Mais umas fotos

>> sexta-feira, janeiro 22, 2010

Como não temos por cá Ikea, nem coisa que se pareça, quando a necessidade aperta não temos outro remédio senão deitar mãos à obra. Aqui ficam alguns registos das novas prateleiras que fiz para a cozinha. Duas são para os condimentos e a outra irá ser para o micro-ondas. Quando estiver colocada, volto a mostrar como ficou.

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Foram completamente idealizadas e executadas por mim. Madeiras compradas na CotaAçor, a caminho de S. Mateus, poleias compradas nas ferragens frente à Sé e o verniz, nas ferragens Tomás de Borba, na rua de S. João.

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Mathew Ryan

O que é bom é para se divulgar:

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Página oficial

Adoro este som.
Daqui a nada, mais notícias de Angra.
ZM

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Domingo de Sol

>> domingo, janeiro 17, 2010

Este fim de semana foi surpreendentemente solarengo. Desde sexta-feira que não cai aqui uma gota de água, está calor durante o dia e há apenas uma ou outra nuvem no céu.
Hoje fui escalar na rocha, numa escola chamada Chanoca. A rocha é completamente preta (como toda a restante rocha por aqui), mas extremamente aderente. A única coisa que falta àquelas vias é altura, e o que têm a mais é equipamento. Enfim, não se pode ter tudo.
Aqui ficam 3 fotos, sendo que apenas uma é de escalada.

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A primeira foto é do caminho para a Chanoca, mais precisamente, em S. Mateus. Parei o carro e pumba.
A segunda foto é do Paulo Vaz, ensaiando a via Wave Rock (7b), no sector Miradouro da Chanoca.
A terceira é uma imagem da vista de S. Jorge e do Pico, a partir da Chanoca. S. Jorge vê-se na totalidade, o Pico vê-se apenas uma pontinha, do lado esquerdo de S. Jorge, lá por trás. Com os olhos, via-se mesmo a montanha do Pico, por entre as nuvens, mas não consegui captá-lo com esta lente.
ZM

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Três fotos que tirei ontem no Clube de Golfe da Terceira, por ocasião de uma festa de aniversário de um amigo da Madalena. Achei um sítio muito fotogénico. Nunca me tinha ocorrido que o golfe pudesse ser tão divertido de fotografar.

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Mistérios Negros e Serra de Santa Bárbara

>> sábado, janeiro 16, 2010

Hoje acordámos com o mais belo dia que tivemos desde que cá estamos. Abrimos as janelas todas, para secar a casa da invernia dos últimos dias, fui dar a minha primeira corridinha desde que cá cheguei (a ver se isto agora entra nos eixos) e fomos espreitar a zona dos Mistérios Negros.

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Estas são da Lagoa das Patas (acho eu), que é uma lagoa junto da famosa gruta do Natal (que por enquanto não está aberta). É um local muito bonito, aonde iremos mais vezes, sobretudo porque tem um dos 5 percursos balizados desta ilha. As consequências geológicas dos vulcões são aqui claramente visíveis.

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Estas são da Madalena, no mesmo local, começando a trilhar os passos do pai, em matéria de fotografia, com a velha Coolpix 5400.

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O Lourenço, um bocado aborrecido por causa de uma grande constipação que o afecta nestes dias.

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Ainda mais uma foto da Lagoa das Patas.

Depois aproveitámos para dar um salto ao ponto mais alto desta ilha: a Serra de Santa Bárbara. Via-se de lá claramente a ilha de S. Jorge toda e parte da ilha do Pico, incluindo a montanha do Pico, entre as nuvens.

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Todas estas últimas 4 fotos foram tomadas do ponto mais alto da ilha. Nas 2 primeiras, vê-se S. Jorge e o Pico. Nas restantes, Angra, o Monte Brasil e ao fundo os ilhéus das Cabras.

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Mais fotos e histórias

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Estas duas ilustram o pequeno almoço, na nossa cozinha de Angra, neste caso na companhia do Dudu, que é um dos bonecos do "era uma vez", comprado há muitos anos, no tempo em que tinham atelier em S. Pedro de Sintra. Foi uma prenda para a Madalena numa ocasião em que esteve doente. Veio agora connosco para a Terceira e neste dia estava á mesa do pequeno almoço.

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Em frente a já não sei que loja de Angra, perto do Teatro Angrense, está esta formidável vaca feita em pedra da calçada.

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Rua Direita, ao final de um dia. Ao fundo vemos a Igreja da Misericórdia. Estas ruas paralelas à rua direita (rua da Palha e rua de S. João) são belíssimas, porque todas elas acabam visualmente no mar. É uma das mais belas zonas da cidade, cheia de comércio e movimento.

Por hoje é tudo. Amanhã há mais.

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Muro de escalada da escola Tomás de Borba, Angra

Aqui ficam 3 imagens do muro de escalada da escola Tomás de Borba, em Angra do Heroísmo. Do melhor que alguma vez vi em escolas.
Conto vir a participar na organização de uma competição nesta estrutura lá para Junho.


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Primeiras fotos da casa

>> domingo, janeiro 10, 2010

Aqui ficam hoje algumas fotos das poucas partes da casa onde já não se vêem caixotes pelo chão. Quando arrumarmos o resto, farei uma reportagem mais completa.

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Casa de banho do andar de baixo. Inventámos esta ideia da cortina do duche a "esconder" a máquina de secar, um instrumento sem o qual dificilmente se consegue viver em Angra nesta altura do ano.

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Uma parte da cozinha, com a filha a fazer os trabalhos de casa e a mãe com o seu habitual ar carrancudo (é só fumaça, ela na verdade é um doce).

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Dois ângulos do nosso quarto, onde se pode ver uns quadrinhos da Ana Ventura, que colocámos aqui para aproveitar os pregos que já lá estavam.

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Casa de banho do andar de cima, relativamente Ikeaizada.

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Duas fotos da mesma vaca, na zona da Agualva, a zona assolada pela tromba de água no final do ano.

Hoje fomos a uma festa de anos de uma colega da Madalena. Felizmente, decidimos ir, apesar de não conhecermos ninguém nem ninguém nos conhecer. Foi muito bom contactar com pessoas "normais", incluindo uma simpatiquíssima espanhola de Maiorca que veio para cá, como nós, há 7 anos e ainda não se arrependeu. Conhecer pessoas interessantes é uma das actividades mais motivantes para quem vive numa ilha, sobretudo numa ilha como esta (não desfazendo).
Beijinhos e abraços.
ZM

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Impressões de Angra

>> sábado, janeiro 09, 2010

Primeiras impressões da Terceira

Ao fim de quase duas semanas a morar em Angra do Heroísmo, aqui ficam breves notas sobre esta ilha.
Para lhe dar totalmente a volta, junto ao mar, apenas é necessário percorrer cerca de 82 km. A paisagem é sobretudo verde, quadriculada pelos muros de pedra vulcânica que cercam conjuntos de vacas preguiçosamente espojadas na erva.
Apesar de pequena, a Terceira tem uma variedade de ambientes surpreendente, tanto do ponto de vista da paisagem natural como do ponto de vista humano, arquitectónico, social, etc. Numa ilha tão pequena, há locais no interior com mais de 1000m de altitude. É impressionante.
A Terceira parece estar relativamente polarizada entre a capital – Angra do Heroísmo – e a Praia da Vitória, perto do aeroporto (e base aérea militar) das Lages, cidades unidas pela única via rápida da ilha, que tem o nome de Via Vitorino Nemésio. Talvez por isso, nota-se um grande investimento em actividades culturais, desportivas e recreativas.
São conhecidas as “touradas”, que aqui são no meio da rua, à corda, e com o pessoal todo aos pinotes nos cornos do bicho, mas nesta altura do ano (felizmente) ainda não tivemos oportunidade de ser confrontados com esta realidade. Posso dizer que no chão do passeio à nossa porta há uns encaixes para uma barreira (tipo borladero) que deverá ser utilizada durante o período de “touradas” da nossa freguesia (lá para Junho). Parece que durante algumas horas não poderemos sair de casa sem a jaqueta e a capa.
Coisas que não há por aqui:
Pressa
Stress
Filas de trânsito
Restaurantes a preços acessíveis
Centros comerciais
Leroy Merlin, Zara, Decathlon, Ikea, Toys’R’Us, Continente, etc, etc, etc
Auto-estradas, portagens, Via Verde
Fruta de jeito nos supermercados
Um dia inteiro sem chuva

O comércio por aqui é quase exclusivamente comércio tradicional. Quando digo tradicional, podia dizer antiquado. A sensação que tenho a tentar comprar alguma coisa aqui em Angra é a de que aterrei na Amadora (onde nasci) há mais de 30 anos. Sempre que procuro alguma coisa, a resposta é sempre do tipo: tem que ir à livraria do Adriano ou às ferragens Tomás de Borba ou à loja do senhor Matos em Cinco Ribeiras. De resto, por vezes é desesperante. Tentei comprar um pedaço de fio eléctrico branco de 2 condutores multifilares para fazer uma trafulhice lá em casa, levando o fio de terra de uma caixa eléctrica para outra. Corri a cidade inteira e não consegui encontrar o dito fio. Tive que inventar um remendo com dois pedaços de fio que tinha levado de Sintra para resolver o problema. Tentei comprar umas poleias rústicas com um determinado tamanho e acabaram por me dizer: “Não vai encontrar isso aqui na terra” e eu (ingenuamente) perguntei: “então em que terra encontro?”. O homem, rindo, disse: “isso só no continente”. É um exercício divertido, ter que viver com o que há, mas lá nos vamos habituando.
Tentei desbloquear um telefone Vodafone para poder usar o meu número, migrado para a TMN, mas para isso teria que comprar um cartão Vodafone para carregar o respectivo custo. Ora, a loja Vodafone de Angra (sim, A loja – só há uma) não tinha cartões disponíveis, só daqui a 3 ou 4 dias. Será do mau tempo no mar?

Entretanto, tivemos também oportunidade de frequentar uma escola “normal” na Terceira profunda. Foi aquela para onde nos mandaram por não haver vaga na que pretendíamos. Se as instalações pareciam excelentes, o recheio fez-nos fugir para um colégio ao final de 3 dias de “aulas”. Um horror. A sopa do almoço chega de outra escola numa geladeira Camping Gás, daquelas da Costa da Caparica. Não, não é numa panela dentro da geladeira, é mesmo a sopa directamente dentro da geladeira. Depois é servida para os pratos utilizando um jarro de plástico que já deve ter sido branco. Um nojo.
No colégio as coisas são francamente melhores, mas sai-nos do bolso.
Dois dias de aulas depois, já temos um convite para um aniversário de uma colega da Madalena. Dir-se-ia que a diversidade geográfica se estende à cultural e educativa.
Começo francamente a gostar muito desta terra.
Uma nota final: O Expresso chega cá, embora apenas ao final da tarde de Sábado. Já me sinto mais em casa.
Hoje não temos fotos.
Na segunda-feira já teremos internet em casa.
Beijinhos e abraços.
ZM

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Primeiras imagens

>> terça-feira, janeiro 05, 2010

Continuamos sem internet em casa. Aliás, também não temos TV e o rádio - meu Deus! - não sei se podemos considerar que temos. Por isso é que ainda não divulgámos fotos.
Aqui ficam as primeiras, sobretudo a pedido da minha (ex) vizinha Luísa.

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Estas duas primeiras fotos foram feitas no terreiro do Mosteiro de Alcobaça. A Madalena foi fotografada por mim e eu por ela. Dá para ver que a miúda tem costela.
Este ar barbudo é o meu novo look ilhéu.

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Esta é dos telhados do Mercado Duque de Bragança, em Angra do Heroísmo. Passei por lá vindo do centro de emprego. Ou seja, ainda não estou a trabalhar.

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Estas duas foram feitas no Relvão, um parque junto ao Monte Brasil, em Angra do Heroísmo.

Podemos dizer que continuamos motivados, embora o contacto com o açoreano profundo raramente alimente essa motivação. Ao fim de apenas uma semana de vivência diária nesta ilha, olhamos para os continentais como quem vê uma Coca-cola fresquinha no deserto. Ainda não tivemos tempo nem ocasiões de estabelecer uma rede de contactos que nos permita sentirmos-nos em casa.
Temos muitas saudades dos amigos que ficaram em terra. Muitas mesmo...

Obrigado aos que nos têm acarinhado com telefonemas, mails e afins.
Beijinhos e abraços.
ZM

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Mudança ao final do ano

>> segunda-feira, dezembro 28, 2009

Mesmo ao bater do final de 2009, eis que a família Arrumário se muda de armas e bagagens para o meio do Atlântico.
Já cá estamos, incluindo os gatos, e prometo que investirei mais no aspecto e na regularidade do blog de agora em diante, até porque isso me fará sentir mais "ligado".
A fome dos últimos tempos (causada pela imensa carga de trabalhos que tem sido esta mudança radical) dará seguramente em fartura, assim que conseguirmos organizar a casa um pouco mais.
Para quem andasse distraído, este blog será agora editado a partir de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Desejo a todos um excelente 2010.
ZM

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Venda de garagem

>> domingo, dezembro 06, 2009







Está à venda, pela melhor oferta (mesmo que seja baixinha), uma prancha de Snowboard Rossignol, com as respectivas fixações originais, no estado que as imagens acima documentam. As dimensões são:
Comprimento - 155cm
Largura na parte mais larga - 30cm
Largura na parte mais estreita - 26.5cm



Estas botas Koflach, de alpinismo, estão igualmente à venda. Só a parte exterior está utilizável, o botim interior está em muito mau estado. Número 9.5 EU

Quem esteja interessado, mande e-mail.

ZM

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Entropia

>> quinta-feira, dezembro 03, 2009

1 - Ontem inscrevi-me no centro de emprego. Não me sinto desempregado, é mais entre empregos, mas tecnicamente tenho que me inscrever.
2 - Quando me preparava para deitar mãos à obra (de preparar a mudança da casa), eis que os garotos apanham gripe A (confirmação chega amanhã).
3 -Tenho um carro (um Fiat Panda a gasóleo) há 4 dias. Hoje fui parado pela Polícia. Depois de ver os documentos temporários, a carta e o BI, pergunta:
- Se não é indiscrição, quanto deu pelo carro?
Eu: "x. Tem poucos kms e tem menos de 2 anos"
- E já agora, quanto é que marca aí o computador de bordo?
Eu: "5, mas andei sempre às voltinhas."
- E tal, gosto muito, é barato, económico, boa viagem, vá com Deus
4 - Uns kms adiante, a entrar numa rotunda, abrando para deixar passar um carro que circulava na dita. Nesse momento sou ultrapassado por uma carrinha, na bisga, que entra à papo seco, tirando o azimute ao tal outro carro que circulava tranquilamente. PUM, dá-se o acidente. Fui ver, estava tudo bem. Bebé a bordo, mais 3 adultos, tudo em bom estado. Dei o meu contacto para o caso de precisarem de testemunha.
Há alturas da vida em que tudo parece suceder em simultâneo.
ZM

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Mário Sá Carneiro por Mário Cesariny

>> quinta-feira, novembro 26, 2009

Esta veio via Fluir de Espumas e deixou-me abananado.
Se eu fosse músico, não descansava enquanto não escrevesse uma música para este poema.



Aqui fica a totalidade do poema. A mim, particularmente, impressiona-me o verso:
"Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios..."
De resto impressiona-me muito a figura de Mário Cesariny, o timbre da sua voz envelhecida, a mão direita, com a peruca em ar de chapéu, a mão esquerda, de cigarro abandonado, a praia meio descontextualizada, o mar.

Quási
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ansias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'

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Já é oficial

Já é oficial. O terceiro está a caminho e tem pila.
Provavelmente, a pedido dos manos, irá chamar-se Simão.
Que o cosmos o acolha com gosto e que as forças do bem estejam connosco.
ZM

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