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Thiago Braddell

>> sexta-feira, janeiro 04, 2008

Thiago Braddell é o nome de um arquitecto bastante conhecido (pelo menos no meio em que tem mais clientes), com uma quantidade invejável de obra construida (quase totalmente moradias), mas que por um estranho fenómeno é totalmente ignorado pelos seus pares e pelos meios de divulgação da disciplina.

Braddell utiliza uma linguagem absolutamente inconfundível, tão própria que eu arrisquei publicar aqui fotografias de obras que suponho que sejam suas, mas sobre cuja autoria não tenho de facto nenhuma certeza.











Acredito que seja justamente por utilizar uma linguagem "antiga" e sem qualquer inovação ao longo das diversas obras (e são inúmeras) que este arquitecto é desconsiderado pela sua classe. Pessoalmente, nem como arquitecto desenharia este tipo de construção no século XXI, nem como cliente adquiriria uma casa destas feita de raiz nos dias de hoje. Contudo, tenho que admitir, observando com atenção, que estas são casas muito bem desenhadas, tendo distribuições de espaços interiores muito bem elaboradas.
Não conheço nenhuma por dentro depois de habitada, já que o meu passatempo é explorá-las enquanto em obra, até apanhar uma pazada de um capataz mais desconfiado, mas do que vi até hoje, achei-as sempre casas muito agradáveis e bem pensadas. Terão vãos demasiado contidos ou sombreados para o meu gosto, mas no geral são surpreendentemente bem projectadas.
Não se pode dizer que Braddell utilize esta linguagem por saber que há uma classe de tias (da Quinta da Marinha e do Patiño até à Beloura) que procura este tipo de estética e não a encontra facilmente noutro arquitecto. A verdade é que ele próprio habita uma casa Braddell tão igual às outras como qualquer uma.

Para que ninguém diga que este arquitecto só faz moradias, aqui fica o monumento da Senhora do Cabo, construido bem perto da sua própria casa:



A mais notável das suas obras, no entanto, foi a recuperação do velho Hotel da Lawrence, em Sintra. Talvez só por esta valha a pena todas as outras em que ganhou experiência.

Não sou muito adepto do saudosismo estético ou artístico. Jamais compraria um desses Minis actuais ou o Beettle, mas se no mercado automóvel isso não parece gerar grande prurido, porque há-de ser diferente na arquitectura?

Embora de uma forma mais variada, com uma linguagem menos monótona e mais actual, José Baganha tem um tipo de produção semelhante, sendo embora muito mais considerado entre arquitectos.

Não sei se é por as casas Braddell serem tão facilmente identificáveis ou se este arquitecto é um verdadeiro caso de sucesso, mas o facto é que não conheço nenhum outro com tanto projecto construido. Só na zona onde moro há cerca de 10 casas Braddell construidas (incluindo aquela onde habita). Como já referi, tem obra nos solos mais caros do país, nomeadamente na Quinta da Marinha e julgo que também do Patiño.
É tão ignorado pela "critica" quanto procurado pelos clientes. Como já disse, eu não lhe compraria um projecto, mas tenho a certeza que, sentado no seu terraço, com a serra de Sintra à frente, ao final do dia, esse facto deve diverti-lo bastante.

ZM

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Casa da Moagem do Fundão

>> quinta-feira, dezembro 27, 2007

No post em que falei da Casa da Moagem do Fundão disse que colocaria aqui as outras fotos que tinha feito. Entretanto já me tinha esquecido delas e venho agora corrigir esse erro, na sequência de um pedido da Dora.













Do ponto de vista do projecto, não posso manifestar-me com clareza porquanto não vi quase nada para além do exterior. Além disso não conhecia a pré-existência, pelo que apenas posso dizer que o que lá está me parece muito interessante.

Em todo o caso, aqui vos deixo a apreciação feita pelo arquitecto Miguel Taborda, um fundanense de gema, que parece não ter ficado muito satisfeito com o resultado final:

Identidade perdida I
Identidade perdida II

Como diria qualquer fundanense: bem hajam!

Votos renovados de um estupendo 2008.

ZM

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Lagoas Park

Este é o primeiro prédio do complexo Lagoas Park que me parece interessante. As fachadas em vidro continuo a achar uma aberração, mas neste projecto foram utilizados alguns recursos que podem de alguma forma minimizar o impacto dos ganhos solares excessivos.



Na fachada Sul, da qual vemos uma parte na imagem, irão ser colocadas umas lâminas fixas (pelo que vi da imagem exposta antes da construção) para sombreamento dos vidros. A entrada Sul é recortada da fachada e tem junto ao solo uma cascata de água com uma área considerável. Julgo que a ideia será baixar a temperatura daquela espécie de poço virado a Sul, pelo efeito da evaporação daquela água. As escadas de serviço, ao contrário de todos os outros prédios do empreendimento, são abertas para o exterior. A cobertura é um terraço, aparentemente acessível aos locatários.
Para já ainda não está terminado, mas quando estiver mais avançado fica desde já a promessa de que actualizarei a reportagem.

PS: o lixo que se vê na foto é do vidro que estava entre mim e o prédio, não é do vosso ecrã nem da minha lente.

Bom ano de 2008 para todos.

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L'Echo du Weekend Dernier

>> sexta-feira, dezembro 07, 2007

No fim-de-semana passado fomos de propósito ao Fundão para ver um espectáculo de Carlos Zingaro e de Francis Plisson, este um dançarino (e julgo que coreógrafo), aquele um fabuloso violinista e "maquinista".

Claro que tínhamos mais para ver no Fundão que, diga-se de passagem, é uma cidade muito atraente, com ar de comunidade estruturada, onde parece que as pessoas vivem com alguma qualidade. Tínhamos o edifício da Moagem, onde decorreu o espectáculo e sobre o qual falarei num outro post e tínhamos o Fundão e as suas imediações, onde fizemos uma corridinha matinal, daquelas de gelar um vulcão, armados em José Sócrates da Beira.

Antes de irmos para o Fundão, como já ficou dito, deixámos os garotos com os avós. Para já, aqui ficam mais 2 imagens desse "deixamento". Gosto particularmente da foto em que o avô aponta o caminho. Tomara que o possa fazer por muitos e bons anos. Estes farois, estas referências, são o que sustenta o edifício da pessoa ao longo da vida.


Lourenço, pensando nas couves da consoada.


O avô aponta o horizonte.

Chegados ao Fundão propriamente dito, fomos de corrida jantar "à aldeia", onde comemos um magnífico bacalhau assado, regado com Quinta dos Currais (que recomendo vivamente). Logo depois fomos até à Moagem, onde o espectáculo estava prestes a começar.
Chamava-se L'echo de mon corps répété dans le batement d'une aile murmurante.

No palco estava o Carlos Zingaro, ao comando das máquinas, com o seu ar tranquilo, como se nem lá estivesse, e Francis Plisson, de torso nú, quieto como uma estátua.





O ambiente era quente, vermelho como o sangue. Havia uma cama da qual escorrera um sonho escarlate que se derramara por todo o palco, como um mar sobre o qual pairava a figura de Francis, vestindo apenas umas calças de samurai. Havia ainda 2 espelhos irregulares, como janelas amarrotadas, reflectindo aquele oceano de sumo de sonho.


A figura começa a mover-se, sem qualquer som ou música, gerando ruído, como se todo o corpo fosse um microfone gigante. O movimento gerava sons de marulhar, de restolhar de roupas, que iam sendo gravados pelas máquinas de Zingaro e logo repetidos, re-alimentando o movimento do dançarino.



Zingaro era o tranquilo timoneiro daquela nave alucinante, recolhendo os sons de borboleta gerados pelos movimentos de Francis e logo os disparando de novo, excitando cada vez mais o dançarino.



Fomos assistindo a este distúrbio, por vezes alimentado também com alguns sons de violino, com ritmo e violência crescentes, dando a impressão que Francis se iria engolir a si próprio. Os braços pareciam não lhe pertencer, tal era a energia com que se moviam, como asas em alvoroço. Depois, numa espécie de êxtase, foi-se acalmando, abraçando o próprio corpo, deitando-se finalmente no tal leito, escorrendo ele também até submergir no mesmo mar de sonho.

Tivemos ainda tempo de ouvir um belíssimo poema, em francês:

"Je te flore
tu me faune

Je te peau
je te porte
e te fenêtre
tu m'os
tu m'océan
tu m'audace
tu me météorite

Je te clef d'or [como na Bele et la bête]
je t'extraordinaire
tu me paroxysme

Tu me paroxysme
et me paradoxe
je te clavecin
tu me silencieusement
tu me miroir
je te montre

Tu me mirage
tu m'oasis
tu m'oiseau
tu m'insecte
tu me cataracte

Je te lune
tu me nuage
tu me marée haute
Je te transparente
tu me pénombre
tu me translucide
tu me château vide
et me labyrinthe
Tu me paralaxe
et me parabole

tu me debout
et couché
tu m'oblique

Je t'équinoxe
je te poète
tu me danse
je te particulier
tu me perpendiculaire
et soupente

Tu me visible
tu me silhouette
tu m'infiniment
tu m'indivisible
tu m'ironie

Je te fragile
je t'ardente
je te phonétiquement
tu me hiéroglyphe

Tu m'espace
tu me cascade
je te cascade
à mon tour mais toi

tu me fluide

tu m'étoile filante

tu me volcanique

nous nous pulvérisable

Nous nous scandaleusement
jour et nuit
nous nous aujourd'hui même
tu me tangente
je te concentrique

Tu me soluble
tu m'insoluble
tu m'asphyxiant
et me lebératrice
tu me pulsatrice

Tu me vertige
tu m'extase
tu me passionnément
tu m'absolu
je t'absente
tu m'absurde"


Só achei o espectáculo muito curto. De resto foi surpreendente e muito belo.



No dia seguinte tomei algumas imagens do edifício da Moagem. Conto apresentá-las brevemente.

ZM

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2 links

>> sábado, outubro 27, 2007

Tenho andado com pouco tempo para grandes truques, mas não posso deixar de destacar aqui o extraordinário update do site Ultimas Reportagens do Fernando Guerra.
Vejam o destaque que é dado n'A Barriga de um Arquitecto.



Subscrevo o que escreve o Daniel, mas acrescento que me parece, tanto quanto conheço, o mais extenso conjunto de reportagens fotográficas de arquitectura reunidas no mesmo site. A juntar a isso, temos a vantagem de ser maioritariamente arquitectura nacional, o que nos facilita o seu conhecimento ao vivo, e fotografada por aquele que é seguramente o mais talentoso fotógrafo de arquitectura a trabalhar em Portugal e provavelmente um dos mais notáveis do mundo. Que outros sites conhecem de um só autor com tamanho volume de reportagens fotográficas sobre arquitectura?

Temos muita sorte em termos por cá um fotógrafo deste calibre e arquitectos com a qualidade por ele apresentada. Já o disse noutras ocasiões, mas nunca será demais lembrar que, pelo menos nesta matéria, temos aqui largos motivos de orgulho.

Obrigado Fernando por continuares a DAR-NOS esta visão extraordinária sobre a arquitectura em Português.



Qual é o outro link?

www.casadavizinha.eu

Trata-se de um site que pretende apresentar projectos de construção sustentável ou onde se aproveitam energias renováveis.
O site tem muita informação, mas não é navegável, pelo que se torna um pouco desinteressante. Já lá andei várias vezes e ainda não vi tudo, mas tenho que confessar alguma desilusão por não ter lá visto um único projecto da arquitecta Livia Tirone.

Até hoje não vi em nenhum outro arquitecto uma coerência nesta matéria como a que demonstra a Livia Tirone, mas parece que os seus projectos não são muito bem vistos pelos restantes arquitectos nacionais. Falar de arquitectura sustentável e deixar de fora a esta arquitecta demonstra no mínimo alguma parcialidade.

Um exemplo: as paredes Trombe são um mecanismo fantástico para aquecer a casa ao final dos dias, sobretudo no Outono e na Primavera, mas não conheço nenhum outro arquitecto que as tenha utilizado em território nacional. Eu habito numa casa com paredes Trombe. Sei do que falo.

Segundo o Expresso, este site terá sido organizado pelo arquitecto João Santa-Rita, autor de um conjunto de 3 moradias em banda, em Janas, aqui bem perto.

Actualmente fala-se muito de arquitectura bioclimática e eu por vezes não consigo evitar um sorriso, porque vejo associar a esse conceito projectos que têm pouquíssimo senão nada de bioclimático. Não se trata apenas de um jargão para vender imóveis, trata-se de facto de uma forma de construir que tem regras descritas na literatura. Posso dizer com conhecimento de causa que os projectos da Tirone Nunes respeitam muito mais regras de arquitectura bioclimática do que a generalidade daqueles que são apresentados como exemplares.

Em todo o caso, não deixem de espreitar o site.

ZM

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Cascais

>> sábado, outubro 06, 2007

Hoje fui com o Lourenço a Cascais. O objectivo era visitar a Casa de Santa Maria (O'Neill), uma magnífica obra de Raúl Lino, construida em 2 momentos: 1902 e 1918. Por alguma razão que desconheço não estava aberta, pelo que tive que me ficar pelo Farol de Santa Marta, que de qualquer forma vale bem uma visita.
Claro que aproveitei também para registar o Farol Design Hotel, um projecto de Carlos Miguel Dias, muito interessante. Aqui ficam as imagens.









ZM

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Ulgueira

>> sexta-feira, outubro 05, 2007

A aldeia da Ulgueira, perto do cabo da Roca, sempre me apaixonou. Fica um bocado "fora de mão" e por isso é muito tranquila e resguardada. Há um caminho que deixa a aldeia no lado Norte (de onde se avista uma das maiores aberrações de que há memória no Parque Natural, felizmente embargada mas incompreensivelmente ainda de pé), que leva até à zona da Adraga e também à praia da Ursa. Antes da tal ruína inacreditável há uma casa que me apaixona particularmente.
É uma casa relativamente pequena, que sempre me atraiu o olhar, mesmo antes de saber de quem era o projecto.
No livro Arquitectura em Lisboa e Sul de Portugal desde 1974, de Carsten Land, Klaus J. Hücking e Luiz Trigueiros, da Editorial Blau, aparecem umas pequenas plantas e uma foto da casa pouco depois de construida (em 1995), que aqui apresento, pedindo desde já desculpa aos autores do livro por não ter pedido formalmente autorização.


Foto de Luís Ferreira Alves

Passei várias vezes por ali a pé e sempre perdi um pouco a atenção no caminho, embasbacado que ficava com a simplicidade, beleza e integração deste edifício na paisagem. Em tempos morou lá uma família com uma criança e tenho que confessar que os invejava. O local onde se encontra é simultaneamente muito belo e muito agreste. Avista-se a costa atlântica desde o vale da Ursa até à Ericeira (em dias de bom tempo), no entanto imagino que a nortada típica da costa se faça sentir com intensidade, quando é caso disso.
Aqui fica outra imagem do mesmo livro, onde se pode ver o aspecto da vista que se tem do terraço do piso de cima:


Foto de Luís Ferreira Alves

Só mais tarde soube que os autores do projecto são Paula Santos e Rui Ramos e data de 1991, tendo sido construido em 1995.

A poente da casa principal está colocado um estúdio de pintura que compõe o conjunto de uma forma eventualmente discutível, mas que me parece harmoniosa. As janelas do alçado poente são todas portas: no piso térreo dão para o quintal, no piso superior dão para um terraço que corre todo o alçado. Têm portadas de madeira no interior e nada no exterior. No geral as linhas são muito simples e as áreas interiores relativamente pequenas. A cozinha é aberta para um espaço que deverá ser uma zona de refeições. Todo o interior parece ter muita madeira.

As próximas duas imagens são feitas por mim há dias e infelizmente contam a história de um abandono.





Por uma qualquer razão esta casa está abandonada há alguns anos e chegou a um estado de degradação que é comovente. Começa a ser engolida pela vegetação das vedações, os portões estão à banda e cobertos de ferrugem, o interior está ferido por falta de vida, com marcas de infiltrações e descuido.

Nunca compreenderei porque razão se abandona um edifício com estas características, sendo certo que no lugar onde está facilmente seria alugado por habitantes de ocasião, sendo muito mais fácil mantê-la em bom estado.

Habitar esta casa é seguramente um grande privilégio. No Verão será um prazer ver o por do Sol do terraço, bem como maravilhar-se ao final da tarde com a vista da Adraga, dos penedos da Ursa e de toda a restante costa para Norte. No Inverno será impressionante assistir à força dos elementos, protegido por aquela casa tão à medida, aquecida pelo fogo da sala.

Ver esta obra notável neste estado de degradação e abandono causa uma verdadeira tristeza. Se me saír o Euromilhões desta semana fica já dito que irei adquiri-la, recuperá-la e emprestá-la a quem queira lá ir apaixonar-se pela nossa belíssima costa Atlântica. Sempre que estiver desocupada, estarei lá eu próprio.

ZM

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Vidro em excesso...

>> terça-feira, setembro 18, 2007

Manuel Vicente, o novo bastonário da ordem dos arquitectos, terá dito algo semelhante a:

“Não quero é estar dentro de casa como se estivesse lá fora, como se o meu ideal de habitar fosse uma grande gaiola de vidro.”

“Tenho uns amigos que moram para os lados do Restelo; chega-se, pára-se o carro e vê-se o que se vê do Alto do Restelo. Depois entra-se em casa e quando se sobe as escadas tem-se outra vez o Alto do Restelo todo dentro da casa: na sala, na cozinha, na casa de banho, no quarto. Lembro-me que a primeira vez que lá fui, a primeira coisa que fiz, (mas espontaneamente, não foi para ser original), foi sentar-me de costas para a janela! Agora imagine-se que a casa tinha umas janelas quaisquer, do século XVIII, estreitinhas, com os tais panos a esvoaçar: depois de ter subido as escadas, ia às janelas para ver como se via o Restelo daquela casa! Porque, então, já seria uma vista do Restelo escolhida, seleccionada, orquestrada...”

Estas declarações foram publicadas no fórum de arquitectura e até podem não ser reais, mas o que interessa é o conteúdo.

Confesso que, no panorama actual da arquitectura moderna Portuguesa, cada vez me identifico mais com esta ideia.

A polémica das paredes de vidro de Mies Van Der Rohe aconteceu há cerca de 60 anos, mas talvez ainda não tenha cá chegado.

Há inúmeros exemplos de projectos recentes, de arquitectos portugueses, que utilizam paredes inteiras de vidro.

As paredes de uma casa servem para manter o calor lá dentro e a chuva fora, mas deixando sair a humidade. Os vãos servem para quatro funções: deixar entrar luz do dia, permitir que o sol aqueça determinadas áreas, arejar a casa (quando abertas) e trazer para dentro a vista do exterior. Paredes inteiras em vidro cumprem mal a função de paredes (uma vez que não acumulam calor, têm demasiado ganho solar durante o dia e demasiada perda térmica durante a noite) e também mal a função de vãos ou janelas. Em muitos projectos estas paredes têm dimensões tão exageradas que nem se podem abrir e dificilmente um ocupante desses espaços evitará grandes cortinas e ar condicionado.

É muito agradável ter vista para o exterior e ter muita luz natural, mas gigantescos panos de vidro no lugar das paredes tornam a casa simultaneamente demasiado nua e demasiado fechada. Nua porque os seus habitantes não têm como se defender de luz e vista não desejados e fechada porque não permitem arejamento nem "respiração".

Eu sou adepto de grandes vãos e vistas para o exterior, mas uma janela só existe se houver uma parede. A vista só existe se for enquadrada. Por vezes, como refere Siza, precisamos de penumbra e recolhimento.

Aqui ficam 2 exemplos de projectos recentes de arquitectos portugueses, no tão acarinhado Bom Sucesso. Alcino Soutinho e Álvaro Leite Siza Vieira, respectivamente.





PS: o Arrumário está de férias (como eventualmente se tem notado). Votaremos com entradas mais regulares a partir de 1 de Outubro.

ZM

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Arquitectura

>> quarta-feira, agosto 29, 2007

Tal como o Lourenço anda a dar os seus primeiros passos, trôpego, aos tropeções e bate-cús, com o objectivo de vir a andar tão bem como os "grandes" que vê do seu ângulo rasteiro, eu comecei a dar os meus primeiros passos na fotografia de arquitectura. No meu caso, quem eu miro do meu humilde ponto de vista é a referência nessa matéria, mas parece-me evidente que o Lourenço chegará mais cedo ao objectivo.

Como me esqueci do cartão "Press", tive mais uma vez que entrar à socapa. Se um dia destes tiverem que me ir visitar ao Linhó não se admirem.

Pois cá fica o primeiro conjunto de fotos de arquitectura feitas com a D80.















Estas são todas de uma casa do gabinete Simbiose, que está à venda na Choice. Gosto particularmente dos estores exteriores de lâminas e do facto de se poder andar sobre a cobertura. Não gosto da orientação, mas neste caso isso prende-se com o terreno e não com uma escolha errada do arquitecto. Acho um projecto muito interessante.



Esta é de uma casa que está em construção, mesmo ao lado da anterior, neste caso da autoria da arquitecta Inês Lobo. No geral admiro bastante o trabalho da Inês Lobo, mas este projecto particular não o compreendo. Acho esta casa terrivelmente fechada sobre si própria, e parece que irá ter paredes em betão aparente. Imagino que a factura energética deste edifício não vá ser muito fácil de pagar. O problema é que este tipo de construção para milionários da energia tem uma parte da factura que é paga por todos nós: a poluição atmosférica. Diria que este projecto foi erguido totalmente sobre o plano estético, completamente de costas para os aspectos energéticos, funcionais e ecológicos.

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FG+SG e-Mag

>> sexta-feira, junho 08, 2007

Está finalmente oficialmente online a Revista Electrónica das edições FG+SG (Fernando e Sérgio Guerra)



Este projecto de Álvaro Siza (de que já tinha falado aqui) lembra-me um outro, a Igreja do Marco de Canaveses. Perdoem-me a heresia, mas para mim ambos são templos.



O do Marco, religioso, ergue-se na vertical, tentando dialogar com os deuses e fazendo-nos sentir pequenos.
O de Campo Maior, um templo à alquimia do vinho, estende-se sobre a terra, largando raízes fundo no terreno, imitando a vinha que lhe dará a seiva. Apetece entrar para a penumbra do seu interior, respirar o cheiro da madeira e dos vapores da uva.
É um edifício magnífico, muito belo e diluído na paisagem alentejana de uma forma surpreendente.



Álvaro Siza no seu melhor, desvendado pela incomparável objectiva de Fernando Guerra. A não perder.

ZM

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Massa térmica

>> quarta-feira, maio 16, 2007

Tenho uma amiga que vai construir uma casa aqui na zona de Sintra. Está a pensar utilizar a tecnologia de construção em aço. Até agora, todas as casas que vi construir com esta técnica de construção têm um defeito do ponto de vista térmico: não têm massa térmica nas paredes. Falámos disso, mas não fui suficientemente convincente para a fazer mudar de ideias (até porque o aspecto financeiro deve pesar na decisão).
Curiosamente, no post anterior, há um comentário que remete para um site muito interessante, cheio de informação sobre construção sustentável, do qual destaco o seguinte parágrafo:

"Thermal Mass:
Thermal mass inside a building moderates temperature swings by storing heat when the sun is shining and releasing heat back into the building when it begins to cool off. Materials commonly used for mass include water, concrete, masonry, and earth. Keep the mass at 3-4” thick, and keep it in the direct sun for best effectiveness. Mass must be carefully balanced with glazing area to perform properly in a given climate."

É pouco provável que ela leia este post, mas pelo sim, pelo não, aqui fica a ideia, sublinhada uma vez mais.

Eventualmente o projecto será de uma dupla de arquitectos, de quem já falei aqui há algum tempo: João Brandão e Margarida Gomes.


foto retirada do site www.jbmg-arquitectos.pt

As técnicas de construção sustentável ou bioclimática são geralmente simples de executar e raramente implicam custos de construção superiores aos da construção tradicional, mas irá demorar mais umas décadas até entrarem na generalidade dos projectos. Sinto sempre uma certa angustia quando vejo erguer edifícios (sobretudo os de habitação) que poderiam ter ficado muito mais confortáveis e económicos com ligeiras alterações de projecto. Acho que esta divulgação se perde por aqui, mas devia ser um dos principais cavalos de batalha das revistas de arquitectura, que agora se publicam às dezenas e até das publicações da ordem. Pelo que me vou apercebendo, os currículos das escolas de arquitectura tocam nestes assuntos muito ao de leve e a maioria dos arquitectos nacionais coloca este item na ultima linha do projecto.
Por quanto mais tempo vamos continuar a construir contra a natureza?


Obrigado ao Helder pelo comentário e pelo link.

ZM

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Tesseract

>> terça-feira, maio 08, 2007

O Tesseract está para um cubo como o cubo está para um quadrado, ou seja, é um cubo a 4 dimensões.

Tesseract é o nome de um romance de Alex Garland (o autor do célebre romance A Praia), que tem o tipo de estrutura narrativa de filmes como o Amores Perros, o Magnólia ou Crash, em que tudo parece absurdo até finalmente descobrirmos o fio condutor e encontrarmos uma extraordinária obra de arte, daquelas que nos tiram o fôlego.

Tesseract é ainda o nome dado a uma escultura arquitectónica saída do lápis do arquitecto Steven Holl, de quem já falei aqui, mas que reencontrei no livro do qual também já falei aqui.

Estas imagens foram retiradas do tal livro e apresentam esta pérola da arquitectura sustentável, onde foram utilizadas algumas técnicas notáveis, como o Glass Plank que se pode ver nesta primeira imagem, na foto da direita:



Trata-se de um colector de calor, que envia o ar aquecido para dentro de casa durante o Inverno (estando na fachada Sul da construção) e serve de chaminé térmica forçando o ar a entrar pela fachada Norte durante a estação quente, refrescando a casa. A única coisa que é preciso fazer é alterar a saída de ar da parte superior do dispositivo, de acordo com a estação do ano: no Verão está aberta para a rua, sugando ar de dentro de casa e fazendo exaustão para o exterior, no Inverno a saída de ar superior está aberta para dentro de casa, fazendo o ar circular no seu interior, aquecendo-o e voltando a libertá-lo dentro de casa.

O que é que se ensina nas nossa faculdades de arquitectura?


Aqui podemos ver como a proximidade de um lago pode ser utilizada para refrescar uma pequena casa como esta, desde que tenhamos em linha de conta a orientação dos ventos dominantes.



Aqui temos as plantas de 2 dos andares desta pequena casa de fim-de-semana. Falta apenas a planta da cobertura, onde se veria um pequeno terraço que tem acesso a partir do estúdio (escritório).



Nesta imagem vemos vários aspectos do projecto. Na foto superior esquerda vemos uma cabine de duche com saída para a rua (engenhoso, fora do cumum, mas muito interessante, mais que não seja para arejar a casa de banho); na foto seguinte vemos a "marquise" a Norte, que serve fundamentalmente para receber ar fresco no Verão para preencher o lugar deixado vago pela exaustão forçada da chaminé térmica que se encontra na fachada Sul, formidável como conceito, não? Na foto inferior direita vemos a escada que dá acesso ao tal terraço sobre o estúdio. Nenhum cliente em Portugal aceitaria tal coisa (excepto eu, que nesta matéria sou pouco conformista).



Este arquitecto trabalha com materiais e dispositivos inovadores, tanto no aspecto estético como no funcional. Se me formasse em arquitectura, acho que tentaria estagiar no seu gabinete. Diria que este é um caminho que me agradaria percorrer. Estou convencido que leva à arquitectura do futuro.

ZM

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A tal surpresa....

>> domingo, maio 06, 2007

Comecei este post falando de uma surpresa que recebi na Sexta-feira, pelo correio. Aqui fica o registo fotográfico da dita:



Trata-se de 2 pequenos livrinhos que apresentam os prémios Secil dos anos 2000 e 2006, ambos do arquitecto Álvaro Siza Vieira, respectivamente a Faculdade de Ciências da Informação de Santiago de Compostela e o Complexo Desportivo Ribera-Serrallo, do qual já falei neste outro post.

O envio foi da responsabilidade do Pedro Cabral, dos Bonecos de Bolso, e aqui deixo o meu público e sincero agradecimento.

Aproveito para dar conta de uma outra prenda do mesmo autor, enviada há mais tempo, que pendurei com muita estima em lugar de destaque.

Este é o "boneco", depois de emoldurado:



Esta é a localização, em pendant com o Saura que temos por cima da cama:



Já agora, a talhe de foice, lembram-se deste passeio e particularmente desta foto?



Então reparem na semelhança:



Pois é, é mais um passeio dos Bonecos de Bolso, desta feita à povoação de Alegrete.

Uma delícia estes traços. Obrigado Pedro. Um triplo obrigado, pelos livrinhos, pelo desenho de Monserrate e pelos registos a traço dos locais que há tão pouco visitámos.

ZM

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