A Casa do Guarda - Manuel Graça Dias

>> terça-feira, junho 27, 2006



Já uma vez falei do pequeno apartamento que Manuel Graça Dias projectou para Julião Sarmento, numa quinta que entretanto já não pertence ao pintor.
Aqui fica uma foto de um dos ângulos em que este edifício se deixa entrever entre a vegetação. Quando tiver outras fotos, apresento-as aqui.
É um edifício intrigante e apaixonante, que adoraria conhecer em detalhe. Se fosse conhecido, seria um icone da arquitectura de Graça Dias.

ZM

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Aniversário


Ontem fizémos 7 anos de casados. Até agora não me arrependi :-)

As flores estão à janela, a iluminar a cozinha. Foi um aniversário especial, entre choros e biberões, com metade da casa em obras. Comemos pizza congelada, mas soube a lavagante no Porto de Santa Maria.
Um beijo especial à minha cara-metade, que tem uma pachorra de santa para aturar as minhas idiossincrasias.
ZM

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Arquitectura & Vida

>> quinta-feira, junho 22, 2006

O número deste mês da revista Arquitectura e Vida tem 2 momentos notáveis:

Casa no Magoito - estou farto de a procurar e nunca a encontrei - imagino que seja uma coisa fantástica.
Casa no Magoito - estou farto de a procurar e nunca a encontrei - imagino que seja uma coisa fantástica.Maquete de moradia para o resort do Bom Sucesso, em Óbidos (do melhor que por lá vai haver).
Uma entrevista com Inês Lobo, de quem eu já tinha falado aqui. Continuo a achar que esta arquitecta é do melhor que temos por cá. As fotos que apresento são do site http://www.ilobo.pt/. Se alguém se importar, avisem que eu retiro as imagens.


Uma extensa apresentação do fabuloso Cine-Teatro do Cartaxo, agora elevado à categoria de Centro Cultural (do qual também já por cá falei), ilustrado com fotografias de Fernando Guerra, a quem desde já peço desculpa por ter roubado estas duas para colocar aqui. Um projecto magnífico, descrito por boa pena e ilustrado pela melhor lente que conheço.

Só por estes 2 momentos, este número já vale totalmente o preço.

Corram às bancas, que não se arrependem.

ZM

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Regaleira

>> terça-feira, junho 20, 2006

O Lourenço já foi conhecer a Regaleira. Foi com a mana e a prima. Eu diria que adorou.

Os 3 primos.

Um símbolo de fertilidade. Atrás desta fonte há uma saída intermédia do poço iniciático.

A saída para a luz, após a cerimónia de iniciação que é a descida do poço. O Lourenço deu a volta. Fica com a iniciação adiada para quando conseguir andar pelo seu pé.

A vista do Penedo da Amizade e do Castelo dos Mouros a partir da Regaleira.

Eu bem disse há dias que não me consigo cansar desta terra.

ZM

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Chocalhaste, bruto?

>> segunda-feira, junho 19, 2006

Quando eu era pequeno, contava-se lá em casa a história de um determinado aristocrata que tinha, certo dia, convidados de cerimónia em casa e decidiu abrir um daqueles vinhos excepcionais, envelhecido ao longo de muitos anos na cave da sua mansão.
Já depois de ter dado instruções ao mordomo para o ir buscar, lembrou-se que não tinha dado indicação expressa para que a garrafa não fosse agitada, para que o vinho pudesse ser decantado, como manda a etiqueta. Sabendo que o mordomo não era muito certo, esperou que ele regressasse com a garrafa e perguntou-lhe muito aflito, assim que ele entrou na sala:
- Chocalhaste, bruto?
O mordomo, também com alguma aflição, começa a agitar vigorosamente a garrafa e diz:
- Não, mas chocalho agora!

A que propósito vem esta história dos meus tempos de infância?

Por motivos que não vêm ao caso, o Lourenço alimenta-se a biberão. Como muita gente que conheço, temos os biberões prontos, com a dose necessária de água fervida no seu interior e, quando chega a hora, colocamos lá dentro o pó do leite e chocalhamos vigorosamente, como o bruto do mordomo.
Um destes dias, recebemos a visita de uma química, directora de qualidade de uma multinacional do sector farmacêutico, que nos perguntou, já não sei a que propósito como é que dissolvíamos o leite na água dos biberões.
Após termos descrito o processo utilizado (uma espécie de milk shake infantil), ela disse que não devíamos fazer isso de maneira nenhuma porque isso causava imensas cólicas à criança. A espuma gerada por este processo introduz demasiado ar no estômago do bebé, com todos os efeitos negativos que daí advêm.
Recomendou-nos que agitássemos o biberão em movimentos circulares, dissolvendo cada medida de pó, sem provocar espuma. Foi o que passámos a fazer.

A verdade é que o método parece resultar. Notámos de imediato uma grande redução na frequência dos choros provocados por cólicas. Este é provavelmente o ovo de Colombo dos biberões de recém-nascido.
Foi preciso falarmos com uma mulher que, além de mãe, é também química de formação para chegarmos a esta conclusão.

É por isso que eu digo sempre que as mulheres são mais inteligentes que os homens. Provavelmente são igualmente inteligentes, mas têm uma experiência que torna o conhecimento mais útil.

Um grande obrigado a esta mãe tão conhecedora dos meandros da química e da maternidade.

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Mais uma de Jorge Palma

>> segunda-feira, junho 12, 2006

Uma das melhores cantigas do grande Jorge Palma:

Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?

Quando o teu cheiro me leva às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão do deslumbre?

As redes são passageiras arquitecturas da fuga
De toda a água que corre, de todo o vento que passa
Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho mais uma ruga

Quando o tecto se escancara e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela
Por favor, diz-me que és alguém, de novo?

Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?

Jorge Palma


Para quem se propunha a postar pouco por falta de disponibilidade, ando aceleradíssimo.

Mais uma vez, boa semana.
ZM

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O primeiro passeio

O Lourenço foi ontem dar o primeiro passeio. O dia estava excelente e todos estavamos a precisar de espairecer.
Há alguns lugares em Portugal dos quais não consigo cansar-me por mais que lá vá: Sintra (onde vivo), Castelo de Vide e Óbidos por exemplo. Desta vez, por imperativos de logistica, seleccionamos Óbidos.

Nesta altura do ano é um lugar magnífico. A cor das buganvílias e dos Jacarandás enche o olhar de alegria.

Felizmente o moço é tranquilo, o que nos permitiu almoçar descansadamente numa esplanada, para esquecer de vez o cheiro dos hospitais.


Uma aldraba curiosa.

A Rainha Santa, dentro de uma redoma. São rosas senhor...

Terminámos a volta na Lagoa de Óbidos.


Esta semana só tem sextas-feiras. Para quem não está de férias, uma boa semana de trabalho :-)

ZM

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Escalada

>> domingo, junho 11, 2006

Não tenho escalado muito ultimamente, pelo que os posts sobre essa matéria andam arredados do Arrumário.
Para reconquistar parte da minha audiência, aqui ficam 2 imagens que fiz no último fim-de-semana e ontem, durante um curso de iniciação que temos estado a dar.
Esta foi tirada de dentro da chaminé do Penedo da Amizade e faz-me lembrar uma gárgula, uma gárgula de granito aínda no seu habitat natural, antes de ser capturada para colocar num telhado.


Aqui vemos a Sofia, em Montejunto Novo, a chegar ao topo de uma via.
Este foi um dos melhores cursos que demos desde sempre, com alunos inteligentes, interessados, motivados e bem-dispostos. Pode parecer estranho mas estas características já não são assim tão comuns nos tempos que correm. Ter grupos destes numa formação é muito motivante.


Num periodo conturbado, em que saír de casa é sempre um sacrifício, foi muito importante ter a "obrigação" de estar com um grupo tão divertido. Apanhar ar, para mim é vital e esta desculpa veio mesmo a calhar.

ZM

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Lourenço

>> segunda-feira, junho 05, 2006

O prolongado congelamento do Arrumário, como muitos já desconfiavam, prende-se com o nascimento do Lourenço, mano da Madalena que deu nome ao blog.
Aqui fica uma foto tirada escassas horas após o parto.


Nasceu no dia 26 de Maio de 2006, o que é curioso porque a Madalena nasceu a 22 de Agosto de 2002.

Os dias que se seguiram foram tão intensos, tão plenos de sensações boas e más, que precisava de um blog todo inteiro para falar desse assunto. Hoje sinto que houve aqui um virar de página, não sei como é que isso se vai reflectir no blog. Não esperem posts muito regulares nos próximos tempos.

Se tiverem paciência para virem cá bater com o nariz na porta, vão passando por cá.

ZM

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Kangchenjunga

>> terça-feira, maio 23, 2006



Kangchenjunga

Joao Garcia + Ivan Vallejo: SUMMIT

Portuguese Joao Garcia and Ecuadorian Ivan Vallejo summited Kangchenjunga earlier today. They are currently resting in C4, planning to get back to BC tomorrow. Read more in a previous story on MountEverest.net.


O João Garcia já tem mais um 8.000 no currículo. Podem ver mais pormenores em:
http://www.mounteverest.net
ou no site do Millennium.

PS: Mais um site sobre a expedição do Garcia: http://sic.sapo.pt/online/blogs/joaogarcia/
Pode-se lá ler:
”é por um lado uma grande solidão, mas por outro lado um grande privilégio, quando tentar o Kangchenjunga, estar sozinho na montanha. Tenho algum medo, algum respeito, mas é uma tarefa possível, e se não acreditarmos nos nossos sonhos, não sei o que poderemos fazer na vida!...”

ZM

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A Sombra do Vento

>> sexta-feira, maio 19, 2006

Acabo de ler um livro fabuloso.
Chama-se A Sombra do Vento, fala de livros, e passa-se na Barcelona da primeira metade do século XX, atravessando a guerra civil de Espanha e a Segunda Guerra Mundial.
A páginas tantas (397, na minha edição) diz:

"Bea diz que a arte de ler está a morrer muito lentamente, que é um ritual íntimo, que um livro é um espelho e que só podemos encontrar nele o que já temos dentro, que ao ler aplicamos a mente e a alma, e que estes são bens cada dia mais escassos."

Imperdível.

Bom fim-de-semana.

ZM

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Añisclo

>> segunda-feira, maio 15, 2006

Os dois espanhois com quem partilhámos a estadia no refúgio de Goriz, para ascender ao Monte Perdido não eram propriamente o cúmulo da simpatia, mas sempre conversámos alguma coisa. Falaram-nos numa garganta que se encontra ali "perto", que é a garganta do Añisclo (o nome de um dos vizinhos do Monte Perdido). Quando estive no cume, tirei-lhe uma foto.

No dia seguinte, para descansarmos um pouco as pernas, fomos dar uma vista de olhos a esta garganta.
Existe um percurso que percorre todo o interior da garganta, até um local chamado Fuen Blanca, onde também há um refúgio, mas demora-se cerca de 6 horas a chegar lá! De resto é um caminho possível para chegar ao Collado de Añisclo e daí ao Monte Perdido. Nós fizemos apenas um pequeno percurso circular, que dá para ter uma ideia do aspecto desta garganta. O pouco que vimos deixou-me água na boca para um dia desses ir lá percorrer todo o caminho.

Passam-se inúmeras pontes sobre fundos desfiladeiros e torrentes de água do degelo. O som da água está sempre presente, transmitindo simultaneamente força e serenidade.

Deve ser uma excursão fantástica ligar esta garganta a qualquer um dos outros percursos que levam ao Monte Perdido, coração do Parque Nacional.



Saímos deste pequeno percurso cheios de fome, mas não nos apetecia afastar muito daquele paraíso em busca de alimento, pelo que entrámos numa pequena aldeia vizinha, chamada Nerín. Não encontrámos lá alimento para o corpo, mas encontrámos para o espírito.
Deambulámos um pouco pela aldeia e demos com um atelier de construção de colheres de pau, cujo artesão nos recebeu com grande simpatia e simplicidade. As colheres e os outros objectos são feitos de boj (em inglês boxwood, mas não sei ainda que madeira é esta).

Ambos comprámos um exemplar para trazer de recordação. Depois de termos dito que éramos portugueses, quando já vínhamos a sair, o homem perguntou-nos se conhecíamos Dulce Pontes. Dissemos que sim. Então, com um brilho especial nos olhos pequeninos, estendeu-nos uma mão grossa e calejada, onde se liam num pequeno papel rasgado as palavras Dulce PontesPortugalFado, escritas a lápis. Disse-nos, com um sorriso infantil, que tinha estado a ouvir na rádio que soava dentro da oficina, uma entrevista com ela e que estava encantado com a música e com a cantora.
Me gusta mucho el fado…
Não posso dizer que partilhe os gostos musicais do senhor, mas senti um calor confortável por ver aquele homem, perdido numa aldeia inacessível nos Pirinéus, apaixonado por uma voz portuguesa que o éter fez lá chegar.
ZM

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Steven Holl

Descobri recentemente, no blog Histórias de Casas/, um arquitecto americano absolutamente surpreendente.
Os arquitectos portugueses tendem a seguir-se demasiado. É raro utilizarem materiais diferentes do betão habitual e a esmagadora maioria das casas começa por um paralelepipedo. Por isso me parece importante divulgar estas imagens.
O arquitecto chama-se Steven Holl. Visitem o site, que vale bem a pena.





Passem por lá.
ZM

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La Double Vie de Veronique

>> segunda-feira, maio 08, 2006

Não posso deixar de trazer aqui uma referência a um post amoroso no La Double Vie de Veronique:

"Al lector se le llenaron los ojos de lágrimas,
y una voz cariñosa le susurró al oído:
- Por qué lloras, si todo en ese libro es de mentira?
Y él respondió:
- Lo sé pero loque yo siento es de verdad."
Ángel González, 101+19 = 120 poemas

Eu sou assim, tal e qual. Tanto nos livros como no cinema, emociono-me como se vivesse de verdade o que está na tela ou no papel.
O último filme em que isso me aconteceu foi no Crash (Colisão). Há uma cena, que não vou contar com detalhe, que se passa com uma criança pouco mais velha do que a minha filha. Somos levados a pensar que ela vai ser morta com um tiro, nos braços do pai. É uma cena magistral, tipo Crónica de Uma Morte Anunciada, em que somos conduzidos, com uma tensão crescente, ao momento do tiro. Antes mesmo de acontecer o que quer que fosse, já eu estava encolhido na cadeira, a soluçar como se de facto me tivessem morto a filha. Demorei largos minutos a recuperar daquele momento. Acabei o filme lavado em lágrimas.
Gosto de saber que há mais quem seja deste clube dos choramingas.
Quanto ao Double Vie, já sabem, passem por lá.
ZM

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Monte Perdido - III

>> quinta-feira, maio 04, 2006

No dia seguinte, dia 25 de Abril de 2006, pela fresquinha, tomámos o pequeno almoço, lavámos os dentes com gelo líquido e arrancámos em direcção ao cume, esperando que a temperatura levasse algumas horas a subir.

Esta é a única imagem que tenho do Tiago na neve, porque alguns metros acima ele viría a desistir da subida por fadiga nas pernas. Como eu suspeitara, o excesso do dia anterior, um treino menos intenso e uma motivação menos inflamada acabaram por vencê-lo, deixando-me sozinho numa montanha que não conhecia. Felizmente tinha a outra cordada à minha frente, mas não voltei a vê-los até ao famoso lago gelado onde a ascenção verdadeiramente começa.
Até aqui, passei um longo tempo a colocar um pé à frente do outro enquanto pensava no perigoso troço final. Senti-me verdadeiramente perdido. É nestas alturas que nos damos conta da incrível dimensão das montanhas. Penso sempre nos Himalaistas, como o João Garcia, para quem o que a mim mete medo não passa de uma brincadeira de crianças. Neste desporto, ao contrário do que sucede em quase todos os outros, não podemos desmontar da biciclete ou parar de correr e dizer desisto. Com as mesmas pernas com que subimos teremos que descer e não há quem nos dê garrafas de água ou nos transporte a um hospital em caso de lesão. No caso do Monte Perdido, nem sequer tinha rede de telemóvel. Se me desse uma macacoa, quando dessem pela minha falta talvez já estivesse tão teso como os robalos que tenho ali no congelador.
Para não me perder nos meandros da mente, tentei mantê-la ocupada a contar séries de 100 passos. Quando voltei a dar por isso já estava no Lago Gelado.

Neste ponto, como estava sozinho, decidi libertar-me de todo o lastro que não me faria falta. Deixei a corda, uma estaca de neve e toda a quinquilharia metálica e prossegui. Um pouco adiante, teria que superar a temivel "escupidera" (cuspideira, em português), que é um dos pontos mais negros nas estatísticas de acidentes dos Pirinéus. É um lugar onde não se podem cometer erros. Um simples tropeção, sobretudo quando não estamos encordados, como era o meu caso, tem geralmente consequências mortais.

Entretanto, um dos elementos da outra cordada também desistiu e o outro seguiu igualmente sozinho. Aqui em cima vêmo-lo a passar a "escupidera".

Nesta foto, tirada do mesmo local da anterior, mas para o lado de baixo, vemos o cilindro de Marboré (outro 3000) e uns pontinhos que são o tal moço que desistiu à última da hora e a minha mochila, que eu entretanto também abandonei. É que com cagaço da cuspideira, larguei tudo menos a máquina digital compacta, um piolet e umas barritas de cereais.


Nas duas fotos anteriores, veêm o ar com que cheguei ao cume, depois do que me pareceu um longo periodo de concentração para não cometer erros na cuspideira. Na seguinte já estou mais divertido, mas confesso que só respirei fundo quando voltei a passar aquele temível obstáculo em direcção ao Lago Gelado, que neste caso não passava de uma plataforma de neve. Quando eu aínda me dirigia para o cume do Perdido, passou por mim o outro espanhol, que já vinha de regresso. Fiquei completamente sozinho no cume de uma montanha de 3355m de altitude, mais alta do que tudo o mais que conseguia vislumbrar, com um visibilidade magnífica. Foi a mais intensa das minhas conquistas em montanha. Senti-me verdadeiramente privilegiado. Não fosse o receio de voltar a passar a armadilha da cuspideira e teria ficado ali horas sentado a contemplar aquela paisagem de luxo, dono absoluto daquele horizonte gelado. Algumas marcas na neve indicavam que não eramos os primeiros a lá chegar nos últimos dias, como nos tinha dito o guarda do Goriz, mas é verdade que muito poucos o terão feito e naquele momento, tanto quanto a minha vista alcançava, ninguém pisava uma montanha mais alta do que aquela. Os únicos cumes dos Pirinéus mais elevados do que o Perdido são (como já disse) o Aneto e o Posets, ambos muito distantes dali. O cume do Perdido, coberto de neve, é apenas uma estreita crista, mas olhar o vale de Ordesa e o resto da cadeia lá do alto é a melhor celebração da liberdade que um português poderia ter tido no dia 25 de Abril (como disse o Montanhacima, por SMS, quando lhe disse que o Perdido já estava aviado).

A descida foi feita em passo de corrida. Assim que passei a cuspideira quase corri até ao refúgio. Cheguei esgotado, aos trambolhões sobre a neve já amolecida pelo Sol, mas completamente realizado com o cume que acabara de pisar. Esta sensação cola-se-nos à pele e torna-se um verdadeiro vício.
Já no refúgio, voltámos a colocar tudo na mochila, pagámos a estadia (o jantar foi de uma qualidade fora do normal para este tipo de alojamento. Recomendo vivamente) e iniciámos de novo o percurso de regresso ao carro.

Aqui estão de novo as Clavijas, agora no sentido descendente.

Já no fundo do vale, foi difícil separar-me desta visão encantadora do mais belo cume que pisei até hoje. O Monte Perdido é o da esquerda, o outro é o Añisclo.

Este é o Gallinero, um esporão bem conhecido de quem pratica escalada em rocha.

Aqui vemos o Tozal del Mallo, outro famoso naco de rocha.

Os derradeiros passos de chegada ao carro fizeram-me sentir um escafandrista fora de água. Cada passo já me custava uma tonelada. Subir do refúgio ao cume do Perdido e regressar à Pradera no mesmo dia é um programa exigente.
Nos dias seguintes andei com um andar novo, mas feliz como um puto com um brinquedo novo.
ZM

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