que compra menos? Ou pelo contrário, acaba por comprar mais ainda? Não estou seguro de qual seja a resposta.
Por tudo isto, acho que o assunto está mal estudado e acho que a solução proposta não tem a menor lógica.
Se estiverem de acordo, ajudem a engrossar o caudal de assinaturas.

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Dead Can Dance

>> terça-feira, janeiro 31, 2012

Já o disse aqui mais do que uma vez, esta era a banda que eu levaria para uma ilha deserta, se só pudesse levar uma.

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Uma tarde do estranho Inverno de 2012

>> terça-feira, janeiro 24, 2012

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N2X - arquitectura

Mais um projecto do gabinete [N2X]Arquitectos, fotografado em Ponta Delgada. Isto é a amostra, as restantes fotos vêm a caminho.


Aproveitámos a oportunidade para ir visitar um restaurante, ali perto, desenhado pela mesma dupla.

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Estranho Inverno

>> segunda-feira, janeiro 23, 2012

Duas imagens (outras virão) de um atípico Domingo de finais de Janeiro, neste estranhíssimo Inverno de 2012.

Aqui, uma vista da polémica biblioteca e arquivo de Angra do Heroísmo, que vai tomando forma. Um projecto de Inês Lobo.

Esta é uma vista dos ilhéus das Cabras, tomada a partir do Relvão. Um mar pouco comum para a data.

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Doces

>> domingo, janeiro 22, 2012

Três doces.

Bolo de Maçã com iogurte.

Mousse de Chocolate

Madalena fotografada pela mamã.

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Post número 1000 - A "antiga" ortografia

>> quarta-feira, janeiro 18, 2012

No meu milésimo post aqui na barraca, trago o eco de um artigo de Pedro Mexia, na última edição do Expresso, que fui roubar aqui.

"Antiga Ortografia


Fulano escreve “de acordo com a antiga ortografia”, diz o aviso que acompanha estas crónicas. Eu agradeço que o “Expresso” me permita a objecção de consciência face ao chamado Acordo Ortográfico, e percebo que indique quem segue ou não as novas regras, para evitar confusões; mas suspeito que esta fórmula foi inventada por alguém que pretende colar aos dissidentes o vocábulo “antiga”, como se nós escrevêssemos em galaico-português. Como se a língua que a maioria dos portugueses ainda usa se tornasse por simples decreto “antiga”: antiquada, decrépita, morta.
Eu não sou pela “antiga ortografia” por caturrice. Estou contra o “acordo” porque me parece uma decisão meramente política e económica, sem verdadeiro fundamento cultural. Os legisladores impuseram aos falantes uma “ortografia unificada”, que, dizem, garante a “expansão da língua” e o seu “prestígio internacional”. Mas a expansão da língua passa por uma política da língua, que Portugal, por exemplo, não tem tido, ocupados que estamos em fechar leitorados no estrangeiro, em aplicar uma abominável terminologia linguística nas escolas, em publicar um lamentável Dicionário da Academia, em expulsar Camilo dos currículos enquanto o substituímos por diálogos das novelas. Quanto ao prestígio internacional, lamento informar que foi o sucesso económico, e não a “língua de Camões”, que transformou o Brasil numa potência.
Não é este “acordo” que vai trazer expansão e prestígio ao português. Contenta uns “acadêmicos espertos e parlamentares obtusos”, como escreveu um colunista brasileiro, e alguns editores, que têm bom dinheiro a ganhar com esta negociata. Mas é difícil imaginar que alguém acredite que vem aí uma “unificação da língua” só porque se legislou uma “unificação da grafia”. Um brasileiro continuará a falar uma língua muitíssimo diferente do português de Portugal, diferente em termos de léxico, de sintaxe, de fonética. Um português, com um exemplar do Acordo debaixo do braço, bem pode perorar em Iraguaçu, que alguém lhe continuará a perguntar “oi?”, pois não percebeu metade. E isso não tem problema algum, a “lusofonia” não vale pela unidade mas pela diversidade, pelo facto de haver um português europeu, africano, americano e asiático. E ninguém é dono da língua: nem os brasileiros por serem mais, nem os portugueses por andarem cá há mais tempo, muito menos uns académicos pascácios que dicionarizaram “bué” e “guterrismo”.
É significativo que o próprio “acordo” reconheça o fracasso do projecto de “unificação a língua”. Dadas as flagrantes diferenças entre o português e o brasileiro, os sábios são obrigados a admitir a existência de duplas grafias, uma cá, outra lá [África, para estes iluministas, é paisagem]. Pior ainda, introduzem uma “grafia facultativa” que estabelece como termos lícitos tanto “electrónica” como “eletrónica”, “electrônica” ou “eletrónica”. O linguista António Emiliano deu-se ao trabalho de enumerar em livro os erros, contradições, imprecisões e dislates desta lei iníqua. Leiam-no. E não digam que ninguém avisou.
A minha recusa deste “acordo” não é casuísta nem temperamental. Não se trata apenas de não gostar de ver os espectadores transformados em bandarilheiros “espetadores”; de não perceber como é que os habitantes do “Egito” não são “egícios”; de ficar estupefacto com o “cor-de-rosa” com hífen e o “cor de laranja” sem hífen; de prever os imparáveis espalhanços de um “pára” do verbo “parar” que perde o acento e talvez o assento. É isso mas é mais que isso: eu discordo veementemente do critério fundamental do “acordo”: a primazia da fonética sobre a ortografia.
É verdade que todos falamos antes de sabermos ler e escrever, mas quando aprendemos essas competências sofisticadas interiorizamos uma língua diferente da falada, que nalguns casos nem tem exacta correspondência fonética mas que se liga a uma memória histórica e cultural. Quando aprendemos a ler, fixamos a forma gráfica das palavras, uma forma que memorizamos e que nos acompanha a vida toda, de modo que nunca mais lemos letra a letra, mas reconhecemos de imediato uma grafia aprendida há muito, “antiga”, sim, muito antiga. A ortografia não é uma transcrição fonética, nem podia ser, dadas as variantes do português falado. Ou nas pronúncias regionais. Como escreveu Emiliano, não vamos criar uma “ortografia do Alto Minho” só porque a pronúncia de Caminha é diferente da pronúncia de Cascais. Ou de Curitiba.
E não me digam que são pouquíssimas as palavras alteradas: procure quantas vezes neste jornal aparece ação, ator, atual, coleção, coletivo, diretor, fato, letivo, ótimo, e repare que são algumas das mais usadas. É por isso que o cavalo de Tróia das “consoantes mudas” deve ser denunciado. Em primeiro lugar porque não são mudas coisíssima nenhuma: abrem as vogais precedentes, e numa língua danada por fechar vogais. Depois, porque não são inúteis, ajudam a distinguir termos homógrafos e indicam a etimologia de palavras afins. Fazem sentido, ao contrário do “acordo”.
Dizem os acordistas que a nova ortografia “simplifica” e “facilita a aprendizagem”. Toda a gente sabe o que significa “facilitar a aprendizagem”, e os resultados que isso deu no ensino. E se a intenção é “simplificar”, que tal escrevermos todos em linguagem de telemóvel? Por mim, continuarei antigo.


[ Pedro Mexia ]"

De hoje em diante, aparecerá ali ao lado uma nota que remete para este texto, uma vez que, no meu entender, resume em larga medida tudo o que me irrita na trapalhada do acordo que não tenciono respeitar.
ZM

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