Paço da Vila
>> terça-feira, janeiro 16, 2007

Uma foto do Paço da Vila de Sintra, de um ângulo pouco habitual.
Feita com a velhinha Coolpix 5400.
ZM
Arrumário era o nome que a pequena Madalena dava aos armários. Este blog é o arrumário electrónico das nossas experiências, emoções e ideias.

Uma foto do Paço da Vila de Sintra, de um ângulo pouco habitual.
Feita com a velhinha Coolpix 5400.
ZM
Eu sou pouco de petições. Resisto muito a assinar qualquer coisa sem ter a certeza de que estou na posse de todos os dados. Neste caso da TLEBS, embora me pareça que esta "experiência" é completamente absurda, não me acho competente para me manifestar, razão pela qual não dei eco mais cedo a este assunto.
A pedido do seu mentor, aqui fica o link para a petição. Não façam como eu e vão até lá engrossar a corrente que se opõe à dita TLEBS. Até ao final da semana ainda vão a tempo.
Boa semana.
ZM
O livro "A Casa Da Árvore" de Margarida Botelho, que já deu origem a um projecto interessante, conta a história de 2 irmãos gémeos, de nome Miguel e Gabriel, que eram mais diferentes do que poderíamos ser levados a pensar.
Miguel era ligado à terra, gostava do chão seguro, de buracos, de minhocas e formigas. Gabriel (não por acaso nome de Arcanjo) era totalmente aéreo, sonhava ser pássaro e só pensava em alturas e no azul do céu.
Tinham uma irmã mais velha, que um dia sugeriu a construção de uma casa na árvore. Imaginem o pânico de Miguel, para quem a altura de uma mesa já era uma vertigem; e a excitação de Gabriel, que sonhava acordado com a textura das nuvens.
Não vou contar aqui toda a história, até porque a Margarida pode processar-me, mas posso dizer que Miguel acabou por vencer o medo e todos viveram momentos muito felizes lá no alto.
Agora perguntam os meus incrédulos leitores:
- Onde é que este gajo quer chegar? Será que bateu com a cabeça nalgum lado ou isto de ter 2 filhos pequenos já lhe fundiu os fusíveis todos?
Porque é que este livro me chamou tanto a atenção? Antes de mais porque a história e as ilustrações são muito engraçadas e calculei que a Madalena (viciada em livros como nenhuma outra criança da mesma idade que eu conheça) o ia apreciar. Mas depois porque toda a história remete para o universo da arquitectura, havendo uma tensão curiosa entre duas formas distintas de habitar que me deixou a cabeça em reflexão.
Chegamos mesmo a ver o projecto da Casa da Árvore, feito em Manual CAD :-)
Um dos irmãos deseja muito uma casa na árvore porque é lá que se sente bem, o outro – exactamente no pólo oposto – treme só de pensar em ter que subir lá para cima. Esta diferença entre formas de habitar é uma questão fracturante na arquitectura. Julgo que os arquitectos tendem a projectar edifícios que se aproximam da sua forma de habitar ou ocupar. Lembro-me de ouvir Manuel Graça Dias falar deste assunto e sempre me fez alguma confusão que haja quem se sinta mais confortável num andar no centro de Lisboa do que numa moradia no campo, mas a verdade é que não há certo e errado nesta matéria.
Quem leia o Arrumário há algum tempo já sabe que o meu gosto em habitação anda muito próximo de uma casa na árvore. Gosto de casas com vários andares, com escadas ou rampas, com terraços altos como ameias de castelos, com vãos abundantes por onde entre a luz do dia e por onde saia o olhar, para se espraiar no horizonte, se possível com muito verde, muito céu e algum mar. Comentei mais do que uma vez o pouco que me identifico com alguns projectos actuais, onde os vãos dão para muros ou pátios interiores, ou onde as casas de banho não têm janelas. Penso agora que talvez haja muita gente que se identifique com o mano Miguel da história, preferindo os espaços fechados, térreos, talvez mais seguros e protegidos. Deve realmente haver quem prefira o recolhimento e a penumbra contra a exposição e a luz. Aceito agora que estão no seu direito.
Uns dias antes de ler esta história, falava com uma colega de escritório sobre as diferenças entre a casa dela e a minha. Quando lhe disse que o local onde tomo duche diariamente tem janela para rua e que qualquer pessoa me pode ver lavar a cabeça, ela ficou horrorizada. Não é que eu tenha alguma tendência exibicionista, até porque essa pequena janela não permite vislumbrar abaixo da altura dos ombros, mas a verdade é que hoje ser-me-ia muito difícil tomar duche num espaço de onde não avistasse a rua. Esse contacto permanente com o exterior é vital para mim. No entanto aceito melhor agora que haja quem prefira outras opções. Este é talvez um dos maiores dramas da arquitectura, conseguir conciliar a vivência do arquitecto com as expectativas do cliente.
Na história da Margarida o irmão Miguel acaba por se convencer a subir à casa da árvore e finalmente sente-se lá tão bem quanto Gabriel. Confesso que isso me agradou mais do que me agradaria o contrário.
PS: acabo de descobrir que a Margarida Botelho é, na verdade, licenciada em arquitectura. Pelo que presumo do livro, talvez me identificasse com os seus projectos.
ZM
Não consigo esconder alguma vaidade por ter sido brindado com um simpático destaque n'A Barriga de um Arquitecto:
Um blog que sobe montanhas. Parabéns ao Arrumário pelos seus dois bons anos de actividade. Ficam na memória deste ano que passou os aviões do Museu do Brinquedo, as rampas do ISCTE de Raúl Hestnes Ferreira, o passeio à Mina de S. Domingos, uma deliciosa intrusão ao “quintal” do arquitecto Alberto de Souza Oliveira, e finalmente, uma extraordinária viagem ao Monte Perdido nos Pirinéus (I, II, III e IV). Vão até lá e percam-se pelos seus arquivos montanhosos.
Apenas acrescentei ao texto do Daniel os links directos para os posts mencionados e agradeço a ideia da compilação.
A Barriga é um dos meus blogs de referência, embora o Arrumário tenha uma vocação mais pessoal e menos focalizada. Se fosse para uma ilha deserta e só pudesse levar um único blog, era o Barriga de um Arquitecto. Fico por isso muito lisonjeado e sinceramente agradecido com a referência. Obrigado Daniel.
ZM
Ontem foi o aniversário do Arrumário. Hoje é dia de prendas para os fiéis leitores. Poderão reparar numa nova lista de links, aqui à esquerda, que pretende reunir os blogs dos leitores que mais têm comentado por aqui e que ainda não constavam noutra categoria. Obrigado uma vez mais a todos.
Aproveito para destacar o post de hoje do Antigamente, porque trás uma imagem que causa uma profunda nostalgia e um intenso desgosto:
Este é o aspecto original do Chalet da Condessa d'Edla, no Parque da Pena, que tive a sorte de conhecer já num extremo estado de abandono, mas ainda inteiro. Hoje, fruto de incúria de quem não soube ou não quis cuidar deste valioso património, temos apenas um monte de andaimes ferrugentos, cobertos por chapa ondulada, sob o qual se encontra uma ruína quase completamente queimada e seguramente irrecuperável.
Obrigado ao Marco Oliveira pela imagem.
ZM
Faz hoje precisamente 2 anos que nasceu o Arrumário.
Já houve fases mais animadas e outras menos. O caminho editorial fez-me perder muitos dos leitores iniciais ("este gajo é uma seca, só fala de casas!"), mas fez-me também ganhar outros.
Ao longo destes 2 anos conheci algumas pessoas muito interessantes através do blog. É sobretudo aos leitores que se sentaram em frente do Arrumário e gostaram do que viram que dedico hoje esta festa.
Manter um blog fez-me ler, procurar, investigar, registar mais do que teria feito se não o tivesse. Nesse sentido o Arrumário melhorou-me. E isso também tenho que agradecer aos leitores.
Este foi o Cheesecake que fiz para o Ano Novo, com receita do Comezainas, mas aparece aqui como bolo de aniversário.
Bem hajam por estarem desse lado e se interessarem pelas palermices que aqui fui deixando ao longo deste 2 anos.
Como diriam os Ocaso Épico, Muito Obrigado.
ZM
No Domingo passado fomos ao CCB ter com o Daniel e a Ana. Eles viram a Candida Höfer e nós vimos o Nuno Cera. Acho que eles ficaram a ganhar. No final, enquanto o Lourenço lanchava eu dei por lá umas voltas e registei este conjunto de imagens.


O CCB vale a pena e estão lá muitas exposições interessantes neste momento. Como sempre, se puderem passem por lá.
ZM
Apresento agora mais fotos do mercado do Mucifal. Acho um edifício bem conseguido e muito bem integrado na envolvente. Não gosto da opção dos estores interiores em lâminas, que têm um ar sujo, fraco e já estão todos pifados. Talvez não tenha sido uma escolha do arquitecto, mas dos utilizadores. Parece-me evidente que o janelão que dá para poente (não se vê nestas fotos) tem que estar sombreado de alguma forma, mas os estores que lá foram colocados não terão sido a melhor opção.



Como o céu estava convidativo, aproveitei para registar estas imagens da igreja do Mucifal, que está com muito bom aspecto.

O Mucifal é uma pequena aldeia, um bocado desorganizada e diria mesmo feia, mas procurando bem encontram-se lá alguns encantos (como em todo o lado). Só é preciso andar de olhos abertos.
Se for caso disso passem por lá e reparem.
ZM

Pormenor do mercado do Mucifal. Um projecto de Luiz Trigueiros, que acho bastante interessante.
(Parece que há por lá bom peixe!)
ZM
Há dias falei aqui do gabinete Tirone Nunes, que faz essencialmente casas bioclimáticas ou sustentáveis, ou o que lhe queiram chamar. A propósito, fui espreitar a casa Alba, na Chilreira, e deixo aqui o seu alçado nascente. Gostaria de ter fotografado mais qualquer coisa, mas não queria ser apanhado como da outra vez.
Entretanto, tinha aqui em carteira uma foto que tirei da famosa casa das Azenhas, do Raúl Lino, que já tive oportunidade de visitar, numa visita guiada pelo amável Martinho. Como esta também é uma imagem do seu alçado nascente, achei que dava um contraponto interessante à outra foto.
ZM
No fim-de-semana prolongado de 1 de Dezembro fui uma vez mais ao Circo de Gredos. Infelizmente a minha máquina congelou, pelo que as fotos que passo a apresentar, salvo raras excepções, são de autor para mim desconhecido (conhecido, mas ignorado).
A tradicional foto da ponte, tomada a partir do ribeiro, a caminho do Circo.

Duas vistas do Circo, durante o caminho de acesso (cerca de 2:30h de caminhada).
A formação aguçada, mais à esquerda, é o Ameal Del Pablo.
Aqui está este vosso cronista, algures entre montanhas e neve.
A descida do cume em rappel, onde se vê que as condições não estavam propriamente de veraneio.
Homenagem às Tentações de Santo Antão, do famoso Hieronymus Bosch, sobretudo neste detalhe:
Eu disse Bosch, não disse broche, seus ordinários!
Mais fotos na galeria do Montanhacima: aqui.
O resto da história no Pulmão.
No fim-de-semana seguinte a esta aventura, houve um acidente exactamente na via que fizemos até ao cume, onde infelizmente morreu um alpinista (excursionista?) espanhol.
Queremos sempre acreditar que estes acidentes acontecem por falta de experiência de quem se vitima neles, mas desta vez não tenho dados para saber com rigor o que se passou. Esta via ao Almanzor, feita com a cabeça no lugar, não é perigosa, mas há nas montanhas imponderáveis que tendemos a ignorar.
Ficamos sempre a pensar, será que facilitei?
Isto anda escasso de posts, mas também os leitores estão todos de férias e eu ficava a falar para o boneco. Para os 2 ou 3 que cá ficaram, aqui deixo o meu sincero desejo de um excelente ano de 2007.
ZM
Eu sei que não é propriamente um hino natalício, mas hoje deu-me para aqui.
Uma torrente catártica de palavras cruas para nos sacudir a poeira dos ouvidos. De uma das bandas que levaria para uma ilha deserta (a outra é Dead Can Dance).
Artist: Swans
Album: Love Of Life
Year: 1992
Title: The Sound Of Freedom
We're Standing By A River
In A Place Where Nothing Moves
And The White Light In The Sky
Is Meaningless And Cruel
And We Turn Our Face Away
From A Cold And Violent Wind
And We Bow Our Heads Down
And We Pray To The Sound
Of Freedom
With A Mirror In My Hand
And My Eyes Burned In The Fire
Drunk On Self Deception
And Punished By Desire
Leaping Directly Into A Bright White Sea
I'll Keep Myself Breathing
And I'll Swallow The Sound
Of Freedom
Nobody Else Can See You
Nobody Knows You Feel
Go Further Inside You
Where Nothing Else Is Real
Now Throw Yourself Into A Pool
Of Silence You Can See
And Hold The Mirror Before Your Eyes
And Light The White Light, It's The Sound Of Freedom
Now Time Is Just A Picture That
Moves Before Your Eyes
And Every Lie That I Believe
Is Falsely Compromised
And This Is Not A Sound
And We Are Not Alive
Someone Else Was Here Before
In Someone Else's Mind
And The Ground We Walk Is Sacred
And Every Object Lives
And Every Word We Speak
Will Punish Or Forgive
And The Light Inside Your Body
Will Shine Through History
Set Fire To Every Prison
Set Every Dead Man Free
And The Air We're Breathing Now
We Breathed A Million Times
And The Darkest Dreams We Dreamed
Were Dreamed By Other Minds
So Take Us To The Water
Take us to the sound
And Wash My Soul Away
Where It Can Never Be Found...
And The White Light That Surrounds Us
Is The Sound Of Freedom Pounding
And The Ground That Opens Up
Spits The Fire From Freedom's Mouth
And The Concrete, Glass And Steel
Break With A Freedom You Can Feel And
The Wind That Blows Through Heaven
It Screams The Sound Of Freedom
And The Violence That Destroys
Is The Birth Of Freedom Singing
And The Lovers In The Field
Make The Sound Of Freedom Bleeding
And The Pain That Eats My Mind
Is The Shout Of Freedom's Life
And The Sea That Splits In Two
Is The Cut Of Freedom's Knife
And The Fire That Burns This City
Is The White Light In Freedom's Eye
And The White Light Is The Sound
Of Freedom
Feliz Natal, se for caso disso.
ZM
Quem seja cliente assíduo do Arrumário já sabe que a redacção ruma frequentemente a Óbidos. Desta vez vimos dar conta da animação Vila Natal, que vai estar patente até ao dia de Reis.
Aqui vemos a Madalena encantada com o dragão, ainda fora da confusão da Vila Natal.
Este é um duende, particularmente divertido, que deixou a Madalena a falar do assunto até hoje (passada já mais de uma semana sobre a visita).
É especialmente aconselhado para quem tenha crianças. Vão cedo e levem alguma paciência na mochila. Vale bem a pena.
ZM
Já uma vez aqui falei da escola onde estão os meus filhos, num outro post.
No seguimento da festa de Natal, que aconteceu ontem, foi acrescentado um comentário (infelizmente não assinado) que me merece destaque:
"Olá,
sou relativamente novo no colégio Catarina de Bragança, mas tenho vontade de partilhar o que sinto e este parece-me ser o melhor, e único meio de o fazer junto de pessoas que já o conhecem e de todos os outros. Tive hoje o prazer de assistir á festa de Natal dos alunos do nosso colégio.
Fiquei emocionado, diverti-me imenso com as nossas crianças, adorei ver a Carolina a solo, a peça de teatro que os pais nos ofereceram, a professora de musica a dirigir os alunos, as crianças da infantil a cantar, toda a peça '' Em busca de um pinheiro'' foi fantástica, tive também a oportunidade de conhecer melhor a familia do Catarina de Bragança e perceber melhor a dimensão e realidade que o envolvem.
Foi realmente um prazer , o meu obrigado a todos pelo momento que me proporcionaram."

Madalena em "Em busca de um pinheiro".
Entrega de prendinhas, no final da peça. M. C., já viste quem é o penetra, lá atrás?
Nesta escola a festa de Natal é sempre um grande acontecimento, com participação de todos os alunos e de um extenso grupo de pais. Primeiro as crianças actuam para os pais e avós e depois os pais apresentam uma peça de teatro para toda a gente.
Desde que temos filhos nesta escola que faço parte do grupo do teatro do Natal. Preparamos a peça ao longo de algumas semanas (não tantas quanto devíamos :-)), num enorme esforço de gestão de tempo e de coordenação entre as várias equipas que preparam a peça: cenógrafos, encenadores, actores e produção. É um trabalho muito intenso, muito envolvente, MUITO cansativo, mas extraordinariamente gratificante quando finalmente apresentamos a peça e sentimos que agradámos aos miúdos e aos familiares.
Este ano cheguei ao dia D tão estafado que tive a primeira branca da minha curta e amadora carreira :-) Felizmente as profissionalíssimas actrizes que contracenavam comigo na cena em causa deram-me uma dica e a coisa seguiu sem mais incidentes, mas foi o único grande prego da peça.
Nunca ouvi falar de outra escola em que os pais façam tal coisa. Não digo que não exista, mas nunca ouvi falar. Já anteriormente referi o quanto aprecio o projecto educativo deste colégio. Hoje dou-me conta de que se trata de muito mais do que isso. O que é construído naquele espaço é um sólido projecto social. A forma como as famílias são chamadas a participar nas actividades da escola é (tanto quanto conheço) única. Muitos de nós temos em algum momento da vida o desejo de mudar o mundo. Nesta escola isso é realmente posto em prática. Tenho a profunda convicção de que quem por lá passa sai melhor formado do que entrou, seja aluno, professor ou familiar.
Se todas as crianças fossem educadas de acordo com este modelo, Portugal seria seguramente um país melhor daqui a 10 ou 20 anos. É difícil demonstrar a quem não conhece a escola o quanto ela é extraordinária. O que de mais positivo lá acontece não é fácil de descrever porque se sente mais do que se vê.
Obrigado Catarina de Bragança.
Um dos filmes mais fantásticos que vi na vida.
Este é um pequeno filme inspirado numa das mais emocionantes cenas desse filme:
Aqui têm a cena original do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=UDXjnW3nIWg
Alguém sabe de quem é esta música?
ZM
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