Há um pequeno bar, algures na costa, entre a Ericeira e Peniche, que se vem tornando um lugar de culto de uma (felizmente ainda) pequena confraria, que lá se delicia com as melhores batatas fritas do mundo, um peixe de que me falaram maravilhas e uma paz que já começa a ser difícil de encontrar no nosso litoral, sobretudo em Agosto.
A primeira visita é um ritual iniciático, só sendo franqueada a entrada a quem se fizer acompanhar de um veterano, coisa que eu próprio ainda não sou, pelo que não posso revelar o local exacto deste paraíso. Aqui ficam algumas imagens, que dão bem conta da beleza do local, particularmente naquela hora mágica em que o Sol mergulha no mar, mesmo em frente dos nosso olhos.



Quem esperasse uma decoração tipo "Aqui há peixe", vai ficar desiludido. Aqui impera o barato, do aspecto à conta, passando pela mobília. O Lourenço não se importou de aviar o seu biberão das 20:00h à mesa da tasca.

Comemos diversas carnes grelhadas, porque à segunda-feira não há peixe (ao contrário do outro). Tudo acompanhado das tais batatas fritas que não podem ser deste mundo. Vêm para a mesa bem quentes, mas secas e apenas ligeiramente estaladiças, no grau de compromisso ideal entre aquelas que parecem cozidas (e encharcadas em óleo) e as outras que nos cortam o céu-da-boca quando as mordemos. Têm aquele gosto a sal que só tinham as batatas da minha avó, embora o sal propriamente dito não se veja. Quem lá vá e coma apenas batatas fritas, empurradas com sagres geladinhas já não dará a diáspora por perdida.

O ambiente é o que as imagens documentam. Não há electricidade, por isso a embirrante e omnipresente televisão não tem lugar. Quando o Sol se deita, aparecem os candeeiros a gás, que dão uma luz quente e agradável. Dá vontade de ficar ali muito tempo.

Mesmo antes de vir embora, tivemos a última surpresa da noite. Tínhamos comido e bebido até fartar, desde pão e azeitonas até ao arroz doce e café (neste caso solúvel por falta de corrente eléctrica), passando pelas grelhadas de todo o tipo e pelas batatas fritas do Olimpo, tudo isto com o mar à frente. Quando a conta aterrou na mesa, julguei que se tinha enganado no aeroporto, mas não, aquela era a nossa conta. Nada mais, nada menos que 8.50€ por pessoa.
Ficam sem saber ao certo onde é esta maravilha, mas pelo menos já sabem que existe. Se procurarem bem, certamente merecerão encontrá-la.
Se for caso disso, passem por lá, mas não digam a ninguém onde fica…
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