Arquitectura - Uma recuperação exemplar.

>> segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Esta é a minha primeira pequena crónica de aquitectura. É uma área que me apaixona e tenho um grande desgosto por a ter descoberto tão tarde. Leio tudo o que apanho sobre a matéria e tenho-me "especializado" em arquitectura Bioclimática.
Este conceito de construção foi-me apresentado pela empresa Tirone Nunes, que foi quem projectou a casa onde hoje moro. Sobre isso falarei mais a fundo em crónicas futuras.
Foto de José Miguel Figueiredo, retirada do site da revista Arquitectura e Construção.
Hoje apresento-vos um projecto de recuperação, publicado pela revista "Arquitectura e Construção", da qual sou assinante, elaborado por 2 arquitectos que trabalharam com a Tirone Nunes. São eles Margarida Gomes e João Brandão.
A única coisa que não é fantástica nesta casa é a orientação solar. É demasiado virada a Norte, embora tenha uma vista magnifica para as praias de Sintra. Tudo o mais é fenomenal. Se a quiserem visitar vão até à aldeia do Penedo. Fica na estrada que liga o Penedo com Almoçageme, do lado esquerdo de quem sai do Penedo.
Aqui fica o link para o PDF do artigo da revista:
A Casa do Meio.

ZM

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Francesca Woodman

>> sexta-feira, fevereiro 25, 2005


Francesca Woodman é uma das artistas cujo trabalho e curto percurso mais me impressionou, desde que dela tomei conhecimento.
Naceu em Denver, Colorado, em 1958. Começou a fotografar com apenas 13 anos. Não sei explicar porque é que as fotografias que criou me tocam tanto, embora ache que é impossível ficar-se indiferente a elas.
Ela foi-se desfazendo perante os nossos olhos, diluindo-se no cenário, por vezes torturando-se. O objecto principal do seu trabalho era o próprio corpo, apresentado por vezes com uma visão tão comovente que parece impossível ter sido criada por alguém tão novo.
Esteve na Art School de Providence - Rhode Island. Em Janeiro de 1981 publica um livro que era claramente um pedido de ajuda: "Disordered Interior Geometries". Uma semana depois, atira-se da janela do seu apartamento, mergulhando finalmente para a morte, pela qual sempre se sentira atraída. Tinha apenas 23 anos.
Numa das últimas cartas que escreveu a Sloan Rankin, um ex-colega de escola, dizia: "My life at this point is like very old coffee-cup sediment and I would rather die young leaving various accomplishments . . . instead of pell-mell erasing all of these delicate things . . . "
(informações recolhidas de um texto de John Hershall)

Poderão encontrar muita coisa sobre esta fotógrafa na net, mas aqui fica um link por onde começar: http://www.heenan.net/woodman/





Espero que estas fotos vos digam tanto como a mim.
Vão passando por cá.

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O Penedo da Amizade

>> quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Hoje fala-se de escalada:
A Grande Cascata, no Penedo da Amizade
Acaba de ser publicado o topo-guia actualizado do Penedo da Amizade, em Sintra. Para quem não saiba, isso é o mapa das vias de escalada equipadas nessa falésia.
Ver mais -->

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Os tais croissants.

>> segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Lembram-se de um comentário lateral, que falava dos croissants da Pousada de Almeida, que pareciam feitos de pasta de papel?
Estes que aqui se mostram são o oposto. São os famosos croissants da Casa do Preto. Quem tiver a sorte de os apanhar num dia bom (é verdade que o cozinheiro é algo temperamental, pelo que nem sempre são tão bons), nunca mais quer outra coisa. Ao pé dos da Casa do Preto os de Almeida eram adressos de teatro, numa companhia de provincia.
Croissants da Casa do Preto, fotografados por mim, na mesa da sala

Confesso que sou um bocado apanhado por croissants dos autênticos, daqueles que nos enchem o colo de massa folhada, com uma massa fofa e amarelada por dentro, recheados de queijo, mas sem qualquer outra gordura (já basta o que basta!). Nos últimos tempos, parece que a receita anda perdida e já só os encontro em lugares muito especiais, como a Casa do Preto, em Sintra ou a Biarritz, junto à igreja de S. João de Brito.
A Casa do Preto é uma das 4 fábricas oficiais de queijadas de Sintra. As outras são a Piriquita, a SAPA e o Gregório. Cada uma tem a sua especialidade, mas todas fazem queijadas oficiais. O Gregório faz pastéis de nata capazes de encostar a um canto os de Belém, a Piriquita faz os incomparáveis travesseiros (e ninguém mais consegue fazer parecido) e a Casa do Preto faz os melhores croissants que conheço.
Uma das coisas que mais me desepera quando peço croissants em qualquer lado é dizerem-me que só têm pão de leite. É como se entrasse numa livraria a perguntar se tinham o último da Lídia Jorge e me dissessem que não, mas tinham o da Margarida Rebelo Pinto.
Babem-se e passem pela Casa do Preto. Não tenho comissão, mas tenho pena.
Vão passando por cá.

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A vida são 2 dias e o Carnaval são 4 (parte II)

>> segunda-feira, fevereiro 14, 2005

No seguimento do post anterior, aqui fica a segunda parte da nossa aventura em terras de nuestros hermanos, sob um intenso manto de neve.
Tínhamos decidido que, acontecesse o que acontecesse, íamos tentar conhecer os 3 Hermanitos mais de perto. Trata-se de 3 agulhas de rocha que se encontram no alto da crista que circunda todo o Circo de Gredos, bastante perto do refugio.
A foto que se apresenta foi tirada no último dia (Terça-feira), que foi o único em que vislumbrámos o Sol:
Os Hermanitos são as 3 agulhas da esquerda.
Assim, preparámos o equipamento, vestimos os escafandros e começámos a navegar num mar de neve a caminho da crista.
A neve era tanta que houve partes do caminho em que ficámos enterrados até ao peito! Entretanto lá nos fomos aproximando do corredor que dá acesso à base das agulhas e fomos ganhando altura. A dado momento, já desesperados com tanta neve por cima e por baixo, parámos uns breves instantes para recuperar calorias e baixar o ritmo cardíaco. Limpei a tampa da mochila para tirar a água lá de dentro, mas não tive grande sucesso porque a garrafa tinha o gargalo congelado, pelo que não podia beber grande coisa. Lá comemos umas bolachas e ao fim de apenas alguns minutos já tinha a mochila coberta de neve. Estava mesmo a nevar muito. Quando arrancámos de novo, deu-me uma fúria e comecei a acelerar pelo corredor acima. Foi aí que tomei esta imagem do Daniel, que seguia as minhas pisadas:
Daniel, seguindo o rasto das minhas pisadas.
No alto deste corredor, sentei-me numa pequena cornija, encostado a um calhau e esperei que o Daniel chegasse ao pé de mim.
Trocámos ideias sobre o que fazer em seguida, mas embora o meu parceiro de aventura estivesse interessado em tentar trepar rocha, eu não me deixei convencer. Recusei-me a abrir a mochila sob aquele nevão inclemente. Ainda fizemos umas breves incursões até junto do Hermanito da direita, mas acabámos por tomar a decisão correcta que foi a de abandonarmos o local. É impressionante a velocidade com que descemos, comparando com o tempo que levámos a subir.
Quando já estávamos de novo na parte baixa do Circo, dirigimo-nos a uma pequena cascata de gelo, onde estivemos, uma vez mais, a praticar boulder no gelo.
Boulder no gelo.
Depois montámos uma corda numa cascata maior que estava lá perto e estivemos a praticar escalada no gelo, com a corda por cima. Infelizmente não tirei fotos da reunião que fizemos para nos pendurarmos, mas eram apenas 2 parafusos cravados no gelo, unidos por uma fita. Um luxo!
Depois desta sessão de escalada em gelo, arrumámos as botas e fomos para dentro do refúgio esperar pelo jantar.

Agora perguntam alguns dos leitores: Afinal que história é essa de refúgio?
Um refúgio de montanha é um conceito que a maior parte dos portugueses ignoram, pelo simples facto de não haver cá nenhum. Em Portugal, a montanha mais alta que temos é, como sabem, a Serra da Estrela, mas chega-se lá acima de autocarro e o que encontramos lá no alto são hordas de labregos a fazerem skú, queijo flamengo disfarçado de queijo da Serra e muito lixo. Para evitar esse cenário, os países civilizados, com tradição de montanha, não fazem estradas para esses locais. Para lá chegar é necessário percorrer longos percursos, pelo meio da montanha, levando às costas tudo o que vamos precisar. Os refúgios são casas construídas em locais remotos, que servem de quartel-general a quem pretenda praticar actividades nas suas imediações.
Refúgio de Elola - Circo de Gredos
Em geral não têm água quente, muito menos duche. Apesar de terem um serviço de refeições (reservadas previamente), não é possível pedir um bocadillo de queso nem Coca-cola. Os refúgios são abastecidos por mulas e, poucas vezes por ano, com helicóptero, para levarem combustível, detergentes, etc.
Quando entramos num refúgio destes, temos à porta uma série de pequenos compartimentos onde teremos que deixar o nosso calçado. No meu caso, tiro a carcaça das botas e fico com o botim interior, mas o normal é calçar umas socas de borracha, que são fornecidas pelo refúgio.
Lá dentro existem cacifos para guardar as mochilas, já que estas não podem ser levadas para os dormitórios, para se evitar excesso de entropia. Existe uma cozinha para quem queira preparar as suas próprias refeições, mas cada uma leva o seu fogão. De resto há uma sala grande, onde toda a gente come e os dormitórios onde se encontram plataformas corridas, com colchões, onde cada um estende o seu saco-cama. Há sempre sinfonia de ressonanço, mas eu costumo chegar à cama tão cansado, que isso não me impede de dormir. Os dormitórios só estão abertos à noite. Quem quiser dormir uma soneca a meio do dia deve optar pelo Club Med.
Os WC são outra parte divertida da coisa. A água das torneiras, nesta altura, estava tão fria que congelava se parasse de correr. Assim, as torneiras estão afinadas de forma a nunca estarem fechadas, caso contrário têm que ir descongelá-las de maçarico (não estou a brincar, é mesmo assim que funciona). A bem dizer não são utilizadas para mais nada senão para lavar os dentes e mesmo isso é um valente sacrifício.
Aspecto dos lavatórios.
Além disso, nos refúgios não há caixote do lixo. O lixo não nasce lá, por isso quem o leva para cima trá-lo de volta para baixo. Só não trazemos de volta o papel higiénico usado!
A coisa mais próxima que existe de um banho, naqueles locais, no Inverno, é um pacote de Dodots. Esfregamos com toalhetes todas as partes que tivermos a coragem de expor ao ar livre e guardamos todos os toalhetes utilizados no saquinho do lixo que traremos de volta.
Finalmente, se nos fartarmos de lá estar, temos que caminhar pelos menos 2 horas e meia até chegarmos ao carro.
Muitos perguntarão:
- Mas por que raio de motivo alguém se presta a tanto sacrifício?
Este é o preço a pagar por quem pretenda estar naquelas montanhas. O que lá vemos e as coisas que fazemos valem TOTALMENTE o que se perde em conforto. E isso, em última análise, aproxima muito as pessoas que partilham essa escolha. Também por isso, nos sentimos particularmente irmanados com o grupo do Fundão.

No último jantar que partilhámos - pescado con patatas - abrimos 2 garrafas de vinho. O sabor do vinho naquelas paragens é algo de divinal. O efeito dos vapores etilicos é multiplicado pela altitude, pelo que acabámos a noite mais divertidos que nunca, a jogar esse intelectualíssimo jogo que dá pelo nome de Uno. Uma das garrafas de vinho foi oferecida pelo Óscar, um dos guardas do refúgio. Aqui fica o nosso sincero agradecimento.

No último dia da nossa estada em Gredos, abriu-se finalmente a cortina de nuvens que nos envolvera até então. Junto ao refúgio tomei esta imagem, onde se vêem as indicações para alguns dos cumes das imediações, bem como o Ameal Del Pablo em segundo plano. É a elevação bicuda que se vê mais à esquerda.
Indicações no Circo de Gredos - Ameal Del Pablo, em fundo, à esquerda.
Eu e o Daniel fomos os primeiros a sair do refúgio. Fomos nós quem abriu a huela que todos os outros seguiriam. Muitas vezes andámos enterrados em neve até aos joelhos. Como íamos bastante carregados e a abrir caminho fomos rapidamente apanhados pelos que nos seguiram. Entretanto fui-me dedicando a guardar mais algumas imagens:

Chegados aos Barrerones, o ponto mais alto da marcha para o carro, tirámos a foto de grupo que aqui se mostra:
Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Paulo Borges, Sara Lambelho, Daniel Silva, Jorge Troy Moreira, Ricardo, David Fé Vaz, Sara Henriques e Zé Maria (eu próprio)
Aqui temos a mesma ponte que aparece no inicio do post anterior, só que agora coberta de neve e cheia de Fundenses lá em cima:
A ponte é uma miragem...
Chegados aos carros, restava-nos a aventura de os fazer chegar a uma estrada de alcatrão em que não andássemos a dançar sobre a neve. Felizmente a Sara tinha um Land Rover, mas acabou por não ser necessário, já que após 2 atascanços passou o limpa-neves e pudemos chegar a Hoyos.
O Land Rover da Sara.
Claro que fomos comer o famoso bocadillo con queso empurrado a Coca-cola. Está visto que sou viciado, não?
Depois de 4 dias sem banho, a penar pela montanha como mulas, mas cheios de calor por dentro, por termos partilhado estes momentos com gente tão divertida, ainda nos faltava mais uma surpresa: uma armadilha da policia espanhola que nos custou 63 Euros de multa paga na hora!
O balanço final, mesmo com este extra, foi francamente positivo. Não vemos a hora de voltarmos a encontrar esta turma para apresentarmos os slides do Daniel. Parece que lá para o Fundão há uma tal Pizzaria Veneza que já está a acumular lenha e sacos de farinha para serem consumidos nesse encontro. Vai tudo a pé para casa, que o novo código da estrada não perdoa.
Esperamos ansiosamente esse dia.

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A vida são 2 dias e o Carnaval são 4

>> quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Eu e o amigo Daniel (agora apelidado Graziel) começámos por estabelecer como objectivo a conquista do Aneto, o cume mais alto dos Pirinéus, na semana do Carnaval. Depois de uma aturada investigação online e nas revistas da especialidade, rapidamente concluímos que isso não era viável nesta altura do ano. Assim, apontámos baterias à Serra de Gredos, onde já tínhamos passado o Carnaval de há 2 anos, como podem ver em http://www.gmesintra.com/artigos/gredos.htm.
A ideia original era passarmos os 3 dias do Carnaval no Circo de Gredos, dormindo em tenda, junto ao refugio de Elola, onde tomaríamos as refeições. Prevíamos escalar alguns dos cumes que nos tinham ficado atravessados da última vez: O Ameal Del Pablo e os 3 Hermanitos. Só não contávamos com a quantidade de neve que se precipitou sobre os nossos capacetes, como verão adiante.
Embora o Daniel quisesse ter saído de Lisboa às 6:30h da manhã, eu recusei-me a sair antes das 7:00h, mas por via de um bug no telemóvel novo (Nokia!) acabei por acordar exactamente às 7:00h, razão pela qual só nos fizemos verdadeiramente à estrada já depois das 8:00h.
Tanto eu como o Daniel gostamos muito de falar, pelo que a viagem até à plataforma onde iríamos deixar o carro pareceu ter durado uns breves minutos. Posso apenas lembrar que tivemos tempo de aviar um bocadillo de queso manchego, regado com azeite de oliva e empurrado a coca-cola com gelo, assim como tivemos um ligeiro engano no percurso que se revelou positivo, pela beleza da estrada em que acabámos por passar.
Chegados à plataforma - local que dista cerca de 2:30h do refúgio onde iríamos passar os próximos 3 dias - calçámos as botas de gelo, e fizemo-nos ao caminho.
Daniel ajoujado como uma mula, atravessando a ponte, no caminho para o refúgio de Elola
Para não termos que acartar com calçado que não usaríamos, empreendemos a caminhada com as botas de gelo, que no meu caso são umas botas com carcaça exterior em plástico e um botim interior, bastante quente. Não são a coisa mais confortável do mundo para caminhar em cima de rocha, sobretudo com uma pesada mochila às costas.
O ponto mais alto do percurso para o refúgio é um local chamado Barrerones, de onde se avista todo o Circo, incluindo o refúgio. No regresso desta nossa aventura já não passámos sós por este local, mas isso fica mais para a frente. No total acabámos por demorar 2 horas e 45 minutos a chegar ao refúgio. Só tivemos tempo de montar a tenda e entrar no refúgio para jantar.
A pobre tenda na manhã seguinte à primeira e única noite em que nos serviu de abrigo
Como tivemos que esperar pelo segundo turno do jantar, abancámos nas pontinhas dos bancos de uma das mesas a estudar os guias para as escaladas do dia seguinte. Foi aí que tomámos o primeiro contacto com o grupo do Fundão, que viria a animar-nos os serões no refúgio. Lá chegaremos.
Na manhã seguinte, acordámos sob um intenso manto de neve, como se pode ver pela foto da tenda.
Este aqui é o Daniel a preparar a mochila para a ascensão do dia: o Ameal Del Pablo.
Daniel preparando a mochila para a escalada falhada ao Ameal del Pablo
A neve que tinha começado a cair no início da noite anterior, só viria a parar na noite do último dia, pelo que arrancámos em direcção ao Ameal com visibilidade muito reduzida e cheios de neve no toutiço.
Não é difícil prever que chegámos ao início do corredor que devíamos ter subido para atingir a base da parede e nem o vimos. Acabámos por concluir que era melhor regressar ao refúgio. Mesmo que tivéssemos encontrado a base da parede, não tínhamos condições para escalá-la.
No caminho de regresso tentámos seguir as nossas pegadas de havia 15 minutos, mas o vento e a neve eram de tal ordem que aquelas tinham praticamente desaparecido. Acabámos por encontrar uma pequena cascata de gelo onde estivemos a treinar a nossa técnica, como se fosse um boulder de gelo (escalada sem corda). De qualquer forma se caíssemos tería sido num fofo colchão de neve recente.
Daniel armado em tartaruga Ninja, escalando um boulder de gelo
No que toca a escalada, este dia estava feito. Assim, fomos para dentro do refúgio comer umas coisitas e aguardar pelo jantar.
Refugio de Elola, no Circo de Gredos, num dia de muito mau tempo
Foi nesta noite que conhecemos o pessoal do Fundão, com quem viríamos a partilhar os jantares e serões daqui para a frente. A verdade é que nos tornaram a estadia MUITO mais divertida!
Acabámos a noite a jogar Uno, um jogo de cartas apropriado para quem está cansado e em altitude, já que não é preciso pensar muito. A minha prestação foi miserável, digna de um verdadeiro Zé Lopes...
Nessa noite dormimos dentro do refúgio. A tenda foi chão que deu uvas e se tivéssemos insistido em lá dormir, provavelmente aínda lá andavam com uma pá à nossa procura.
Na manhã seguinte iríamos conhecer os Hermanitos, mas o resto fica para um próximo post.
Aspecto do refúgio no único dia que tivemos sem neve (o do regresso a casa!)

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O Céu

>> quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Lago (Estany) Petit de Gerber - Um dos vários lagos do vale de Gerber, junto ao Porto de Bonaigua, nos Pirinéus espanhois - Vall D'Arán
Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.
José Luís Peixoto em Nenhum Olhar

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El Jinete Polaco

>> terça-feira, fevereiro 01, 2005

Dog, Siod, Brausen, Elohim, quienquiera que no seas y dondequiera que no estés, señor de las bestias y de los gusanos, legislador de océanos y muchedumbres aniquiladas de hombres, dueño insensato de la ironía y de la destrucción y del azar, tú que la hiciste a la medida exacta de todos mis deseos, que modelaste su cara y su cintura y sus manos y tobillos y la forma de sus pies, que me engendraste a mí y me fuiste salvando día a día para que me hiciera hombre y la necesitara y la encontrara, (...) no permitas que ahora la pierda, que me envenene el miedo o la costumbre de la decepción, guárdala para mí igual que guardaste a sus mayores para que la trajeran al mundo, (...) y si a pesar de todo me la vas a quitar, no permitas la lenta degradación ni la mentira, fulmíname en el primer segundo del primer minuto de rencor o de tedio, que me quede sin ella y sufra como un perro pero que no me degrade confortablemente a su lado, que no haya tregua ni consuelo ni vida futura para ninguno de los dos, que las manos se nos vuelvan ortigas y tengamos que mirarnos el uno al otro como dos figuras de cera con los ojos de cristal, pero si es posible, concédenos el privilegio de no saciarnos jamás, alúmbranos y ciéganos, dicta para nosotros un porvenir del que por primera vez en nuestras vidas ya no queramos desertar.

Aquele que é para mim o melhor romance de todos os tempos chama-se El jinete polaco (O cavaleiro polaco, na versão traduzida) e termina com a mais bela declaração de amor que alguma vez vi escrita, a que acabou de vos deixar sem fôlego, se a leram até ao fim. É, além disso, uma ode ao amor eterno, coisa rara por estes dias. Dedico-a a um par de amigos, muito especial, que anunciaram há pouco a sua intenção de juntarem os trapinhos. Já ofereci este texto a outra mulher, que nem sempre acredita que pretendo cumprir este voto, dedico-o também, mais uma vez, a ela.

Desculpem a lamecha, mas ninguém disse que os arrumários só tinham coisas fáceis.

Vão passando por cá, que a coisa há-de melhorar.

PS: El Jinete Polaco é do escritor espanhol Antonio Muñoz Molina. Se quiserem lê-lo, comecem por um outro romance do mesmo escritor, que é uma espécie de "primeira parte", chamado Beatus Ille.

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Amarelo

>> sábado, janeiro 29, 2005

Estou a ler um livro, sobre o qual voltarei a falar quando tiver terminado, no qual há uma história marginal que, às páginas tantas diz o seguinte:
"A minha cor preferida. É o amarelo. Um dia, há muitos anos, chovia que Deus a dava, e (...) na beira da estrada... estavam, não sei, cinco ou seis homens a trabalhar, a cavar, talvez... todos com impermeáveis daqueles amarelos. Sabes, uns que são mesmo amarelos? (...) Todos de amarelo os tipos, no meio da chuva torrencial, na lama, no meio daquela escuridão, a cavarem o lá o que era... E, quando passei de carro, aconteceu baixarem-se ao mesmo tempo. Assim ao mesmo tempo, como se tivessem combinado. Foi incrível. Esqueci-me de milhares de coisas, mas isso ficou-me. Uma coisa que um tipo vê na beira da estrada num dia normal, por acaso..."
Numa época de alguma escuridão, fazem-nos falta estas pequenas luzes amarelas. Acho que este texto é uma dessas coisas incríveis, que julgo que levarei tempo a esquecer.
O livro chama-se "do sol", assim com minúsculas e tudo. É do Jacinto Lucas Pires.
Kangoo Amarelo Limão - o nosso Yellow Submarine
Já repararam como os automóveis ultimamente são maioritariamente cinzentos? Ou são prateados, ou cinzentos escuros ou pretos, ou azuis escuros. As pessoas parecem ter medo de ter carros coloridos. Se olharem com atenção para uma fila qualquer de carros em Portugal, ou o parque de estacionamento de um centro comercial, quase não encontram cores garridas. Não estaremos nós naturalmene a caminhar para aquele retrato da china proletária, com toda a gente vestida de cinzento?
Aqui fica então o apelo, comprem carros coloridos. Vamos decretar que é proibido comprar carros cinzentos.
Uma homenagem especial a um grupo de amigos das montanhas que, por acaso, todos compraram Kangoos bem coloridos. Como o nosso, que é justamente amarelo.
Alegrem-se e vão passando por cá.

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As receitas do Carlitos - 001

>> quinta-feira, janeiro 27, 2005

Como o prometido é de vidro, aqui fica a primeira receita do Carlitos. O título sugere que poderemos chegar às 999, mas temos que começar por algum lado. Tomem nota ou imprimam, porque mais tarde vão querer lembrar-se e já não sabem onde viram. Hoje vamos aprender como se faz Tiramisu à Carlitos.

O Carlitos diz que a coisa mais importante no sucesso de uma receita é a qualidade dos ingredientes. Assim, quando falarmos em Farinha Branca de Neve com fermento não estamos a falar de farinha não sei quê, comprada no Mini Preço, porque sai muito mais em conta. É verdade que este doce não leva farinha, mas se levasse era Branca de Neve com fermento. Se houver várias hipóteses no supermercado tragam a mais cara.

Posto isto passemos ao Tiramisu propriamente dito.
Ingredientes:


  • 250g de Mascarpone Galbani (eu escrevi Galbani, não foi outra coisa qualquer! Encontram no Carrefour. Se não encontrarem, fiquem-se por aqui ou comprem uns pasteis de Belém, que terão muito mais sucesso.

  • 150g de palitos de La Reine (dos caros)

  • 4 ovos (vamos usar 3 claras e 4 gemas)

  • 80g de Cacau em pó

  • 1 taça de café com 1 cálice de vinho do Porto (este pode ser ordinário)

  • 4 colheres de açúcar


Creme Mascarpone: Bata o açucar com as gemas e vá juntando o Mascarpone até formar um creme. Junte as claras batidas em castelo. (Nota do editor: a minha mãe diz que não se pode bater com a colher numa tigela onde estejam claras em castelo. Esta não é do Carlitos, mas fica aqui para quem não soubesse.)
Numa travessa funda, que possa ir à mesa, coloque uma camada de palitos de La Reine, depois de os molhar no café com vinho do Porto. Barrar agora com uma camada de creme Mascarpone e assim sucessivamente até esgotar os palitos e o creme. Finalmente polvilhar com o cacau em pó e deixar no frigorífico durante 3 horas.
Uma sugestão opcional: cobrir tudo com rodelas de morango.

Se estavam à espera de uma foto do resultado final, estão com pouca sorte. O Carlitos não forneceu e eu não me arrisco a publicar uma feita por mim. Às tantas sai-me um pão de Ló e vocês dizem que eu estive a enganar-vos.

Boa sorte e bom apetite.

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Viagem ao Portugal profundo - e frio (IV)

Aqui fica finalmente a quarta e última parte desta crónica em fascículos.
Na manhã de Domingo voltámos a acordar sob um espesso manto de nevoeiro. Imagino que isso já enjoe os leitores, pelo menos tanto quanto nos enjoou a nós próprios. Tomámos o pequeno almoço na Pousada e dissémos-lhe adeus. Almeida é, sem dúvida, uma aldeia a visitar, mas noutra altura do ano. Todo aquele planalto é de uma beleza indescritível e o pouco que conseguimos ir vislumbrando pelas curtas abertas deixou-nos água na boca para uma próxima visita.
Dirigimos-nos para Sul, em direcção a Castelo Mendo. O nevoeiro era tanto que acabámos por perder-nos. Isso fez-nos entrar em Castelo Mendo por um lado ainda mais bonito.
Entrada da muralha de Castelo Mendo

A entrada da povoação é um verdadeiro espectáculo. Aqui fica uma vista da aldeia a partir de um local chamado Calvário.
Castelo Mendo visto do Calvário

E aqui têm o cruzeiro do lado de fora da muralha:
Cruzeiro

A visita à aldeia é muito interessante e, felizmente, está toda documentada nas placas de informação, que são inúmeras. É um museu vivo, e aconselho toda a gente a despachar-se a lá ir. Daqui a muito pouco tempo já só vai ser um museu morto. Sente-se por todo o lado que esta é a última geração de gente que lá vai morar.
No centro da aldeia encontramos o maior pelourinho da Beira Alta, pelo menos foi como nos venderam a coisa. Tem 7 metros e não sei quê e é impressionante. O largo onde se encontra é muito arrumado e tem um ambiente medieval que nos faz realmente viajar no tempo:
Pelourinho de Castelo Mendo

Castelo Mendo tem 2 niveis de muralha. Já fora do primeiro, do lado oposto à entrada, temos uma zona alta, com vista para o rio Coa, onde encontramos a ruina de uma igreja, na qual ainda é possível ver frescos. Parece impossível como aquilo está ao abandono. Os nossos filhos já não vão ter nada para ver senão um monte de pedras.
Igreja

Seguimos um percurso dentro da aldeia sugerido por um livro publicado há anos pelo Inatel e vimos aínda a janelinha que tinha funções de roda dos expostos. É impressionante como isso é uma constante em quase todas estas aldeias. Saímos por onde tinhamos entrado, tendo aínda a sorte de ver um pouco da vida real desta aldeia:
Vida real num museu vivo

O resto do dia foi passado em alegre viagem em direcção a Lisboa. Como é evidente, escolhemos o "caminho das pedras". Fomos até ao Fundão e daí apanhámos a estrada para a Pampilhosa da Serra, daí para a barragem do Cabril, que estava completamente vazia e fomos apanhar o IC8 ao Pedrógão Grande. Passámos diversas vezes sobre o Zêzere e ficámos impressionados com a imagem da seca. Todas aquelas piscinas flutuante que estamos habituados a ver por ali estavam em terra e a dezenas de metros da água!
A crónica desta viagem fica por aqui.
Depois destes dias cheios de actividade aqui no blog, vai ser difícil manter-vos animados, mas já sabem que agora a coisa vai acalmar um pouco, por isso reduzam as expectativas e continuem a passar por cá.

Estão prometidas para breve 2 tipos de crónica regular (sem periodicidade definida):
1 - As receitas do Carlitos
2 - Crónicas de arquitectura para principiantes.

Vão passando por cá.

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Viagem ao Portugal profundo - e frio (III)

>> quarta-feira, janeiro 26, 2005

Depois de descongelarmos os ossos com o aquecimento do carro, lá fomos estrada fora, no meio de um intenso nevoeiro. Não pensei que o "Under the Sea" que tinhamos anunciado viesse a revelar-se tão real. De facto, o nevoeiro era tão intenso que pareciamos figurante das 20.000 léguas submarinas, neste caso, na versão Beatliana de Yellow Submarine (para quem não saiba, faziamos-nos deslocar num Kangoo amarelo berrante). Ainda parámos em Castelo Rodrigo, mas a curtissima visibilidade e o intenso frio fizeram-nos prometer que voltariamos outro dia, eventualmente em Agosto! Visitámos uma pequena loja de produtos locais, muito completa, onde adquirimos um apetitoso doce de figo e umas amêndoas cobertas de açucar. É mesmo à entrada do Castelo e vale bem a pena.
Continuámos a nossa diáspora e passámos em Vila Nova de Foz Coa, que também deve ser um sítio muito interessante quando deixar de estar submersa naquela espessa cortina de núvens.
Finalmente, após muito navegar, emergimos na primeira povoação ensolarada do dia: Penedono. É sem dúvida um local a visitar. Logo à entrada da aldeia fomos brindados com esta fantástica visão do castelo:
Castelo do Penedono
Tudo à volta era nevoeiro, mas Penedono parecia um oásis ensolarado. Entretanto já estava na hora da bóia, pelo que procurámos um local para almoçar. Depois de uma rápida análise pelas tascas locais, decidimos subir um pouco a parada e sentámos-nos no restaurante da Estalagem do Penedono, de seu nome "O Magriço". Fomos muitíssimo bem atendidos, por uma simpática senhora, que aparece aqui na foto, e comemos um delicioso arroz de cabrito, rematado por um pudim Abade de Priscos capaz de provocar diabetes ao mais audaz comilão.
Restaurante Magriço, na Estalagem do Penedono

A vista da janela do restaurante é notável:

Castelo visto do restaurante

Para desmoer o almoço, fomos até ao castelo, que é absolutamente monumental, passe o pleonasmo. No largo de acesso estava um tipico grupo de velhotes, que não resisto a mostrar:
Núcleo de reformados do Penedono

Finalmente, visitámos as 2 igrejas, sendo que uma delas (julgo que será a igreja matriz) tem um tecto e um retábulo dignos de nota:
A igreja de Penedono

Durante o resto do dia, e como somos amigos de fazer quilómetros, ainda passámos por Longroiva, uma aldeia fabulosa, com um nome difícil até de imaginar, quanto mais de pronunciar. Além deste belíssimo castelo, assente bem no alto da aldeia:
Castelo de Longroiva
tem ainda uma série de sepulturas escavadas na rocha (algumas delas entretanto submersas sob construções modernas). Quando já saíamos de Longroiva, a Raquel exclama arrepiada que estava um garoto a tomar banho num tanque, completamente nú. Ora, nós estávamos a tentar recuperar a circulação nas extremidades depois de alguns minutos a passear pela aldeia, dada a baixíssima temperatura que se fazia sentir! Afinal, verificámos que o tanque onde a criança fazia a sua sessão de natação era uma nascente de água quente natural. Das entranhas da terra brota ali um jorro de água mais quente do que a que estamos habituados a ter no duche. O cheiro não é dos melhores, mas parece que a água é milagrosa e cura inúmeras doenças, razão pela qual o nosso banhista se divertia em animados mergulhos enquanto o olhavamos a tiritar.

Tivémos ainda tempo de visitar Marialva antes do por do Sol, mas desta vez o castelo estava encerrado. No entanto, nas imediações do mesmo há umas casinhas de turismo de habitação que recomendamos vivamente (ver http://www.assec.pt/casa-do-coro/), para além de uma loja de produtos locais com muito bom aspecto. Junto ao castelo, vimos esta igreja:
A Roda dos Expostos

Finalmente, já mesmo depois do por do Sol, passámos em Pinhel, onde visitámos mais um castelo. O frio era mais que muito, vimos marcado num termómetro de rua -1º! Mesmo assim, fizémos esta divertida imagem do Castelo de Pinhel:
O fantasma de Pinhel

Lá voltámos a Almeida, onde decidimos comer num dos tais restaurantes que não são dignos desse nome. Já comi pior, mas não me lembro onde...

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Viagem ao Portugal profundo - e frio (II)

>> terça-feira, janeiro 25, 2005

As casas da Beira Alta, fomos-nos apercebendo ao longo destes dias, não são edificadas nem mantidas tendo em vista o isolamento térmico. No geral os vidros são simples, as portas e janelas são de fraca qualidade e por vezes com buracos suficientemente grandes para circularem por lá roedores de grande porte. É fácil imaginar que o interior daquelas habitações não seja propriamente confortável. Pois este cenário estendia-se também à própria pousada. Não que o quarto tivesse buracos para a rua, mas a janela é francamente má e a temperatura exterior estava suficientemente baixa para ganhar a batalha do calor ao ar condicionado do quarto, a trabalhar no máximo. Enfim, nada que 2 corpos juntinhos e 4 cobertores não resolva.
Na manhã seguinte, Sábado, quando espreitámos pela janela, não nos surpreendeu o retrato do tal frio, escrito em cada telha, em cada pedaço do chão:

Geada na Beira Alta

O pequeno almoço era bastante completo, mas não tinha croissants dignos desse nome. Qualquer dia explico-vos o que é para mim um croissant.
Saimos bastante cedo porque pretendiamos dar uma longa volta. Quando chegámos ao carro deparámos-nos com esta teia gelada, no limpa pára-brisas traseiro:

Uma teia congelada

O carro estava completamente coberto de gelo. Só ao fim de longos minutos de aquecimento foi possivel descongelar o vidro da frente para podermos seguir viagem.
Logo ali, junto à pousada, vimos a roda dos expostos:

A Roda dos Expostos

O primeiro lugar onde fomos foi Castelo Rodrigo.

Continua...

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Viagem ao Portugal profundo - e frio.

>> segunda-feira, janeiro 24, 2005

Tal como tinhamos anunciado, fomos arejar as ideias para longe da cidade. Fomos para uma das poucas zonas de Portugal que não conheciamos. Ficámos na Pousada de Almeida, que não se pode considerar propriamente um luxo, mas Almeida vale por si e as surpresas da Pousada só tornaram a coisa mais divertida. O interior de Portugal é aínda (e talvez nunca deixe de ser) um outro país. Até o clima parece mais o que esperamos encontrar nos Pirinéus do que o que alguma vez imaginámos que exista no território em que vivemos.
Chegámos a Almeida por volta das 17:30h. Estava um frio capaz de rachar os ossos de um casal de sintrenses, mas nem por isso deixámos de dar uma volta de reconhecimento ao local. A recepcionista da pousada - vá lá saber-se porquê - achava que eramos de Cascais, mas nós chegámos à conclusão que se não fosse o facto de habitarmos em Sintra, provavelmente não estaria vivo para vos contar esta história, tal era a intensidade do frio que tivémos que enfrentar.

Almeida ao final do dia

Por hoje apenas vos deixamos as 2 primeiras imagens que registámos neste nosso passeio. Ambas foram tiradas no final de um dia sem nuvens, mas muito, muito frio.
O edificio que aqui vêm é a Câmara Municipal de Almeida. A sombra vaga que se vê nas escadas é a Raquel.

Edifício da Câmara Municipal
Depois desta pequena volta pela encantadora Almeida, perguntámos à simpática recepcionista da Pousada onde poderiamos comer. Indicou-nos todos os restaurantes (?) de Almeida, que são 4. Destes 4, apenas 1 poderia ostentar o nome de restaurante na definição da maior parte das pessoas, e foi lá que decidimos jantar. Afinal estávamos ali para arejar as ideias. Comemos umas costeletas de borrego razoáveis, bebemos um vinho divertido, do Dão, e voltámos à pousada a tiritar de frio.
Ao longo dos próximos posts contar-vos-ei o resto da história.
Até lá.

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como não tenho lugar no silêncio onde morrem as gaivotas,

>> quinta-feira, janeiro 20, 2005

como não tenho lugar no silêncio onde morrem as gaivotas,
despeço-me no oceano e deixo que o céu me conheça.
talvez a serenidade possa ser as minhas mãos a serem uma
brisa sobre a terra e sobre a pele nua de uma mulher.
esse dia, esperança de amanhã, poderá chegar e estarei dormindo.
hoje, sou um pouco de alguma coisa, sou a água salgada
que permanece nas ondas que tudo rejeitam e expulsam
na praia. as gaivotas sobrevoam o meu corpo vivo. os meus
cabelos submersos convidam o silêncio da manhã, raios de sol atravessam
o mar tornados água luminosa. aqui, estou vivo e sou alguém muito longe.

José Luís Peixoto
in [A Criança em Ruínas]


Under the sea, is where I'll be
No talking bout the rain no more
I wonder what thunder will mean, when only in my dream
The lightning comes before the roar
Under the sea, down here with me I find I'm not the only one
Who ponders what life would mean if we hadn't been
So dissapointed in the sun

And that's why we're thinking,
that's why we're drinking in a bar under the sea

dEUS
in [In a Bar Under The Sea - CD - Island]

Vamos de fim de semana. Estaremos algures debaixo do mar, ou na espuma salgada das ondas, ou no sopro violento das montanhas. Diluidos no hálito da floresta.

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