Já aqui falei noutra ocasião da extraordinária Hora do Conto do Centro Cultural de Angra do Heroísmo, aqui na Terceira. Desta vez, a propósito do Dia Internacional do Livro Infantil, o talentoso contador de histórias e performer Paulo Freitas brindou-nos com um curto período de pura magia e encantamento. Aqui ficam algumas imagens dessa actuação.
There's no way we can create a freedom for our children to do better than we do if the only thing we dedicate time for is to teach them what we know. And that is why you have to be overwhelmed with the new, with the difference and the surprise. Remember children love surprises. We have to dedicate more time and effort to happiness. Happiness is whatever each and everyone of us decides it is. It's not universal.
O mundo precisa tanto desta visão! Obrigado, Isabel.
Este é o modelo de educação que preconizo para os meus filhos. Já o disse anteriormente, mais do que uma vez, mas estou mesmo convencido que quanto mais este modelo se espalhar, melhor será o mundo. Tenho alguma pena de não ir já viver no tal mundo que esta educação irá originar. Cabe-me pelo menos fazer o possível para o divulgar.
Eis a razão porque uma escola que era boa há 30 anos pode ser hoje um atraso de vida, se não perceber que o mundo mudou entretanto. (por muito que as elites continuem cegamente a mandar para lá a sua descendência)
Destaco: "Ask them what they can do with it [information], ask them to go to places, see things for themselves, play"
"Then main point is that if we continue to look at education as if it's about coming to school to get the information and not about experiential learning, empowering students voice and embracing failure, we're missing the mark. And everything that everybody is talking about today isn't possible if we keep having an educational system that does not value these qualities, because we won't get there with a standardized test and we won't get there with a culture of one right answer. We know how to do this better. And it's time to do better."
Aproveito para deixar aqui uma sincera homenagem ao excelente trabalho desenvolvido pelas educadoras do Pré escolar da Tomás de Borba, que felizmente já seguem este caminho.
A propósito dos recentes posts do meu amigo Vasco, aproveito para partilhar esta reportagem sobre o Movimento da Escola Moderna.
Os meus dois filhos mais novos começaram por andar num colégio que seguia esse modelo e estávamos bastante satisfeitos com os resultados, tanto do ponto de vista do ensino curricular como - talvez sobretudo - com os restantes aspectos da educação no seu todo. Depois conhecemos um outro modelo mais tradicional (para não dizer aberrante) e ambos andaram para trás a passos largos. Agora, o Lourenço está numa fantástica sala pré escolar, na escola Tomás de Borba, em Angra do Heroísmo, e a evolução está a ser surpreendente. No MEM não se aprende só a desenhar, ler, escrever e contar de uma forma mais rápida e motivante, aprende-se a viver em comunidade, de forma democrática e educada, com vontade e alegria. Estou convencido que quanto mais se espalhar este modelo educativo melhores serão as pessoas que saem das nossas escolas. Por consequência, melhor será o país. Receio que entre os detractores deste sistema estejam pessoas que não sabem do que se trata e também pessoas que têm medo da verdadeira democratização do ensino escolar. Uma das coisas que o MEM promove é a igualdade, e isso assusta muito boa gente.
Os meus filhos, infelizmente, já estão na máquina de formatação, mas tomara que esta mensagem passe e que pelo menos os meus netos já possam florescer de uma forma menos industrial.
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Falava com o meu amigo Miguel, no FB, a propósito da educação (e de um texto meu que saiu hoje no jornal e que talvez me valha a expulsão da ilha) e enviei-lhe o link para esta apresentação de Sir Ken Robinson, da qual já falei noutro post. Eu acho que todos os profissionais da educação deviam ver este vídeo até o entenderem na sua totalidade. Aliás, agora até já está legendado em Português de Portugal. Fui procurar o discurso de Abraham Lincoln, para perceber melhor o texto e encontrei: "The dogmas of the quiet past, are inadequate to the stormy present. The occasion is piled high with difficulty, and we must rise -- with the occasion. As our case is new, so we must think anew, and act anew. We must disenthrall ourselves, and then we shall save our country." Um dos meus maiores desejos nesta vida é que os responsáveis pela coordenação da educação dos nosso filhos percebam a responsabilidade que têm e o quanto esta visão da educação "orgânica" pode fazer a diferença. Acordem! O passado foi lá atrás.
Já muito se falou na imprensa e na blogsfera sobre a mensagem da Ministra da Educação, Isabel Alçada. Para quem viva em Marte e ainda não tenha tido oportunidade de assistir à referida mensagem aqui fica:
Ao contrário do que tem sido dito por quase toda a gente, eu não acho esta mensagem tonta nem ridícula. Suponho que não tenha sido feita uma comunicação oficial, via serviço público de televisão, em horário nobre para todo o país, caso em que o tom "maternalista" seria sem dúvida despropositado; tendo a mensagem sido apenas colocada no site do Ministério da Educação, e dirigida aos alunos e pais em início de ano escolar. Percebo nesta mensagem um desejo genuíno de dar um impulso positivo a quem está a começar o ano lectivo. Sendo certo que o tom é naïf e algo pueril, temos também que perceber que quem fala é a Isabel Alçada, não é a Manuela Ferreira Leite, que esteve no mesmo cargo quando eu ainda andava na escola. O único problema desta mensagem foi o facto de ter sido ridicularizada pelos mal-dispostos do costume. Fora isso, para os meus filhos, parece-me uma excelente mensagem de arranque do ano. Eu passo a vida a dizer-lhes exactamente as mesmas coisas. O meu tom pode não ser aquele, mas eu não sou a Isabel Alçada.
A escola precisa de ser vista com algum romantismo. Acho que esta forma feminina e maternal de lidar com o assunto só pode trazer benefícios.
Posto isto, não resisto a publicar igualmente um divertido vídeo feito por um aluno, inspirado naquela mensagem:
Quem nos lê habitualmente sabe o quanto nos tem custado não ter por cá uma escola que se aproximasse daquela de onde viemos. O Chá de Sintra faz hoje uma descrição dessa escola. Trata-se do Colégio Catarina de Bragança, no Morelinho, em Sintra e, já o disse, é a melhor escola do mundo.
Mais uma fantástica apresentação de Sir Ken Robinson sobre o tema da educação. Percebi melhor porque é que eu me sinto tão fora do meu tempo: eu deixei de usar relógio de pulso em 1983.
Uma das coisas que mais me preocupa (neste momento) com as crianças é a forma como irão ser ensinadas na escola. Infelizmente, a experiência que temos tido não é brilhante, bem pelo contrário. Interessa-me muito encontrar formas de os fazer pensar, mais do que obter deles a solução para os problemas. Quando estudo matemática com a Madalena digo-lhe sempre: a matemática não é onde se chega, é o caminho que fizemos para lá chegar; não me interessa o resultado, interessa-me a forma de o achar. Ela fica sempre meio acabrunhada com este "lema", mas aos poucos vai percebendo o que quero dizer. Gostei do discurso de Dan Meyer, ali em cima, no TED. Se o tema vos interessa, espreitem o blog do senhor.
Hoje estamos um bocado de orelhas murchas. Estamos profundamente desiludidos com a educação na ilha Terceira. Temos batalhado para tentar garantir um ensino com o qual nos identifiquemos, pelo menos para o próximo ano, mas não conseguimos vaga para o pouco que consideramos aceitável. Se o panorama da educação a nível nacional é o que todos conhecemos, sentimos que aqui vale mais dar-lhes aulas em casa. Esta imagem não tem nada a ver com o assunto, mas ilustra o clima de "cada um faz o que calha", que grassa nas escolas da Terceira (e que, de resto, caracteriza o que de pior se encontra aqui). Este é, portanto, o dia em que concluímos que aqui não temos condições consideradas mínimas para educarmos as crianças. Talvez estivesse na altura de investir os cheques de 200€ dos futuros bebés em escolas para as crianças actuais. Não sei por que ponta se deveria pegar nisto, mas o modelo de educação que temos visto em acção nestas escolas é profundamente anacrónico e não me parece que seja por aí além eficaz. Estou desconfiado que será essa a razão que nos empurrará de volta para o continente, mais cedo do que prevíamos. A ver vamos...