Simpática tertúlia

>> terça-feira, setembro 12, 2006

No Sábado passado, uma curiosa coincidência reuniu em minha casa o Pedro das Azenhas (agora de Nafarros) e a mulher, a minha vizinha Paula e o Martinho Pimentel (bisneto do Raúl Lino, com quem jantámos em Janeiro deste ano). Conversa puxa conversa, acabámos por ir fazer uma visita guiada à Casa Branca, uma casa de 1920, na falésia a Norte das Azenhas do Mar, também da autoria de Raúl Lino.
Aqui ficam algumas imagens que consegui registar apesar da escassa luz.



Como a companhia estava mais agradável que a temperatura, fomos aquecer-nos um bocadinho ao Branco Puro, no largo das Azenhas. Finalmente o Martinho convidou toda a gente para jantar lá em casa (na do Cipreste). O pessoal, pouco habituado a tanta simpatia, ficou tudo a olhar uns para os outros, ao que eu (o descarado do costume) disse que por mim tudo bem. E assim fomos continuar a tertúlia lá em casa até de madrugada.
Voltámos a jantar iluminados por velas, com um cenário magnífico nas janelas, envoltos na magia daquela casa com quase um século de existência. Há uma vibração naquelas paredes que ultrapassa o que estamos habituados a compreender. Ter juntado um grupo de pessoas tão agradável à volta daquela mesa cheia de boa energia foi um privilégio que é difícil de esquecer.
Aqui ficam algumas fotos do evento.





Obrigado Martinho. Obrigado a todos os companheiros de tertúlia, embora a Madalena pudesse ter-se portado melhor :-)

ZM

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Um diamante atlântico

>> segunda-feira, setembro 11, 2006

Deu recentemente à estampa o terceiro livro de arquitectura das edições FG+SG, ou seja Fernando Guerra e Sérgio Guerra. Desta vez o protagonista é o fabuloso e premiadíssimo projecto Centro das Artes | Casa das Mudas, do arquitecto Paulo David, na Calheta, Madeira.
A minha apreciação sobre este projecto, infelizmente assenta exclusivamente nas fotografias do Fernando Guerra, uma vez que não tive ainda a sorte de o visitar ao vivo. Posso-vos dizer que assim que tiver oportunidade voarei para a Madeira com o objectivo prioritário de correr à Calheta e babar-me de contemplação.

Este edifício parece ter estado sempre ali, como se fosse fruto de uma erosão genial que o lapidou no rochedo. Parece ser ele próprio feito em rocha, com uma tal perfeição na harmonia dos volumes que o constituem que me é impossível imaginar o que lá estava antes dele. Uma das obras de arte que faz parte da exposição permanente deste Centro é o horizonte e o mar, servido em diversas molduras/vãos criteriosamente estudadas para se assemelharem a pinturas.
Parece tratar-se de um volumoso bloco de rocha, de onde foram vazados caminhos de circulação e rampas – talvez uma herança das famosas levadas que serpenteiam no interior da ilha – criando recantos simultaneamente acolhedores e abertos para o mar, onde deve apetecer ficar eternamente com os olhos postos no horizonte atlântico.

O livro retrata um dia passado no Centro, do nascer do Sol ao anoitecer. Contém textos de diversos autores, nomeadamente o próprio Fernando Guerra, Alexandre Melo, Ana Vaz Milheiro e José Mateus. É um pequeno livro (cerca de 13 por 18 cm, que é ligeiramente inferior ao A5), de resto exactamente igual aos outros 2 da mesma colecção (Centro de Espiritualidade do Turcifal e Conservatório Regional de Música de Vila Real), desta vez com as fotografias num papel mais baço do que as anteriores, o que lhes dá um aspecto mais real e cores provavelmente mais fieis.
Existe no final um pequeno dossier com a ficha técnica do projecto, plantas e cortes, que permite compreender bastante bem a distribuição dos diversos espaços.

As fotografias do Fernando Guerra têm sempre muito céu e forte presença humana. O céu dá-lhes luz e fá-las respirar. As pessoas conferem escala e vida aos projectos. Muitas vezes movimentam-se enquanto a foto é registada, tornando-se uns borrões humanóides que acrescentam alma às imagens. Neste livro há um novo elemento muito forte: o mar. Vamos passando as folhas e cola-se-nos à pele dos dedos o cheiro da maresia.

Percorrer estas pequenas páginas dá-me vontade de apanhar o primeiro avião para a Madeira, aterrar na Calheta e sentar-me num daqueles bancos, frente ao Oceano até me saciar do horizonte ou até me diluir na poalha das ondas, tornando-me eu próprio uma das sombras que habitam a lente deste talentoso fotógrafo.

Finalmente, o livro poderá ser adquirido no site http://www.ultimasreportagens.com/loja/
O preço é uma agradável surpresa: 12 € com os portes incluídos.

O primeiro livro desta colecção já esgotou, pelo que é melhor apressarem-se.

Se for caso disso passem por lá e depois digam-me qualquer coisa.

ZM

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Pelos ares

>> terça-feira, agosto 29, 2006

O que segurará, na ponta da linha, esta atenta e concentrada controladora?






















Adivinharam, é o seu novo papagaio de papel (actualmente é mais de nylon).

Lembro-me dos primeiros papagaios que fiz, há muitos anos, com finas canas cuidadosamente cortadas a meio, no sentido longitudinal, que faziam a estrutura para um losango de plástico ou papel transparente e que precisavam sempre de uma longa cauda para não andarem às voltas como um pássaro atingido numa asa.

Estes modelos modernos são mais fáceis de pilotar e de lançar. Basta um sopro constante e é só deixá-los ir. Já não é preciso correr pelos campos tentando que o bicho suba nos ares até se fixar nas camadas de ar mais altas e menos turbulentas.

Parece-me contudo que é o tipo de brinquedo que fascina mais os pais do que os garotos. Talvez por ter sentido a dificuldade de pilotar os velhos papagaios pesados de papel e cana, acho fascinante a simplicidade com que conseguimos elevar nos céus uma "máquina" tão bonita e colorida.
Não faltou a pergunta inevitável:
- E se eu fosse lá no papagaio?
Acho que é uma ideia que nos passa a todos pela cabeça.

O Arrumário está de férias, mas talvez vá dando notícias como esta de vez em quando.

ZM

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Ria Formosa II

>> terça-feira, agosto 22, 2006

Mais algumas imagens do aldeamento de Pedras D'El Rei, praia do Barril e Tavira.

Este é o comboiozinho que leva as pessoas até à praia, depois de se ter atravessado a pé uma divertida ponte por cima da ria, que faz lembrar as pontes himalaia.

Esta é a Praia do Barril, num dia em que o céu esteve cinematográfico.


Quem no Algarve não repare nas chaminés, é melhor trocar de óculos.



Não podia deixar de dar alguma atenção à arquitectura local. Esta última foto é em Tavira propriamente dita.

Se ainda tiverem férias, aproveitem as promoções fim de estação dos aldeamentos aqui da zona.

ZM

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Ria Formosa - I

>> segunda-feira, agosto 21, 2006

Passei o fim-de-semana com os pés de molho na Ria Formosa, um local que não conhecia. Estive alojado perto de Pedras D'El Rei, fomos à praia do Barril e percorri uma parte da Ria mesmo junto à água. Para já deixo aqui uma série de fotos que me deram um gozo particular a fazer. Fiquei encantado com o ambiente do local. Só lamento as toneladas de lixo que cobrem toda a margem.










ZM

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Domingo na Serra

>> sexta-feira, agosto 18, 2006

Domingo passado andei por Sintra. Primeiro fui ao Penedo da Amizade. De regresso à Vila registei esta foto:

Depois fomos às compras a Almoçageme. Para comprar legumes e fruta de qualidade, ao Domingo, nada melhor que uma visita ao Senhor Dias, bem no centro da aldeia.

Enquanto tomava conta do Lourenço, à porta do Sr. Dias, tirei-lhe mais 2 fotos.



Já à noite abrimos uma garrafa que estava lá em casa a estragar-se, de um tinto de origem caseira, feito na Atalaia, a quinta dos pais da Sara.

Deve ter sido um excelente vinho caseiro, mas provavelmente a rolha não era grande coisa e sabia mais a rolha e a fumo do que a vinho propriamente dito. No entanto fiquei com a sensação que se tivesse sido consumido a tempo talvez fosse um belíssimo tinto alentejano. Pode ser que volte a provar outro exemplar mais bem conservado. Aqui fica o nosso obrigado à Sara e Companhia.

Se precisarem de mão de obra para a próxima vindima, podem contar com a nossa força braçal. O pagamento poderá ser feito em garrafinhas :-)

Bom fim-de-semana.

ZM

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A Confraria da batata frita

>> quarta-feira, agosto 16, 2006

Há um pequeno bar, algures na costa, entre a Ericeira e Peniche, que se vem tornando um lugar de culto de uma (felizmente ainda) pequena confraria, que lá se delicia com as melhores batatas fritas do mundo, um peixe de que me falaram maravilhas e uma paz que já começa a ser difícil de encontrar no nosso litoral, sobretudo em Agosto.
A primeira visita é um ritual iniciático, só sendo franqueada a entrada a quem se fizer acompanhar de um veterano, coisa que eu próprio ainda não sou, pelo que não posso revelar o local exacto deste paraíso. Aqui ficam algumas imagens, que dão bem conta da beleza do local, particularmente naquela hora mágica em que o Sol mergulha no mar, mesmo em frente dos nosso olhos.



Quem esperasse uma decoração tipo "Aqui há peixe", vai ficar desiludido. Aqui impera o barato, do aspecto à conta, passando pela mobília. O Lourenço não se importou de aviar o seu biberão das 20:00h à mesa da tasca.

Comemos diversas carnes grelhadas, porque à segunda-feira não há peixe (ao contrário do outro). Tudo acompanhado das tais batatas fritas que não podem ser deste mundo. Vêm para a mesa bem quentes, mas secas e apenas ligeiramente estaladiças, no grau de compromisso ideal entre aquelas que parecem cozidas (e encharcadas em óleo) e as outras que nos cortam o céu-da-boca quando as mordemos. Têm aquele gosto a sal que só tinham as batatas da minha avó, embora o sal propriamente dito não se veja. Quem lá vá e coma apenas batatas fritas, empurradas com sagres geladinhas já não dará a diáspora por perdida.

O ambiente é o que as imagens documentam. Não há electricidade, por isso a embirrante e omnipresente televisão não tem lugar. Quando o Sol se deita, aparecem os candeeiros a gás, que dão uma luz quente e agradável. Dá vontade de ficar ali muito tempo.

Mesmo antes de vir embora, tivemos a última surpresa da noite. Tínhamos comido e bebido até fartar, desde pão e azeitonas até ao arroz doce e café (neste caso solúvel por falta de corrente eléctrica), passando pelas grelhadas de todo o tipo e pelas batatas fritas do Olimpo, tudo isto com o mar à frente. Quando a conta aterrou na mesa, julguei que se tinha enganado no aeroporto, mas não, aquela era a nossa conta. Nada mais, nada menos que 8.50€ por pessoa.

Ficam sem saber ao certo onde é esta maravilha, mas pelo menos já sabem que existe. Se procurarem bem, certamente merecerão encontrá-la.

Se for caso disso, passem por lá, mas não digam a ninguém onde fica…

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O futuro está já aí

>> quarta-feira, agosto 09, 2006

Finalmente apareceu a tão esperada Nikon D80. A grande novidade, para além dos inúmeros melhoramentos relativamente à mana mais velha D70s, é o facto de suportar praticamente qualquer lente Nikon existente.

Como faço anos em Novembro, fica desde já aqui a sugestão :-)
ZM

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O dia da Vespa

>> terça-feira, agosto 08, 2006

No Domingo fomos escalar a Montejunto Novo.
Com o calor que estava, nada como ir escalar para o frigorífico nacional. Mesmo assim, a coisa não estava para graças.

Marisa a por a corda no top d'"O Regresso dos Dementes" - um dos meus próximos objectivos.
Trouxe para aqui duas fotos que tirei do blog da tia Marisa, representativas do que por lá se fez. Só faltava um close-up de uma das inúmeras vespas que passaram o dia a tentar afiambrar-nos. Quando já nos preparávamos para voltar ao carro, uma delas finalmente conseguiu, tendo ferrado no sovaco (?) da Raquel. Felizmente a reacção não foi das piores e 1 hora depois já não se passava nada.

Quem esteve pouco confortável com o calor foi o Lourenço, que passou grande parte do dia a choramingar.
Quanto às vespas, aínda tivémos oportunidade de ver passar um desfile delas lá em baixo na estrada, mas desta vez, a motor e com condutor de capacete.
Já em casa, pela hora do jantar, preparávamo-nos para saborear umas deliciosas postas de bacalhau assado, com poejo do meu quintal, quando fomos de novo atacados por uma vespa das que voam e picam. Como já tinhamos tido uma má experiência fomos para dentro de casa e jantámos com o Dum-dum encostado à travessa.
Entretanto, no regresso a casa, um objecto pequeno e contundente bateu-nos no vidro do Kangoo, partindo-o de imediato. Estou cá desconfiado que era uma vespa equipada com uma ogiva nuclear!
Raios partam as vespas.
ZM

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Minto até ao dizer que minto

>> segunda-feira, agosto 07, 2006

A revista Visão está a promover um conjunto de 4 pequenos livros, sendo que o último que saíu (a 4 de Agosto) é de um autor por quem tenho uma profunda admiração: José Luís Peixoto.

Comprei-o há bocadinho, por isso ainda não tive tempo de o terminar (é tão pequeno que não levará mais de 30 minutos a ser devorado), mas o que já li deixou-me um alegre sorriso nos lábios. Desta vez JLP entra no registo do humor e da ironía, com a qualidade a que nos habituou.
Um pequeno exemplo:
"Os autocarros a passarem vazios nas ruas - os motores dos autocarros vazios fazem um som completamente diferente do que quando vão carregados de pessoas maldispostas."

"O taxista inclinava-se todo na direcção do espelho retrovisor para olhar para trás, e olhava para mim, e sorria debaixo do bigode. No seu rosto, era como se fôssemos companheiros de roulotte e bebêssemos cervejas pela garrafa e mastigássemos uma bifana. Era como se estivéssemos juntos no mecânico, no barbeiro, coçássemos as partes por cima das calças e palitássemos os dentes com beijinhos. Era como se disséssemos as gajas."

O preço, uma agradável surpresa: 3.70€.
Corram às bancas, que aínda lá encontram muitos.
Um delícia.
ZM

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Um projecto apaixonante

>> segunda-feira, julho 31, 2006

Já lá tinha passado muitas vezes e ficava sempre com o olhar preso no alçado que dá para a estrada. Um alçado branco, quase cego, assente numa cota mais baixa do que a estrada, com um único pequeno vão, discreto, talvez incomodado pela diferença abissal para as casas vizinhas.
Fiquei muitas vezes agarrado pelo pequeno filme que via do lado da estrada, o lado nascente: os outros alçados – norte e sul – passavam num flash, deixando entrever uma pequena piscina do lado poente, uma sugestão de vista desafogada, uma espécie de olhar de águia sobre o cabo mais ocidental da Europa continental, de resto um bloco branco, de linhas ortogonais, de costas para mim, provavelmente aberto para poente. Há muito que tencionava ir ver aquela habitação do outro lado, mas nunca me tinha disposto a encontrá-la.
Ontem, deslocando-me de mota, decidi investir na busca do outro lado da casa. Tomei como referência um velho moinho de vento, já sem pás, e acabei por encontrar a entrada da casa, no lado poente, totalmente virada para a Roca.
Parei a mota, peguei na máquina fotográfica e registei esta imagem. Estava siderado pela beleza e pela simplicidade do projecto.

Quando baixei a máquina, dei de caras com um indivíduo no quintal da casa, que me olhava interrogativo. Fui apanhado com a máquina na mão…
Com um ar comprometido pedi desculpa ao senhor e disse que estava a fotografar apenas porque me interesso por arquitectura e achava aquele projecto magnífico. Ele convidou-me de imediato a subir ao plano da piscina e ver a casa mais de perto. Eu perguntei de quem era o projecto e ele disse, como se isso fosse evidente, que era dele:
- Sou arquitecto, fui eu quem desenhou a casa.
Eu perguntei o seu nome e ele disse Alberto de Souza Oliveira. Não me acordou nenhuma referência na memória.
Só mais tarde viria a perceber com quem tinha estado a falar. Confesso que por qualquer razão que me escapa, nunca tinha tropeçado naquele nome de forma a decorá-lo, mas trata-se de um conhecidíssimo arquitecto, com bastante obra pela cidade de Lisboa e outros locais do país, que tem trabalhado muito com um dos mais sonantes nomes da arquitectura nacional, Manuel Aires Mateus, e que faz parte do conjunto de arquitectos escolhido para o empreendimento Vila Utopia, em Carnaxide. Tanto quanto consegui investigar é professor na universidade Lusíada.
Levou-me a ver toda a casa, por dentro e por fora, numa visita demasiado rápida para apreciar tanta beleza. Foi justificando as opções com comentários do tipo: a minha mulher gostou muito da vista, a minha mulher gosta da cozinha assim e da decoração assado, como se as escolhas não tivessem sido suas de facto. Fiquei esmagado pela qualidade e gosto do projecto. Faz recurso aos pátios interiores, um conceito tão caro aos irmãos Mateus e actualmente muito explorado pelos arquitectos portugueses. Se nalguns casos isso me levanta reservas por questões térmicas e por apreciar vistas abertas, neste caso as escolhas pareceram-me criteriosamente acertadas.

O terreno é um lote delimitado a nascente por uma estrada muito movimentada ao fim-de-semana e a Sul e a Norte por casinhas português-suave, cor de rosa e cheias de telhados. A forma como esta casa consegue virar-se para poente, fechando as vistas quase exclusivamente para o mar, mas alimentando outros vãos com a luz dos pátios interiores é absolutamente genial. O pátio do alçado Sul, que ilumina a cozinha e um pequeno espaço de refeições, é fechado por uma parede suspensa, que parece lá estar exclusivamente para emoldurar a vista para o próprio jardim, escondendo a fealdade da casa vizinha.
No alçado Norte há também um recorte para onde dão alguns vãos: um grande vão na parte de trás da sala, que tem uma pesada portada branca de correr, e o do quarto das visitas, que de outra forma teria que ter uma janela para Norte, onde uma vez mais a vizinhança não teve grande gosto.
A escada que leva ao andar de cima desemboca num estreito corredor cujo fundo é apenas um vão de vidro, um recorte vertical da terra agreste daquela zona, um pequeno pedaço de horizonte e muito céu por cima. Imagino que percorrer aquele pequeno corredor seja um prazer intenso para a vista, alargando-se o campo à medida que nos aproximamos do vidro. É bom que não possa abrir-se ou correríamos o risco de querermos atirar-nos lá de cima. Este vidro vê-se na imagem. É o estreito recorte de vidro entre os desafogados vãos dos quartos que dão para poente.
Já comentei várias vezes que gosto de casas de banho com janela. Faz-me confusão a quantidade de projectos em que isso poderia ter sido conseguido com apenas um pequeno esforço, mas parece que não se valoriza essa possibilidade. Pois neste caso, de uma casa para habitação do autor, todas as casas de banho têm janela.

Tenho pena de não ter podido estar mais tempo a sentir os espaços, a perceber a luz e o fluxo das pessoas. É uma casa magnífica, como são quase sempre que o arquitecto é muito bom e é simultaneamente o cliente e o fornecedor.
Nas partes mais recuadas da casa conseguiu-se um controlo da luz que me pareceu muito eficaz e – diria – romântico. Os espaços têm luz, mas não se deixam ver. Fez-me pensar no tal conceito de penumbra, de que Álvaro Siza tanto gosta. Costumo ser um fervoroso adepto da luz e da vista, mas neste projecto percebi o quanto pode ser confortável ter a luz distribuída pela casa inundando as zonas mais sociais e controlando-a nas zonas mais privadas.
Foi um caso de amor à primeira vista. Não a consigo tirar da cabeça. Imagino o correr do dia e a dança da luz naqueles pátios. Imagino o privilégio que deve ser aquele voo de rapina sobre o cabo enquanto o sol mergulha doirado no horizonte atlântico. Imagino um livro lido naquelas cadeiras, com as portadas todas abertas, num cálido final de tarde. Imagino o silêncio de uma noite de Inverno, escura, chuvosa e fria. Um imenso breu entre as varandas e as luzes da Roca, o fogo a arder na sala, juntando a luz das chamas à dança caótica dos faróis dos carros na estrada, a espaços. Imagino o cheiro das torradas e do café, numa manhã de primavera, com a cozinha inundada de luz reflectida pela explosão das flores no pátio Sul.
Uma das coisas que me angustia na arquitectura é a dificuldade em apreciar condignamente o objecto que nos desperta paixão. Muitas vezes apenas o vemos de longe. Noutros casos temos o privilégio de conseguir tocar-lhe. Raramente conseguimos saciar-nos.

ZM

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Friedrichshafen

>> sexta-feira, julho 28, 2006

Na última semana fui a uma feira de equipamento de Outdoor, em Friedrichshafen, na Alemanha. Como o nosso budget era reduzido, decidimos empreender a viagem de carro.
Julgo que terá sido a mais longa viagem que fiz de carro em toda a vida. Fiquei impressionado com a diversidade de nacionalidades que se encontram a circular pela Europa. Da Moldávia a Portugal, da Eslováquia à Dinamarca, vimos matriculas de quase todos os países europeus.

O primeiro lugar onde parámos para dormir foi S. Sebastian. É uma cidade magnífica da qual tenciono falar noutra ocasião.

Estas imagens são de Friedrichshafen propriamente dita.


Os gloriosos malucos das máquinas voadoras.



Já no regresso, parámos em França, junto a este edifício, que achei bem fotogénico a esta hora.



Boas férias aos que já as estão a gozar ou que vão partir em breve.

ZM

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