Pirinéus 2007 - parte 1 (revista e aumentada)

>> terça-feira, julho 10, 2007

Quando, em Abril de 2006, estive pela primeira vez no vale de Ordesa e subi ao seu cume – o Monte Perdido (3.355m) – fiquei irremediavelmente apaixonado pelo Parque e decidi que haveria de lá voltar assim que fosse possível, com o pretexto de pisar mais alguns dos seus cumes de mais de 3.000m de altitude, mas igualmente interessado em conhecer os inúmeros percursos que serpenteiam no seu interior.

Tendo escolhido para companheiro desta aventura um atleta de triatlo (David Vaz), e tendo eu próprio colocado grande empenho na minha preparação física, quando chegámos ao momento de decidir o que queríamos fazer acabámos por forçar um pouco a barra e seleccionámos um programa tão exigente fisicamente quanto apertado em termos de calendário.

Em linhas gerais, o objectivo era montarmos o quartel-general no parque de campismo San Nicolas, no Bujaruelo, no final do vale com o mesmo nome, e desde aí empreendermos duas saídas de três dias cada, que nos fariam passar pelos cumes do Vignemale, Cilindro de Marboré e Monte Perdido. Os troços de ligação eram um extra, como intervalos turísticos entre objectivos desportivos, e constituíam uma verdadeira surpresa, uma vez que desconhecíamos com rigor os tempos e esforços que envolveriam.

A partida de Lisboa revestiu-se de uma pesada dose de stress, já que ambos estávamos embrulhados numa teia de assuntos por resolver que quase nos faria desistir. Finalmente, embora com algum atraso, passámos a ponte Vasco da Gama (que nome sugestivo para quem parte em busca de aventura!), respirámos fundo e começámos a engolir asfalto em direcção a uma das mais belas regiões dos Pirinéus. Dormimos a primeira noite já em Calatayud, perto de Zaragoza, e voltámos a seguir viagem em direcção a Torla, no dia seguinte. Este seria o último contacto que teríamos com a civilização durante os próximos dias e não se pode considerar uma povoação particularmente cosmopolita. Enfim, sempre tem Multibanco e rede de telemóvel, luxos que não teríamos em qualquer outro dos locais por onde andámos nos dias sucessivos.
Comemos um bocadillo con queso, bebemos a Coca-cola da praxe, levantámos dinheiro para pagar os refúgios e telefonámos às respectivas famílias para os prevenir da nossa futura ausência de contacto.



Minutos depois estaríamos a entrar no vale de Bujaruelo, onde se situa o camping San Nicolás, perdendo de imediato contacto com as redes de telemóvel. É um local paradisíaco para quem aprecia montanhas. Seria este o nosso quartel-general, mas naquele dia nem sequer montámos tenda. Limitámo-nos a preparar as mochilas que levaríamos para os próximos 2 dias, deixámos o carro estacionado junto ao refúgio e iniciámos a caminhada que nos levaria ao bivaque com que inaugurámos a estadia naquelas montanhas. O Bujaruelo situa-se a 1.338m de altitude e o nosso objectivo era ir dormir a um pequeno refúgio livre, chamado Cabaña de Cerbillonar, que se situa em pleno Vale do Ara, a cerca de 1.800m de altitude. Tínhamos portanto cerca de 500m de desnível a vencer nesse fim de dia. Percorremos uma parte do famoso GR11 que atravessa todo esse belíssimo vale e chegámos ao nosso “hotel” em cerca de 2 horas.



No momento em que chegámos à Cabaña ainda nos restavam algumas horas de luz, além disso havia um par de velhotes que iria igualmente pernoitar naquele lugar, pelo que decidimos iniciar a subida da via que pretendíamos fazer e dormir um pouco mais acima nalguma plataforma que encontrássemos.

O Vignemale é considerado francês, embora nós tenhamos subido pelo lado espanhol. Crê-se que terá sido conquistado pela primeira vez em Agosto de 1792, pelo lado “normal”, que é a partir da barragem de Ossoue (mas não necessariamente pela via que hoje se considera a normal), subindo o glaciar, que naqueles tempos estaria muito mais espesso e perigoso do que hoje. Em 1837 Cazaux e Guillembet conquistariam o Pique Longue quase por acaso e desceram para o Vale do Ara, descobrindo assim uma via sem gelo. Abria-se aqui uma possibilidade comercial, pelo que decidiram vender a expedição a Ann Lister, que a subiu pela primeira vez em Agosto de 1838. Uns dias mais tarde voltaram a vendê-la como “primeira” ao grupo do príncipe de la Moskowa, que acabou por dar nome à via. Parece que a trafulhice acabou nos tribunais, mas Ann Lister ficaria com menos glória dando nome apenas ao Collado Lady Lister por onde nós próprios chegaríamos ao glaciar de Ossoue. A via, essa ficou para sempre com o nome Príncipe de La Moskowa. Em 1861, Henry Russell conseguiria passar o glaciar de Ossoue, em 1870 subiria a montanha pelo corredor de Cerbillonar, muito próximo da via que fizemos. Em 1880 esta mesma personagem, agora já claramente enfeitiçada pela montanha, começou a querer dormir nela. Escavou várias grutas a que hoje se chamam grutas del Cerbillonar (bem no alto da montanha) e Bellevue (estas no local onde na altura terminava o glaciar, umas centenas de metros abaixo do limite actual). Em 1989 a Comission Syndicale de Barèges outorgava-lhe uma concessão sobre o maciço, por 100 anos, tornando-o definitivamente o Senhor do Vignemale.

A via que escolhemos é uma das poucas que existem do lado espanhol desta montanha (o lado Sul) e é muito longa e pouco frequentada. Desde a cabaña de Cerbillonar são precisos vencer 1.500m de desnível, por isso, tudo o que subíssemos naquele dia, ou seja na véspera da ascensão propriamente dita, já nos pouparia algum esforço no dia seguinte. Acabámos por subir cerca de 200m e decidimos pernoitar na coisa mais plana que conseguimos encontrar, ou seja um pedaço de terreno cuja planura estava mais próxima de uma montanha russa do que de uma mesa de bilhar. Jantámos uma deliciosa refeição liofilizada da Decathlon, bebemos muita água (tanta que na manhã seguinte teríamos que andar a encher garrafas num dos inúmeros ribeiros que escorrem por aquela vertente – água mais pura não há), enfiámos os sacos de dormir dentro de uns sacos impermeáveis chamados sacos de bivaque, escorámos o corpo com pedras para não rebolar pela encosta abaixo e passámos uma noite divertida a tentar manter o equilíbrio. Fui acordando de vez em quando, mas posso dizer que dormi bem (dentro do género). Da última vez que abri os olhos, já a luz da aurora começava a iluminar os cumes, reparei com alguma tristeza que as nuvens tinham enchido o céu. De um momento para o outro, como se alguém lhe tivesse pegado fogo.



Comemos o nosso cocktail de pequeno-almoço, que se trata de uma mistura de Corn Flakes com Cerelac, numa proporção estudada cientificamente para dispensar o leite. Assim, basta juntar água quente e temos uma bela papa pronta a comer. De seguida empacotámos tudo outra vez nas mochilas e começámos a ascensão.
Conforme íamos subindo o nevoeiro ia-se adensando. As referências que tínhamos da via não passavam de manchas cinzentas, o que retirava alguma beleza à subida ao mesmo tempo que acrescentava perigo de nos perdermos. Comecei a pensar que era a primeira vez que subia uma montanha nos Pirinéus sem encontrar vivalma pelo caminho. No preciso momento em que este pensamento se dissipava oiço um som “artificial”. Era, nem mais nem menos, um outro alpinista que caminhava na nossa direcção. No meio do nevoeiro acabámos por nos juntar e trocar impressões sobre a via. O outro alpinista era francês, estava sozinho (ir sozinho para aquela via com as condições climatéricas que entretanto surgiram é de Homem com H grande) e também tinha bivacado ali por perto. Comparámos os valores dos altímetros, as cartas topográficas e as descrições que tínhamos da via. Sabíamos que à altitude a que estávamos (cerca de 2.700m) deveríamos encontrar um corredor à nossa esquerda, mas como não tínhamos a certeza, devido ao nevoeiro, tivemos que subir mais uns metros até batermos na imensa massa de rocha a que chamam Marmolera. Voltámos a descer e tomámos o único corredor que conseguíamos ver. Nenhum de nós 3 fazia ideia se era o bom corredor ou não. Um pouco acima, na neve dura encontrámos marcas de um único par de crampons (as ferramentas de bicos que colocamos nas botas para podermos andar sobre a neve com segurança), provavelmente (esperávamos nós) de alguém que passara uns dias antes e que saberia o que estava a fazer. Embora tivéssemos connosco um alpinista solitário que ignorava por onde decorria o corredor da Moskowa, intuímos que aquele que nos tinha precedido era um alpinista experimentado e conhecedor.
Seguimos a única pista que tínhamos e fomos parar a uma curta chaminé de rocha, difícil de vencer com aquelas botas e com mochila às costas. Ultrapassada essa chaminé (em que acabámos por não usar cordas nem qualquer outro equipamento) voltámos a colocar os crampons e seguimos a tal pista que subia por um extenso e empinado corredor de neve.
Conforme íamos ganhando altitude sentíamos o vento cada vez mais intenso, até que desembocámos no Collado Lady Lyster, a cerca de 3.200m de altitude e parecia que se tinham aberto todas as janelas do mundo. Ou talvez alguém fizesse anos e aquele fosse um sopro cósmico no final dos parabéns a você. O melhor terreno que me podem dar em montanha são os corredores de neve. Parece que fiz aquilo toda a vida. Por essa razão fui o primeiro a sentar-me no Collado, no meio do vendaval, meio a rir, meio a chorar, não sei se de alegria por ter chegado ao glaciar d’Ossue (já quase o cume da montanha) ou se de tristeza por não ver mais que uns escassos 10 ou 15 metros de distância.
Tínhamos na ideia, se o tempo estivesse de feição, seguir pela crista até ao Pique Longue (que é o cume do Vignemale, com 3.298m de altitude), juntando assim à caderneta mais 3 cumes com mais de 3.000m. Mas o tempo definitivamente não estava para graças e decidimos seguir um “carreiro” que nos levava na direcção onde supúnhamos que estaria o desejado cume. Um pouco adiante encontrámos uma verdadeira excursão de trombalazanas (expressão do David), todos ligados por uma corda e conduzidos por um velho guia francês. Iam ver as famosas grutas do Russell,. Claro que esta pandilha tinha subido pela via normal, que não sendo propriamente um passeio, comparada com o que tínhamos acabado de fazer é perfeitamente acessível. No entanto não posso deixar de destacar o tipo de gente que se vê por lá, no alto das montanhas. Há de tudo, velhos e novos, magros e gordos, experientes e saloios, mas o facto é que estão lá e não nos centros comercias ou a praticar o lusitano mappling.
O guia deu-nos algumas dicas sobre como encontrar a trepada final para o cume da montanha e continuámos a subida. Quando cheguei à crista, que leva finalmente ao cume, o vento tinha-se tornado um túnel de testes da Ferrari e no meio daquela colossal ventania começo a ouvir um daqueles “Merde!” ditos com total convicção. Era o nosso companheiro gaulês que praguejava por ter deixado voar a carta, o guia e o altímetro. Pela minha parte, tendo em conta a intensidade do vento, não sei como não voei eu próprio.
Lá fomos cuidadosamente até ao Pique Longue, tirámos as fotos da praxe e regressámos ao glaciar tão depressa quanto possível.
O tempo estava tão radical que não consegui fazer fotos com a máquina digital compacta. Apenas tirei uns slides. Aqui ficam as fotos do cume, digitalizadas a partir dos slides. A qualidade não é das melhores, mas foi o que se arranjou.


Eu e o David, no cume do Vignemale


O David e o Emanuel (o nosso companheiro temporário)



A "destrepada" do cume para o glaciar

Dizem que a vista do cume do Vignemale é das mais belas que se podem ter nos Pirinéus, mas é raro, muito raro ter essa sorte. Eu acho que aquela montanha é mimada e gosta de ter gente em cima, então nunca deixa ver a vista para o pessoal ter que voltar. A verdade é que, por mim, já estou na fila dos candidatos a repetentes. Desta vez não vi rigorosamente nada além de uma espessa mancha de nevoeiro e uma ventania que não julgava possível, mas ela não há-de ficar a rir-se. Garanto que voltarei.
Finalmente descemos os 3 pela via normal, seguindo os rastos que se vêem sobre o gelo do glaciar. No meio do nevoeiro acabámos por ir parar demasiado à direita, o que nos obrigou a mais algumas manobras para conseguirmos chegar ao caminho correcto. Um pouco mais abaixo, já fora do glaciar, o nosso caminho e o do Emanuel (o nosso companheiro temporário) separaram-se. Nós seguimos a meia encosta na direcção do refúgio de Baysselance – o mais alto dos Pirinéus, a 2.651m de altitude – e o Emanuel desceu o vale na direcção da barragem de Ossoue, onde tinha deixado o carro.



Nessa noite fomos brindados com a maior ventania que presenciei em toda a vida. Fora do refúgio o ar movia-se com uma velocidade, uma energia e um rugido que faziam temer pela segurança do nosso alojamento.



Só pela manhã o vento se acalmaria, deixando finalmente entrever por entre as nuvens restantes, um pouco do glaciar e, a espaços, o próprio Pique Longue.







Descemos calmamente até à barragem de Ossoue (1.830m de altitude), onde voltaríamos a encontrar o Emanuel, que seguiria de carro para Gavarnie, de onde voltaria a entrar nas montanhas, enquanto nós seguimos em direcção ao Puerto de Bernatuara (2.238m de altitude), a caminho do Bujaruelo. Esta passagem de montanha é palco de uma acção tradicional que deve ser um verdadeiro espectáculo: La Cita Del Paso de Las Vacas por La Bernatuara. Para não perderem os direitos sobre os pastos de Ossoue, os ganadeiros do vale de Broto fazem subir as vacas todos os anos, até à referida passagem fronteiriça. Depois bebem uns copos na companhia dos colegas do outro lado. Dizem que é impressionante ver centenas de vacas subirem os cerca de 1.000m de desnível que levam do Bujaruelo ao Puerto de Bernatuara. Quem visite estes pastos a partir do final de Julho encontrará gado espanhol a pastar erva francesa.

Nós tivemos que subir todo o Vale de La Canau (500m de desnível), olhando regularmente por cima dos ombros para nos despedirmos do encantador Vignemale, à medida que nos aproximávamos da cabeceira do vale.








Na passagem do Puerto somos brindados com a belíssima vista do lago de Bernatuara, a 2.300m de altitude e, logo depois, do barranco de Sandaruelo que nos guiará até ao Bujaruelo, cerca de 1.000m abaixo.





Já bem no fim da jornada, quando as pernas já não estão para grandes graças, perdemos o caminho e fomos dar ao lado errado do Barranco de Lapazosa, o que nos obrigou a subir de novo para voltarmos a encontrar o percurso. Faltavam “apenas”cerca de 350m de desnível, que custaram mais do que todo o resto do percurso.



De volta ao Bujaruelo, escolhemos um pedaço de camping que não tivesse muita bosta de vaca e montámos a tenda para essa noite. Cozinhámos uma deliciosa bolonhesa de seitan, devidamente regada com vinho tinto alentejano e comemorámos assim o sucesso da primeira parte da nossa semana pirenaica.







Na manhã seguinte voltámos a preparar as mochilas para 3 dias de diáspora. Antes de partir, submergimos no rio Ara, sob grandes pedregulhos, uma garrafa de vinho branco com que comemoraríamos o sucesso da segunda parte, quando voltássemos de novo a este local.
Arrumámos tudo novamente dentro do carro, incluindo a tenda, despedimo-nos do refúgio com uma saborosa bica e fizemo-nos de novo ao caminho, na direcção do Puerto de Bujaruelo.

Dentro de dias teremos aqui a segunda parte desta épica viagem :-)

Se for caso disso, vão passando por cá.

ZM

Read more...

Já estou de volta, mas a história está por contar.

>> segunda-feira, julho 09, 2007

Obrigado aos vários leitores que se manifestaram contra o congelamento do Arrumário. De facto já cheguei há mais de uma semana, mas tem-me sido totalmente impossível postar o que quer que seja.



Para já deixo-vos aqui esta foto da primeira via que fizémos. Trata-se da via Principe de La Moskowa, ao Vignemale.

Tenho andado a recuperar o tempo "perdido" no trabalho e por isso ando com um ritmo alucinante. Além disso, tenho sido pai e mãe de 2 putos pequenos, durante mais de metade dos dias, incluindo fim-de-semana, pelo que não foi possível até agora escrever a história da minha aventura Pirenaica.

Posso adiantar que correu tudo bem e voltámos vivos, com saúde e com todos os objectivos propostos atingidos. Só o tempo é que não foi perfeito.

Se tiverem paciência, passem por cá de vez em quando. A história há-de aparecer.

Desculpem, uma vez mais a ausência, mas ando mesmo atrapalhado.

ZM

Read more...

De partida....

>> sexta-feira, junho 22, 2007

Durante a próxima semana estarei algures, mais perto das nuvens.

De regresso, se a tanto me ajudar o engenho e a arte, dar-vos-ei conta das minhas aventuras pirenaicas.

Boa semana para todos. Que os deuses estejam connosco (sobretudo o secretário do estado da meteorologia - S. Pedro de seu nome).

ZM

Read more...

Tabuaço 7/7/7 - Encontro de escaladores

>> quinta-feira, junho 21, 2007

No dia 7 do 7 de 2007 vai haver um encontro de escaladores em Tabuaço, como documenta o cartaz:


via Minóloga Cati

Fomos convidados pessoalmente, mas não tenho a certeza se lá poderei ir.

Aqui fica a sugestão.

ZM

Read more...

Santo António do Cabo da Roca - II

>> quinta-feira, junho 14, 2007

Aqui ficam as outras imagens que fiz no feriado. Decidi separar as preto e branco das cores para não baralhar.


Uns líquenes com uma cor fora de série. Particularidades desta zona e dos seus granitos.


Gosto do "S" que as escadas formam na foto. Também gostei das cores.


Novamente a Noiva, vista do farol. Este é um dos mais fantásticos locais de Sintra. De resto um dos mais fotografados.


Uma visão surpreendente do Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa continental.

Ó pessoal da Nikon, não merecerei já o tal desconto especial na D80? Que outras fotos assim formidáveis viram vocês feitas com uma Coolpix 5400? (Hoje não estou lá muito modesto :-))

Bom fim-de-semana, se o tempo o permitir.

ZM

Read more...

Santo António do Cabo da Roca

>> quarta-feira, junho 13, 2007

Ando a preparar uma ascensão nos Pirinéus, no mesmo maciço da do ano passado.
Como entretanto adquiri mochila e botas de montanha, ando a fazer-lhes a rodagem. Aproveitei o Santo António para carregar a mochila com o material todo que vou ter que levar monte acima e fui fazer uma excursão a pé com as botas novas. Resultado: 420m de desnivel acumulado, em 2:20h. Duas bolhas nos calcanhares por falta de aperto nos atacadores e uma dor localizada nas costas por falta de afinação da mochila. Tudo passivel de correcção. Antes agora que lá.
Aqui ficam as primeiras imagens, a preto e branco. Esta zona é uma beleza. Que privilégio poder ensaiar uma aventura pirenaica num local tão atraente.


Praia da Adraga


Gruta de Alvidrar


A Noiva vista a partir do Norte, com o Cabo da Roca um pouco mais a Sul.


De novo a Noiva, mas agora vista da Roca para Norte.

O percurso foi da Adraga ao Cabo da Roca passando pelo areal da Praia da Ursa. E volta...

ZM

Read more...

Garcia no K2

>> terça-feira, junho 12, 2007

O João Garcia está neste momento numa das mais importantes expedições da sua carreira de Himalaista: está a tentar o K2, a segunda montanha mais alta do mundo e provavelmente uma das mais difíceis de todas, quase seguramente a mais dura e perigosa da sua carreira.
O Arrumário está com ele, de alma e coração.

Podem seguir o blog do Aurélio Faria.

Desejos sinceros de sucesso nesta empreitada.

ZM

Read more...

Lourenço Marques a preto e branco

>> segunda-feira, junho 11, 2007

Se pensavam que este post falava de Moçambique estão enganados. Lourenço Marques é esta amostra de gente com mais simpatia que muitos grandes.







Fotos by ZM - Nikon Coolpix 5400 - B&W in camera

ZM

Read more...

FG+SG e-Mag

>> sexta-feira, junho 08, 2007

Está finalmente oficialmente online a Revista Electrónica das edições FG+SG (Fernando e Sérgio Guerra)



Este projecto de Álvaro Siza (de que já tinha falado aqui) lembra-me um outro, a Igreja do Marco de Canaveses. Perdoem-me a heresia, mas para mim ambos são templos.



O do Marco, religioso, ergue-se na vertical, tentando dialogar com os deuses e fazendo-nos sentir pequenos.
O de Campo Maior, um templo à alquimia do vinho, estende-se sobre a terra, largando raízes fundo no terreno, imitando a vinha que lhe dará a seiva. Apetece entrar para a penumbra do seu interior, respirar o cheiro da madeira e dos vapores da uva.
É um edifício magnífico, muito belo e diluído na paisagem alentejana de uma forma surpreendente.



Álvaro Siza no seu melhor, desvendado pela incomparável objectiva de Fernando Guerra. A não perder.

ZM

Read more...

Gaspar, o duplo português

>> segunda-feira, junho 04, 2007



Conheci o João Gaspar em 1983, no curso de iniciação à escalada que fiz na altura, com um clube de montanhismo que foi dissolvido pouco tempo depois. De todos os participantes do curso (talvez uns 25) apenas restámos 4 a escalar com alguma regularidade. Só muitos anos depois, há bastante menos tempo, é que o Gaspar enveredou pela profissão que hoje tem: duplo de cinema e publicidade.

Quem esteja por dentro da escalada e conheça o local onde este voo foi filmado fica ainda mais impressionado do que o publico comum. Foi um dos feitos mais corajosos de que tive conhecimento em pessoas que conheça ao vivo.

Não podia deixar de lhe prestar aqui essa homenagem.

PS: entre algumas pessoas da escalada, coragem (loucura?) passou a chamar-se extrato de Gaspar :-)

ZM

Read more...

Fim-de-semana com os avós

>> quinta-feira, maio 31, 2007

O Lourenço comemorou o seu primeiro ano com os avós maternos, no campo. Aqui ficam algumas fotos.

Os morangos para a sobremesa, apanhados pela Madalena e pela avó.


Uma "instalação" executada com as pedras que vão aparecendo na horta.


O viveiro


O tomate (tomate não tem plural :-))


As ervilhas


Os morangos


As obras do avô.




Lourenço na relva.


Madalena entre flores.


As flores do jardim da avó.


A salada da avó, antes de nos chegar ao prato.


O forno que assou o borrego que foi acompanhado pela tal salada. O campo tem sabores que a cidade já não conhece.


A gata da avó. Pouco amiga de festas de estranhos. É uma espécie de cão de guarda.

Quando tive a idade dos meus filhos, felizmente também tive um "campo" para conhecer. No nosso caso era na Marmeleira, recentemente tornada famosa por ser poiso de um ilustre político e bloguista.

Nunca me esquecerei do sabor das azeitonas, que comiamos em tão grande quantidade que quase ficávamos doentes;
do cheiro e da escuridão das adegas, cheias de mistérios;
das viagens imaginárias que faziamos a cavalo numa tripeça, que servia para matar o porco (embora nunca tenha visto nenhuma matança);
da arca dos cereais, onde havia ratoeiras armadas que saltavam do meio do cereal se lá fossemos mexer;
dos instrumentos de sopro que o meu tio Rogério tocava e que andavam sempre por alí;
do degolar dramático das galinhas, às mãos da minha doce tia Argentina e do cheiro enjoativo das penas escaldadas para se poderem depenar;
do medo que tinhamos das galinhas quando íamos tirar-lhes os ovos ao galinheiro;
do piar a mil vozes dos aviários onde cresciam os pintos até se tornarem galinhas para vender;
dos caminhos que levavam às "fazendas", ladeados de amoras que colhiamos e comiamos, apesar do pó e da sujidade;
do poço, no fim do quintal, onde era proibido brincar e, por isso mesmo, tão atractivo e misterioso;
do canivete no bolso, esculpindo canas em forma de barquinhos que navegavam em qualquer ribeiro;
das mantas pesadas que nos esmagavam a respiração à noite para nos manterem quentes numa época sem aquecimentos;
da bacia de esmalte onde lavávamos as mãos e a cara antes do jantar;
enfim de um mundo cheio de aventuras, com sabor a terra e com algum drama que hoje relembro com emoção nalgumas pinturas da Paula Rego ou da Graça Morais.

Esse imaginário ficou-me para sempre na memória. Faz parte do meu património. Agrada-me pensar que os meus filhos possam também ter essa riqueza.

Obrigado avós (que não lêem blogs).

ZM

Read more...

Que planeta vão herdar os nossos filhos?



Não faço ideia se este discurso foi realmente proferido, perante a audiência que se vê. Mas se isto não é verdade devia ser e penso que seria obrigação das televisões passarem este momento a abrir o telejornal.

O que é que vai ser preciso acontecer para que se tomem decisões globais, em sede própria, que forcem esta lógica da destruição inconsequente a começar a regredir. Como é que vai ser o mundo de um futuro (que não poderemos para já acreditar que vá existir) onde já não se consuma petróleo? Teremos ainda um caminho alternativo?

PS: Obrigado Sónia, pela referência.

Read more...

Massa térmica

>> quarta-feira, maio 16, 2007

Tenho uma amiga que vai construir uma casa aqui na zona de Sintra. Está a pensar utilizar a tecnologia de construção em aço. Até agora, todas as casas que vi construir com esta técnica de construção têm um defeito do ponto de vista térmico: não têm massa térmica nas paredes. Falámos disso, mas não fui suficientemente convincente para a fazer mudar de ideias (até porque o aspecto financeiro deve pesar na decisão).
Curiosamente, no post anterior, há um comentário que remete para um site muito interessante, cheio de informação sobre construção sustentável, do qual destaco o seguinte parágrafo:

"Thermal Mass:
Thermal mass inside a building moderates temperature swings by storing heat when the sun is shining and releasing heat back into the building when it begins to cool off. Materials commonly used for mass include water, concrete, masonry, and earth. Keep the mass at 3-4” thick, and keep it in the direct sun for best effectiveness. Mass must be carefully balanced with glazing area to perform properly in a given climate."

É pouco provável que ela leia este post, mas pelo sim, pelo não, aqui fica a ideia, sublinhada uma vez mais.

Eventualmente o projecto será de uma dupla de arquitectos, de quem já falei aqui há algum tempo: João Brandão e Margarida Gomes.


foto retirada do site www.jbmg-arquitectos.pt

As técnicas de construção sustentável ou bioclimática são geralmente simples de executar e raramente implicam custos de construção superiores aos da construção tradicional, mas irá demorar mais umas décadas até entrarem na generalidade dos projectos. Sinto sempre uma certa angustia quando vejo erguer edifícios (sobretudo os de habitação) que poderiam ter ficado muito mais confortáveis e económicos com ligeiras alterações de projecto. Acho que esta divulgação se perde por aqui, mas devia ser um dos principais cavalos de batalha das revistas de arquitectura, que agora se publicam às dezenas e até das publicações da ordem. Pelo que me vou apercebendo, os currículos das escolas de arquitectura tocam nestes assuntos muito ao de leve e a maioria dos arquitectos nacionais coloca este item na ultima linha do projecto.
Por quanto mais tempo vamos continuar a construir contra a natureza?


Obrigado ao Helder pelo comentário e pelo link.

ZM

Read more...

Tesseract

>> terça-feira, maio 08, 2007

O Tesseract está para um cubo como o cubo está para um quadrado, ou seja, é um cubo a 4 dimensões.

Tesseract é o nome de um romance de Alex Garland (o autor do célebre romance A Praia), que tem o tipo de estrutura narrativa de filmes como o Amores Perros, o Magnólia ou Crash, em que tudo parece absurdo até finalmente descobrirmos o fio condutor e encontrarmos uma extraordinária obra de arte, daquelas que nos tiram o fôlego.

Tesseract é ainda o nome dado a uma escultura arquitectónica saída do lápis do arquitecto Steven Holl, de quem já falei aqui, mas que reencontrei no livro do qual também já falei aqui.

Estas imagens foram retiradas do tal livro e apresentam esta pérola da arquitectura sustentável, onde foram utilizadas algumas técnicas notáveis, como o Glass Plank que se pode ver nesta primeira imagem, na foto da direita:



Trata-se de um colector de calor, que envia o ar aquecido para dentro de casa durante o Inverno (estando na fachada Sul da construção) e serve de chaminé térmica forçando o ar a entrar pela fachada Norte durante a estação quente, refrescando a casa. A única coisa que é preciso fazer é alterar a saída de ar da parte superior do dispositivo, de acordo com a estação do ano: no Verão está aberta para a rua, sugando ar de dentro de casa e fazendo exaustão para o exterior, no Inverno a saída de ar superior está aberta para dentro de casa, fazendo o ar circular no seu interior, aquecendo-o e voltando a libertá-lo dentro de casa.

O que é que se ensina nas nossa faculdades de arquitectura?


Aqui podemos ver como a proximidade de um lago pode ser utilizada para refrescar uma pequena casa como esta, desde que tenhamos em linha de conta a orientação dos ventos dominantes.



Aqui temos as plantas de 2 dos andares desta pequena casa de fim-de-semana. Falta apenas a planta da cobertura, onde se veria um pequeno terraço que tem acesso a partir do estúdio (escritório).



Nesta imagem vemos vários aspectos do projecto. Na foto superior esquerda vemos uma cabine de duche com saída para a rua (engenhoso, fora do cumum, mas muito interessante, mais que não seja para arejar a casa de banho); na foto seguinte vemos a "marquise" a Norte, que serve fundamentalmente para receber ar fresco no Verão para preencher o lugar deixado vago pela exaustão forçada da chaminé térmica que se encontra na fachada Sul, formidável como conceito, não? Na foto inferior direita vemos a escada que dá acesso ao tal terraço sobre o estúdio. Nenhum cliente em Portugal aceitaria tal coisa (excepto eu, que nesta matéria sou pouco conformista).



Este arquitecto trabalha com materiais e dispositivos inovadores, tanto no aspecto estético como no funcional. Se me formasse em arquitectura, acho que tentaria estagiar no seu gabinete. Diria que este é um caminho que me agradaria percorrer. Estou convencido que leva à arquitectura do futuro.

ZM

Read more...

  © Blogger template Simple n' Sweet by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP