Massa térmica

>> quarta-feira, maio 16, 2007

Tenho uma amiga que vai construir uma casa aqui na zona de Sintra. Está a pensar utilizar a tecnologia de construção em aço. Até agora, todas as casas que vi construir com esta técnica de construção têm um defeito do ponto de vista térmico: não têm massa térmica nas paredes. Falámos disso, mas não fui suficientemente convincente para a fazer mudar de ideias (até porque o aspecto financeiro deve pesar na decisão).
Curiosamente, no post anterior, há um comentário que remete para um site muito interessante, cheio de informação sobre construção sustentável, do qual destaco o seguinte parágrafo:

"Thermal Mass:
Thermal mass inside a building moderates temperature swings by storing heat when the sun is shining and releasing heat back into the building when it begins to cool off. Materials commonly used for mass include water, concrete, masonry, and earth. Keep the mass at 3-4” thick, and keep it in the direct sun for best effectiveness. Mass must be carefully balanced with glazing area to perform properly in a given climate."

É pouco provável que ela leia este post, mas pelo sim, pelo não, aqui fica a ideia, sublinhada uma vez mais.

Eventualmente o projecto será de uma dupla de arquitectos, de quem já falei aqui há algum tempo: João Brandão e Margarida Gomes.


foto retirada do site www.jbmg-arquitectos.pt

As técnicas de construção sustentável ou bioclimática são geralmente simples de executar e raramente implicam custos de construção superiores aos da construção tradicional, mas irá demorar mais umas décadas até entrarem na generalidade dos projectos. Sinto sempre uma certa angustia quando vejo erguer edifícios (sobretudo os de habitação) que poderiam ter ficado muito mais confortáveis e económicos com ligeiras alterações de projecto. Acho que esta divulgação se perde por aqui, mas devia ser um dos principais cavalos de batalha das revistas de arquitectura, que agora se publicam às dezenas e até das publicações da ordem. Pelo que me vou apercebendo, os currículos das escolas de arquitectura tocam nestes assuntos muito ao de leve e a maioria dos arquitectos nacionais coloca este item na ultima linha do projecto.
Por quanto mais tempo vamos continuar a construir contra a natureza?


Obrigado ao Helder pelo comentário e pelo link.

ZM

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Tesseract

>> terça-feira, maio 08, 2007

O Tesseract está para um cubo como o cubo está para um quadrado, ou seja, é um cubo a 4 dimensões.

Tesseract é o nome de um romance de Alex Garland (o autor do célebre romance A Praia), que tem o tipo de estrutura narrativa de filmes como o Amores Perros, o Magnólia ou Crash, em que tudo parece absurdo até finalmente descobrirmos o fio condutor e encontrarmos uma extraordinária obra de arte, daquelas que nos tiram o fôlego.

Tesseract é ainda o nome dado a uma escultura arquitectónica saída do lápis do arquitecto Steven Holl, de quem já falei aqui, mas que reencontrei no livro do qual também já falei aqui.

Estas imagens foram retiradas do tal livro e apresentam esta pérola da arquitectura sustentável, onde foram utilizadas algumas técnicas notáveis, como o Glass Plank que se pode ver nesta primeira imagem, na foto da direita:



Trata-se de um colector de calor, que envia o ar aquecido para dentro de casa durante o Inverno (estando na fachada Sul da construção) e serve de chaminé térmica forçando o ar a entrar pela fachada Norte durante a estação quente, refrescando a casa. A única coisa que é preciso fazer é alterar a saída de ar da parte superior do dispositivo, de acordo com a estação do ano: no Verão está aberta para a rua, sugando ar de dentro de casa e fazendo exaustão para o exterior, no Inverno a saída de ar superior está aberta para dentro de casa, fazendo o ar circular no seu interior, aquecendo-o e voltando a libertá-lo dentro de casa.

O que é que se ensina nas nossa faculdades de arquitectura?


Aqui podemos ver como a proximidade de um lago pode ser utilizada para refrescar uma pequena casa como esta, desde que tenhamos em linha de conta a orientação dos ventos dominantes.



Aqui temos as plantas de 2 dos andares desta pequena casa de fim-de-semana. Falta apenas a planta da cobertura, onde se veria um pequeno terraço que tem acesso a partir do estúdio (escritório).



Nesta imagem vemos vários aspectos do projecto. Na foto superior esquerda vemos uma cabine de duche com saída para a rua (engenhoso, fora do cumum, mas muito interessante, mais que não seja para arejar a casa de banho); na foto seguinte vemos a "marquise" a Norte, que serve fundamentalmente para receber ar fresco no Verão para preencher o lugar deixado vago pela exaustão forçada da chaminé térmica que se encontra na fachada Sul, formidável como conceito, não? Na foto inferior direita vemos a escada que dá acesso ao tal terraço sobre o estúdio. Nenhum cliente em Portugal aceitaria tal coisa (excepto eu, que nesta matéria sou pouco conformista).



Este arquitecto trabalha com materiais e dispositivos inovadores, tanto no aspecto estético como no funcional. Se me formasse em arquitectura, acho que tentaria estagiar no seu gabinete. Diria que este é um caminho que me agradaria percorrer. Estou convencido que leva à arquitectura do futuro.

ZM

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As mulheres.

>> segunda-feira, maio 07, 2007

As mulheres sempre dominaram, suaves nas palavras, incansáveis nos trabalhos, desde o levantar antes de todos ao deitar no fim de todos, sabendo coisas que ninguém conhecia, prodigiosas na habilidade de manter a casa, recompor roupas, apurar cozinhados, os homens eternamente filhos do seu ventre e do seu leite, do seu afago e da sua protecção.

Fernando Dacosta - "O Viúvo - memórias do fim do Império" - edição casa das letras - 2007

[A propósito do dia da mãe]

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A tal surpresa....

>> domingo, maio 06, 2007

Comecei este post falando de uma surpresa que recebi na Sexta-feira, pelo correio. Aqui fica o registo fotográfico da dita:



Trata-se de 2 pequenos livrinhos que apresentam os prémios Secil dos anos 2000 e 2006, ambos do arquitecto Álvaro Siza Vieira, respectivamente a Faculdade de Ciências da Informação de Santiago de Compostela e o Complexo Desportivo Ribera-Serrallo, do qual já falei neste outro post.

O envio foi da responsabilidade do Pedro Cabral, dos Bonecos de Bolso, e aqui deixo o meu público e sincero agradecimento.

Aproveito para dar conta de uma outra prenda do mesmo autor, enviada há mais tempo, que pendurei com muita estima em lugar de destaque.

Este é o "boneco", depois de emoldurado:



Esta é a localização, em pendant com o Saura que temos por cima da cama:



Já agora, a talhe de foice, lembram-se deste passeio e particularmente desta foto?



Então reparem na semelhança:



Pois é, é mais um passeio dos Bonecos de Bolso, desta feita à povoação de Alegrete.

Uma delícia estes traços. Obrigado Pedro. Um triplo obrigado, pelos livrinhos, pelo desenho de Monserrate e pelos registos a traço dos locais que há tão pouco visitámos.

ZM

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Mais um ataque à Serra da Estrela

>> sexta-feira, maio 04, 2007

Hoje dou conta de uma denúncia divulgada no blog Cântaro Zangado, que passou a fazer parte dos links do Arrumário, na secção de Escalada, sobre mais um avanço da "qualificação" e do "progresso" num recanto da Serra da Estrela:
Cântaro Zangado.





Como é que se luta contra isto?

Por vezes questiono-me se Portugal alguma vez sobreviverá a esta gente (arrepia-me pensar na tal regionalização).

ZM

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Notas várias

>> segunda-feira, abril 30, 2007

Este fim-de-semana teve várias surpresas e acontecimentos fora do comum:

Ao final do dia de Sexta, quando abri a caixa do correio, tinha lá uma agradável surpresa, de que darei conta num próximo post.

Entretanto recebi uma fantástica prenda do meu irmão, que foi o último livro do João Garcia: "Mais Além - depois do Evereste". Conhecendo o Garcia há mais de 20 anos, este é um livro particularmente interessante. Tinha acabado de ler o do Tiago Rebelo (O tempo dos amores perfeitos) e, como gostei muito, andava a pensar no que leria depois de uma obra tão envolvente. Eis que me cai no prato da sopa este relato do João Garcia, que me agarrou desde as primeiras páginas. Aqui fica pois a dupla recomendação.

And now for something completely different:

Uma ida ao parque infantil com os garotos resultou nesta foto, que me lembra uma fotografia fantástica do Benjamim, em que apenas se via a sombra e não a criança.

No Sábado, para não deixar adormecer as pernas, fui ao Castelo dos Mouros, aqui em Sintra, para mostrar à Madalena os alojamentos das princesas (a verdade é que nunca lá terá habitado tal coisa, mas isso por enquanto não lhe interessa grande coisa).

Ali à esquerda, é ela a correr pela muralha.


O Paço da Vila visto através de uma janela.


A Vila entre a vegetação do alto da serra.


O meu bairro, ao longe.

Já no Domingo, participei na Corrida do Metro, em Lisboa. Foram 15Km, percorridos (no meu caso) em precisamente 01:11:16h (ou 01:10:51h - tempo electrónico). Poderão encontrar os resultados aqui. Corri com o dorsal número 56, em lugar de um José Crespo, que julgo não conhecer, por só me ter decidido à última da hora. Espero não o ter envergonhado.
Um detalhe que não deixa de ser curioso: os poucos comentários desagradáveis ou de mau gosto que ouvi durante a prova foram emitidos por Portugueses. Os labregos, além de não praticarem desporto (ou talvez por isso mesmo), ainda desdenham de quem o faz. O reverso da medalha foi o apoio sincero e divertido, com aplausos e palavras de ânimo, proveniente na sua maioria de turistas estrangeiros. Até pode ser que tenha sido coincidência e evidentemente não poderei retirar desta experiência isolada qualquer ilação estatística, mas o facto é que foi isto que aconteceu.

ZM

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Marvão - Parte 5

>> terça-feira, abril 24, 2007

Aqui ficam mais algumas fotos das curtas férias de Marvão. Agora que vejo as fotos, acho que não fiz mais nada senão fotografar. É que além da Coolpix, também fui dando ao dedo na F80, a outra Nikon, dos slides.



Este é o pórtico da cidade romana de Ammaia. Um local muito bonito, com um museu muito interessante.



Um aspecto das ruínas de Ammaia.



O tal museu e recepção.



A Casa do Meio, agora já com novo link.



O castelo de Alegrete. É uma povoação pitoresca, que vale bem uma visita, embora o castelo esteja no estado lastimável que se apresenta.



Uma vista da povoação a partir do castelo.



Outra vista a partir do castelo.



Descendo do Castelo.



Ainda Alegrete.



Esta é uma rua de Arronches. A pequena figura à esquerda é a Madalena, interessada numa oficina de reparação já não sei de quê.



Esta teve que vir a preto e branco. É apenas um trapo pendurado numa corda, numa rua de Arronches.



Uma coisa muito Alentejana, muito "interior", que os nossos filhos talvez já não venham a conhecer. O silenciador (?) é uma lata de tinta, ou algo assim.



Esta não a devia publicar, mas não resisto. Trata-se da recente Adega Mayor, onde serão produzidos os vinhos do Comendador Nabeiro. É um belíssimo projecto de Álvaro Siza. Fica aqui este curto levantar do véu. Brevemente, num site perto de si, haverá mais novidades. Já só me falta provar o vinho (há 4 marcas), mas não consegui ainda encontrar nenhum à venda.
A foto foi tirada entre Degoladas e Campo Maior, mas não digam a ninguém.



Campo Maior propriamente dito.



Esta também é em Campo Maior.



Coudelaria de Alter. Um lugar fascinante para quem gosta de cavalos. Há ainda a possibilidade de ver demonstrações de falcoaria.



O edifício da recepção (onde foi feita a foto anterior), sob a luz do final da tarde e um céu dramático. Só me faltou a D80. Mas será que a Nikon, depois da publicidade que já aqui fiz, não poderia (já não digo oferecer-me mas pelo menos) emprestar-me uma D80 para eu brincar um bocadinho?



Um catavento muito divertido, também na Coudelaria de Alter.



Gostei do reflexo do céu na água, mas a foto não resultou muito bem.



Mais uma vez, para gáudio dos mais próximos, aqui fica uma foto da família.



Finalmente, para acabar com chave de ouro a série de Marvão, aqui fica uma foto do mano Lourenço que me agrada particularmente.

Bom dia da Liberdade para todos. Se bem se lembram, faz amanhã um ano, estava a pisar o cume do Perdido. É provável que lá volte este ano, mas por outro caminho mais complicado e lá mais para o Verão. Eu depois conto...

ZM

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Marvão - Parte 4

>> domingo, abril 22, 2007



Durante a Semana Santa, a povoação de Castelo de Vide está cheia de actividade. As janelas são um permanente ponto de interesse.



Claro que neste período de festa não poderiam faltar os carroceis: "tengo una camisa negra, porque negra está mi alma..."



Uma daquelas balanças que sempre povoaram as nossas padarias (desde que me lembro) e que começam a ser peças de museu. Pois aqui fica uma, registada para a posteridade, numa simpática "padaria" de Castelo de Vide.



O santuário da Senhora da Penha, que só me foi possível fotografar por ainda não ter a tão desejada D80. É que a Coolpix estava no limite para se conseguir apoiar entre os varões do gradeamento que protege a zona onde se encontra esta imagem. Com uma reflex teria sido mais complicado.



Castelo de Vide visto do alto da Senhora da Penha, que lhe está fronteiro.



Junto ao santuário da Senhora da Penha.



Hesitei em publicar esta, mas sei que os leitores mais assíduos não me perdoariam que não lhes mostrasse a família.



Na descida da Senhora da Penha, ao final do dia.



No dia seguinte, em Marvão propriamente dito. Dois dias antes, sob uma chuva inclemente tínhamos lá estado, mas não conseguimos fazer mais do que almoçar na Casa do Povo, onde nos deliciámos com um estupendo Cabrito Assado de comer e chorar por mais.



Castelo de Vide visto das ameias do Castelo de Marvão. Este é, sem dúvida, um dos mais belos e bem conservados castelos de Portugal. Eu não votei, mas se votasse tê-lo-ia incluído no grupo das sete maravilhas nacionais.



As raparigas descendo a muralha. O Lourenço está às costas do fotógrafo, divertidíssimo com o passeio.

Foi há tão pouco tempo e já estou cheio de saudades desta região.

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Grants - Arquitectura e Vida

>> sábado, abril 21, 2007



O Rui Pereira, arquitecto responsável pelo recente blog O morcego saíu à rua, ganhou o concurso Grants - Arquitectura e Vida com uma animação à qual não faltou um formidável instrumental dos Erro!

Aqui fica a merecedíssima referência e um grande PARABÉNS do Arrumário.

Um abraço.

ZM

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