Copenhaga II

>> quarta-feira, agosto 10, 2005


Em Copenhaga tem sido feita ao longo dos últimos anos uma intensa campanha para convencer as pessoas a andar de bicicleta. Claro que a topografia da cidade é em si um convite ao ciclismo, mas a campanha fez reduzir muito o número de automóveis a circular. Quando lá estive li num jornal que cada "copenhense" faz em média 2.7 km de bicicleta por dia. Isso vê-se nas ruas, como demonstra a imagem acima, e tem poupado ao estado dinamarquês largas fortunas em vários aspectos. Um deles é a redução da quantidade de doenças cardiovasculares. Talvez esta seja também uma das razões porque a cidade de Copenhaga é tão agradável de visitar, é que tem muito menos poluição e ruído do que qualquer outra capital que eu conheça.

A animação de rua é também uma constante. Neste local (a esquina do Matas) os espectáculos sucedem-se uns aos outros. Os performers fazem fila para montar o estaminé e começarem a actuar. Já chegaram ao ponto de pedir 20 coroas a cada pessoa, o que equivale a cerca de 500 paus (2.5 Euros). A maioria dos espectadores pagam mesmo o "bilhete". Isto tornou-se um modo de vida para muitos saltimbancos. Neste caso, este era holandês e tinha muita qualidade e piada.

Apenas uma imagem que me despertou a atenção.

Para quem gosta de ter um Café à Porta! O nome é este tal e qual, como podem ver. Terá sido um português com sentido de humor?

Se puderem, passem por lá. Eu sei que é longe, mas vale a pena. Só um aviso: a vida em Copenhaga é estupidamente cara para os nossos padrões de vida. Um café custa entre 2.5 e 3 Euros. Jantar pode calmamente custar mais de 6 contos por pessoa.

ZM

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O candeeiro que não é Mies Van Der Rohe

>> terça-feira, agosto 09, 2005


Quando se viaja com uma criança, os atractivos não são bem os mesmos que temos quando estamos só "crescidos". Neste caso, por causa de um parque infantil, acabei por descobrir a igreja de St. Nicolaj, que se vê em fundo.
Hoje, n'A Barriga de um Arquitecto, é abordada a questão de a Sé de Évora ser agora um templo de entrada paga. No caso da igreja de St. Nicolaj, isso já é de facto assim. Esta igreja é actualmente um centro de arte moderna.
Não muito longe dali, há uma igreja que está transformada em restaurante. Talvez Copenhaga tenha igrejas a mais... ou fieis a menos.

Para não termos que deixar a M no bengaleiro, decidimos não visitar as exposições patentes nesta igreja, embora tenha ficado com esse objectivo para uma próxima visita a esta cidade, mas não deixei de reparar nos candeeiros.

É que estes candeeiros têm uma longa história, que encontrei por acaso quando procurava informações sobre Mies Van Der Rohe. Há quem pense que estes candeeiros foram desenhados pelo próprio Mies, para a casa Tugendhat, de que um dia destes falarei. No entanto, isso é desmentido em:
http://www.arquitectura.com.ar/notas/casa_tugendhat/index_en.htm onde é contada toda a história destes candeeiros e a sua relação com a casa Tugendhat. O modelo que encontrei na igreja é a Charlottenborg Lamp. Supostamente não seria visível a fonte da luz, apenas a luz reflectida no vidro.
De resto, neste artigo, diz-se que "The architect designed himself everything but the lamps, which are made by Poulsen, a Danish lighting company". Ora, esta igreja é precisamente Danish, pelo que a história até faz sentido.
Desenhado ou não por Mies Van Der Rohe, adoro este candeeiro.

Por hoje ficamos assim, que já têm muito com que se entreter se quiserem investigar um pouco mais.

ZM

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Copenhaga

>> segunda-feira, agosto 08, 2005




O fim de semana foi passado em Copenhaga. Ao contrário do que se passava por cá, lá as temperaturas estavam baixas e chovia que Deus a dava. Por hoje deixo apenas estes 2 registos. Amanhã há mais.

Boa semana.

ZM

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Tojeira

>> quinta-feira, agosto 04, 2005



Ontem à noite, no lugar da Tojeira, já se previa o estio que faria hoje.
Estava uma daquelas noites quentes em que os matos transpiram um odor doce, convidando ao passeio.
Foi isso que fizémos.
Tenho aínda nos ouvidos o terrincar dos sapatos sobre a gravilha e o ladrar dos cães. Parece que sinto aínda o cheiro silvestre de Agosto. Que belo final de dia...

Viver no campo não tem preço.

Para os que vivem na cidade, não abram a porta a estranhos :-)

ZM

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Planarity

>> terça-feira, agosto 02, 2005


Este jogo é fabuloso. Como podem ver, já passei 6 níveis. Cada vez que se entra, começa tudo de novo. É bom para quem gosta de arrumar. Como o blog se chama Arrumário, pensei que seria apropriado.

Vão passando por cá.

ZM

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Raúl Lino em exposição

>> segunda-feira, agosto 01, 2005


Foto by zm
Um simpático comentário, colocado no Arrumário por um anónimo, alerta para a exposição sobre Raúl Lino, patente no Palácio Nacional de Sintra.
Podem ver todos os detalhes em
http://www.cm-sintra.pt/NoticiaDisplay.aspx?ID=3672

Agradeço o comentário e o link.

Se puderem, passem por lá.

ZM

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Benasque V

>> sexta-feira, julho 29, 2005

No último episódio da aventura de Benasque já tinhamos atingido os nossos objectivos. Restava agora fazer um pouco de turismo propriamente dito.
Dirigimo-nos ao vale da Pineta, que é um dos vales que dão acesso à área do Monte Perdido. É um vale escavado na rocha, muito mais fechado do que os vales que tinhamos visitado até então. O parque de campismo tem uma vista fantástica:


Entretanto, tinhamos passado na povoação de Ainsa. Vale bem uma visita cuidada.






Vitória, vitória, acabou-se a história.

Bom fim de semana.

ZM

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Souto Moura

>> quarta-feira, julho 27, 2005

Um comentário do post anterior sugere que a casa de Eduardo Souto de Moura em Cascais, junto à Repsol do Farol da Guia, segue a linha de Mies van der Rohe:

"Não percebo nada de arquitectura mas também sou fã do trabalho de Mies. Em Portugal já existem algumas casas com essas linhas modernas, como aquela que se situa próximo da bomba da Repsol na Guia - Cascais. No entanto ouvi dizer que a aceitação destes projectos modernistas nas câmaras não é fácil.

RR"


Não sei quem é o RR. Será alguém chamado Rolls Royce :-)

Aproveitando a pista, aqui fica a única imagem que encontrei na net dessa casa. A única coisa que não me agrada a 100% é a proximidade da Repsol, mas isso o projectista talvez não soubesse.

Foto picada em http://www.epdlp.com/arquitecto.php?id=3251

Para quem ande muito por fora, Eduardo Souto Moura é o arquitecto que projectou o Estádio Municipal de Braga, que lhe deu a distinção ibérica FAD de 2005:
"O arquitecto Eduardo Souto de Moura conquistou terça-feira, com o Estádio Municipal de Braga, o 47.º Prémio FAD de Arquitectura 2005, distinção feita desde 1958 ao melhor projecto ibérico pela Associação Interdisciplinar de Desenho do Espaço, da Catalunha."

Vão passando por cá.

ZM

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A casa Farnsworth - Mies van der Rohe

>> segunda-feira, julho 25, 2005

Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) é unanimemente considerado um dos mais importantes arquitectos do século XX, tendo sido um dos principais mentores do modernismo. Nascido na Alemanha, em 27 de Março de 1886, viria a desenhar em 1927 um dos seus mais famosos edifícios: o pavilhão alemão para a exposição internacional de Barcelona.

Acabaria por emigrar para os Estados Unidos, em 1937, e foi aí que se tornou verdadeiramente famoso.

Em 1946 a física Edith Farnsworth encomenda a Mies van der Rohe uma casa de fim de semana que fosse "arquitectura séria". Pouco tempo depois Mies apresenta-lhe os primeiros esboços daquele que viria a tornar-se um polémico ícone do modernismo. A casa foi desenhada segundo um conceito que começara a ser desenvolvido num projecto que nunca sería construído, chamado Resor House. A casa Farnsworth foi o culminar deste tipo de experiência no desenho de casas.
Além da imensa paixão que transpira da joia de vidro e aço que é esta casa, há uma história de amor e ódio entrelaçada com a sua criação, que não resisto a contar.

Os planos da casa que Mies apresentou a Edith Farnsworth revelavam o resultado prático do lema do arquitecto: "Less is More". A casa, que aínda é possível ver actualmente, consiste em duas placas de betão, suportadas por oito vigas de aço. Todo o chão está suspenso destas vigas, como se a casa flutuasse sobre o solo que ocupa. A cobertura é uma placa igual à do chão, absolutamente paralela àquela. Todas as paredes são de vidro e não há divisões internas, à excepção de uma estrutura que suporta a área da cozinha, espaço de arrumação e uma casa de banho. O acesso faz-se por um elegante conjunto de degraus que leva ao pequeno terraço da entrada, também coberto.
A doutora Farnsworth aprovou os planos, mas parece que se apaixonou tanto pela obra quanto pelo autor. Foram precisos quatro anos de trabalho para executar um plano que parecia tão simples. Consta que durante esse periodo a sua relação se aprofundou. Os seus encontros eram frequentes e longos, muitas vezes na própria obra. A perfeição com que o projecto foi sendo executado é seguramente fruto de uma profunda paixão, resta saber se artistica, se amorosa.

Quando tudo ficou concluído, Mies deu a Edith as chaves da sua nova casa e a conta do projecto. Consta que se tornou indisponível. Seria para arrefecer o romance ou por se sentir constrangido pelo elevadíssimo valor da factura: 73.000 dólares, o equivalente actual a cerca de 100.000 contos?

Edith Farnsworth processou o arquitecto pelo elevado preço, mas o facto de ter acompanhado tão intensamente a construção pesou contra si e perdeu o processo. Depois escreveu vários artigos contra a casa e contra Mies. Dizia que viver naquela casa não era bem o mesmo que contemplar os seus planos, que as contas de aquecimento eram exageradas, etc, etc.

Irritada com o arquitecto (ou talvez despeitada) disse a quem a quis ouvir, que: "Less is not more. It is simply less!"

Parece que a casa tinha de facto uns bugs, apesar de ter uma construção tão perfeitamente executada, mas é uma obra que transpira a paixão que lhe deu origem e serviu de exemplo para muitas coisas formidáveis que foram construídas posteriormente, até à actualidade, por muitos arquitectos em todo o mundo.

Quem leia o Arrumário há algum tempo, poderá perguntar-se como é que um defensor convicto da construção bioclimática se sente tão atraído por esta casa. É verdade que lhe faltam alguns aspectos fundamentais: paredes com massa térmica, eventualmente paredes trombe, vãos mais reduzidos a Norte, sombreamento das janelas, etc. No entanto há alguns aspectos que são verdadeiramente fascinantes: a ligação visual com o exterior, o facto de a casa estar descolada do solo, a simplicidade das linhas e a continuidade do interior, sem divisões.

Maritz Vandenburg escreveu a propósito da Farnsworth house:
"Every physical element has been distilled to its irreducible essence. The interior is unprecedentedly transparent to the surrounding site, and also unprecedentedly uncluttered in itself. All of the paraphernalia of traditional living –rooms, walls, doors, interior trim, loose furniture, pictures on walls, even personal possessions – have been virtually abolished in a puritanical vision of simplified, transcendental existence. Mies had finally achieved a goal towards which he had been feeling his way for three decades."
Por mais que tentasse traduzir, iria sempre corromper o seu sentido.

Para mais informações, visitem os sites:

http://www.farnsworthhouse.org/history.htm
http://www.designboom.com/portrait/mies/farnsworth.html
http://www.jetsetmodern.com/farnsworth.htm

Gostava de ter podido colocar aqui fotos feitas por mim. Significava que já tinha visitado este formidável simbolo de uma época e de uma filosofia de criação, mas isso não foi possível.

Desculpem a seca.

Como diria o meu grande amigo Soutelinho, que não gosta de blogs: "Não abram a porta a estranhos."

ZM

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Benasque IV

>> quinta-feira, julho 21, 2005

Tínhamos ido para os Pirinéus com um objectivo concreto na mochila: ascender os 2 cumes mais altos daquela cadeia, o Aneto e o Posets.
O primeiro, como sabem, já estava aviado. Faltava o outro. Assim, lá voltámos nós a deixar o parque de campismo que nos servia de campo base e arrancámos em direcção ao refúgio de montanha Angel Orús, de onde partiríamos no outro dia para ascender ao Posets, com 3.375m de altitude.
Depois de um acidentadíssimo percurso de automóvel chegámos a um estacionamento no meio da montanha, de onde se começa a subida a pé para o refúgio. A mim calhou-me, mais uma vez, transportar a Madalena "a espaldas", o que torna a subida duplamente mais cansativa. É que além do peso da criatura, tenho que ir sempre a contar histórias, tentando simultaneamente controlar a respiração.
Mal começámos a subir encontrámos esta cascata que sai de um pequeno lago num acidentado leito de rio.

Algumas histórias mais acima, fizemos uma pequena paragem para trocar a água às azeitonas e aproveitei para fotografar esta espécie de alcachofra violeta que enchia a beira do caminho.

Demorámos cerca de 2 horas, se não me engano, a chegar ao tão ansiado refúgio. Lá do alto, a vista é magnífica.

Este refúgio, ao contrário do da Renclusa, é bastante luxuoso. É o primeiro que vejo com duche nos quartos. Isso é tão raro, que as pessoas nem levam para cima o equipamento de higiene, pelo que não me parece que os duches sejam lá muito utilizados.
A sala de jantar tem uma saída para um terraço sobre o vale, de onde se avistam as inúmeras cascatas que irão alimentar o rio que vimos mais abaixo. Aqui fica um aspecto dessa sala, depois do jantar.

A comida, por outro lado, era verdadeiramente má. O jantar funciona em regime de self-service, cada um com o seu tabuleirinho com toda a refeição, da sopa à sobremesa. Habitualmente nos refúgios trazemos para a mesa uma terrina de sopa, e travessas com a comida. Com o sistema dos tabuleirinhos a distribuição da comida tem muito mais entropia (para não dizer que é um perfeito granel).
Fomos deitar-nos cedo, porque amanhã é dia de trabalho.
Estávamos num quarto com 12 pessoas e meia (a meia era a Madalena). Alguns minutos depois de tudo ter acalmado, ouve-se uma voz:
- Pai
- Sim, filha
- Está bué de escuro…
Gargalhada geral na cama corrida dos portugueses. Os restantes devem ter-se questionado o que teria dito aquela amostra de gente.
Às 5:00h da manhã toca o Suunto do Daniel e ala moço, vamos comer torradas.
Quais torradas? Aqui apenas tivemos direito a tostas embaladas e pouco mais. Um refúgio tão bom, gerido por gente tão antipática e mal disposta.
Fomos os primeiros a fazer-nos ao caminho. Lá fomos seguindo as indicações, que até determinado momento são absolutamente evidentes.

Acontece que este cume fica nas imediações do GR11 e a subida ao cume apanha grande parte de uns percursos laterais a este GR. Daí as marcações.
Nesta altura, o Daniel teve um apelo intestinal, o que seguido de um pequeno engano no caminho, nos fez perder a dianteira da expedição.
Um pouco mais acima, voltámos a ver nascer o Sol no meio das montanhas. Este é um dos mais belos momentos de uma ascensão deste tipo.

Começámos a subir por uma garganta que se chama "Canal Fonda", onde havia bastante neve, pelo que tivemos que batalhar um bocado até superar esse troço. Na descida haveríamos de utilizar as ferramentas de gelo para passar por este local com mais velocidade.

Aqui já estamos quase no final deste extenso canal.

Restava a pior parte. É preciso subir um ombro que leva por uma crista até ao cume do Posets, mas todo este troço é feito sobre calhau solto, ao longo de uma encosta muito íngreme. Quando cheguei ao topo estava mesmo nas últimas.

Tirámos as fotos da praxe no cimo do monte, observámos tudo à volta, fotografámos os outros com as máquinas deles (coisa que acontece em todos os cumes onde vai muita gente), comemos umas barritas, bebemos água e ala, que se faz tarde.

Quando abandonámos o cume, já vinham dezenas de pessoas a subir, lá muito em baixo. Uma das vantagens de começar bastante cedo é este enorme prazer (quase mauzinho) de estarmos de volta quando os outros ainda vão a caminho. Nós sabemos o que os espera e somos sempre alvo da inevitável pergunta:
- Falta muito?
- Não, é já ali (nunca se desanima as pessoas, tão perto do final!)

Quando chegámos ao refúgio, soubemos que as moças tinham sido postas na rua, para limpeza do mesmo. Irra que os homens eram mesmo mal dispostos. Se o Posets é bastante interessante como cume, além de estar num local muito bonito, já este refúgio não o recomendo a ninguém.
Existe outra forma de ascender o Posets, pelo vale de Estós. Parece que é bastante mais dura, mas só para evitar o refúgio Angel Orús, deve valer bem a pena o sacrifício.

Estamos quase de volta a casa.
Não percam o final desta aventura nos Pirinéus.

ZM

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Era uma vez um arrastão.


A jornalista Diana Andringa coordenou um trabalho em que desmonta as notícias alarmistas sobre o famoso "arrastão" da praia de Carcavelos, no dia 10 de Junho passado. É um pequeno filme impressionante que dá a entender que tudo não passou de um grande exagero dos noticiários da TV. Eu tenho optado ultimamente pelo noticiário da RTP1, mas já não tenho garantias de veracidade de nada do que é publicado nestes órgãos de comunicação.
Vejam mais em http://www.eraumavezumarrastao.net/

Já não sei o que me deixa mais preocupado, se um possível arrastão real, se uma onda de notícias muito exageradas ou mesmo falsas, divulgadas sem hesitação por canais de TV, jornais e rádios.

Alguém me arranja um emprego num país civilizado?

ZM

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Benasque III

>> quarta-feira, julho 20, 2005

No dia em que voltámos do cume do Aneto voltámos a ir dormir no Camping Aneto, junto à vila de Benasque. Tínhamos o suporte de uma roulote e as sopas da Joselinda para nos saciar os sabores. Depois de uma noite bem descansada, decidimos tentar espreitar o vale Ballibierna, ali perto. É um vale que dá acesso ao Aneto, pelo lado oposto ao que tínhamos subido, por onde se faz uma corrida (sim, uma corrida) até ao cume daquela montanha. É uma corrida louca, que percorre 42Km, com um desnível de 2.276m. O que é impressionante é que o recorde está abaixo das 4 horas! Chama-se Nike Aneto X-treme Marathon.
Tal como muitos outros vales desta área, durante o Verão, este vale está fechado ao trânsito automóvel.

Entretanto encontrámos um casal de espanhóis com quem já nos tínhamos cruzado 2 vezes nos dias anteriores e recomendaram-nos uma visita ao Forau de Aigualluts. Assim, decidimos seguir a sugestão e lá fomos de volta às marmotas, vacas e afins para voltarmos a chegar à Besurta, de onde parte o percurso para aquele local.

Forau de Aigualluts é o local onde desagua, se assim se pode dizer, o glaciar do Aneto. A água que escorre do glaciar forma um rio, que se despenha numa cascata, mergulhando numa caverna dentro da montanha. Esta água só voltará a ver a luz do dia, já bem longe dali, no Vale de Arán, onde julgo que vai engrossar o rio Garona, em direcção a França.
O caminho que leva a Forau de Aigualluts é muito bonito e relativamente plano. Recomenda-se vivamente, mesmo para quem não esteja em boa forma física.

Quando chegámos ao local onde a água do glaciar é engolida pela montanha, tínhamos o cume do Aneto, nosso conhecido da véspera, bem à frente dos olhos.

É o cume mais alto que se vê, à direita na foto, meio tapado pelas nuvens. O glaciar parece minúsculo visto daqui.


As imagens seguintes foram tomadas no regresso à Besurta, de onde voltámos a apanhar uma camioneta para o estacionamento do carro.



Já só faltam mais 2 episódios. Vão passando por cá.

ZM

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Feira Medieval de Óbidos

>> terça-feira, julho 19, 2005

No Sábado passado fomos visitar a Feira Medieval de Óbidos. Tenho tentado perceber porque é que as pessoas aderem tanto a este tipo de evento e não encontrei uma resposta. Como poderão já ter visto em posts anteriores, sempre que posso, também pico o ponto em qualquer feira medieval que se me apresente. Tendemos a esquecer as malvadezas que se praticavam naquela época e apenas nos deliciamos com a música e a forma "tradicional" de fazer as coisas, que são apresentadas nestas feiras. De resto, o castelo de Óbidos vale bem uma visita só por si.
Logo à entrada da vila, somos brindados com uma das mais belas buganvílias que alguma vez vi:

Um pouco mais adiante, fomos espreitar a igreja matriz. A Madalena, vá lá saber-se porquê, é uma verdadeira beata, pelo que sempre que vê uma igreja aberta, não descansa enquanto não vai lá espreitar.

Depois entrámos na parte da feira propriamente dita. Demos por lá umas voltas e dirigimo-nos aos comes e bebes, enquanto não chegava a marabunta.

Comemos umas espetadas à época, temperadas com ervinhas, acompanhadas de umas excelentes migas e regadas de cerveja preta, servida em copo de barro. Estava delicioso e foi surpreendentemente barato. Se lá forem recomendo a tasca do fundo, do lado esquerdo, onde têm espetadas com migas.
Entretanto fomos brindados com uma performance musical de grande nível, desempenhada por um grupo francês. As fotos seguintes são todas desse momento inesquecível




Andavam por lá uns rapazes, enfiados dentro de uma espécie de teatro de fantoches portátil, que azucrinam a cabeça de quem passa, tipo bobos da corte, mas com bastante piada. Seguem um pouco o estilo Gato Fedorento, mas mais improvisado.
Há muitas bancas de artesanato e saberes tradicionais. Podem consultar o programa das festas em http://www.cm-obidos.pt

Se vos interessar, passem por lá, mas vão com paciência porque a multidão é mais que muita.

Depois deste breve intervalo, não percam os restantes episódios de "uma aventura em Benasque".

Vão passando por cá.

ZM

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Benasque II

>> segunda-feira, julho 18, 2005

Na sequência do post anterior, aqui fica mais um bocadinho da história da ascensão ao monte Aneto:

Depois de um rico pequeno almoço de torradas, sumo e café com leite, colocámos a mochila às costas e fizemo-nos ao caminho. Pouco antes tinha saído igualmente um casal de eslovenos, que conhecêramos no dia anterior, e que nos haviam de acompanhar até ao cume, embora nem sempre lado a lado. O percurso inicia-se por um carreiro confortável e logo se transforma num caminho pouco definido, sobre um extenuante caos de blocos. Seguimos encostados a uma crista de rocha abrupta, até atingirmos o Portillon Inferior.

Pelo meio teríamos o enorme prazer de ver o Sol despontar, iluminando as montanhas circundantes e a neve que íamos pisando de vez em quando.


Desde aqui, seguimos primeiro por sobre a crista e logo por um caminho que a percorre pela direita até atingirmos finalmente o Portillon Superior, de onde já se avista o cume do Aneto. Levámos cerca de 2:30h até este local.

O cume do Aneto é o que se vê mais à esquerda na imagem. Parecendo estar já ali, levar-nos-ia cerca de 2 horas a atingir.
Já tínhamos subido mais de 800 m desde o ponto de partida. Agora já só faltava percorrer o glaciar do Aneto até chegarmos ao seu cume. É um longo caminho, mas já não dá tanto trabalho como a primeira parte.

Aqui vemos o Daniel sobre a parte mais alta do glaciar do Aneto. Ao fundo vemos a continuação da crista de rocha que atravessámos mais abaixo, no Portillon Superior.


4:30h depois de termos saido do refúgio da Renclusa, pisámos finalmente o cume do monte mais alto dos Pirinéus.

Tivemos o grande privilégio de ascender esta montanha num dia magnífico. A vista lá do alto é de tirar a respiração. Estamos rodeados por um mar de nuvens furado pelos cumes mais altos. Acima das nossas cabeças só temos azul. Outro aspecto em que fomos tocados pela sorte foi o facto de termos estado quase sozinhos no cume, coisa rara neste monte, que é muito procurado por ser o mais alto desta cadeia, embora um dos mais fáceis.
Depois de uma breve pausa, para recuperar o esforço e tirar umas fotos, voltámos ao mesmo percurso para regressarmos ao refúgio, onde nos esperavam as moças, que tinham ido fazer uma outra excursão mais leve, mas tão ou mais bela que a nossa.
Voltámos a passar o passo de Maomé, que dá acesso ao cume e que é o único troço desta ascensão que poderá causar alguns calafrios a quem não esteja acostumado a estas andanças.


A descida até ao refúgio, embora extremamente cansativa, fez-se em passo acelerado. Comemos uma bela sopinha para recuperar energias e água e voltámos a descer todo o caminho do refúgio até ao local da Besurta. Desta vez, eu e o Daniel apanhámos a camioneta. As pernas já não davam para mais…

Continua no próximo episódio.

ZM

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