A casa Farnsworth - Mies van der Rohe

>> segunda-feira, julho 25, 2005

Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) é unanimemente considerado um dos mais importantes arquitectos do século XX, tendo sido um dos principais mentores do modernismo. Nascido na Alemanha, em 27 de Março de 1886, viria a desenhar em 1927 um dos seus mais famosos edifícios: o pavilhão alemão para a exposição internacional de Barcelona.

Acabaria por emigrar para os Estados Unidos, em 1937, e foi aí que se tornou verdadeiramente famoso.

Em 1946 a física Edith Farnsworth encomenda a Mies van der Rohe uma casa de fim de semana que fosse "arquitectura séria". Pouco tempo depois Mies apresenta-lhe os primeiros esboços daquele que viria a tornar-se um polémico ícone do modernismo. A casa foi desenhada segundo um conceito que começara a ser desenvolvido num projecto que nunca sería construído, chamado Resor House. A casa Farnsworth foi o culminar deste tipo de experiência no desenho de casas.
Além da imensa paixão que transpira da joia de vidro e aço que é esta casa, há uma história de amor e ódio entrelaçada com a sua criação, que não resisto a contar.

Os planos da casa que Mies apresentou a Edith Farnsworth revelavam o resultado prático do lema do arquitecto: "Less is More". A casa, que aínda é possível ver actualmente, consiste em duas placas de betão, suportadas por oito vigas de aço. Todo o chão está suspenso destas vigas, como se a casa flutuasse sobre o solo que ocupa. A cobertura é uma placa igual à do chão, absolutamente paralela àquela. Todas as paredes são de vidro e não há divisões internas, à excepção de uma estrutura que suporta a área da cozinha, espaço de arrumação e uma casa de banho. O acesso faz-se por um elegante conjunto de degraus que leva ao pequeno terraço da entrada, também coberto.
A doutora Farnsworth aprovou os planos, mas parece que se apaixonou tanto pela obra quanto pelo autor. Foram precisos quatro anos de trabalho para executar um plano que parecia tão simples. Consta que durante esse periodo a sua relação se aprofundou. Os seus encontros eram frequentes e longos, muitas vezes na própria obra. A perfeição com que o projecto foi sendo executado é seguramente fruto de uma profunda paixão, resta saber se artistica, se amorosa.

Quando tudo ficou concluído, Mies deu a Edith as chaves da sua nova casa e a conta do projecto. Consta que se tornou indisponível. Seria para arrefecer o romance ou por se sentir constrangido pelo elevadíssimo valor da factura: 73.000 dólares, o equivalente actual a cerca de 100.000 contos?

Edith Farnsworth processou o arquitecto pelo elevado preço, mas o facto de ter acompanhado tão intensamente a construção pesou contra si e perdeu o processo. Depois escreveu vários artigos contra a casa e contra Mies. Dizia que viver naquela casa não era bem o mesmo que contemplar os seus planos, que as contas de aquecimento eram exageradas, etc, etc.

Irritada com o arquitecto (ou talvez despeitada) disse a quem a quis ouvir, que: "Less is not more. It is simply less!"

Parece que a casa tinha de facto uns bugs, apesar de ter uma construção tão perfeitamente executada, mas é uma obra que transpira a paixão que lhe deu origem e serviu de exemplo para muitas coisas formidáveis que foram construídas posteriormente, até à actualidade, por muitos arquitectos em todo o mundo.

Quem leia o Arrumário há algum tempo, poderá perguntar-se como é que um defensor convicto da construção bioclimática se sente tão atraído por esta casa. É verdade que lhe faltam alguns aspectos fundamentais: paredes com massa térmica, eventualmente paredes trombe, vãos mais reduzidos a Norte, sombreamento das janelas, etc. No entanto há alguns aspectos que são verdadeiramente fascinantes: a ligação visual com o exterior, o facto de a casa estar descolada do solo, a simplicidade das linhas e a continuidade do interior, sem divisões.

Maritz Vandenburg escreveu a propósito da Farnsworth house:
"Every physical element has been distilled to its irreducible essence. The interior is unprecedentedly transparent to the surrounding site, and also unprecedentedly uncluttered in itself. All of the paraphernalia of traditional living –rooms, walls, doors, interior trim, loose furniture, pictures on walls, even personal possessions – have been virtually abolished in a puritanical vision of simplified, transcendental existence. Mies had finally achieved a goal towards which he had been feeling his way for three decades."
Por mais que tentasse traduzir, iria sempre corromper o seu sentido.

Para mais informações, visitem os sites:

http://www.farnsworthhouse.org/history.htm
http://www.designboom.com/portrait/mies/farnsworth.html
http://www.jetsetmodern.com/farnsworth.htm

Gostava de ter podido colocar aqui fotos feitas por mim. Significava que já tinha visitado este formidável simbolo de uma época e de uma filosofia de criação, mas isso não foi possível.

Desculpem a seca.

Como diria o meu grande amigo Soutelinho, que não gosta de blogs: "Não abram a porta a estranhos."

ZM

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Benasque IV

>> quinta-feira, julho 21, 2005

Tínhamos ido para os Pirinéus com um objectivo concreto na mochila: ascender os 2 cumes mais altos daquela cadeia, o Aneto e o Posets.
O primeiro, como sabem, já estava aviado. Faltava o outro. Assim, lá voltámos nós a deixar o parque de campismo que nos servia de campo base e arrancámos em direcção ao refúgio de montanha Angel Orús, de onde partiríamos no outro dia para ascender ao Posets, com 3.375m de altitude.
Depois de um acidentadíssimo percurso de automóvel chegámos a um estacionamento no meio da montanha, de onde se começa a subida a pé para o refúgio. A mim calhou-me, mais uma vez, transportar a Madalena "a espaldas", o que torna a subida duplamente mais cansativa. É que além do peso da criatura, tenho que ir sempre a contar histórias, tentando simultaneamente controlar a respiração.
Mal começámos a subir encontrámos esta cascata que sai de um pequeno lago num acidentado leito de rio.

Algumas histórias mais acima, fizemos uma pequena paragem para trocar a água às azeitonas e aproveitei para fotografar esta espécie de alcachofra violeta que enchia a beira do caminho.

Demorámos cerca de 2 horas, se não me engano, a chegar ao tão ansiado refúgio. Lá do alto, a vista é magnífica.

Este refúgio, ao contrário do da Renclusa, é bastante luxuoso. É o primeiro que vejo com duche nos quartos. Isso é tão raro, que as pessoas nem levam para cima o equipamento de higiene, pelo que não me parece que os duches sejam lá muito utilizados.
A sala de jantar tem uma saída para um terraço sobre o vale, de onde se avistam as inúmeras cascatas que irão alimentar o rio que vimos mais abaixo. Aqui fica um aspecto dessa sala, depois do jantar.

A comida, por outro lado, era verdadeiramente má. O jantar funciona em regime de self-service, cada um com o seu tabuleirinho com toda a refeição, da sopa à sobremesa. Habitualmente nos refúgios trazemos para a mesa uma terrina de sopa, e travessas com a comida. Com o sistema dos tabuleirinhos a distribuição da comida tem muito mais entropia (para não dizer que é um perfeito granel).
Fomos deitar-nos cedo, porque amanhã é dia de trabalho.
Estávamos num quarto com 12 pessoas e meia (a meia era a Madalena). Alguns minutos depois de tudo ter acalmado, ouve-se uma voz:
- Pai
- Sim, filha
- Está bué de escuro…
Gargalhada geral na cama corrida dos portugueses. Os restantes devem ter-se questionado o que teria dito aquela amostra de gente.
Às 5:00h da manhã toca o Suunto do Daniel e ala moço, vamos comer torradas.
Quais torradas? Aqui apenas tivemos direito a tostas embaladas e pouco mais. Um refúgio tão bom, gerido por gente tão antipática e mal disposta.
Fomos os primeiros a fazer-nos ao caminho. Lá fomos seguindo as indicações, que até determinado momento são absolutamente evidentes.

Acontece que este cume fica nas imediações do GR11 e a subida ao cume apanha grande parte de uns percursos laterais a este GR. Daí as marcações.
Nesta altura, o Daniel teve um apelo intestinal, o que seguido de um pequeno engano no caminho, nos fez perder a dianteira da expedição.
Um pouco mais acima, voltámos a ver nascer o Sol no meio das montanhas. Este é um dos mais belos momentos de uma ascensão deste tipo.

Começámos a subir por uma garganta que se chama "Canal Fonda", onde havia bastante neve, pelo que tivemos que batalhar um bocado até superar esse troço. Na descida haveríamos de utilizar as ferramentas de gelo para passar por este local com mais velocidade.

Aqui já estamos quase no final deste extenso canal.

Restava a pior parte. É preciso subir um ombro que leva por uma crista até ao cume do Posets, mas todo este troço é feito sobre calhau solto, ao longo de uma encosta muito íngreme. Quando cheguei ao topo estava mesmo nas últimas.

Tirámos as fotos da praxe no cimo do monte, observámos tudo à volta, fotografámos os outros com as máquinas deles (coisa que acontece em todos os cumes onde vai muita gente), comemos umas barritas, bebemos água e ala, que se faz tarde.

Quando abandonámos o cume, já vinham dezenas de pessoas a subir, lá muito em baixo. Uma das vantagens de começar bastante cedo é este enorme prazer (quase mauzinho) de estarmos de volta quando os outros ainda vão a caminho. Nós sabemos o que os espera e somos sempre alvo da inevitável pergunta:
- Falta muito?
- Não, é já ali (nunca se desanima as pessoas, tão perto do final!)

Quando chegámos ao refúgio, soubemos que as moças tinham sido postas na rua, para limpeza do mesmo. Irra que os homens eram mesmo mal dispostos. Se o Posets é bastante interessante como cume, além de estar num local muito bonito, já este refúgio não o recomendo a ninguém.
Existe outra forma de ascender o Posets, pelo vale de Estós. Parece que é bastante mais dura, mas só para evitar o refúgio Angel Orús, deve valer bem a pena o sacrifício.

Estamos quase de volta a casa.
Não percam o final desta aventura nos Pirinéus.

ZM

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Era uma vez um arrastão.


A jornalista Diana Andringa coordenou um trabalho em que desmonta as notícias alarmistas sobre o famoso "arrastão" da praia de Carcavelos, no dia 10 de Junho passado. É um pequeno filme impressionante que dá a entender que tudo não passou de um grande exagero dos noticiários da TV. Eu tenho optado ultimamente pelo noticiário da RTP1, mas já não tenho garantias de veracidade de nada do que é publicado nestes órgãos de comunicação.
Vejam mais em http://www.eraumavezumarrastao.net/

Já não sei o que me deixa mais preocupado, se um possível arrastão real, se uma onda de notícias muito exageradas ou mesmo falsas, divulgadas sem hesitação por canais de TV, jornais e rádios.

Alguém me arranja um emprego num país civilizado?

ZM

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Benasque III

>> quarta-feira, julho 20, 2005

No dia em que voltámos do cume do Aneto voltámos a ir dormir no Camping Aneto, junto à vila de Benasque. Tínhamos o suporte de uma roulote e as sopas da Joselinda para nos saciar os sabores. Depois de uma noite bem descansada, decidimos tentar espreitar o vale Ballibierna, ali perto. É um vale que dá acesso ao Aneto, pelo lado oposto ao que tínhamos subido, por onde se faz uma corrida (sim, uma corrida) até ao cume daquela montanha. É uma corrida louca, que percorre 42Km, com um desnível de 2.276m. O que é impressionante é que o recorde está abaixo das 4 horas! Chama-se Nike Aneto X-treme Marathon.
Tal como muitos outros vales desta área, durante o Verão, este vale está fechado ao trânsito automóvel.

Entretanto encontrámos um casal de espanhóis com quem já nos tínhamos cruzado 2 vezes nos dias anteriores e recomendaram-nos uma visita ao Forau de Aigualluts. Assim, decidimos seguir a sugestão e lá fomos de volta às marmotas, vacas e afins para voltarmos a chegar à Besurta, de onde parte o percurso para aquele local.

Forau de Aigualluts é o local onde desagua, se assim se pode dizer, o glaciar do Aneto. A água que escorre do glaciar forma um rio, que se despenha numa cascata, mergulhando numa caverna dentro da montanha. Esta água só voltará a ver a luz do dia, já bem longe dali, no Vale de Arán, onde julgo que vai engrossar o rio Garona, em direcção a França.
O caminho que leva a Forau de Aigualluts é muito bonito e relativamente plano. Recomenda-se vivamente, mesmo para quem não esteja em boa forma física.

Quando chegámos ao local onde a água do glaciar é engolida pela montanha, tínhamos o cume do Aneto, nosso conhecido da véspera, bem à frente dos olhos.

É o cume mais alto que se vê, à direita na foto, meio tapado pelas nuvens. O glaciar parece minúsculo visto daqui.


As imagens seguintes foram tomadas no regresso à Besurta, de onde voltámos a apanhar uma camioneta para o estacionamento do carro.



Já só faltam mais 2 episódios. Vão passando por cá.

ZM

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Feira Medieval de Óbidos

>> terça-feira, julho 19, 2005

No Sábado passado fomos visitar a Feira Medieval de Óbidos. Tenho tentado perceber porque é que as pessoas aderem tanto a este tipo de evento e não encontrei uma resposta. Como poderão já ter visto em posts anteriores, sempre que posso, também pico o ponto em qualquer feira medieval que se me apresente. Tendemos a esquecer as malvadezas que se praticavam naquela época e apenas nos deliciamos com a música e a forma "tradicional" de fazer as coisas, que são apresentadas nestas feiras. De resto, o castelo de Óbidos vale bem uma visita só por si.
Logo à entrada da vila, somos brindados com uma das mais belas buganvílias que alguma vez vi:

Um pouco mais adiante, fomos espreitar a igreja matriz. A Madalena, vá lá saber-se porquê, é uma verdadeira beata, pelo que sempre que vê uma igreja aberta, não descansa enquanto não vai lá espreitar.

Depois entrámos na parte da feira propriamente dita. Demos por lá umas voltas e dirigimo-nos aos comes e bebes, enquanto não chegava a marabunta.

Comemos umas espetadas à época, temperadas com ervinhas, acompanhadas de umas excelentes migas e regadas de cerveja preta, servida em copo de barro. Estava delicioso e foi surpreendentemente barato. Se lá forem recomendo a tasca do fundo, do lado esquerdo, onde têm espetadas com migas.
Entretanto fomos brindados com uma performance musical de grande nível, desempenhada por um grupo francês. As fotos seguintes são todas desse momento inesquecível




Andavam por lá uns rapazes, enfiados dentro de uma espécie de teatro de fantoches portátil, que azucrinam a cabeça de quem passa, tipo bobos da corte, mas com bastante piada. Seguem um pouco o estilo Gato Fedorento, mas mais improvisado.
Há muitas bancas de artesanato e saberes tradicionais. Podem consultar o programa das festas em http://www.cm-obidos.pt

Se vos interessar, passem por lá, mas vão com paciência porque a multidão é mais que muita.

Depois deste breve intervalo, não percam os restantes episódios de "uma aventura em Benasque".

Vão passando por cá.

ZM

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Benasque II

>> segunda-feira, julho 18, 2005

Na sequência do post anterior, aqui fica mais um bocadinho da história da ascensão ao monte Aneto:

Depois de um rico pequeno almoço de torradas, sumo e café com leite, colocámos a mochila às costas e fizemo-nos ao caminho. Pouco antes tinha saído igualmente um casal de eslovenos, que conhecêramos no dia anterior, e que nos haviam de acompanhar até ao cume, embora nem sempre lado a lado. O percurso inicia-se por um carreiro confortável e logo se transforma num caminho pouco definido, sobre um extenuante caos de blocos. Seguimos encostados a uma crista de rocha abrupta, até atingirmos o Portillon Inferior.

Pelo meio teríamos o enorme prazer de ver o Sol despontar, iluminando as montanhas circundantes e a neve que íamos pisando de vez em quando.


Desde aqui, seguimos primeiro por sobre a crista e logo por um caminho que a percorre pela direita até atingirmos finalmente o Portillon Superior, de onde já se avista o cume do Aneto. Levámos cerca de 2:30h até este local.

O cume do Aneto é o que se vê mais à esquerda na imagem. Parecendo estar já ali, levar-nos-ia cerca de 2 horas a atingir.
Já tínhamos subido mais de 800 m desde o ponto de partida. Agora já só faltava percorrer o glaciar do Aneto até chegarmos ao seu cume. É um longo caminho, mas já não dá tanto trabalho como a primeira parte.

Aqui vemos o Daniel sobre a parte mais alta do glaciar do Aneto. Ao fundo vemos a continuação da crista de rocha que atravessámos mais abaixo, no Portillon Superior.


4:30h depois de termos saido do refúgio da Renclusa, pisámos finalmente o cume do monte mais alto dos Pirinéus.

Tivemos o grande privilégio de ascender esta montanha num dia magnífico. A vista lá do alto é de tirar a respiração. Estamos rodeados por um mar de nuvens furado pelos cumes mais altos. Acima das nossas cabeças só temos azul. Outro aspecto em que fomos tocados pela sorte foi o facto de termos estado quase sozinhos no cume, coisa rara neste monte, que é muito procurado por ser o mais alto desta cadeia, embora um dos mais fáceis.
Depois de uma breve pausa, para recuperar o esforço e tirar umas fotos, voltámos ao mesmo percurso para regressarmos ao refúgio, onde nos esperavam as moças, que tinham ido fazer uma outra excursão mais leve, mas tão ou mais bela que a nossa.
Voltámos a passar o passo de Maomé, que dá acesso ao cume e que é o único troço desta ascensão que poderá causar alguns calafrios a quem não esteja acostumado a estas andanças.


A descida até ao refúgio, embora extremamente cansativa, fez-se em passo acelerado. Comemos uma bela sopinha para recuperar energias e água e voltámos a descer todo o caminho do refúgio até ao local da Besurta. Desta vez, eu e o Daniel apanhámos a camioneta. As pernas já não davam para mais…

Continua no próximo episódio.

ZM

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Benasque - I

>> sexta-feira, julho 15, 2005

Na ressaca de uns excelentes dias nos Pirinéus, aqui fica, aos bocadinhos, um curto relato.
Acampámos no Camping Aneto, no Vale de Benasque, perto da povoação de Benasque propriamente dita. A partir deste campo-base fizemos alguns passeios de um dia e 2 ascensões de 2 dias cada uma.
O nosso primeiro passeio foi à estação de ski de Cerler, onde havia uma cadeira a funcionar, para se poder ver as vistas lá do alto sem ter que subir tudo a pé. Foi lá que registei esta imagem:

No dia seguinte partimos para a nossa primeira expedição. Fomos dormir ao refúgio de montanha da Renclusa, para no dia seguinte ascendermos ao monte Aneto (3.404m), que é o tecto dos Pirinéus. Para se chegar ao Renclusa é preciso fazer uma caminhada de 40 minutos desde um local chamado Besurta. Acontece que durante o Verão uma grande parte dos vales dos Pirinéus estão fechados a viaturas particulares, pelo que é necessário apanhar uma camioneta até à Besurta. Nós optámos por fazer este pedaço do caminho a pé, para aquecer o esqueleto. Isto deu-nos a oportunidade de vermos inúmeras Marmotas, coisa que da camioneta dificilmente teríamos avistado.

Um pouco mais à frente fomos forçados a passar pelo meio das vacas.

O cenário era de tirar a respiração.

Quando chegámos ao local onde a camioneta poderia ter-nos deixado, já tínhamos caminhado cerca de uma hora, mas valeu bem a pena. Faltavam agora cerca de 40 minutos de subida até ao refúgio da Renclusa, onde dormiríamos essa noite.
Aqui vemos um cruzeiro que se encontra junto ao refúgio. Tem-se de lá uma vista espectacular sobre o vale que tínhamos acabado de percorrer.

Este é o refúgio propriamente dito.

Para quem não saiba, um refúgio é uma espécie de albergue de juventude, normalmente inacessível por carro, onde as condições não são muito comparáveis às de um hotel ou algo parecido. Em geral não é possível tomar banho, não se pode entrar com as botas calçadas, pelo que há uma bateria de chinelos à entrada, para quem chega trocar de calçado. Os horários são compatíveis com as actividades que se desenrolam nas imediações, pelo que, no caso do Renclusa, o pequeno-almoço é servido entre as 5:00h e as 7:00h da manhã. Nós tomámos o nosso às 5:10h e posso-vos dizer que havia fila junto à torradeira.

Vão passando por cá, que há-de haver mais.

ZM

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Robalinhos

>> sexta-feira, julho 01, 2005


No primeiro jantar das férias, gozámos bem o luxo de viver no campo. Não são os robalinhos que estão muito mirrados, é o pimento que é do Entroncamento.
ZM

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Relatividade

>> quinta-feira, junho 30, 2005

Albert Einstein criou uma experiência académica na qual, partindo de dois postulados, chega à conclusão que dois observadores em locais distintos vêem um acontecimento de forma radicalmente diferente.

Os postulados são os seguintes:
1 – Um observador não pode saber se está ou não em movimento, a menos que tenha referências externas ao seu sistema.
2 – Ao contrário da velocidade dos objectos com massa, a velocidade da luz é constante e independente da velocidade a que o observador se desloque relativamente à fonte.


Quanto à experiência, imaginemos um comboio que se descola a uma velocidade próxima da da luz (300.000Km/s). Lá dentro vai um observador, que de acordo com o postulado 1, a menos que olhe pela janela, não pode saber a que velocidade se desloca. A sua observação dos fenómenos tem que ser igual à que teria se o comboio estivesse parado. No meio da carruagem há uma fonte de luz que irá dar um flash. Quando a luz do flash atingir as portas, em cada extremo da carruagem, há um sistema electrónico que abre essas portas. Para o observador na carruagem a luz atingirá as portas ao mesmo tempo e estas abrem-se em simultâneo.
Há também um observador sentado no talude que vê passar o comboio a partir do exterior. Para ele a luz que sai do flash no meio da carruagem terá que ter velocidade constante, para respeitar o postulado 2, ou seja, a sua velocidade não pode somar-se à do comboio. Assim, enquanto o flash de luz caminha até chegar às portas, a carruagem avança ao seu encontro, logo a porta de trás apanha a luz enquanto a da frente lhe foge, abrindo-se primeiro a de trás e só mais tarde a da frente.
O mesmo acontecimento, visto de dois locais diferentes tem um aspecto totalmente diferente. A nossa observação depende do referencial onde estamos.

Agora perguntam os eventuais leitores que tiveram a pachorra de chegar até aqui: “mas será que a doença deste gajo é do foro psiquiátrico?”

Não, eu ainda não pirei do miolo. Lembrei-me desta experiência do Einstein, que sempre me fascinou, quando li nos blogs SaraMM e De Lisboa Com Amor, no mesmo dia, referências à forma como os homens em Portugal olham para as mulheres. Só que a Sara tinha como referencial Marrocos, onde esteve, e a Sushi Lover está ainda com o referencial a fugir para o Japão.
A Sara escreve que:
Damo-nos conta de que (afinal) somos imensamente sortudos - por haver igualdade entre os sexos, por podermos vestir o que nos apetece, por termos amigos dos dois sexos, por podermos viver com quem queremos, casando ou não casando.

No mesmo dia a Sushi Lover diz que:
Principalmente agora no Verão que, com o calor, só queremos andar de mini-saia e top e antes de abrir o armário... “este não pode ser porque há uma obra no fim da rua”, “...este é muito decotado e depois passo naquela oficina e... naaaa”, saia muito curta, calça muito justa... “querido, diz-me onde é que arrumei a burka?”.
Sim, sim, digam-me que posso ignorá-los à vontade. Por isso até já ponho o meu iPod aos gritos. Mas não posso (faz mal ao ouvido). O desconforto cola-se. É nojento. Corria à paulada todos esses anormais.


Ficamos assim a saber que um pouco de conhecimento da Teoria da Relatividade pode perfeitamente aplicar-se na leitura dos blogs.

O que dirá dos homens portugueses e seu comportamento um observador cujo referencial seja Portugal, em vez do Japão ou de Marrocos?

Desculpem a seca, mas estou de partida para férias e precisava de vos baralhar tanto as ideias que só quando chegar vos apeteça cá voltar, para não darem pela pausa.

Beijinhos, abraços e boas férias a todos.

Vão passando por cá.

ZM

PS: Abomino o modelo portuga chunga que manda piropos labregos a tudo o que mexe, sobretudo quando tem muita pela à vista ou o cabelo amarelo...

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Loja das Calças

>> quarta-feira, junho 29, 2005


Até ao 25 de Abril não era muito comum o uso de calças de ganga. Pelo menos lá por casa era mais habitual a "bombazina", normalmente com umas belas joelheiras de napa, compradas no Sr. Miguel. Acho que as primeiras calças de ganga que vi foram umas que o meu pai trouxe de Espanha, onde esteve uns tempos deslocado.
Por volta de 1980 abriu na Amadora uma loja chamada Loja das "calcas", na rua que levava à "estação velha" e ao Super mercado dos chineses (estávamos a 25 anos das lojas do chinês a pulularem como cogumelos).
Durante cerca de uma década seria aí que compraríamos as nossas calcas de ganga.
Hoje lembrei-me particularmente das Lois porque eram, pasme-se, AZUIS! Eram daquele azul indigo, que até tingia os ténis Sanjo. Eram grossas como a lona dos toldos de Carcavelos, ainda sem arrastão, e levavam 5 lavagens a domar e a tornarem-se confortáveis.
Lembrei-me disto por ter comprado agora umas calças de ganga, que já não usava
há anos. Fui à Zara, claro está. Num centro comercial. Os modelos disponíveis far-me-iam parecer extra-terrestre em 1980. Gostava de conseguir lembrar-me do preço das primeiras que comprei. Tenho quase a certeza que não chegaram aos quinhentos paus. Sim, 2.5 €!
O tempo vai deixando discretamente as marcas indeléveis da sua passagem, mas parafraseando a minha mãe, à laia de compensação: O diabo não sabe muito por ser diabo, sabe muito por ser velho.

ZM

PS: O Arrumario tem andado mal da saúde, por isso são tão escassos os posts.

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Flower power

>> sexta-feira, junho 24, 2005


Não sei porque razão embrulharam este edifício num manto de flores, mas dá uma imagem estranha e divertida. Neste momento, que eu tenha visto, existem dois edifícios cobertos com estas telas de flores na vila de Sintra.
Este, que se encontra junto ao parque de estacionamento por baixo da volta do Duche, há muito que digo que poderia e deveria ser recuperado. Podia por exemplo substituir a pousada de juventude de Sta. Eufémia, que quando os moços lá chegam já não têm energia para gozarem a Serra e os seus encantos. Um albergue juvenil neste local poderia animar muito esta zona, afugentando os meliantes e afins que por lá se passeiam depois do por do Sol.
Bom fim de semana.
ZM

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Solstício

>> quarta-feira, junho 22, 2005

Ontem esteve uma noite verdadeiramente excepcional. O solstício do Verão fez-se sentir para os lados do monte da Lua. As nuvens filtravam muito o intenso luar, mas a magia da Lua estava bem presente.
Estas fotos foram tomadas em Seteais.



O Verão entrou com convicção.
Só é pena a falta de chuva.
ZM

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Quinta do Carmo - parte II

>> terça-feira, junho 21, 2005


O Pedro Cabral enviou esta imagem e o texto que se segue. Obrigado Pedro pelas informações.

Julgo que a Quinta do Carmo foi pertença do Bispo Melo e Castro, como toda a região de Colares.
Foi um convento (suponho que de Carmelitas).
Até muito recentemente foi da família Melo e Castro (Conde das Antas ?) e parece-me que ainda pertence aos herdeiros.
A Quinta não está de todo abandonada. Poderemos dizer que não está caiada mas ainda há três ou quatro anos levou um telhado e respectiva estrutura todo novo.
A Capela, pelo menos de memória está longe de ser maior do que a de Colares.
Recentemente foi na Quinta do Carmo que foi rodada parte da telenovela portuguesa “Diabo Selvagem”.

Sobre este assunto e vários outros ligados à região, há um interessante livro “Colares” que se vende na Câmara ou nas lojas do Monte da Lua.

Cumprimentos

Pedro Cabral

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Jardim dos Sentidos

>> domingo, junho 19, 2005

Já é a segunda vez que aqui falo do restaurante Jardim dos Sentidos, junto à Praça da Alegria, em Lisboa. É um restaurante vegetariano, com um cozinheiro excepcional, um atendimento muito competente e prestável, sem ser "chato" e um ambiente muito acolhedor.

Passei por lá na sexta-feira, antes da palestra na Bivaque, que foi aqui anunciada.

Nesta altura do ano pode-se comer no pátio interior, o que é um verdadeiro luxo. Ninguém diria que se está no centro de Lisboa.
Encontram-no na Rua da Mãe de Água, do lado esquerdo de quem sobe, mesmo à saída da Praça da Alegria. Os preços não são propriamente baratos, mas uma vez por outra vale bem o esforço. Aos fins de semana é preciso marcar, caso contrário arriscam-se a não ter mesa. Tel: 21.3423670/1

Se for caso disso, passem por lá.

ZM

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Feira Laica

>> sexta-feira, junho 17, 2005

Proposta para o fim de semana:

Claro que quem lá vai estar é a nossa Ana Ventura.
Passem por lá.
Bom fim de semana.
ZM

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