Reformas e vencimentos
>> terça-feira, janeiro 10, 2012
Tendo como ponto de partida esta notícia do Expresso online, há alguns aspectos que me merecem reflexão:
1 - Penso que não há nenhuma justificação para se manterem em Portugal reformas e pensões de valores astronómicos, sobretudo quando se enfrenta a possibilidade de um colapso na segurança social e, particularmente, num momento em que tantos reformados e pensionistas viram o seu magro rendimento ser encolhido por questões orçamentais.
2 - Considerando que o objectivo das reformas e pensões é permitir às pessoas uma vida decente após terem deixado a vida profissional activa, e considerando que quem aufere reformas de milhares de euros seguramente auferiu durante o período de descontos um rendimento igualmente elevado, tendo tido oportunidade para amealhar mais do que quem aufere um salário mínimo, não há nenhuma justificação para alguém receber no actual contexto da nossa economia uma reforma de 5.000€ ou mais.
3 - Assim, na falta de outras razões para ter vergonha de andar na rua de cara destapada, o sr. Catroga devia ter vergonha de auferir 9.600€ de pensão, porque não precisa para nada dessa "ajuda", paga pelos actuais contribuintes, que estão no geral em muito pior situação do que ele.
4 - Como se isso não bastasse, irá acumular a "ajuda" com um ordenado de 45.000€ por mês, coisa que eu considero um escândalo que devia dar direito aos velhos que não têm dinheiro para a farmácia de lhe cuspir nas ventas, acaso tivessem a sorte de se cruzarem com ele entre o Jaguar e a mansão.
5 - Portugal nunca será um país onde as pessoas se sintam verdadeiramente bem enquanto uma pessoa, seja qual for a sua profissão, ganhar num mês mais do que ganham 94 pessoas que aufiram o salário mínimo nacional (475€).
6 - É revoltante. Tenho dito.
Os distantes Açores
>> quinta-feira, dezembro 08, 2011
Aqui nos Açores é frequente ouvir os locais designarem os continentais por “portugueses” (eu estou incluído nessa categoria). Se pode parecer bizarra essa designação, com o tempo vai-se percebendo que os Açorianos não se sentem inteiramente Portugueses (agora sem aspas).
Há diversas razões que concorrem para fortalecer esse sentimento. Os “portugueses”, na generalidade, sabem muito pouco sobre os Açores e sobre o que é viver neste arquipélago. Aqui ficam algumas notas breves:
• Em primeiro lugar, grande parte dos “portugueses” não sabe bem quais são as ilhas dos Açores, nem em que grupo de encontram. Muitos não sabem sequer quantas são. Há muita gente que julga que Ponta Delgada ou a Horta são ilhas, outros não fazem a menor ideia de onde raio fica a Graciosa ou as Flores. Penso que há mais gente a ter dúvidas destas do que baralhado com a localização da Bragança ou de Beja.
• Outra coisa que muito pouca gente saberá é que este arquipélago, que tem 9 ilhas (já ficam a saber esta), tem apenas 3 hospitais. Sim, 3 hospitais. Só há hospital público na ilha Terceira, no Faial e em S. Miguel. Penso que S. Miguel tem ainda um hospital privado, mas públicos só há estes 3.
• Mesmo para os residentes, as passagens de avião para Lisboa custam frequentemente mais de 200€ por pessoa. É verdade que há umas passagens a 80€, mas só se apanham com 1 ano de antecedência. Tentem avaliar quanto custa a uma família como a minha (5 pessoas) deslocar-se uma vez por ano a Lisboa. Com esse número presente, equacionem a distância económica que separa estas ilhas do continente. Comparem esse número com o que gasta uma família de Vila Real a ir à capital do reino visitar uns parentes.
• Ao contrário do que muita gente pensa, os Açores não são um grupo de ilhas à vista umas das outras, que permita a ligação entre elas com carreiras tipo cacilheiro. Durante o Inverno, altura em que não há linhas regulares de barco, para passar da Terceira, onde moro, para a ilha mais próxima terei que despender na casa dos 150€, ida e volta de avião. Se juntar a família, vejam lá o que isso dá. Dava para ir de carro de Lisboa a Madrid, passar o fim de semana num hostal e entrar em diversos museus. Provavelmente ainda sobrava o suficiente para comer um “Chuletón” na Puerta del Sol.
• Entre as ilhas mais distantes do arquipélago – Santa Maria e Corvo – distam mais de 600km, que é justamente a distância de Lisboa a Madrid por estrada. Como imaginam, mesmo na altura do ano em que há barcos, não é possível ter ligações entre as ilhas que permita ir e voltar quando se queira. Nem sequer no grupo central, que tem 5 ilhas relativamente próximas (Terceira, S. Jorge, Pico, Faial e Graciosa), é possível ir passar o fim de semana à ilha do lado, a partir da Terceira ou da Graciosa.
• Os dois pontos que acabo de descrever implicam que na verdade os Açores são 9 ilhas muito isoladas, com apenas algumas excepções naquelas que são mesmo mais próximas entre si.
• As redes eléctricas das ilhas são todas redes isoladas. A electricidade de origem renovável de uma ilha, só pode ser utilizada nessa ilha. Mesmo assim, o arquipélago no seu todo usa já 28% de electricidade de origem renovável.
• O jornal Expresso, no qual sou viciado há décadas, chega cá no Sábado ao final da tarde ou, se a coisa correr mal, no Domingo. Embora o preço de capa seja igual ao do resto do país, todos os anexos são pagos. Os cadernos normais do Expresso estão incluídos no preço de capa, evidentemente, mas sempre que é oferecido algum anexo, seja um caderno extra, sejam DVDs, são pagos à parte por quem os pretenda. Curiosamente, no caso das colecções, o primeiro número é sempre gratuito, os restantes são pagos, mesmo que toda a colecção seja oferecida pelo jornal. Suponho que isto se passe em todos os outros jornais e publicações.
• É frequente irmos ao Continente – coisa que só existe em 3 das ilhas, se não me engano, e no caso da Terceira apenas desde que as marcas Modelo e Continente se fundiram – e não encontrarmos determinado produto comum, como por exemplo fraldas do tamanho x ou iogurtes simples da marca Continente. Neste momento o Simão anda a gastar umas fraldas do número abaixo das que devia porque simplesmente não havia o número dele no supermercado.
• Finalmente, uma coisa muito curiosa é que, dada a frequente inclemência do clima, toda a gente sabe onde encontrar informação detalhada sobre o tempo que vai fazer. Vive-se quase numa atmosfera Alpina, com mudanças de clima bruscas e violentas, mas com toda a gente a conhecer bem os prognósticos. Alguns cafés têm expostas impressões do prognóstico para os próximos dias, como nos Alpes. Aqui, uma velhota info-excluída pode perfeitamente saber como utilizar o Wind Guru ou os sites da Universidade para saber se há-de estender a roupa agora ou mais logo.
Isto pode parecer uma quantidade de banalidades, mas penso que pode ajudar os “portugueses” a saber o quanto custa manter estes calhaus povoados. Por vezes questiono-me se a República (como diria o Alberto João) se dá conta da mais valia dessa ocupação. Agora que se fala tanto na economia do mar, talvez fosse positivo reflectir-se um pouco sobre o sacrifício que fazem os Açorianos para se manterem por cá.
Like tears in the rain
>> domingo, outubro 30, 2011
I've seen things you people wouldn't believe.
Attack ships on fire off the shoulder of Orion.
I watched c-beams glitter in the dark near the Tanhauser Gate.
All those moments will be lost in time, like tears in the rain.
Time to die.
Hoje lembrei-me desta cena do Blade Runner. Flizmente existe YouTube.
Um dos melhores filmes de todos os tempos.
Inigualdade
>> quinta-feira, outubro 27, 2011
Mais uma estupenda apresentação do TED, que nos mostra quanto Portugal fica mal nesta fotografia da igualdade.
Prestando atenção às posições ocupadas por Portugal, dei comigo a corar, engolir em seco e a pensar o que raio têm andado a fazer os sucessivos governos desta desgraça nas últimas décadas. Era para resolver esta questão da desigualdade que eu gostava de ver esforços políticos. Aqui é que se devia fazer o tal pacto de regime, para 30 anos.
Apetece gritar ACORDEM!
Liderar equipas
>> segunda-feira, outubro 17, 2011
Pergunta feita a Guy Kawasaki, ex-conselheiro de Steve Jobs e guru de culto da Apple:
Qual foi a lição mais importante que aprendeu quando começou a liderar equipas?
(Publico isto aqui, na vã esperança de que chegue a muitos "lideres" com tanta falta de jeito). Read more...
Here's to the crazy ones...
>> quinta-feira, outubro 06, 2011
Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules. And they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify or vilify them. But the only thing you can’t do is ignore them. Because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as the crazy ones, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do.
Via A Barriga.
Vejam bem o que vai nestas cabecinhas
>> domingo, agosto 21, 2011
Artigo de opinião no Diário Insular (um dos dois importantes jornais locais):
"SEXO EDUCADO
O calor do verão excita os neurónios legislativos da secretaria regional da Educação. Com pouca descrição e menos intimidade ainda, em jeito de escapadela atrevida, procriam-se ali decretos, resoluções e portarias, sem olhar à paternidade ou bastardia dos visados.
Apanhados de surpresa, sem terem perdido decência alguma, os professores coram. Mais por raiva do que por vergonha. E os pais, impávidos ou distraídos, ainda não reagiram. Coitados, uns e outros são sempre os últimos a saber.
O facto foi consumado: toda a criançada vai ter educação sexual na escola. Obrigatoriamente. Quando os exames nacionais puseram a nu, mais uma vez, as fraquezas do sistema educativo regional, suas excelências da governação preferem investir no ensino das funções do sistema reprodutor. Não se questiona a opção, que suscitará mais entusiasmo nos fedelhos do que fórmulas matemáticas e regras gramaticais. Esse é o verdadeiro toque de sedução do insinuante currículo regional, cujo parto se prevê para as semanas mais próximas.
Vai ser lindo de ver. E mais ainda de ensinar. Imagino os materiais pedagógicos e recursos bibliográficos que serão disponibilizados a professores e alunos. Porque para estes fins, sintomáticos da modernidade que avassala a região, nunca faltam os patacos.
Só assaltam dúvidas sobre a existência de aulas práticas e faltas de material. Seja como for, muito antes do final da escolaridade, os moçoilos saberão de cor e salteado o mais avançado manual de sexualidade, ou das afetividades, como eufemisticamente lhe chamam. Os papás podem ficar descansados: a escola é obrigada a prover a malta com preservativos e pílulas do dia seguinte."
Há dois aspectos que não posso deixar de referir, a propósito deste artigo que me deixou boquiaberto (para não dizer indignado):
1 - Os Açores (e nem sei se a Terceira em particular) são a região do país onde a prevalência da gravidez em menores é mais elevada. Porque será? Porque as moças estão bem informadas ou porque esta lógica do pecado e do esconde esconde faz com que cheguem as hormonas antes da informação?
2 - Para esta cabeça pensante (o autor do artigo), a educação sexual lembra-lhe palavras como "escapadela, excitação, bastardo, decência, corar, vergonha, pôr a nu, preservativos e pílulas do dia seguinte". Eis a prova de que a educação sexual faz falta nesta comunidade. Espero que as crianças (nas quais incluo os meus filhos) que forem educados de acordo com esta nova norma de terem educação sexual nas escolas consigam chegar a adultos com uma visão mais abrangente do que a deste quadrado autor de artigos de opinião.
No meu entender, educação sexual, obviamente, não é sinónimo de ensinar a procriar. Coisa que, de resto, como está demonstrado pelas tristes estatísticas, ninguém precisa de aprender na escola. Justamente a ideia é conseguir informar e responsabilizar as pessoas antes de fazerem algo de que venham a arrepender-se. Ora, para combater a bacoca atitude do pecado e do fazer de conta que não existe aquilo que o corpo se encarrega de apresentar, nada como uma política de responsabilização e informação. No caso dos meus filhos (9 e 5, os que podem ser abrangidos pela medida), estão informados directamente na família, mas sei que há muitos que precisam encarecidamente de ser informados e educados pela escola, justamente porque a quantidade de pais com uma visão castradora da educação sexual é elevada.
Bons resultados sem "sticks and carrots"
>> sexta-feira, agosto 19, 2011
Mais uma excelente apresentação no TED, que espero que venha a fazer escola.
Via Ricardo Belchior.
O poder das palavras
>> quarta-feira, julho 27, 2011
Via Speakers Corner, por sua vez via Pedro Rolo Duarte.
A apologia da tentativa-erro
>> quarta-feira, julho 20, 2011
Conheço tanta gente, em lugares de decisão e poder, que devia ouvir esta apresentação com atenção. Se reduzíssemos um pouco a prevalência de God complex, certamente viveríamos todos melhor.
Site de intervenção
>> sexta-feira, março 25, 2011
± WHITEST WHITE ±
Um dos vários vídeos de intervenção disponíveis no site www.maismenos.net
Absolutamente subversivo.
Esta ideia de entregar o verdadeiro voto em branco parece-me brilhante. Também não me parece de todo desapropriada a urna do voto impresso.
To go against the current
>> segunda-feira, fevereiro 28, 2011
There's no way we can create a freedom for our children to do better than we do if the only thing we dedicate time for is to teach them what we know. And that is why you have to be overwhelmed with the new, with the difference and the surprise. Remember children love surprises.
We have to dedicate more time and effort to happiness.
Happiness is whatever each and everyone of us decides it is. It's not universal.
O mundo precisa tanto desta visão!
Obrigado, Isabel.
Um texto que vale a pena ler
>> terça-feira, fevereiro 15, 2011
O caminho está aberto porque a percepção dos valores da democracia é escassa: milhares de pessoas correm a assinar uma petição na Internet intitulada "1 milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política" e jornais e blogues batem palmas como se não se tratasse de um puro manifesto antidemocrático. "Demitem toda a classe política" como? Como em 1926, com o 28 de Maio? Como se Portugal fosse o Egipto e "Sócrates-Passos Coelho- Portas" (e porque não Jerónimo de Sousa e Louçã) fosse um compósito de Mubarak? Sem eleições? Sem partidos? Democracia directa com votos pela televisão em chamadas de valor acrescentado e o Parlamento no Facebook? Os votos seriam como aquelas sondagens nos blogues? E por que, dizem, não é mais democrático, mais igualitário, mais livre, eu poder fazer o que entender, sem peias, nem lei, nem propriedade, expondo um mundo subterrâneo de gigantescos ressentimentos e invejas, que está lá bem em abaixo nos subterrâneos de Weimarzinho? O retrato desse mundo está bem presente no coro de insultos dos comentários, a vox populi muito elogiada pelos libertários da Internet, um mundo dos comentadores anónimos ou semianónimos que é fascista no seu preciso termo, é a linguagem da força sem lei, a destruição verbal do outro, o veneno das palavras, como o rícino que os squadristi obrigavam os seus adversários a tomar. Todas as peças se montam, em pequenino, em "zinho", mas encaixando entre si. E muita cobardia sobre o que se está a passar, sobre o mundo que começa a parecer, silêncio a mais.
Ler tudo.
Via A Barriga.
ZM
Born to run
>> quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Uma teoria curiosa sobre o facto de o Homem ser o melhor animal da terra a correr longas distâncias, razão pela qual sobrevivemos como sociedade durante 2 milhões de anos.
É o que eu sempre disse: correr é um prazer. Agora já sei porquê, está-me nos genes há 2 milhões de anos.
A única coisa com que eu não concordo é com a secção contra os ténis. Adoro os meus Asics, não me apetece nada correr sem eles.
Chifres, cornos e afins
>> quarta-feira, fevereiro 02, 2011
A propósito deste monumento ao toiro bravo, relativamente ao qual me abstenho de tecer qualquer consideração, vem hoje publicado no União um texto que ilustra bem o que algumas pessoas pensam que é o papel das mulheres (e também dos homens) na sociedade Açoriana. Claramente, não sou deste filme...
Os toiros da Carreirinha, por Caetano Tomaz:
"Calma! Não os vou criticar. Muito pelo contrário. Embora eles tenham umas dimensões de que algumas pessoas discordam, penso que têm imenso valor e significado.
Quanto ao valor, concordo com os que dizem que este monumento se tornará um centro de interesse público e de turismo. Imagino que, de futuro, quem vier à Terceira, não deixará de ir ver os “toiros da Carreirinha”. Na verdade, eles são imponentes e significativos.
Há quem diga que são desproporcionais. Mas não concordo. Em questões de monumentos, as dimensões são algo muito relativo. Em grande medida elas dependem da importância da realidade significada. E deve reconhecer-se que a tauromaquia é uma realidade muito importante na população e na vida terceirenses. Isto não quer dizer que todos a vivam sistematicamente. Mas, no seu funcionar, deve reconhecer-se que ela tem uma intensa centralidade.
Mais, o monumento revela grande entusiasmo e capacidades por parte daqueles que fizeram com que ele existisse. É justo realçar o Dr. Arlindo Teles. Nota-se que é um líder de proporções únicas.
Como valor podemos admirar a grandiosidade e a imponência dos toiros, bem como a sua magnífica impressão de movimento. Na realidade, a meu ver, qualquer daqueles “bichos” traduz admiravelmente a cinestesia (movimento) da sua função no conjunto e… na vida daqueles animais…Penso que o artista, e os artistas, foram mesmo felizes.
Bem, importa não menosprezar os “aficionados” que estiveram e estão por detrás da atmosfera que ficará a marcar o psiquismo e a arte duma Terceira, e a sua paixão pela “festa brava”.
Já não sei o que dizer acerca das futuras gerações “amorfas” que vêm aí, mesmo atrás de nós. São “outra” gente que tende a ser “contra” as gerações adultas de agora. E não capta os seus valores.
Sob o ponto de vista psicológico, o significado daqueles toiros pode ser apreciado em sentidos muito profundos. É que há mulheres (não sei se algum homem também) que têm medo deles, em especial do touro que está levantado. E, já agora, dos seus testículos. Enquanto que há outras que vibram perante a força desses animais…
Tolice?... Não, não é….Trata-se de realidades psicológicas muito significativas.
Desde a altíssima antiguidade, o toiro era símbolo perfeito da masculinidade: a sua “virilidade” a sua força, o seu impulso, o seu “machismo”…A partir daí, os cornos tornaram-se símbolo da força masculina. Até eram usados por certos chefes, como símbolo de força e poder.
A partir daí é interessante notar o significado “tremendo” da expressão, “meter os cornos ao homem”. Por que será? Porque ele não os tem. Isto quer dizer que é fraco. Sim, fraco sob o ponto de vista psicológico. As mulheres não apreciam esses homens. E desiludem-se deles. Pois são normalmente essas que lhos põem…E o caso é hoje muito mais frequente porque elas promoveram-se, enquanto eles são uns “coitadinhos” que não vencem os desafios normais da escola, do trabalho e da vida. São crianças grandes… que brincam…
Quem não percebe estes dinamismos diz: ah, coitadinho, ele era tão bonzinho, e “aquela”…meteu-lhos… Pois é mesmo isso. Elas não os metem a um que seja verdadeiramente homem no seu trabalho, na sua energia, na sua segurança. E até na sua independência equilibrada.
Mais, aqui na Terceira, há muitas mulheres novas que sonham com toiros. Nos outros sítios não é assim. Essas mulheres têm dois tipos de sonhos. Umas correm diante do toiro, fogem, mas ele não lhes mete medo. Às vezes até ri para elas. Estes são sonhos de mulheres que, na infância, tiveram uma figura masculina válida. Normalmente um pai. Já agora pense-se no que significa na Terceira,“o toiro das mulheres…”
Outras têm muito medo dele, que nunca as atinge; elas fogem por cima de paredes, sebes, casas, sempre com medo. São as que, na infância, não tiveram o tal homem.
Seria interessante pesquisar acerca dos sonhos de mulheres relativamente aos toiros da Carreirinha. Pode até dar-se o caso de eles não acontecerem. Mas penso que acabarão por acontecer.
Sei que haverá quem julgue que isto são imaginações minhas. Porém, reparem a sério, e talvez consigam ver realidades que estão aí, diante dos nossos olhos, mas nunca notámos…
Sabedoria de mercearia de bairro
>> quarta-feira, novembro 10, 2010
Não te rias de quem chora
É coisa que se condena
Pode a roda girar
E tu sofreres igual pena.
Assim, tal e qual, dito pelo cliente de uma mercearia de bairro, provavelmente a propósito do recente resultado do Benfica.
Economia paralela
>> sábado, outubro 16, 2010
A propósito deste post, no "Seis Oito", lembrei-me de uma outra coisa que vi na ilha de Samso, na Dinamarca, e que também é economia paralela, embora não seja fuga aos impostos.
Os pequenos agricultores da ilha de Samso vendem os seus produtos na estrada, junto à entrada das quintas, expondo-os em caixas ou simplesmente no chão e recebendo o pagamento pelas hortaliças nuns simples mealheiros que se encontram dentro de uns casinhotos. Quem quer hortaliça para a sopa, chega lá, escolhe o que pretende, vê na tabela quanto custa cada coisa, faz as contas e coloca o respectivo pagamento dentro da caixinha. Não há facturas, nem balanças certificadas, nem IVA, nem complicação. O estado cobra uma espécie de licença a cada vendedor, onde se assume um determinado nível de proveitos, que toda a gente diz que é um décimo do real.
É uma actividade regulada, simples e que funciona bem para toda a gente.
Tentei imaginar este modelo no nosso Portugal e fiquei-me a rir para dentro.
O primeiro infeliz que se lembrasse de vender assim os seus legumes acordava na manhã seguinte e além de não ter lá os legumes nem a caixinha do dinheiro, tinha o fiscal do fisco a cobrar o pagamento especial por conta, o outro PEC que tanta mossa faz aos pequenos comerciantes.
Temos muito para andar até conseguirmos chegar à verdadeira democracia.
ZM
Keeping out the giraffes
>> sexta-feira, outubro 08, 2010
"... spend money we don't have on things we don't need, to create impressions that won't last, on people we don't care about."
Recomendação: www.ecosia.com, um motor de busca "verde".
