Thiago Braddell é o nome de um arquitecto bastante conhecido (pelo menos no meio em que tem mais clientes), com uma quantidade invejável de obra construida (quase totalmente moradias), mas que por um estranho fenómeno é totalmente ignorado pelos seus pares e pelos meios de divulgação da disciplina.
Braddell utiliza uma linguagem absolutamente inconfundível, tão própria que eu arrisquei publicar aqui fotografias de obras que suponho que sejam suas, mas sobre cuja autoria não tenho de facto nenhuma certeza.





Acredito que seja justamente por utilizar uma linguagem "antiga" e sem qualquer inovação ao longo das diversas obras (e são inúmeras) que este arquitecto é desconsiderado pela sua classe. Pessoalmente, nem como arquitecto desenharia este tipo de construção no século XXI, nem como cliente adquiriria uma casa destas feita de raiz nos dias de hoje. Contudo, tenho que admitir, observando com atenção, que estas são casas muito bem desenhadas, tendo distribuições de espaços interiores muito bem elaboradas.
Não conheço nenhuma por dentro depois de habitada, já que o meu passatempo é explorá-las enquanto em obra, até apanhar uma pazada de um capataz mais desconfiado, mas do que vi até hoje, achei-as sempre casas muito agradáveis e bem pensadas. Terão vãos demasiado contidos ou sombreados para o meu gosto, mas no geral são surpreendentemente bem projectadas.
Não se pode dizer que Braddell utilize esta linguagem por saber que há uma classe de tias (da Quinta da Marinha e do Patiño até à Beloura) que procura este tipo de estética e não a encontra facilmente noutro arquitecto. A verdade é que ele próprio habita uma casa Braddell tão igual às outras como qualquer uma.
Para que ninguém diga que este arquitecto só faz moradias, aqui fica o monumento da Senhora do Cabo, construido bem perto da sua própria casa:

A mais notável das suas obras, no entanto, foi a recuperação do velho Hotel da Lawrence, em Sintra. Talvez só por esta valha a pena todas as outras em que ganhou experiência.
Não sou muito adepto do saudosismo estético ou artístico. Jamais compraria um desses Minis actuais ou o Beettle, mas se no mercado automóvel isso não parece gerar grande prurido, porque há-de ser diferente na arquitectura?
Embora de uma forma mais variada, com uma linguagem menos monótona e mais actual, José Baganha tem um tipo de produção semelhante, sendo embora muito mais considerado entre arquitectos.
Não sei se é por as casas Braddell serem tão facilmente identificáveis ou se este arquitecto é um verdadeiro caso de sucesso, mas o facto é que não conheço nenhum outro com tanto projecto construido. Só na zona onde moro há cerca de 10 casas Braddell construidas (incluindo aquela onde habita). Como já referi, tem obra nos solos mais caros do país, nomeadamente na Quinta da Marinha e julgo que também do Patiño.
É tão ignorado pela "critica" quanto procurado pelos clientes. Como já disse, eu não lhe compraria um projecto, mas tenho a certeza que, sentado no seu terraço, com a serra de Sintra à frente, ao final do dia, esse facto deve diverti-lo bastante.
ZM
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