Radar

>> quarta-feira, novembro 23, 2005

Hoje trago mais uma proposta "cultural".
Cá em casa somos viciados em rádio. Mesmo quando não está ninguém em casa, a telefonia toca para os gatos. Só se cala mesmo durante a noite.
Um dos postos favoritos é a TSF, sobretudo por falta de alternativa. Dantes tínhamos a Voxx, mas chegava à nosso zona em péssimas condições e a programação era por vezes tão maçadora como os inúmeros fóruns da TSF.
De há uns tempos a esta parte, começámos a ouvir no carro a Radar. Este posto foi, pouco a pouco, conquistando o seu lugar e há dias descobri que nos nossos vetustos aparelhos de selecção por rodinha e ponteiro conseguíamos apanhar a Radar dentro de casa! De marcador em punho, marquei com muito rigor o alegre lugar do ponteiro, para não voltar a perde-lo.
A Radar é dirigida aos que foram adolescentes (tardios, no meu caso), na década de 80. É uma delícia ouvir na rádio as mesmas músicas que temos nos CD's.
Importante: é em 97.8MHz e emite com potência suficiente para chegar a Sintra em condições.
Se for caso disso, passem por lá e depois digam qualquer coisa.
ZM

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Lisboa inspiradora

>> segunda-feira, novembro 21, 2005

Hoje trago duas pistas que se juntaram neste fim-de-semana:

A primeira é um romance de Robert Wilson, chamado "A companhia de estranhos", que se passa parcialmente em Lisboa e na costa do Estoril, durante o período louco do final da Segunda Grande Guerra. Por vezes faz lembrar a maluqueira que é o "Uma noite em Lisboa" do Erich Maria Remarque. A história decorre em três períodos de tempo distintos, entre 1944 e 1991 e, na parte que se passa em Portugal, percorre a cidade de Lisboa, sobretudo a Estrela e a Lapa, a zona do Estoril, Cabo da Roca, o próprio palácio de Monserrate, uma quinta no Pé da Serra, etc. Fala-se do fado e da forma como os portugueses vivem a ditadura e a guerra. É daqueles livros escritos em tom de guião de cinema, que não conseguimos largar e onde esperamos no final um ecrã a dizer Dolby Stereo. Um dos melhores romances que li em toda a vida. Recomendo vivamente.

A segunda é a reedição em CD do espantoso álbum de Durutti Column "Amigos em Portugal". O meu grande amigo Soutelinho, de visita à FNAC, trouxe-me esta pérola perdida da música dos anos 80 (primeira edição em 1983). Apetece ouvir sem parar.

Se for caso disso, aproveitem o subsídio de Natal, que está aí à porta, passem na FNAC e adquiram ambos (desta vez não tenho comissão). Depois fechem-se em casa, que o tempo não convida a grandes passeatas, acendam a lareira, coloquem o "Amigos em Portugal" no toca-CD's em modo repeat, enrosquem-se no sofá e mergulhem na vida de Andrea Aspinal e Karl Voss. Se forem como eu, juntem ao pacote uns lencinhos de papel. Acreditem que vão dar jeito.

Cuidado, tanto o livro como o CD são viciantes.

Quando terminarem digam-me qualquer coisa.

ZM

Para mais informações sobre Durutti Column, aqui ficam 2 links:
http://www.column.freeuk.com/index.htm
http://users.rcn.com/rpsweb/durutti-column/

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S/T

>> quinta-feira, novembro 17, 2005

"Como eu gostaria de ser negro e ter no sangue esta estranha, alegre melancolia, que é como uma onda que tudo arrasta e leva, esse grosso riso de vidro, estas mãos de duas cores como o voo dos pombos (...)"
António Lobo Antunes (na altura com apenas 28 anos), in D’este viver aqui neste papel descripto, cartas enviadas de Angola para a mulher, que será lançado amanhã.
ZM

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Eva Luna

>> quarta-feira, novembro 16, 2005

A Eva fez esta noite uma Lua. Esta é a primeira Lua Cheia que acontece desde que ela está no mundo. Dedico-lhe esta fotografia tirada em Leião, ontem ao final do dia.

Foto by zm
Nikon Coolpix 5400
1/8 - F4.4 - f21.1mm - ISO100
Levels - Brightness - Crop - USM

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Manuel Graça Dias

>> terça-feira, novembro 15, 2005

O arquitecto Manuel Graça Dias é um dos responsáveis pelo meu grande interesse na arquitectura. Conheci-o na rubrica "imagens", da TSF, há muitos anos. Era um magazine diário que abordava temas como banda desenhada, publicidade, arquitectura, etc. A parte de arquitectura era da responsabilidade de MGC, "o homem que gostava de cidades". Eu, que até nem gosto de viver em cidades, passei a vê-las com outros olhos, com a ajuda que me dava este arquitecto.
Tenho seguido, desde então, com grande interesse as suas produções teóricas sobre arquitectura e embora nem sempre concordando, no essencial adoro os caminhos que as suas ideias abrem à reflexão. É um dos meus teóricos favoritos nesta matéria.
Trabalha em parceria com Egas José Vieira no gabinete Contemporânea.
Quando me mudei para Nafarros descobri aquilo que me parecia um pavilhão/atelier, que apenas se vê em relances, por estar um pouco enterrado numa encosta, que achei fascinante naquilo que deixava entrever. Descobri com grande surpresa e, porque não, alegria, que tinha sido projectado por Manuel Graça Dias. Parece que o cliente era Julião Sarmento propriamente dito. O tal pavilhão chama-se "Casa do Guarda" e fica a um tiro de pedra da minha casa:

Um dia desses tiro algumas fotos da coisa ou peço uma visita de estudo e depois volto a falar-vos do assunto. Parece-me um pequeno apartamento fantástico.

Manuel Graça Dias é autor de inúmeros projectos conhecidos, uns construidos como o Teatro Azul de Almada (um dos mais magníficos exemplares deste tipo de equipamento que alguma vez vi) ou a sede da Ordem dos Arquitectos, nos Banhos de São Paulo; outros apenas no papel, como a Manhattan de Cacilhas ou a sede do Jornal Expresso projectada para a Gago Coutinho.


O site da Contemporânea esteve muito tempo "em obras", mas aparece agora renovado, mostrando que valeu a pena esperar. Uma das surpresas são os projectos de moradias apresentados para o Bom Sucesso, em Óbidos. Já conheço o projecto Bom Sucesso há algum tempo, e quando soube que MGD iria apresentar um projecto para lá fiquei ansioso. Finalmente vê a luz do dia e vejo que tinha razões para esperar algo surpreendente. Que tal uma casa redonda, com a piscina na cobertura? Uma ideia invulgar, mas muito interessante. Aqui ficam algumas imagens que poderão encontrar no site da Contemporânea:




Se há área em que temos excelentes profissionais e criativos em Portugal é na arquitectura. É verdade que conheço 1000 vezes melhor a arquitectura nacional (por questões de proximidade com os projectos construídos) do que a do resto do mundo, mas julgo que a qualidade dos nossos melhores arquitectos, como se mostra neste exemplo, não permite vergonha seja onde for.

Sigam as pistas e passem por lá.

ZM

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Uma bela sacola

>> sexta-feira, novembro 11, 2005

Esta é a amorosa sacola que a Tintas e Trapos produziu para a Madalena.
As fotos foram feitas na Moda Nafarros

A sweat shirt é do Luís Buchinho, os sapatos são do Tenente.
A colorida sacola é da designer e artesã Luísa Lourenço a quem agradecemos do fundo do coração.
É das mais bonitas peças que vimos desta designer.
A modelo é a Madalena, da Central Models.
Obrigado.
ZM

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Viagens na minha terra

>> domingo, novembro 06, 2005

No Sábado passado aproveitámos o Sol e fomos dar um curto passeio para ver o mar. Parámos o carro na Praia Grande e começámos por subir a escada a Sul, para darmos uma espreitadela às pegadas de dinossauros. Não tenho a certeza absoluta de serem as que a foto ilustra, mas estas pareciam mesmo uma sequência de passos. Estou desconfiado que o bicho calçava mais que 45 biqueira larga.

Chegados ao topo da imensa escadaria, parámos para recuperar o fôlego. A vista para o lado Norte da praia estava magnífica.

Seguimos o caminho marcado, que vai até à praia da Adraga. Já perto desta registámos esta imagem do penedo da Noiva, na praia da Ursa, visto do lado Norte. Esta costa tem um ambiente poderoso e mágico.

Chegados à praia da Adraga, subimos pelo outro lado, e fomos espreitar a gruta junto à pedra de Alvidrar. Depois seguimos na direcção de Almoçageme. Andámos por ali a tentar regressar à praia Grande por outro caminho, mas acabámos por voltar ao mesmo percurso. Pelo meio fotografámos este campo cultivado.


Regressámos à praia Grande descendo de novo a escada. Parámos por lá a recuperar energias e seguimos de carro na direcção de Janas, onde tínhamos umas compras para fazer na recomendável Mercearia D'Aldeia. Pelo caminho, aproveitámos as excelentes condições de luz e recolhemos mais estas duas imagens do por do Sol das Azenhas do Mar. Um dos mais belos locais do mundo.



Não é preciso ir muito longe para ver paisagens de encantar. Nestes dias de Outono a costa de Sintra vale bem o esforço de um passeio a pé.

Passem por cá.

ZM

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Revista Linha

>> sábado, novembro 05, 2005

Quem me lê regularmente já percebeu que um dos meus vícios é o Expresso de cada Sábado. Sem ele os fins-de-semana não seriam iguais. É com um intenso prazer que percorro os inúmeros cadernos, fazendo a triagem daquilo que vai directo para a reciclagem e do que coloco na pilha religiosamente para ir sorvendo ao longo da semana, quase sempre à hora do pequeno-almoço. Aliás aproveito para aconselhar o Expresso a fazer 2 edições, a dos que lêem publicidade e a dos que, como eu, jamais lhe tocam. Nesta época pré-natalícia poupavam toneladas de papel cada semana.
Esta semana, no entanto, havia um caderno extra que me enche de alegria. Trata-se da revista de arquitectura e design linha, cuja periodicidade não entendi ainda, mas que aparece de surpresa no meio dos outros cadernos todos, como um prémio de fidelidade. O número desta semana é seguramente o mais bem conseguido de todos até agora. Os projectos divulgados são do melhor que se faz em termos de arquitectura em Portugal.

Um deles é a "Casa de Cantelães", do Professor Júlio Machado Vaz, cujo projecto é do seu próprio filho Guilherme Machado Vaz. É um projecto magnífico, que apetece conhecer melhor. Já tinha visto algumas fotos desta casa no blog do Professor, o Murcon. A encerrar a revista vem um texto do próprio Júlio Machado Vaz, que é uma delícia. Foi também publicado no Murcon.
Outro dos projectos apresentados é a Casa de Alvite, do arquitecto Álvaro Siza Vieira, filho do outro Siza Vieira, que todos conhecemos.

Neste caso bem se pode dizer que filho de peixe sabe nadar. Este projecto é de uma beleza e de uma originalidade estonteantes. É uma casa que é toda ela uma escada gigante, que contém outra escada no seu interior e outra sobreposta a esta, na cobertura. É uma espécie de fractal arquitectónico, em betão, com volumes em socalco por uma encosta abaixo aos trambolhões, mas com vãos orientados de forma a que do interior se avistem, de degrau em degrau, as sucessivas paisagens que a circundam. "Na base desta cascata de betão, um último volume esvazia-se e assume a função de tanque (piscina)" (texto do artigo). Não tenho dúvidas de que este projecto ainda vai dar muito que falar. A este arquitecto corre-lhe talento nas veias.
O Expresso esta semana tem ainda, no caderno Espaços & Casas, uma curta abordagem a uma casa muito interessante, que foi construída aqui bem perto de onde moro. Trata-se da Casa do Alto, de Frederico Valsassina, no Banzão. É um projecto muito Mies Van Der Rohe, de uma beleza impressionante, perfeitamente integrado no pinhal e que aparece numa das reportagens fotográficas dos irmãos Sérgio e Fernando Guerra, cujo link tem estado sempre aqui nos links do Arrumário. Já tive o imenso prazer de ver esta casa ao vivo e posso garantir que é tão bela quanto os Guerra a apresentam.
Para quem gosta de arquitectura, nada melhor do que um semanário cujo director é (ainda) um arquitecto.
Boa semana.

ZM

PS: O Arrumário está de férias, por isso é que isto tem sido uma balda.

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Escalada

>> segunda-feira, outubro 31, 2005

Ana Marisa Correia fotografada por mim, na via Bébé, no Penedo da Amizade, em Sintra.


Como se voasse...

ZM

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Casa do Cipreste

Aproveito para publicar uma fotografia que me foi enviada há tempos por José Luís Martins, um leitor do Arrumário. Trata-se de um vitral da Casa do Cipreste, obra maior do arquitecto Raúl Lino. Vem deste pequeno poema a simbologia que deu nome à casa.


Obrigado José Luís.

ZM

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Paço Real de Sintra

No Sábado passado fui finalmente ver a exposição sobre Raúl Lino no Palácio Nacional de Sintra. Com não podia deixar de ser lá fui tirando algumas fotos clandestinas.



Esta é de uma das chaminés, vista do lado de dentro. Como diria o Eça, estas chaminés são "colossais, disformes, resumindo tudo, como se esta residência fosse toda ela uma cozinha talhada às proporções de uma gula de Rei, que cada dia come todo um reino."

Quanto à exposição propriamente dita, não atingiu as minhas expectativas. Gostei particularmente do filme documentário sobre a vida e obra de Raúl Lino. Seria bom que a CMS o editasse em DVD, se não o fez já. Pareceu-me um excelente documento.

Se aínda tiverem tempo, passem por lá.

ZM

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Nafarros

>> quarta-feira, outubro 26, 2005


Quinta verde - Nafarros - nascer do Sol
photo by zm - Nikon Coolpix 5400
1/171 - F4.4 - f21.1mm - Iso100

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Aires Mateus II

>> terça-feira, outubro 25, 2005

Um post que explica muita coisa:
Aires Mateus e a Agenda Conceptual , no Complexidade e Contradição.

Leiam tudo, que vale a pena, mas aqui fica um excerto revelador:
"O que justifica esta exposição é a qualidade destes conceitos, desta obessão. É impossível ficar indiferente a força gráfica e formal desde conjunto de obras. Manuel e Francisco Aires Mateus apresentam uma obra do seu tempo, o tempo da rápida comunicação das coisas. Um conceito, uma ideia, um gesto. Ponto final, está feita a obra. Nada pode ser supérfluo, nada pode ser redundante, nada pode ser desperdiçado, nada pode ser marginal. O que resulta nos tais objectos fechados, puros, intocados, museológicos. Esta escolha tão radical é simultanemente a maior força e a maior fragilidade da obra arquitectónica da dupla Aires Mateus."

Uma outra ajuda importante, o recente site dos irmãos Aires Mateus: http://www.airesmateus.com/

ZM

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Sintra - Vila Velha


Vila de Sintra
Foto by zm
Nikon Coolpix 5400 - 1/553 - F5.5 - f19.8mm - ISO100
Crop - Levels - Channel mixer - USM


Vila de Sintra
Foto by zm
Nikon Coolpix 5400 - 1/805 - F5.0 - f15.6mm - ISO100
Crop - Contrast mask - Levels - USM

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Aires Mateus

>> segunda-feira, outubro 24, 2005


Foto feita por mim dentro de uma maquete da casa de Alenquer, na exposição do CCB

Tenho com a arquitectura dos irmãos Aires Mateus uma relação complicada. Acho os projectos inovadores, belíssimos do ponto de vista formal, mas por mais que procure entendê-los, nunca ou quase nunca consigo imaginar-me a habitar os espaços que inventam. Tenho-me identificado mais com os edifícios públicos (Bilbioteca / Centro de Artes de Sines, Reitoria da Universidade Nova de Lisboa) do que com as casas particulares.

Reitoria da Universidade Nova de Lisboa

Eu, como muitos dos leitores já saberão, gosto de casas viradas para a rua, gosto do Sol dentro de casa, gosto de poder descansar a vista no infinito da paisagem sem ter que ir ao exterior. De resto, como também já referi noutras ocasiões, dou muita importância aos ganhos solares e ao arejamento natural das casas, razão pela qual sou defensor dos conceitos bioclimáticos de grandes vãos a Sul, Sol directo no interior durante o Inverno, janelas em todos os compartimentos, etc. Ora, a arquitectura dos Aires Mateus é o oposto desta lógica de habitar. É frequente encontrarmos volumes sem qualquer abertura directa para a rua, dando todas as janelas para pátios. Encontramos frequentemente projectos em que as casas de banho, embora encostadas a paredes exteriores, não têm janela. Assim, embora a arquitectura Aires Mateus me fascine pelas formas, pela escultura, pela beleza, repugna-me em tudo o que é funcional.
Alguns exemplos:
Na Casa de Alenquer, os arquitectos aproveitaram os muros da ruína existente e construíram a casa nova lá dentro. Muitas das janelas da nova casa dão para os muros (com 2 andares de altura) da ruína anterior. A própria piscina está entaipada nos muros da ruína. Parece-me que são raras as janelas de onde podemos ver a rua a não ser por breve relance, num ângulo muito estreito. No entanto, se pusermos de lado o desconforto que essa situação causa (pelo menos a quem como eu precisa de ar e espaço aberto) a casa é de uma rara beleza. Já recebeu alguns prémios.

Foto do exterior sufocante da casa de Alenquer

Na casa Barreira Antunes, no Alentejo, temos mais uma vez um elegante volume cego a decorar a paisagem, mas eu não queria lá viver.
Na casa de Azeitão, construíram uma casa dentro de um armazém de vinhos. Para isso penduraram os quartos todos junto ao telhado, deixando a área do chão totalmente aberta. Pareceu-me de início um conceito revolucionário e interessante, mas acontece que os volumes pendurados são todos cegos. Quase não têm janelas para o exterior e, sobretudo, não têm aberturas para o interior, além das portas de acesso. Não consigo evitar sentir-me sufocado dentro deste tipo de espaço.

Foi com grande expectativa que me dirigi ao CCB para tentar compreender melhor estes projectos que me causam tanta confusão. O que lá encontrei foi uma exposição muito bem montada, mas que quase nada acrescentou ao que eu já conhecia do trabalho desta dupla. As maquetas apresentadas são umas belas esculturas, mas deviam ser acompanhadas por muito mais informação exposta para se tornarem didáticas. Algumas delas representam o negativo do espaço da casa, mas isso não é muito fácil de entender. As plantas têm umas zonas a negro, de difícil leitura e cujo critério não consegui atingir. Praticamente não estão expostas fotos ou alçados. Ficamos sempre sem saber como é que aquilo será ou está construído de facto.

Parece-me que esta arquitectura merecia uma apresentação mais cuidada e talvez mais virada para o público comum. Num país em que por todo o território pululam como cogumelos os exemplos do português suave, parece-me que se devia tentar tornar este tipo de exposição mais abrangente. Quem não esteja muito motivado para os modernismos da arquitectura não vai sair deste evento muito convencido. Acho que foi um mau serviço prestado a um par de arquitectos que, a julgar pela aceitação internacional, merecia muito mais.

Eu esperava ter saído do CCB reconciliado com a arquitectura dos Aires Mateus, mas fiquei na mesma ou pior. Talvez me falte algum conhecimento académico, mas estas não são definitivamente as minhas casas de sonho.

Se for caso disso passem por lá e depois venham cá dizer-me em que é que eu estou errado.

ZM

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