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Capela MIT - Eero Saarinen

>> quarta-feira, março 04, 2009

Algumas fotos de um edifício fantástico, no Campus do MIT, em Boston.











Estar no MIT, segundo os locais, is like trying to drink water from a fire hose. Eu não sou muito de dormir, mas aqui apetece saltar de todo essa parte do dia.

Slideshow com fotos desta viagem.
ZM

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LX Factory

>> segunda-feira, setembro 22, 2008

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Uma visita à LX Factory, por causa da exposição de Peter Zumthor, deu afinal um conjunto de fotos que não têm nada a ver com a exposição e o seu conteúdo. Prefiro fotografar sozinho, por isso perdi-me no edifício e andei a fotografar arqueologia industrial. Quanto à exposição, vale bem a pena lá passar.

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Casa Malaparte

>> domingo, setembro 21, 2008

Isto agora anda reduzido a eco do que já está algures na rede.
Este é um pedaço do filme Le Mepris de Jean Luc Godard, filmado numa das mais extraordinárias casas de todos os tempos: a Casa Malaparte, em Capri, do arquitecto Adalberto Libera.

O que é que me atrai no desenho desta casa?

  • A cenografia, em primeiro lugar;
  • O enquadramento nesse cenário;
  • As coberturas caminháveis;
  • Os vãos criteriosos, recortando pedaços concretos da paisagem em redor, em lugar da moda actual de fazer aquários de vidro, sem paredes.
  • O acesso aparentemente complicado;
  • As inúmeras escadas e degraus sobre e em redor da casa.

Mais informações:
http://www.vitruvio.ch/arc/contemporary/1880-1945/casamalaparte.php
http://www.florense.it/Architettura_Mediterranea/Villa_Malaparte.asp
http://www.westfordconnection.com/Photos/Italy/malaparte/index.ht

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Casa del Puente - Amancio Williams

>> sexta-feira, setembro 19, 2008

Isto tem estado parado e vai parar ainda mais. Brevemente explico porquê.
Entretanto, encontrei esta pérola, da qual nunca tinha ouvido falar antes e que já tem mais de 60 anos:



Trata-se da Casa del Arroyo ou Casa del Puente, construida emtre 1943 e 1946, projectada pelo arquitecto Amancio Williams para o seu pai, que era o compositor Alberto Williams. A casa-ponte estava sobre o ribeiro Chacras, que se encontra actualmente entubado.

Acho fantástica esta ideia da casa-ponte, com uma entrada para cada margem do ribeiro, cheia de luz e de vista para o bosque. É uma verdadeira escultura habitável, em cujo interior penso que teria sido um grande prazer viver. Acho-a surpreendente e de uma beleza apaixonante.

Mais triste do que isso foi o destino recente da casa, visível nestas imagens:



Podem ver mais informações aqui.

O Arrumário vai entrar em ano sabático. Brevemente darei mais explicações

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Peter Zumthor

>> quinta-feira, setembro 11, 2008







A propósito da exposição de Peter Zumthor, patente na LX Factory, em Alcântara, aqui fica um filme imperdível, em 3 partes.
Vale a pena assistir com atenção. Uma das mais fascinantes obras de arquitecturas de todos os tempos.

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A Casa do Guarda

>> quarta-feira, setembro 03, 2008

Aqui fica mais um conjunto de fotos de um projecto de Manuel Graça Dias, pouco divulgado, mas que acho fenomenal. Adoro a escala, a cor, os vãos criteriosamente recortados (o que dá para a casa principal é um óculo branco, belíssimo, mas não aparece nestas imagens), aquele ar de casa de chocolate, como se fosse um refúgio. Na segunda foto vemos a casa principal (a precisar de uma pintura), cujo autor não sei se será o mesmo. Esta propriedade pertenceu a Julião Sarmento. Penso que foi dele a ideia de fazer esta espécie de estúdio.
Esta é uma das propriedades mais interessantes da minha zona, senão mesmo a mais interessante de todas. A casa principal precisava de uns ajustes para se tornar mais sustentável, mas é igualmente um projecto com muita qualidade (do meu ponto de vista).

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Moinhos do Militão

>> terça-feira, julho 29, 2008

Bem perto da casa de que falei ontem, estão os conhecidos moinhos do Militão. O Militão, se ainda for vivo, mora em Magoito, já foi moleiro (penso que agora já não é) e tem pelo menos um deste moinhos à venda. Sinal dos tempos.

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Encostada a estes moinhos está a nascer uma moradia bi-familiar, cujo desenho me parece igualmente interessante.

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A-Dos-Eis

>> segunda-feira, julho 28, 2008

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Em A-dos-Eis, entre Magoito e Fontanelas, estão a nascer várias obras de arquitectura com uma estética interessante. Esta que aqui se mostra é a moradia gizada por Inês Lobo, de que já falei aqui.
Embora se note que está em construção, este vai ser mais ou menos o aspecto final. Sei que muitos não concordarão comigo, mas acho-a bela assim mesmo.
Contudo, tal como referi da outra vez que falei deste projecto, verifica-se que a vertente energética não foi aqui tida em conta. As casas de banho não têm janelas, os vãos de vidro não têm abertura nem são (serão?) sombreados, não parece haver qualquer isolamento térmico nas paredes. Enfim, uma moradia de classe energética H.
Provavelmente o futuro comprador disto (de resto, também à venda na Choice, por 1.580.000€) deverá igualmente comprar um Cayene Turbo S. Ambos belíssimos, mas com facturas de exploração que eu não queria ter que pagar.
No caso da moradia é mais grave, porque morar ali dentro não será sequer confortável.
Se for caso disso, peçam uma visita ao imóvel. Vão lá ver ao final da tarde. Levem roupa fresca e não digam que eu não avisei.

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Totan Kuzaembaev

>> terça-feira, junho 10, 2008

No penúltimo número da revista Cubo (última edição de cada mês do semanário Sol) surge na capa uma construção surpreendente em madeira. Tratava-se da casa Telescópio, do arquitecto russo Totan Kuzaembaev.



É uma casa muito acolhedora, com apenas um quarto e um estúdio no andar superior, e uma sala e cozinha no piso térreo.
O espaço para refeições está encaixado sob as escadas de acesso ao primeiro piso e a despensa são uns armários cujo esquisso se mostra aqui.







Já o disse a propósito de Steven Holl e continuo a achar que a arquitectura nacional raramente evita a utilização do betão (uma excepção recente de Álvaro Siza é a Casa do Pego, aqui bem perto). Os arquitectos estrangeiros exploram outros materiais, tendo por vezes resultados fantásticos, como é o caso das casas que Totan Kuzaembaev projectou para o Pirogovo resort. Gosto da madeira, da contenção nas áreas (outro erro muito frequente por cá), da simplicidade dos interiores, do ar acolhedor e orgânico.
Nalguns aspectos encontro aqui o mesmo romantismo que senti nas casas de Peter Harnden e Lanfranco Bombelli.
Uma revelação.

Passem no site de Totan Kuzaembaev e explorem as inúmeras fotos de vários outros projectos deste arquitecto.

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Os Manueis na Expo

>> sábado, maio 24, 2008

Manuel Graça Dias e Manuel Salgado passeiam de carro pela zona da Expo e vão conversando para a TSF.
A não perder.

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Vamos lá imaginar...

>> quarta-feira, abril 30, 2008

No Domingo passado, depois da fantástica corrida dos 13Km do Guincho, onde obtive a minha melhor classificação de sempre (mesmo tendo em conta que havia poucos participantes), passei na Azoia, junto ao Cabo da Roca, onde está a crescer uma casa que me andava a intrigar. Aqui ficam as fotos, tipo livro de obra.

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Vista de longe tem um aspecto muito apelativo, sobretudo por causa da cobertura ajardinada. Não sei se no final ficará com o betão à vista ou se levará algum revestimento térmico. É integralmente construida em betão.

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Esta sala é surpreendente. Tem 3 zonas claramente definidas de projecto e será difícil fazer lá outra coisa, mas apetece muito passar um serão naquele espaço quando estiver concluido. O tecto em forma de túnel, construido também em betão, e os recortes nas paredes, criteriosamente desenhados, irão dar a esta sala um ambiente muito especial. A foto é tomada da rua, através daquilo que será um gigantesco vão, orientado a Sudoeste.

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A cobertura "ajardinada", por enquanto um bocado selvagem, será um dos toques especiais desta moradia.

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Trata-se igualmente da cobertura. Não fosse a chaminé ali ao fundo e julgaríamos estar perante o jardim.

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Recorte na parede da sala, virado para Noroeste.

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Grandes vãos dos quartos, virados para Sudoeste, e muro circundante da piscina.

No geral é um projecto que assenta sobre uma lógica muito original. Se outro mérito não tiver, tem pelo menos esse.
O betão aparente vai (infelizmente) fazendo escola, embora não saiba ainda se levará ou não algum acabamento. Esteticamente parece-me magnífica assim, mas do ponto de vista térmico devia levar um bom isolante, talvez com a mesma cor do betão aparente, que fica realmente muito bem nesta construção.

A distribuição da sala, o material do chão (tijoleira rústica), o tecto abobadado, as janelas recortadas, são muito interessantes. Gosto igualmente dos vários pátios interiores, em redor dos quais a casa se enrosca.

Não faço a mais pequena ideia de quem será o autor deste projecto, mas não tenho grandes dúvidas de que haveremos de o ver nas revistas, provavelmente visto pela lente da algum grande fotógrafo.

Bom fim-de-semana.
ZM

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Casas aqui da zona

>> quinta-feira, abril 24, 2008

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Casa de Manuel Graça Dias, no alto do Penedo

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Casa de autor (para mim) desconhecido, no alto do Penedo. Julgo que é a casa que Mário Laginha referiu numa entrevista como sendo sua. É uma marca de arquitectura moderna na velha aldeia do Penedo. Acho-a bastante interessante, mas (como é frequente) encontro-lhe alguns erros do ponto de vista energético.

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Uma cópia do projecto de Souto Moura junto ao farol da Guia. Esta encontra-se no Banzão e ignoro quem seja o autor.
Gosto sobretudo da secção que se ergue sobre pilotis e talvez gostasse ainda mais se a secção da garagem fosse menor. Acho-a demasiado parecida com a do Souto Moura e também com a do Valsassina, bem perto desta. Arriscaria mais uma autoria de Valsassina, já que Souto Moura agora já não usa esta linguagem. Acho discutivel o facto de ter o interior todo em aço e pladur (sem inercia térmica) e os vãos de vidro do chão ao tecto, sem qualquer respiração ou escape de calor. Estando virada praticamente a poente, eu teria colocado estores de lâminas no exterior destes grandes vãos para evitar os ganhos solares excessivos. Ainda assim, uma casa muito interessante.

ZM

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Uma parede branca, nua e lisa


Aires Mateus - Casa no Litoral Alentejano (foto de Fernando Guerra)

Oriana entrou, disse bom-dia às coisas e pôs-se em frente do espelho:

- Espelho - disse ela -, olha-me bem, mostra-me como eu sou: vi o meu reflexo no rio e achei-me linda. Mas tenho medo de que o rio me tenha embelezado e lisonjeado como lisonjeia a paisagem. Mostra-me bem como eu sou para eu ver se o peixe disse a verdade e se eu sou ainda mais bonita do que o meu reflexo no rio.

- Oriana - disse o espelho -, sou, como já sabes, um espelho antiquíssimo. Há séculos que todas as meninas bonitas se põem em frente de mim para ver como são e todas querem saber se haverá no mundo alguém mais bonito do que elas. Vê-te bem. És muito bonita, mas há uma coisa muito mais bonita do que tu.

- O que é? - perguntou Oriana, ansiosamente.

- Uma parede branca, nua e lisa.

Sophia de Mello Breyner Andresen in "a fada oriana"

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Casa do Vale II

>> terça-feira, abril 22, 2008


Casa das Areias - Sintra. Muito próxima de outro projecto muito interessante de que talvez venha a falar aqui noutra entrada: a Casa do Pego, de Álvaro Siza.

Há tempos falei aqui do gabinete de arquitectura Simbiose, a propósito da casa do Magoito (que por sinal continua à venda). Entretanto, vi nascer bem perto de onde moro uma casa que me pareceu ser mais um produto Simbiose.
Acontece que, no último número do Expresso, aparece esta casa à venda, por um preço simpático: 1.135.000€! Por isso, fui lá conhecê-la.
Já visitei diversos projectos deste gabinete, construidos aqui na zona, que felizmente conheci em obra, tornando-os mais acessiveis. Todos eles têm uma linguagem comum, com aspectos que me atraem muito, dos quais destaco:

  • Grandes vãos, quase sempre bem orientados;
  • Coberturas planas ou quase planas, frequentemente "visitáveis";
  • Chaminés em aço;
  • Caixilhos das janelas em madeira (num dos casos, com uns óculos muito interessantes - casa do Cosme);
  • Mistura do branco das paredes com embasamentos em pedra;
  • Casas aninhadas no terreno, como se sempre lá tivessem estado;
  • Fantástica integração das piscinas;
  • Todas as casas de banho com janela;
  • Estores exteriores de lâminas, como tenho em casa;
  • Casas muito fragmentadas em blocos, distinguindo-se as zonas sociais das privadas e dos serviços (característica pouco interessante do ponto de vista energético, mas muito apelativa do ponto de vista estético e funcional).

Enfim, uma linguagem que se identifica com relativa facilidade.
Curiosamente, é um gabinete cujo trabalho jamais vi referenciado pelas revistas ou sites da especialidade.
Aqui fica, uma vez mais a publicidade.
Já sabem, se andarem com a carteira recheada, têm aqui mais uma soberba oferta de habitação de grande nível.

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The Green Agenda

>> quinta-feira, março 27, 2008



Imperdível, a palestra de Norman Foster, via A Barriga.

Uma apresentação extraordinária, que fala de arquitectura sustentável, mas mais do que isso, de um ordenamento das cidades que permita reduzir os consumos de energia relacionados com habitação e transportes.
Pensei imediatamente em Barcelona, que tem um tecido urbano apaixonante, onde cada quarteirão tem quase tudo, desde habitação a pequeno comércio e serviços e onde as pessoas se movem em transportes públicos (eficazes) e em bicicletas patrocinadas pela própria cidade.
Em quase tudo o oposto de Lisboa, que encaixa mais no exemplo negativo de Detroit, onde as pessoas estão altamente dependentes do carro.
É angustiante continuar a ver Lisboa a desenvolver-se de uma forma que implica a migração bi-diária de centenas de milhares de pessoas, entre a cintura onde habitam e o núcleo onde trabalham, consumindo quantidades gigantescas de energia que poderiam ser poupadas se toda a grande Lisboa caminhasse para outra forma de organização.
Quando será que pelo menos invertemos o sentido desta marcha? Já nem falo em lá chegar.

Esta apresentação fez-me também pensar em como alguns (muitos?) dos nossos arquitectos continuam de forma autista (ou arrogante, não percebo bem) a recusar ter como estrutura fundamental de qualquer projecto arquitectónico o pilar da energia.
Hoje sabemos (alguns de nós, pelo menos) que é possível construir edifícios em que a manutenção de um ambiente interno confortável e saudável não implique necessariamente elevado consumo de energia. É possível reduzir consideravelmente a quantidade de energia necessária para manter a temperatura, a luz, a humidade e a qualidade do ar no interior de um edifício, apenas com algumas alterações na forma de construir. É verdade que isso vai, de alguma forma, limitar a liberdade de quem desenha, mas não será isso hoje uma obrigação?
No último número do jornal da Quercus, que o Pedro Cabral fez o favor de me fazer chegar pelo correio [obrigado :-)] está uma entrevista com a arquitecta Lívia Tirone, de onde destaco a pergunta:
- Que práticas de construção é que levam a esse conforto e a essa eficiência?
- O bom isolamento térmico, que tem que ser contínuo e idealmente aplicado pelo exterior dos edifícios. A boa inércia térmica a funcionar a favor do interior. Caixilharias e vidros com alta qualidade e obviamente duplos (…). Sistemas de sombreamento exterior para evitar ganhos excessivos.
Eu acrescento ainda as paredes trombe, que nunca vi em projectos de outros arquitectos e que funcionam como verdadeiros radiadores solares; aproveitamento do efeito de chaminé solar, que promove a circulação do ar no interior; ligação ampla entre os diversos espaços da casa, também para que a renovação do ar seja mais eficaz; aproveitamento da ventilação natural cruzada.
Se eu fosse arquitecto, esta seria a minha "sandbox".
Será assim tão complicado projectar a partir daqui?
O que pode levar tantos arquitectos a recusar este ponto de partida para qualquer caderno de encargos? Ignorância? Preguiça? Ou total incapacidade de convencer o cliente?

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Casa no Gerês

>> segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Uma fantástica galeria de fotos da Casa no Gerês de Graça Correia e Roberto Ragazzi mostra o que até agora não tinha tido oportunidade de conhecer.
Já tinha visto a galeria de fotos do Fernando Guerra (projecto número 154), mas estas fotos de Nelson Garrido, além de surpreendentes revelam mais alguns pormenores da casa.

A Casa no Gerês é uma peça arquitectónica belíssima do ponto de vista formal. Está parcialmente enraizada no terreno, mas igualmente descolada dele, como se fosse uma aeronave prestes a partir. É assim parte âncora, parte pássaro. A zona social paira sobre o vazio, num equilibrio improvável, como se fosse despenhar-se ou, pelo contrário, descolar e sobrevoar a paisagem circundante. Já a parte privada está bem assente na terra, pesada, incapaz de perturbar o mais tranquilo sono.
A porta de entrada (uma delas, pelo menos) está justamente na fronteira desses dois universos, servindo de charneira entre o exterior, o interior aéreo e o interior terreno.
É um objecto apaixonante, cujas fotografias fazem realmente desejar habitar, nem que seja por breves instantes.
A guarda daquela espécie de varanda - proa de navio - é de uma elegância comovente. A forma como todo o volume se pendura na encosta abrupta é magnífica. Os grandes panos de vidro, ora sobre o vale e o rio, ora sobre o pequeno "quintal" e as árvores em redor, criam uma ligação sublime entre o interior e o exterior.
O único defeito que lhe aponto é o facto de ser construída em betão aparente. Julgo que a motivação para este "acabamento" terá sido apenas de ordem estética, mas será porventura um erro grosseiro em termos térmicos.
Em todo o caso, uma obra de arte habitável e apaixonante.
ZM

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Rafael Moneo

>> sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Aqui está a apresentação de um arquitecto por quem tenho um imenso respeito. Particularmente, o Kursaal é um edifício cuja concepção me impressionou sempre muito.


www.Tu.tv

Via Directório Arco.

Faltam algumas fotos de Tourém e o link para a slidshow. Vão passando por cá.

ZM

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Directório Arco

>> domingo, janeiro 27, 2008

Existe um novo blog que divulga arquitectura: Directório Arco.
Parece-me ser muito interessante.
Obrigado Pedro, pela referência. Já consta nos meus links ali do lado.
ZM

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Thorsten Hümpel

>> quarta-feira, janeiro 16, 2008

Em Abril de 2005 falei aqui de um fotógrafo que conheço, que tinha tido a sorte de fotografar a Casa do Cipreste. O seu nome é Thorsten Hümpel e, além daquela casa, fotografou inúmeros outros edifícios interessantes da zona de Sintra. Alguns dos trabalhos foram publicados, outros não.
Entretanto a vida em Portugal foi-se tornando cada vez mais difícil, como para todos os que cá continuamos teimosamente a viver, e o apelo do Sol não conseguiu segurar mais tempo um alemão que vivia com namorada e 2 filhos.
Não posso dizer que lhe perdi o rasto, porque sempre fomos mantendo o contacto por telefone ou e-mail, mas não sabia que tinha entretanto feito um site em alemão sobre o seu trabalho fotográfico.



No seu novo site apresenta muitas das fotografias que fez enquanto por cá trabalhou, que se centram sobretudo na zona de Sintra, mostrando-se imagens, que para muitos serão inéditas, de palácios e monumentos desta zona.
Nomeadamente:
+ Obras de Raúl Lino (Casa Branca e Monsalvat)
+ Herdade de Santos, de José Luís Monteiro
+ Palácio Biester (na foto)
+ Ramalhão
+ Quinta de S. Sebastião
+ Regaleira
+ Penha Verde
+ Quinta da Capela

Parece-me um documento importante, que estava até agora totalmente desconhecido.

ZM

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Sequelas da entrada anterior

>> quinta-feira, janeiro 10, 2008

Escrevi a entrada anterior, sobre Thiago Braddell, em jeito de provocação, mas não esperava gerar tanta animação e sobretudo não contava ser lido por arquitectos de cuja produção bloguista sou leitor e por quem (porquê escondê-lo) nutro respeito intelectual.
Surpreende-me igualmente a forma como os comentários a essa entrada vêm no sentido de "eu também gosto de Thiago Braddell". Caramba, eu não gosto! Alguma falha da minha escrita deu a entender o que não sinto.
Quando digo que acho estas casas "bem desenhadas", "bem projectadas" ou com "distribuições de espaços interiores bem elaboradas" quero dizer apenas isso. Não quero de forma nenhuma dizer que gosto (esteticamente entenda-se) desta arquitectura.
Como recuperação de construções da época que pretende mimetizar, parece-me que este arquitecto faz um trabalho notável, daí a comparação com Baganha, mas partilho a ideia de que procurar esta linguagem no século XXI é uma rendição ao tal saudosismo de que fala João Amaro quando diz que “procuramos o enraizamento em pretéritas memórias. Ou antes, traços de memórias do que não se viveu nunca, numa fuga inquieta para o paraíso artificial e perdido”.
“O desejo de redenção dos nossos medos contemporâneos, a ilusão do passado, em conflito com o presente angustiante, é o tema da arquitectura de Thiago Bradell”. Admito que sim. Não tinha ido tão longe.
Recordo com ironia algumas das casas de Braddell na Quinta da Marinha, que não aparecem fotografadas e cujos donos (bem conhecidos) sei quem são.

“As contradições disciplinares são evidentes. Construir de novo o antigo com a tecnologia do presente é um óbvio paradoxo. O resultado é um postiço. A matéria arquitectónica é manipulada ao sabor da conveniência mesquinha da aparência.
Os vãos, as coberturas, as pérgolas, os pórticos, as chaminés, as cantarias, são a concretização pífia da ordem simbólica de um mundo facilmente reconhecível e apreensível. A escala é a da brutalidade com que se pretende afirmar um paradoxo e proporcional à carteira e desejos do cliente.”
Não teria sabido escrevê-lo desta forma, mas concordo em absoluto.

Também concordo com o António, que diz:
“Por estranho e absurdo que pareça, aquelas coisas do Thiago Bardell (ou lá como é...) são uma das mais justas e pertinentes "criticas" à arquitectura "fashion" das "caixas" mais ou menos "re-vestidas", bem fotografadas e muito a-parecidas (umas com as outras...), publicitadas nas revistas (todas...) e nos "suplementos" da praxe...
Uma crítica ao discurso absolutamente "vazio" dos umbigos e dos académicos”.

Não deixa de ser curioso que, apesar de tudo, tanta gente procure a arquitectura de Braddell, como se não se revisse na arquitectura do seu tempo, nomeadamente o próprio, como referi.
Eu, que sou apenas um consumidor de arquitectura, não me revejo igualmente em alguma da arquitectura do meu tempo, na qual encontro defeitos semelhantes aos apontados a Braddell: o ser por vezes "Um nicho de mercado das aspirações nouveau riche avessas à cidade e à sua diversidade e pluralismo" (como escreve João Amaro) e a mesma "brutalidade" na escala.

Vão lá ler, que vale a pena.

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