Festa de Natal

>> domingo, dezembro 17, 2006

Já uma vez aqui falei da escola onde estão os meus filhos, num outro post.

No seguimento da festa de Natal, que aconteceu ontem, foi acrescentado um comentário (infelizmente não assinado) que me merece destaque:

"Olá,
sou relativamente novo no colégio Catarina de Bragança, mas tenho vontade de partilhar o que sinto e este parece-me ser o melhor, e único meio de o fazer junto de pessoas que já o conhecem e de todos os outros. Tive hoje o prazer de assistir á festa de Natal dos alunos do nosso colégio.
Fiquei emocionado, diverti-me imenso com as nossas crianças, adorei ver a Carolina a solo, a peça de teatro que os pais nos ofereceram, a professora de musica a dirigir os alunos, as crianças da infantil a cantar, toda a peça '' Em busca de um pinheiro'' foi fantástica, tive também a oportunidade de conhecer melhor a familia do Catarina de Bragança e perceber melhor a dimensão e realidade que o envolvem.
Foi realmente um prazer , o meu obrigado a todos pelo momento que me proporcionaram."



Madalena em "Em busca de um pinheiro".


Entrega de prendinhas, no final da peça. M. C., já viste quem é o penetra, lá atrás?


Nesta escola a festa de Natal é sempre um grande acontecimento, com participação de todos os alunos e de um extenso grupo de pais. Primeiro as crianças actuam para os pais e avós e depois os pais apresentam uma peça de teatro para toda a gente.
Desde que temos filhos nesta escola que faço parte do grupo do teatro do Natal. Preparamos a peça ao longo de algumas semanas (não tantas quanto devíamos :-)), num enorme esforço de gestão de tempo e de coordenação entre as várias equipas que preparam a peça: cenógrafos, encenadores, actores e produção. É um trabalho muito intenso, muito envolvente, MUITO cansativo, mas extraordinariamente gratificante quando finalmente apresentamos a peça e sentimos que agradámos aos miúdos e aos familiares.
Este ano cheguei ao dia D tão estafado que tive a primeira branca da minha curta e amadora carreira :-) Felizmente as profissionalíssimas actrizes que contracenavam comigo na cena em causa deram-me uma dica e a coisa seguiu sem mais incidentes, mas foi o único grande prego da peça.

Nunca ouvi falar de outra escola em que os pais façam tal coisa. Não digo que não exista, mas nunca ouvi falar. Já anteriormente referi o quanto aprecio o projecto educativo deste colégio. Hoje dou-me conta de que se trata de muito mais do que isso. O que é construído naquele espaço é um sólido projecto social. A forma como as famílias são chamadas a participar nas actividades da escola é (tanto quanto conheço) única. Muitos de nós temos em algum momento da vida o desejo de mudar o mundo. Nesta escola isso é realmente posto em prática. Tenho a profunda convicção de que quem por lá passa sai melhor formado do que entrou, seja aluno, professor ou familiar.

Se todas as crianças fossem educadas de acordo com este modelo, Portugal seria seguramente um país melhor daqui a 10 ou 20 anos. É difícil demonstrar a quem não conhece a escola o quanto ela é extraordinária. O que de mais positivo lá acontece não é fácil de descrever porque se sente mais do que se vê.

Obrigado Catarina de Bragança.

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American Beauty

>> quarta-feira, dezembro 13, 2006

Um dos filmes mais fantásticos que vi na vida.
Este é um pequeno filme inspirado numa das mais emocionantes cenas desse filme:



Aqui têm a cena original do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=UDXjnW3nIWg

Alguém sabe de quem é esta música?
ZM

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Novo site Tirone Nunes

>> terça-feira, dezembro 12, 2006

A Tirone Nunes renovou o site. Para quem se interesse por arquitectura bioclimática a sério, este é um site imperdível. Apresenta conceitos e soluções utilizadas por este gabinete há muitos anos, com provas dadas de eficácia. Descreve as soluções até ao detalhe do fornecedor.

Este é um exemplo de uma casa projectada há alguns anos pela Tirone Nunes, que faz parte do condomínio Jade, em Nafarros, e que tem muitas das características que gosto numa casa: comunicação entre os espaços, através de aberturas interiores (o que incrementa a circulação do ar em toda a casa), 3 andares com zonas de duplo pé direito em todos eles, largas áreas vidradas viradas a Sul, paredes trombe, escritório no piso mais elevado, com terraço, etc.



Esta é a planta do T2 do empreendimento Colmeia Sintra, cuja posição na cooperativa está à venda. Os interessados podem enviar-me o respectivo e-mail para o meu endereço que se encontra ali em cima, à esquerda.


A arquitectura Tirone Nunes pode não ser o paradigma da arquitectura moderna, sobretudo na vertente artística, mas estas casas têm os melhores parâmetros de habitabilidade que conheci desde que me interesso por arquitectura. Falo com conhecimento de causa, porque habito uma delas. Se todas as casas do mundo partissem desta plataforma, teríamos seguramente um ambiente mais saudável, uma factura energética mais leve e gente mais bem disposta.

ZM

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100 Dedos

>> quarta-feira, dezembro 06, 2006

Os dedos fizeram ontem 100 dedos.



Trata-se de um dos meus blogs de visita quase diária, cheio de sentido de humor e com um belíssimo template.

Parabéns!

ZM

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Uma viagem astral

>> terça-feira, novembro 28, 2006

O Arkinetia publica hoje uma entrevista com Fernando Guerra. Finalmente aparece em público aquele que é seguramente o melhor fotógrafo de arquitectura português (eu arriscaria dizer que é um dos melhores do mundo). A entrevista é ilustrada com algumas das suas melhores fotos e tem ainda um fantástico bónus: Um slide show sobre as Piscinas do Atlântico de Paulo David.



Coloquem os head phones, carreguem no play e descolem como eu descolei. É como se tivesse sido exactamente esta a música que inspirou o arquitecto, depois o fotógrafo e agora o espectador, numa espécie de viagem transcendental. Acompanhar estas imagens envolto neste magnífico som ergueu-me do chão e fui por instantes este garoto que paira no ar, num cenário irreal.

Que pena ter que regressar à terra.



Arrepiante...

ZM

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Museu da Ciência de Sintra

>> quinta-feira, novembro 23, 2006

Isto hoje está animado.



Aqui fica uma imagem que acabei de registar. É o museu da Ciência de Sintra, fotografado com a minha velha e fiel Nikon Coolpix 5400.
ZM

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Bloco em Sintra

Uma foto engraçada que me tiraram em Sintra:



Trata-se de um pequeno problema de bloco que se encontra no topo do Penedo da Amizade. Daí a espantosa vista.
ZM

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Telas da Natacha

Há uns tempos tropecei no blog da Natacha e chamou-me a atenção esta visão da Pena:

Fugindo claramente ao lugar comum da aguarela da Pena, consegue contudo manter o ambiente do palácio e dos seus jardins.

Agora a Natacha tem uma exposição patente no Hotel Monte Prado, em Melgaço, até ao final do mês de Dezembro. A exposição chama-se "Telas da Natacha" e é apenas isso.

Deixo-vos aqui mais 2 exemplos de uma forma de ver e de pintar que me parecem muito interessantes e particulares.

A cidade de Toledo imaginada (talvez porque foi pintada noutro lugar qualquer, sem que a pintora a tenha sequer visitado), onde passei dias felizes durante a minha lua de mel, no agradável parque de campismo El Greco, com um calor que me ia derretendo a mulher.


Um abstrato que me agrada particularmente.


Não sei se conseguirei visitar esta exposição, mas aos meus leitores, como sempre, recomendo: se for caso disso, passem por lá.

Parabéns Natacha e obrigado pela informação.

ZM

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Ortik

>> domingo, novembro 19, 2006

Uma das fotografias publicadas durante a expedição portuguesa ao Shisha Pangma, para além do rosto do Bruno Carvalho que a tornou tão mediática, mostra um estranho objecto pendurado dentro da tenda.



Este dispositivo é uma espécie de incrementador de eficiência do fogão, muito útil para derreter neve em altitude para fazer água para hidratar os alpinistas, e foi inventado por portugueses.



Está a ser divulgado e distribuído pela empresa Ortik, totalmente nacional, e é possível que venha a dar tanto que falar quanto outros inventos nacionais que se têm revelado fora de série.
Ou muito me engano ou esta jovem empresa de inovação na área do equipamento alpino ainda vai escrever uma página importante na história da industria lusa.
Boa sorte para eles e parabéns pelo invento. Aguardamos os seguintes.
ZM

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Farol da Guia

>> domingo, novembro 12, 2006

Estive a escalar no Farol da Guia, uma das falésias frequentadas pelo Bruno Carvalho, e palco de uma homenagem (da Associação Desnivel) que engrandece a sua memória.



A imagem destas bandeiras de oração, iluminadas pela luz baixa do final de um excelente dia de escalada, emocionou-me. De onde quer que o Bruno esteja a ver aquelas bandeirolas, vai certamente orgulhar-se dos amigos que decidiram lá pô-las.
ZM

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Monte da Caparica

Uma visita ao Monte da Caparica:


A Madalena a tratar da horta.


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Cadaques

>> quarta-feira, novembro 08, 2006

O meu amigo e futuro arquitecto Miguel Taborda emprestou-me um dia destes um livro chamado El Cadaqués de Peter Harnden i Lanfranco Bombelli. Trata da obra desenvolvida por aqueles dois arquitectos, entre 1959 e 1971, no pueblo de Cadaqués, na Costa Brava de Espanha, já quase na fronteira com França.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi o ambiente do povoado. Mais tarde dei conta do facto de Cadaqués ficar a escassa distância de um local onde passámos férias não há muito tempo, Cala de Montgó, um pouco a Norte de Estartit, por onde passámos na nossa lua de mel. É uma zona de Espanha que me diz muito, onde passei alguns momentos fantásticos e que tem uma atmosfera mais calma e romântica do que o resto da costa Mediterrânica de Espanha. Depois, encontrei semelhanças entre os primeiros projectos apresentados no livro e o de David Chipperfield de que falei aqui, há tempos. Finalmente, a história destes dois arquitectos, um italiano, outro americano, reunidos na equipa perfeita, companheiros de uma amizade de cerca de 20 anos, apenas truncada pela morte de Harnden, cedo demais, em 1972.
Esta dupla chegou a Cadaqués em 1956, pela mão de Josep Antoni Coderch, que tinham conhecido na Trienal de Milão. Apaixonaram-se de imediato pela terra e em 1959 compraram a primeira casa, a Vila Gloria:



Nota: as imagens que apresento neste post são todas digitalizadas do livro porque não encontrei mais informação sobre este assunto online.

Estava dado o mote para uma série de casas semelhantes a esta, todas com vários andares (coisa que já sabem que gosto), com lareiras exuberantes com a chaminé em ferro preto para espalhar melhor o calor (ainda não se teriam inventado os recuperadores), com varandas de grandes áreas, sempre com mesas e cadeiras que convidavam à conversa, num fim de tarde quente, com os olhos postos no mediterrâneo. Há sempre muito branco, longos sofás confortáveis e espaçosos, estantes gigantescas, planos de água nos terraços e pátios para refrescar o ar e criar aquela luz liquida que o reflexo confere, escadinhas por todo o lado, zonas de duplo pé direito. Também são uma constante as zonas de penumbra, com pequenas janelas cavadas em grossas paredes, a convidar ao sossego e à leitura.

As próximas duas imagens são da casa Staempfli, de 1960. Uma obra de arte, onde apetece verdadeiramente passar um tempo a viver.




Mais tarde aparecem as casas espalhadas no terreno, em zonas mais exteriores ao povoado, numa relação mais próxima com o mar. É disso exemplo a notável Casa Fasquelle, de 1968, frente à casa de Dali. Tem dentro uma imensa estante branca, de dupla face, que serve de barreira acústica, de divisão do espaço e é simultaneamente um belíssimo armazém de livros. A fachada Sul é quase toda envidraçada e sombreada por um extenso alpendre, onde estão as sempre presentes cadeiras de descanso.







Peter empregava materiais autóctones e populares: chão de pedra, tectos de cana ou tijolo, troncos de madeira no lugar de colunas. Projectava interiores quentes e confortáveis como os que vira criados por Shindler, Neutra, Gropius, Wright, de quem era contemporâneo e conterrâneo.

As distribuições de espaço são geniais, favorecendo sempre as áreas sociais em detrimento das privadas. É fácil perceber o quanto prezavam o convívio, a contemplação, a leitura. Alguns espaços parecem ter falta de luz natural, mas talvez isso fosse sobretudo uma forma de se protegerem da canícula Mediterrânica. As salas são geralmente iluminadas por extensos vãos, nalguns casos de dupla altura, mas há sempre espaços mais protegidos, mais contidos, de onde se avista a rua ou o mar através de pequenos vãos muito escavados, que transmitem a sensação confortável de pequenas vigias, onde estamos protegidos. É uma arquitectura orgânica, próxima da natureza e do mar, quente, envolvente e confortável, absolutamente apaixonante.

Cadaqués distava 5 horas da cidade de Barcelona. Era o refúgio de inúmeros arquitectos e outros artistas. Frederico Correa e Alfonso Milá eram dois dos famosos arquitectos que por lá andavam naquela época, para além do já falado Coderch. Artistas, Marcel Duchamp, Man Ray, John Cage, Dali, espalhavam a sua energia criativa e a sua sensibilidade estética, fortalecendo uma atmosfera naturalmente romântica.

Ler este livro, seguir a fortíssima relação existente entre Harnden e Bombelli, sentir o calor de Cadaqués, a energia da criação numa época ainda de pós-guerra, ler nesta arquitectura a influência de outros grandes vultos e compreender por fim quanto estes dois homens conseguiram amar profundamente um local e criarem obras de grande força perfeitamente integradas é algo verdadeiramente emocionante.

Não faço ideia se algum dia conseguirei adquirir este livro, mas enquanto isso não acontecer passei a ter um furo na minha biblioteca. Fora isso, não descansarei enquanto não visitar este povoado tão recheado de histórias, arquitectura e vida, com os pés banhados pelo Mediterrâneo.

Lá perto têm o famoso Cap de Creus, Roses, Estartit, L'Escala, etc. Volto a dizer que é das mais belas zonas da costa Mediterrânica espanhola, com um pretexto mais que suficiente para fazer qualquer um fazer-se ao caminho. Não preciso de recomendar que passem por lá.

ZM

PS: Já me esquecia, o livro trás também um fantástico DVD com visita guiada às casas quase todas e entrevista com Bombelli, uma vez que infelizmente Harnden já não se encontrava por cá. Imprescindível.

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The Two Kinds of Photographers

"Girls make better pictures than boys. The girls just do it, while the boys are talking about who has the best camera. You'd vomit if you saw all the guys I do paying for workshops who stand around discussing noise figures of Canon vs. Nikon while the magic 60 seconds of light passes them over at sunrise in some remote scenic location."

Um texto magnífico do imperdível Ken Rockwell.

Divirtam-se.

ZM

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Habitar Portugal 2003/ 2005

>> segunda-feira, novembro 06, 2006



Está patente no CCB a exposição Habitar Portugal 2003/ 2005
"A exposição propõe uma síntese do universo da arquitectura portuguesa: da pequena à grande intervenção, da habitação unifamiliar ao complexo residencial colectivo, do espaço privado ao público. Dá-se a conhecer 77 obras de arquitectos portugueses, construídas em Portugal (essencialmente na região Centro) e no estrangeiro (em Macau, Canadá, Inglaterra, Alemanha, Áustria e Bélgica), entre 2003 e 2005. A selecção dos projectos é da responsabilidade de um conjunto de

personalidades do mundo da arquitectura. Foi processada a nível regional, possibilitando identificar as diferentes realidades arquitectónicas do nosso país. Estão representadas, entre outras, obras dos arquitectos Álvaro Siza e Gonçalo Byrne, Eduardo Souto Moura, Manuel Graça Dias e José Egas Vieira, e Nuno Brandão Costa."


Eu estava à espera de melhor. Podia haver mais maquetes ou outras formas de apresentar os projectos, mas vale a pena passar por lá.

A maquete que se apresenta aqui é da Casa das Mudas, de que já falei noutro post.

Até 10 de Dezembro, se for caso disso, passem por lá.

Podem ver outra crítica (bastante mais crítica) a este mesmo evento no Despropósito (obrigado pela correcção António).

ZM

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Bruno Carvalho

>> quinta-feira, novembro 02, 2006

http://www.adesnivel.pt/
http://www.viagensverticais.blogspot.com/
http://sic.sapo.pt/online/blogs/shishapangma/

Uma notícia triste para a comunidade da montanha em Portugal.

ZM

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